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Seleção pede desculpas e promete aprender com erros

Jogadores brasileiros saem do campo depois do apito final.

Jogadores brasileiros saem do campo depois do apito final.

Foto: Reuters

Muita tristeza, desolação e pedidos de desculpas à torcida marcaram a saída dos jogadores brasileiros do estádio Mané Garrincha após a goleada de 3 a 0 neste sábado (12) para a Holanda, na disputa pelo terceiro lugar da Copa. A seleção saiu consciente de que frustrou um país inteiro por não estar à altura do alto nível das equipes que enfrentou, sobretudo nos dois jogos finais.O grupo coloca um fim nesta dolorosa experiência com a promessa de aprender com os erros para não repetir vexames no futuro e reconquistar a confiança do torcedor.

 

Elcio Ramalho, enviado especial a Brasília

A derrota para a Alemanha, que pôs fim ao sonho do hexa, teve efeitos nefastos que repercutiram no jogo pelo terceiro lugar com a Holanda. Esta é a percepção dos atletas que estiveram em campo neste sábado e não souberam reencontrar o caminho da vitória.

A tão propalada motivação expressa pelos jogadores nos últimos dias para vencer a Holanda, terminar em terceiro e aliviar a dor pela derrota histórica de 7 a 1 para os alemães na semifinal se ofuscou logo no início da partida, aos 2 minutos, com a abertura do placar pela Holanda.

O temor de mais um fiasco pairou sobre o estádio Mané Garrinha, especialmente após o segundo gol, aos 17 minutos. Das arquibancadas, torcedores foram incansáveis no apoio à equipe e vibrando com cada lance bonito e com as (poucas) possibilidades concretas de gol.

No segundo tempo, na medida em que as esperanças se tornavam mais remotas, parte da torcida ensaiou um “olé” quando a bola circulava pelos pés dos holandeses para mostrar sua decepção, mas a maioria calou a tentativa de nova humilhação aos jogadores com gritos de incentivo. Evitou um desconforto ainda maior, mas não o terceiro gol holandês, já nos acréscimos da partida, selando mais uma goleada sofrida pela equipe de Luiz Felipe Scolari, que saiu de campo sob vaias.

O capítulo de uma história que deveria ter um final feliz neste domingo no Maracanã terminou escrita de maneira melancólica e com o gosto amargo da derrota. O treinador Felipão anunciou a entrega de seu cargo, explicando que estava previsto antes da Copa. Quando ainda tentava convencer os brasileiros de um balanço positivo de sua seleção, o atacante Neymar interrompeu rapidamente a entrevista coletiva para dar um abraço no treinador. Um gesto elegante de solidariedade e respeito de um jogador que deixou um país inteiro órfão de seu talento, na fase decisiva da Copa.

Antes de seguirem para o Rio de Janeiro e São Paulo, os jogadores que estiveram em campo falaram pela última vez com os jornalistas:

Júlio Cesar: “Nesses momentos é ter cabeça fria, levar os ensinamentos e pensar o que deve ser melhorado. A tristeza existe, por tudo o que aconteceu, principalmente na semifinal. Mas vai passar, os campeões devem olhar sempre para frente. Que esse grupo possa tirar bastante coisa positiva, lapidar essa situação que ocorreu para o futuro. Tem que tirar muito ensinamento para em 2018, que está logo ali, conquistar o tão sonhado hexa.”

Fred: “A gente tem que ter humildade para reconhecer que não aconteceu como imaginávamos. A gente desejava o título, coisas melhores. O penúltimo jogo foi bem marcante para a gente de forma negativa. Agora temos que levantar a abeça. Ninguém vai morrer. A gente fica triste. Essas cicatrizes, vamos carregar e vamos ter que erguer a cabeça.”

Ramirez:  “Não era assim que gostaríamos de ser lembrados pelos torcedores, ficaremos marcados. Virão críticas, vamos ser colocados para baixo, mas temos que ser fortes. A gente sabe que até para voltar ao clube fica complicado porque vamos ouvir gracinhas. A gente fica perdido porque não tem muito o que falar nem o que fazer. Agora vão falar de vexame, vergonha, humilhação. A gente vai ter que aceitar porque é o que aconteceu.”

Hulk: “Temos que pedir desculpas pelos dois jogos e continuar trabalhando. A vida segue. É erguer a cabeça e ter consciência de que erramos e vamos assumir nosso erro. Ninguém esperava perder de 7 a 1 contra a Alemanha e hoje de 3 a 0 contra a Holanda. Tomar 10 gols em dois jogos, não tem que explicar. Temos é que pedir desculpas e levantar a cabeça para continuar trabalhando.”

Maxwell: “É difícil a gente começar um jogo com um gol e correr atrás de um resultado contra uma equipe rápida e organizada. Saio com o sentimento dividido pela alegria de ter estreado e participado, e pela tristeza por ter perdido e sofrido esses gols que deixaram uma marca grande. Eu vou me lembrar dessa Copa do Mundo pelos momentos fantásticos, inesquecíveis, de uma experiência fantástica. Chegar entre os quatro (do Mundo) é muito grande para qualquer profissional. Perder da maneira que foi deixa dolorido, não mostra a realidade do nível dos jogadores, mas mostra que não estivemos bem organizados e cometemos erros que se pagam num nível como este.”

Oscar: “Foi uma derrota difícil de assimilar (para a Alemanha) e temos que aprender com os erros para melhorar no futuro. O Felipão foi um excelente treinador até hoje e tomara que ele fique, mas se não for ele, será outro. A seleção é assim e os jogadores também não sabem se vão continuar.”

: “Desses 28 jogos que essa seleção fez junto, dois jogos têm que ser apagados. Agora cada um tem que saber que tem condições, são jogadores que estão nas melhores equipes do mundo. Todos têm condições de fazer coisas melhores no futuro. A gente despertou muita coisa no povo brasileiro, por isso que eles nos vaiaram. A gente conseguiu trazer emoção de volta. Agora é erguer a cabeça e se desculpar, é claro. Muitos ainda têm condições de jogar uma outra Copa do Mundo e isso não pode ficar guardado porque tem muita coisa pela frente.”

David Luiz: “A gente tinha reacendido uma chama com a torcida. E o baque foi sentido, mas que sirva de aprendizado. Vamos colocar os pés no chão, com muita humildade e ver as coisas boas para mantê-las e aprender com o que não fizemos bem. Quem não quer aprender com tudo o que se vive na vida não evolui. É triste ver que o sonho alimentado por uma país inteiro, de ganhar um hexa, não vai ser realizado. Mas quem sabe não foi tudo por um bom motivo para em 2018 ganharmos o hexa. Só homens e grandes guerreiros irão sobreviver a isso tudo.”

Thiago Silva: “O jogo de hoje foi consequência do jogo passado contra a Alemanha. É difícil você se reeguer com uma derrota da forma que foi. Temos que começar tudo de novo. Nós temos que tirar muitas lições desses últimos dois jogos, porque tudo o que a gente não tinha errado antes, erramos em um só jogo. Esse momento não é a seleção brasileira e é difícil aceitar a derrota do jeito que foi. Apesar de não ter conseguido o troféu, conseguimos muitas outras coisas também, como ter trazido a torcida de volta, é o ponto positivo que a gente pode tirar desse momento. Esse grupo pode chegar em 2018 com uma condição melhor do que tem hoje.” 

Hulk volta à ser titular em treino coletivo para enfrentar Camarões

Hulk (à esquerda) e Bernard treinaram hoje na Granja Comary.

Hulk (à esquerda) e Bernard treinaram hoje na Granja Comary.

REUTERS/Paulo Whitaker

A seleção brasileira realizou neste sábado (21) seu último treino da semana na Granja Comary antes de embarcar para Brasília, onde enfrenta na segunda-feira a equipe de Camarões. Felipão comandou um coletivo e, aparentemente, terminou com um mistério. Deu a camisa de titular para o atacante Hulk.

Elcio Ramalho, enviado especial à Copa do Mundo

Depois de ter ficado no banco de reservas contra o México, o camisa 7 da seleção deve voltar a ser titular contra a seleção africana. O treinador Scolari chegou a brincar na hora de distribuir as camisetas para o coletivo ao passar direto por Hulk sinalizando que iria escolher outro jogador, mas depois deu meia-volta e a entregou ao atacante.

Hulk parece ter reconquistado a posição, depois de uma tentativa não muito bem-sucedida de colocar Ramires no ataque. Durante o treino, Felipão deu bastante ênfase nas jogadas de ligação entre meio de campo e ataque. Neymar e Paulinho marcaram gols.

Na segunda parte do treino, Felipão trocou três jogadores que estão com cartão amarelo: Thiago Silva, Luiz Gustavo e Neymar foram substituídos por Dante, Fernandinho e Wiliam, em uma clara demonstração de que quer ter opções caso um dos titulares receba um segundo cartão amarelo e tenha que cumprir suspensão automática.

Contra Camarões a seleção vai atingir a marca de 100 partidas em Copas do Mundo. A seleção deve embarcar às 20h30 do Rio de Janeiro em direção à Brasília, onde deve chegar por volta das 22h30. Neste domingo, o treino de reconhecimento do gramado será no final da tarde, às 18h30, seguido de uma entrevista coletiva.

Copa do Mundo é objetivo mais difícil

A comissão técnica, com o aval dos jogadores, anunciou o cancelamento da folga prevsita para terça-feira. A medida foi interpretada com uma decisão para evitar críticas de que o time estaria rendendo abaixo do esperado.

Na coletiva desta sábado na Granja Comary, o desempenho da equipe nos dois primeiros jogos foi um dos temas abordados com o lateral direito Daniel Alves. O jogador lembrou que vitórias consideradas surpreendentes, como as da Costa Rica, revelam que a competição é muito difícil e existe mais equilíbrio entre as equipes.

Espontaneamente, Daniel fez referências às comparações entre a atual seleção brasileira e a equipe que conquistou a Copa das Confederações no ano passado.

“A gente não é a seleção da Copa das Confederações e nem devemos ser porque estamos jogando um Mundial e essa competição é muito mais exigente. A gente não pode ficar esperando nem tentando ser igual à Copa das Confederações porque esse objetivo (do título do Mundial) é superior e mais difícil”, disse o jogador do Barcelona.

Jogo entre Brasil e México terá forte esquema de segurança para evitar protestos

Arena Castelão, 2013

Arena Castelão, 2013|Flickr/Crystian Cruz

Os moradores do bairro onde fica o estádio tiveram que se cadastrar e colar no para-brisa uma autorização especial para circular em dias de jogos. Militares também foram destacados para a segurança do jogo que começa às 21h no estádio do Castelão, em Fortaleza. A partida, que pode garantir a vaga do Brasil nas oitavas de final, promete ser uma das mais complicadas para a seleção nesta primeira fase.

Elcio Ramalho, enviado especial a Fortaleza

Para os moradores da capital cearense, esta terça-feira será lembrada como o dia em que os mexicanos invadiram a cidade. Torcedores vestidos com a camiseta verde da seleção, com bandeiras enroladas pelo corpo e na cabeça, e muitos com os tradicionais sombreros, invadiram as ruas e os locais mais turísticos, como a orla marítima.

Uma pesquisa revelada hoje mostra que, dos mais de 63 mil ingressos colocados à venda para a partida, 68% foram comprados por turistas, sendo 26% deles estrangeiros. Em primeiro lugar na lista aparecem os mexicanos seguidos dos americanos. Ou seja, o amarelo vai dividir espaço com o verde na Arena Castelão

Mas, apesar do clima festivo, um forte esquema de segurança foi organizado ao redor do estádio, para evitar a aproximação de eventuais manifestantes. Desde ontem, militares já estavam posicionados no perímetro de cerca de dois quilômetros ao redor do estádio. Diversas barreiras colocadas em torno do Castelão também vão evitar a entrada de veículos. Foram limitados dois carros por família.

No ano passado, 35 mil pessoas manifestaram nos arredores do estádio, também em um jogo contra o México pela Copa das Confederações, quando houve confrontos violentos com os policiais. Os rumores é de que novos protestos estão previstos hoje, mas não há informações sobre a mobilização.

Jogo promete ser um dos mais complicados para o Brasil

O histórico entre os times mostra que o México se tornou uma pedra no sapato do Brasil. Todo mundo se lembra da derrota do Brasil nas Olimpíadas de 2012 na disputa pela medalha de ouro. Peralta, autor dos dois gols da vitória mexicana, virou carrasco do Brasil e estará em campo amanhã ao lado de outro atacange perigoso, Giovanni dos Santos, filho de um brasileiro.

Na entrevista coletiva ontem, na Arena Castelão, o treinador Miguel Herrera e alguns jogadores disseram que não têm medo do Brasil e não haverá marcação especial em Neymar porque o time todo é perigoso. Já Felipão continua com a dúvida se Hulk vai ter condições de jogo. Ele espera uma vitória porque esse resultado pode garantir a classificação e será mais um degrau nos seis que ainda faltam para o hexacampeonato.

Chuvas não ameaçam partida, garantem autoridades

Uma vistoria feita no local não constatou nenhum problema que ameaçasse a realização da partida. Nos últimos dias, a chuva não deu trégua em Fortaleza e foram identificadas goteiras na Arena das Dunas. Em 48 horas, choveu o equivamente a um mês, segundo os serviços meteorológicos. A situação só não foi pior porque foi usada uma drenagem para evitar que as lagoas de contenção das águas da chuva transbordassem. O maior problema é em relação ao moradores de alguns bairros. Muitas casas fora destruídas por causa de uma cratera, e cerca de 150 moradores estão desalojados.

Autoridades portuguesas dizem que Felipão é alvo de investigação

Estadão Conteúdo

N/A

Treinador da Seleção é acusado de evasão fiscal

Autoridades portuguesas anunciaram nesta quarta-feira que Luiz Felipe Scolari está sendo objeto de uma investigação criminal em Portugal. A informação foi confirmada um dia depois de o jornal holandês Het Financieele Dagblad ter revelado documentos obtidos pelo site http://www.offshorealert.com, segundo os quais o Departamento de Investigação e Ação Penal de Portugal fez um pedido de assistência jurídica para os Estados Unidos para ajudar a apurar o caso envolvendo o técnico da seleção brasileira, que é suspeito de evasão fiscal e lavagem de dinheiro no país europeu.

O treinador teria deixado de declarar 7,4 milhões de euros (R$ 22,4 milhões pelo câmbio atual) entre 2003 e 2008, período em que comandou a seleção portuguesa. Segundo a denúncia, ele teria usado três empresas para burlar o Fisco português. A suspeita é que o treinador utilizou a Flamboyant Sports CV, com sede na Holanda, para intermediar um contrato de imagem no valor de 200 mil de euros (R$ 605 mil) com a marca de roupas esportivas Nike. Ele também teria outros contratos com a empresa inglesa Chaterella Investors Ltd (CIL) e Taliston Financial, das Ilhas Virgens Britânicas. Somente esses negócios somariam mais de 7 milhões de euros (R$ 21 milhões).

As autoridades de Portugal, porém, não especificaram qual é o tema da investigação relacionada a Felipão, respeitando as leis do sistema judicial do país, que ordenam sigilo durante o curso da apuração dos fatos. O Departamento de Investigação e Ação Penal de Portugal apenas se limitou a informar que um inquérito foi aberto para apurar o caso envolvendo o comandante da seleção brasileira.

Na última terça-feira, quando o caso estourou, Felipão divulgou nota oficial, por meio de sua assessoria, para negar que tenha cometido qualquer irregularidade fiscal. “Eu fiz todas as minhas declarações de renda corretamente. Em todos os países que trabalhei sempre declarei os meus rendimentos. Tenho absoluta convicção da correção das minhas declarações. Se há algo errado, não é comigo. Que a Justiça apure todos os fatos”, disse.

Segundo o jornal holandês Het Financieele Dagblad, a Justiça de Portugal pediu a colaboração dos Estados Unidos na investigação porque os pagamentos envolvendo o técnico teriam sido feitos em contas bancárias nos nomes de Felipão e de um dos seus filhos em Miami. O objetivo seria saber quem fez os depósitos.

Caso as autoridades de Portugal decidam apresentar acusações contra Scolari com base na investigação em curso, ele teria de se defender das mesmas em um tribunal do país. Em solo português sonegação de grandes quantias de dinheiros implicam em condenação à prisão. Pelas leis locais, evasão fiscal e lavagem de dinheiro são crimes que podem render uma pena de até 17 anos de detenção.

A investigação envolvendo o nome de Felipão acabou sendo revelada menos de um mês antes de o Brasil estrear na Copa do Mundo, contra a Croácia, em 12 de junho, no Itaquerão, em São Paulo. Este confronto irá abrir o Mundial de 2014.

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio