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A hora e a vez dos corações valentes

Sem politizar a discussão dos modelos em disputa no país, a dinâmica do ajuste deslizará inevitavelmente para a chave do arrocho, ganhe quem ganhar em outubro.

Carta Maior|Saul Leblon 

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O discurso da Presidenta Dilma na convenção do PT,  que ratificou sua candidatura  à reeleição, neste sábado,  merece mais do que a atenção dispensada  normalmente  à retórica  eleitoral.

Há ali, talvez, o sinal de uma importante transformação.

O economicismo perde espaço  como ferramenta central da luta pelo desenvolvimento na concepção  petista e no projeto de reeleição.

Essa primazia passa a ser agora da questão política.

A  pavimentação do  ‘novo ciclo histórico’ que se almeja construir, conforme as palavras da candidata, recai sobre uma democracia tonificada por reformas e pela ampliação de canais com a sociedade. 

“A transformação social produzida por nossos governos criou as bases para a promoção de uma grande transformação democrática e política no Brasil. Nossa missão, agora, é dar vida a esta transformação democrática e política, sem interromper, jamais, a marcha da grande transformação social em curso. Não vejo outro caminho para concretizar a reforma política do que a participação popular, mobilizando todos os setores da sociedade por meio de um Plebiscito (…) São tão amplos os desafios, as propostas e as tarefas que temos, que é mais apropriado chamar o que nos propomos construir de “novo ciclo histórico” – e não apenas de “novo ciclo de desenvolvimento”, disse a Presidenta.

No centro das propostas para um quarto mandato do PT no país, portanto, está a reforma política, mas também a ampliação da democracia participativa, através dos conselhos populares,  e a democratização da comunicação, como lembrou outro orador do encontro,  o presidente do PT, Rui Falcão.

A nova ênfase  não ofusca a atenção aos desafios e metas para expandir os avanços econômicos e sociais acumulados nos últimos 12 anos.

‘Nosso Plano de Transformação Nacional será a ampliação do grande conjunto de mudanças que estamos realizando junto com o povo brasileiro’, disse Dilma.

E o  ex-presidente Lula lembrou que a vitória em outubro passa por uma ampla mobilização para comparar resultados, ‘entre o que eles fizeram e o que nós realizamos’.

O que emerge agora, porém,  é a aparente certeza de que nenhum outro compromisso relevante  com a população  será viável sem dispor do lastro institucional que assegure a celeridade e a sustentação do processo.

A babel partidária no Congresso, a supremacia do dinheiro privado nas campanhas , a desgastante formação das maiorias tornam impossível erguer as linhas de passagem para um novo ciclo de crescimento com a coerência e a rapidez requeridas pelos gargalos da economia e as urgências da sociedade.

Essa é a hora de um coração valente –como lembra o jingle da campanha pela reeleição.

Trata-se de um salto lentamente amadurecido no círculo dirigente do partido. Mas que ganhou impulso e a urgência de uma ruptura,  a partir de dois acontecimentos: o processo da AP 470 e os protestos de rua por melhor qualidade de vida, iniciados em junho de 2013.

A narrativa martelada pelo dispositivo midiático conservador sobre esses episódios cuidou de selar o divisor de águas.

Não por acaso, na abertura do 14º Encontro dos Blogueiros e Ativistas Digitais, em 16 de maio, o ex-presidente Lula resumiria essa mudança  em uma declaração peremptória: ‘ Sem reforma política não faremos nada neste país. E ela terá que ser construída pela rua, por uma Constituinte exclusiva. O Congresso que está aí pode mudar uma vírgula aqui, outra ali. Mas não a fará’, disse ele.

Não era força de expressão.

Trata-se de dar consequência institucional  ao vapor acumulado na caldeira das realizações e das conquistas, mas também das demandas, gargalos e impasses da última década.

Reconhecido pelo FMI como a nação que mais reduziu o desemprego em pleno colapso mundial –11 milhões desde 2008, enquanto o mundo fechava mais de 60 milhões de vagas–  o Brasil avulta agora como a ovelha negra aos olhos do padrão ortodoxo.

O pleno emprego verificado em sua economia impede que os ganhos de produtividade se façam pelo método tradicional de compressão dos holerites.

A ‘purga’ de desemprego e arrocho é a alternativa da ‘ciência’ conservadora para devolver ‘eficiência’ à indústria e moderação aos preços.

A receita é vendida diuturnamente como parte de um calendário inevitável após as eleições, ganhe quem ganhar, embora o ‘consenso’ não conte com a anuência da candidata que lidera a disputa:

‘Eu não fui eleita para trair a confiança do meu povo, nem para arrochar salário de trabalhador! Eu não fui eleita para vender patrimônio público, mendigar dinheiro ao FMI, e colocar, de novo, o país de joelhos, como fizeram! Eu fui eleita, sim, para governar de pé e com a cabeça erguida!’, disse a Presidenta Dilma na convenção de sábado.

Excluir o arrocho das prioridades de governo para  relançar o crescimento encerra desafios respeitáveis.

Há problemas reais a enfrentar.

Ao resistir à ‘destruição criativa’ promovida urbi et orbi pela maior crise do capitalismo desde 1929, o Brasil tornou-se de fato um paradoxo.

De um lado, carrega um trunfo social vibrante.

Enquanto a renda do trabalho e a dos mais pobres esfarela em boa parte do mundo, vive-se o inverso aqui.

Entre 1960 e 2000, a fatia do trabalho na renda nacional havia recuado de 56,6% para algo abaixo de 50%.

Entre 2004 e 2010 essa participação cresceu 14,4%.

Em grande parte, segundo o Ipea, por conta do ganho real de poder de compra do salário mínimo, que cresceu 70% de 2003, como lembrou Dilma na convenção.

Sob governos do PT , os  10% mais pobres da população tiveram um crescimento de renda acumulado de 91,2%.

A parcela endinheirada ficou com um ganho da ordem de 17%.

Nas economias ricas, como demonstrou Thomas Piketty,  o ciclo recente agravou um padrão feito de desigualdade ascendente.

Em alguns casos, a mais-valia absoluta está de volta, através de políticas de corte salarial puro e simples, ou do seu congelamento, associado à ampliação da jornada de trabalho.

Grécia, Portugal e Espanha são os laboratórios desse revival da aurora capitalista.

No total, 24% dos europeus não tem renda para sustentar suas necessidades básicas, entre as quais, alimentar-se.

Nos EUA, 47,5 milhões vivem com menos de 2 dólares por dia. O salário mínimo  é inferior ao vigente na era Reagan.

Não é difícil imaginar o impacto dessa espiral regressiva na fragilização dos sindicatos e na predação de direitos.

Os custos salariais recuam celeremente em boa parte do mundo. O conjunto reposiciona os fluxos de comércio, as cadeias de produção e a renda no planeta.

A deterioração das relações de trabalho  no ambiente global fura o bloqueio das políticas progressistas brasileiras através do  canal do comércio exterior.

Uma parte da distribuição de renda promovida desde 2003 vaza para os mercados ricos, gerando encomendas e lucros por lá, através das importações baratas que sufocam a manufatura brasileira.

25% do consumo atual de manufaturados no Brasil tem origem em mercadorias importadas.

O déficit comercial específico nessa área em 2013 foi de US$ 105 bi.

A solução conservadora para esses desequilíbrios é martelada sem trégua pelo seu aparato emissor.

O Brasil precisaria, segundo essa visão das coisas,  de um choque de juros e de um aumento do desemprego; um tarifaço para ajustar os ‘preços represados’ –sem correção dos salários, naturalmente ; bem como uma abertura comercial ampla, com cortes de tarifas, câmbio livre e mobilidade irrestrita para os fluxos de capitais.

O conjunto, assegura-se, permitiria desmantelar a couraça de ‘atraso e populismo’ que impede o  país de  voltar a crescer com eficiência e competitividade.

Trata-se, em síntese, de trazer para o país a crise e os  desdobramentos  que o PT evita desde 2008. De forma algo tardia e em dose única.

Esse é o programa de Aécio e assemelhados para  colocar o Brasil em linha com o cânone  global. 

As intervenções da Presidenta Dilma  –reforçadas na convenção do PT–  rechaçam a panaceia conservadora.

Seu entendimento é o de que é possível interromper a sangria com medidas destinadas a elevar a produtividade, em duas frentes:  a média prazo,   com educação, reforma tributária e incentivos ao investimento;  a curto prazo, retomando a redução dos  juros e a desvalorização do câmbio, tão logo se consolide o recuo da inflação.

A aposta exige  forte coordenação do Estado sobre os mercados para funcionar. 
E só funcionará  associada a uma ampla pactuação de metas para o ‘novo ciclo histórico’ preconizado pela Presidenta Dilma, com o  engajamento  de partidos, sindicatos e movimentos sociais nesse mutirão democrático.

Exatamente porque é  –e será, cada vez mais necessário politizar a discussão dos dois modelos em disputa no país, a reforma política e a regulação da mídia assumiram a centralidade das preocupações de Dilma, Lula e do PT.

Ampliar essa conscientização é o desafio da campanha progressista até as urnas de outubro.

Sem o engajamento de milhões de corações valentes, a dinâmica do ajuste  brasileiro deslizará inevitavelmente para  a chave do arrocho.

Ganhe quem ganhar no voto.

Imprensa europeia destaca oficialização da candidatura de Dilma à reeleição

A presidente Dilma Roussef e o ex-presidente Lula durante a Convenção do PT, em Brasília.

A presidente Dilma Roussef e o ex-presidente Lula durante a Convenção do PT, em Brasília|REUTERS/Joedson Alves|Adriana Moysés

Sites de notícias europeus dão destaque à Convenção do PT ocorrida neste sábado (21), em Brasília. No evento, 800 delegados do partido oficializaram a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição, no dia 5 de outubro. O diário espanhol El Pais afirma que Dilma quer dar “mais futuro” ao Brasil. O apoio incondicional do ex-presidente Lula a Dilma, durante a convenção, impressiona a revista francesa Le Point.

El Pais afirma que Dilma disputará um segundo mandato com a promessa de seguir transformando o Brasil e consciente que se encontra diante da reeleição “mais difícil de todas”, como ela mesmo disse. O jornal espanhol comenta que a presidente deixou a cordialidade de lado em seu discurso e logo atacou os críticos de seu governo, “chegando a afirmar que não foi eleita para vender o patrimônio público nem para mendigar dinheiro para o FMI”.

O jornal português O Público assinala que a presidente brasileira enfrenta há vários meses uma erosão progressiva da sua popularidade, mas mantém-se ainda como favorita nas pesquisas, com 39% das intenções de voto, segundo uma sondagem Ibope publicada na quinta-feira. “Os seus principais adversários serão o social-democrata Aécio Neves (PSDB), com 21% de intenções de voto, seguido do socialista Eduardo Campos (PSB), com 10% de intenções de voto”, acrescenta o diário português.

Má notícia

O Público destaca que a votação do PT aconteceu “depois dos delegados terem recebido, com surpresa, uma má notícia”. “O PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), aliado do PT na primeira eleição de Dilma, decidiu não apoiar a sua reeleição”, relata o diário. Em nota, assinada pelo presidente nacional do PTB, Benito Gama, o partido anunciou que integrará a aliança de apoio a Aécio Neves.

O site da revista francesa Le Point escreve que “em plena Copa do Mundo, a oficialização da candidatura de Dilma à reeleição ganhou ares de revanche contra as manifestações anti-Copa”. A maneira como os participantes da convenção aclamaram Lula chamou a atenção da publicação.

Le Point publica o depoimento da militante petista Nadia Araujo, de 47 anos. “Muitos queriam ver Lula no lugar de Dilma na próxima eleição, mas cada coisa tem seu tempo”, afirma a militante. “Como o próprio Lula disse, o importante é reelegermos Dilma”, concluiu.

O jornal de esquerda Libération nota que o descontentamento dos eleitores com o governo e a classe política continua importante. “Mas os brasileiros estão atualmente envolvidos com a Copa do Mundo, que eles sonham conquistar pela sexta vez”, diz o texto. As reivindicações por melhorias sociais foram temporariamente adiadas. “Os protestos à margem da Copa reúnem um número pequeno de militantes de extrema-esquerda e anarquistas”, constata Libération.

‘Nunca fiz política com ódio’, diz Dilma em lançamento de candidatura

 

Na convenção nacional do PT, presidente candidata à reeleição afirma que ela e Lula herdaram um ‘legado perverso’

O DIA

Rio – Sem as tradicionais bandeiras vermelhas, substituídas por tecidos azuis com uma pequena estrela no centro, o PT oficializou neste sábado a candidatura à reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta prometeu promover um “novo ciclo de desenvolvimento” para “consolidar e aprofundar todas as conquistas” alcançadas nos governos petistas. 

Num discurso longo, que durou cerca de uma hora, a presidenta afirmou que ela e Lula herdaram “um legado perverso de décadas perdidas” e que “não vai abaixar a cabeça”. Dilma disse ainda ser contra o “pessimismo, a mediocridade e o baixo astral”. 

“Nunca fiz campanha com ódio, nem quando tentaram me destruir física e psicologicamente. Não insulto, mas não me dobro. Não me assusto, não agrido, mas também não fico de joelhos para ninguém”, disse. “Quero dizer que não tenho rancor de ninguém. Também não vou baixar a cabeça”, emendou. 

Em discurso, Lula diz que é possível criador e criatura viverem em harmonia, e Dilma terminar seu mandato sem que haja nenhum atrito entre os dois

Foto:  Agência Brasil

Sem citar nomes, a presidenta criticou seus adversários. “Se em 2002 a esperança venceu o medo, nesta a verdade deve vencer mentira e desinformação”, afirmou Dilma, durante a convenção nacional do PT que confirmou sua candidatura. “Nosso projeto de futuro deve vencer aqueles cuja proposta é retornar ao passado”, argumentou. 

Dilma aproveitou o discurso para citar os programas do PT, como o Brasil sem Miséria, o Minha Casa Minha Vida, o Ciência sem Fronteiras e o Mais Médicos. E defendeu a Copa do Mundo contra o que ela chamou de “mau agouro” dos “pessimistas”. 

Antes do discurso de Dilma, Lula enfatizou que a campanha eleitoral vai mostrar a afinidade entre os dois. ‘Vamos provar que é possível terminar mandato sem que haja atrito entre nós”, observou Lula. O ex-presidente tenta conter as especulações de divergências entre ele e a afilhada política. “É possível o criador e a criatura viverem em harmonia”, garantiu. “Quando tiver divergência, ela termina, porque Dilma sempre estará certa e eu errado.” 

Lula pediu aos militantes que se informem sobre as conquistas dos 12 anos do PT no governo e que disputem nas ruas os votos. Segundo ele, esta será uma eleição difícil e agressiva. “Nós, militantes do PT, precisamos saber que eleição se ganha primeiro com um bom programa e, segundo, mostrando o que a gente fez. Temos a obrigação de mostrar o que fizemos em 12 anos e eles em um século”, observou. 

A convenção do PT foi preparada pelo marqueteiro João Santana e as imagens do encontro serão usadas nos programas do horário eleitoral. Durante o discurso de Dilma, seis telas de LED reproduziam em tempo real as ideias chaves ditas pela presidenta sobre seu programa de governo.

Temer defende governo Dilma

Oficializado na chapa de Dilma Rousseff como candidato a vice-presidente, Michel Temer afirmou ontem em seu discurso que a presidenta não governa apenas para os pobres, mas também para as classes A e B. Ao afirmar que Dilma e Lula governaram para “todo o País”, Temer afirmou que é preciso acabar com a “besteira” de que a presidenta governa apenas para um setor da população. 

“Em todas as classes houve uma ascensão social. As classes A e B passaram de 7,6% para 12,5%. É um governo para todos os brasileiros. Vamos acabar com essa besteira de dizer que governo Lula e o governo Dilma trabalharam apenas para um setor. Vou ter a honra de ser reeleito com ela”, afirmou. Há 12 dias, o PMDB de Michel Temer aprovou a aliança com o PT para a reeleição de Dilma. 

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também esteve presente à convenção, mas foi vaiado quando chamado ao palco. Além dele, dirigentes de outros seis partidos estiveram na convenção petist

Lula: não ter Copa não resolve problemas de saúde e educação

Durante palestra sobre o Brasil da próxima década, em Porto Alegre, nesta quarta-feira, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva sai em defesa da Copa do Mundo dizendo os problemas de educação e saúde continuarão existindo no País se não tiver Copa. 

“Nas passeatas de junho, se criou o estigma de que a Copa ia custar R$ 30 bilhões, três vezes mais o que custou a da Alemanha… temos problemas de educação, de saúde, mas não vai ser resolvido se não tivermos Copa. Vai continuar a reclamação quando a Copa acabar”, afirmou o ex-presidente rebatendo as críticas contra o evento.

Segundo ele, o evento não “é só rendimento econômico”, mas também um encontro de civilizações, além de afirmar que o estrangeiro que virá ao Brasil não está preocupado “se vai levar um ou dois minutos para chegar ao estádio”.

“A Copa do Mundo será extraordinária, temos os melhores estádios, com campos extraordinários, e o estrangeiro não está preocupado se vai levar um minuto a mais ou um minuto a menos, se vai a pé, se vai de ônibus, se vai de qualquer coisa, se está preocupado se está calor ou se está frio”, disse. 

Segundo Lula, o maior erro dos governos e do empresariado envolvidos na realização e promoção do evento foi a falta da construção de uma narrativa da importância da Copa. “Acho que nós não construímos uma narrativa convincente da importância da Copa, de vencermos o debate político, porque um jovem fala que é ladroagem e ninguém fala nada”, reclamou Lula, dizendo desde a década de 70 é contrário aos setores de esquerda que criticam o futebol como o “ópio do povo”.

“Eu lembro que, nos anos 70, muita gente em nome de ser de esquerda, achava que futebol era o ópio do povo, um companheiro levantou e disse, `vamos ficar de costas para a televisão`, eu falei ‘sai daí, que vamos ver o jogo. Se quiser protestar protesta, eu, pelo menos, vou ver o jogo sentado na minha casa, só não posso falar que vou tomar uma cervejinha’.” 

Falando de inflação, o ex-presidente disse que o País “está dentro da meta” ao mesmo tempo em que reconheceu o que considerou uma pequena alta. “É como se tivesse com febre, ao invés de estar com 37, estivesse com 38 e poucos, e já desse para começar a dar remédio, senão teria que dar um choque mais forte, um banho gelado”, disse Lula, que já ao final de sua fala, confessou que gostaria de um percentual mais baixo. 

“Não estou gostando da inflação a seis, quero a quatro, de preferência três e meio, mas a responsabilidade não é só da Dilma, é nossa também”, afirmou.

Fonte: Terra 

Lula critica derrotismo relacionado à Copa

O ex-presidente Lula desabafou ontem à noite, ao participar de um evento promovido pela Apex (Agência de Promoção de Exportações), em São Paulo. O foco do seu discurso foi a Copa do Mundo.

“A cada dia que passa as pessoas vão sendo desmentidas. Primeiro, não íamos ter estádios, mas os estádios estão prontos. Segundo, as obras de mobilidade não estariam prontas, mas a maioria delas vai ficar pronta. Uma ponte ou um viaduto talvez não seja entregue”, disse ele.

Segundo o ex-presidente, quando o Brasil conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo, sete anos atrás, isso foi “motivo de orgulho”. Agora, “parece que tudo ficou ruim”. O presidente também comentou a fala do secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, que alertou os turistas sobre o fato de o Brasil “não ser uma Alemanha”. “Vai demorar alguns séculos para a gente virar uma Alemanha”.

Lula propôs que os brasileiros recebam bem os estrangeiros e apresentem o Brasil como “mistura de raças” e uma nação feliz. Ele também ficou muito incomodado com a decisão do jogador Ronaldo, que era seu amigo pessoal e se envolveu diretamente no projeto da Arena Corinthians.

Nesta semana, depois de se dizer “envergonhado” com os atrasos na Copa, Ronaldo declarou voto em Aécio Neves.

Fonte: Brasil247

Ex-presidente Lula é homenageado com estátua nos EUA

Busto faz parta exposição do artista chinês Yuan Xikun, em Washington; trata-se do primeiro presidente do Brasil com um busto exposto no país norte-americano

O DIA

Rio – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece entre os 12 líderes das Américas escolhidos para a exposição “A América nos olhos de Yuan Xikun”, do artista chinês Yuan Xikun nos Estados Unidos, com apoio do governo da China. Desde o dia 9 de maio, Lula aparece junto às estátuas de Abraham Lincoln, Simón Bolívar e Gabriel García Márquez, entre outros, no Museu de Arte das Américas, em Washington. A exposição se encerra no dia 1º de agosto.

Estátua de bronze do ex-presidente do Brasil faz parte da exposição “A América nos olhos de Yuan Xikun”, nos EUA;

Foto:  Reprodução

 

As estátuas estão localizadas no jardim do museu, que fica no National Mall, uma área verde próxima à Casa Branca. A exposição foi feita para marcar o 10º aniversário da participação da China na Organização dos Estados Americanos (OEA), que também banca a iniciativa.

Segundo o PT, trata-se do primeiro presidente do Brasil com um busto exposto em Washington. Já o texto de divulgação da exposição afirma é a primeira vez que um artista chinês expõe obras de arte com figuras das Américas. Na abertura, o embaixador chinês disse acreditar que as obras iriam “aprofundar o intercâmbio cultural e artístico entre China e as Américas”.

Para Lula, maioria vivia com ‘migalhas’ antes do PT

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os governos que precederam a gestão do PT à frente da Presidência da República e afirmou que no “Brasil antigo” (até 2002, segundo ele) “migalhas” eram destinadas à maioria da população. Discursos comparando a era petista às gestões anteriores devem se intensificar, segundo interlocutores do partido, como estratégia de campanha neste ano.

“O Brasil antigo, até 2002, era um país governado para apenas um terço dos brasileiros que viviam apenas nas capitais. A maioria estava condenada a ficar com as migalhas, excluídos dos serviços públicos”, disse o ex-presidente em discurso durante o II Congresso dos Diários Brasileiros do Interior do Brasil, que reúne 380 publicações regionais.

Lula mencionou a criação dos programas sociais no seu governo, como o Fome Zero e o Bolsa Família, e os números de cidadãos que deixaram a extrema pobreza ou que ascenderam à classe média. Sobre a realidade internacional, o ex-presidente disse, sem dar detalhes, que “o Brasil tornou-se um competidor global e isso incomoda muita gente.”

O tom assertivo de Lula contra os governos anteriores à sua administração ocorre menos de uma semana após divulgação da pesquisa Datafolha, que mostra chance maior de segundo turno no pleito deste ano. Segundo a sondagem, Dilma encabeça a disputa, com 37% das intenções de votos, mas seus opositores Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) somam 38% da preferência do eleitorado consultado.

Hoje, começaram a veicular na televisão peças publicitárias do PT sobre os “fantasmas do passado”. Nessas inserções, são apresentadas várias áreas consideradas de sucesso pelos governos petistas, como a criação de emprego e os programas sociais e educacionais.

Durante o discurso, Lula criticou a imprensa de grande circulação e atacou coberturas dos programa Luz para Todos e Mais Médicos. “Quanto mais distante (o jornal) estiver da realidade, mais vão errar ao falar sobre o Brasil”, afirmou. 

Fonte: Terra

Lula deveria ser candidato do PT dizem 58% no Datafolha

Apenas 19% disseram que Dilma deveria ser a candidata da legenda na próxima eleição

Lula deveria ser candidato do PT dizem 58% no Datafolha

“Entre os simpatizantes do PT, 75% acham que Lula deveria se candidatar à Presidência”

Pesquisa Datafolha apontou 58% dos entrevistados indicando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria ser o candidato do PT à Presidência. Apenas 19% disseram que Dilma deveria ser a candidata da legenda, 5% disseram que nenhum dos dois e 18% não responderam.

Considerando somente aqueles que declararam preferência pelo partido, o porcentual que acha que Lula deveria ser o candidato sobe para 75% e 23% dizem que a atual presidente deve ser o nome do PT.

Desejo de mudança

O desejo do eleitorado por mudanças continuou em alta, chegando a 74% – era de 72% em abril. O ex-presidente Lula é o que aparece como mais preparado para realizar as mudanças, apontado por 38% dos eleitores consultados. Há um mês, Lula era apontado por 32% do eleitorado como apto para fazer as mudanças.

Já Dilma foi citada como preparada para conduzir o processo de mudanças por 15%. Nessa estatística, ela tinha 16% há um mês e 19% em fevereiro. Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) evoluíram na questão. Passaram de fevereiro para cá, respectivamente, de 10% para 19% e de 5% para 10%.

Inflação

O levantamento mostra que 58% dos entrevistados acreditam que a inflação vai aumentar. O dado representa uma queda de sete pontos porcentuais em relação à pesquisa do mesmo instituto, no mês passado, quando 65% dos eleitores consultados acreditavam na aceleração da alta de preços. Esse havia sido o maior patamar da série histórica para essa questão do Datafolha.

O dado de maio foi o primeiro a mostrar melhoria nessa perspectiva econômica da população, desde o início de 2012. Mas o índice de 58% ainda é o quarto pior dentro da série de 20 pesquisas desde novembro de 2007. No dado de hoje, 29% disseram que a inflação ficará como está e 8% afirmaram que ela irá cair.

A pesquisa mostrou também uma melhora, mais discreta, na expectativa em relação ao desemprego. Entre os eleitores consultados, 42% disseram acreditar que o desemprego vai aumentar. Há um mês, eram 45%. Dos entrevistados, 33% disseram que o desemprego ficará estável e 20% disseram acreditar que a taxa vá cair.

No quesito mais geral de perspectivas quanto à economia, a parcela do eleitorado que espera uma piora da situação geral oscilou de 29%, no mês passado, para 28%. Pelo levantamento de maio, 41% acham que a situação geral da economia brasileira fica como está e 26% acreditam que vai melhorar.

Os brasileiros continuam mais otimistas com relação à própria condição econômica. Apenas 12% disseram acreditar que suas condições piorariam, enquanto 43% disseram acreditar numa melhoria e 41% apostam na estabilidade.

O Datafolha apurou qual seria a postura do eleitorado em relação a mudanças no cenário econômico. Segundo o levantamento, 60% admitiram que podem mudar o voto caso haja uma deterioração das condições econômicas e, para 44%, a possibilidade de mudar o voto em uma situação assim seria “grande” ou “média”. Essa questão havia sido colocada pelo Datafolha apenas em junho de 2002, no fim do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Naquela época, 33% admitiam alterar o voto em um cenário econômico deteriorado.

A pesquisa Datafolha foi feita entre os dias 7 e 8 de maio com 2.844 pessoas em 174 municípios. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos porcentuais. O levantamento foi registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00104/2014.

Com Lula PT ganharia no 1º Turno

O cenário que mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do PT no lugar de Dilma teria definição no primeiro turno, com o petista com 49 por cento das intenções de voto, Aécio com 17 por cento, Campos com 9 por cento e os demais candidatos com 6 por cento.

Segundo o Datafolha, 58 por cento acham que Lula deveria ser o candidato do PT, enquanto apenas 19 por cento defendem o nome de Dilma –18 por cento disseram não saber e 5 por cento acham que nenhum dos dois deveria ser o candidato.

O percentual que gostaria ver Lula candidato aumenta para 75 por cento quando os entrevistados são eleitores do PT, contra apenas 23 por cento que apoiam Dilma.

Outro número ruim para a presidente é que, enquanto a pesquisa mostra que 74 por cento desejam que as ações do próximo presidente sejam diferentes, contra 22 por cento que querem que elas sejam iguais, 38 por cento consideram que Lula é o mais preparado para fazer as mudanças no Brasil, seguido por Aécio com 19 por cento. Só depois, com 15 por cento, aparece Dilma.

Do lado positivo, a avaliação do governo manteve-se praticamente a mesma de abril: ótimo/bom com 35 por cento (era 36 por cento), regular com 38 por cento (39 por cento) e ruim/péssimo com 26 por cento (25 por cento).

Além disso, a expectativa de que a inflação vai aumentar recuou para 58 por cento, ante 65 por cento em abril, no primeiro recuo desde o início de 2012. Também diminui o número dos que acham que o desemprego vai aumentar: agora são 42 por cento, contra 45 por cento no mês passado.

O Datafolha ouviu 2.844 pessoas entre quarta e quinta-feira, em 174 municípios.

Fonte: Data Folha

Lula mata o ‘volta, Lula’: “Dilma é a candidata”

Aos gritos de “um, dois, três, é Dilma outra vez”, a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva foram recebidos no encontro nacional do Partido dos Trabalhadores, realizado nesta noite em São Paulo. O evento serviu para sepultar de vez a hipótese de “volta, Lula”.

O primeiro a enfatizar a necessidade de unidade em torno da presidente Dilma foi o presidente Fernando Haddad. “Num cenário totalmente adverso, a presidente Dilma foi capaz de preservar os empregos e o poder de compra da classe trabalhadora”, afirmou. “O que querem os adversários? A volta ao passado? Ao neoliberalismo? Aos juros abusivos?” Haddad lembrou ainda que é legítimo que o PSDB busque empatar o placar das eleições presidenciais, mas propôs uma outra igualdade. “Nossos adversários ganharam duas eleições e perderam três, mas vamos dar a eles outro empate: dois mandatos para o presidente Lula e dois para a presidenta Dilma”.

Em seguida, falando por um dos aliados, o PSD, Alda Marco Antônio também sinalizou que não seria aceitável a substituição de Dilma por Lula. “Em nome das mulheres, digo que seria intolerável que a presidenta Dilma não tivesse a possibilidade de reeleição”, afirmou. Ao discursar em nome dos governadores, Jaques Wagner, da Bahia, também pediu apoio irrestrito a ela. “A Dilma é minha amiga. Mexeu com ela, mexeu comigo”, afirmou.

Presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão foi além. Pediu que todos os filiados ao PT consagrassem Dilma como pré-candidata naquele momento – no que foi aplaudido. “O eleitorado quer mudança”, reconheceu Falcão. “Mas mudança com segurança é Dilma”. Falcão também alfinetou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que seria seu “tutor”. “Eles prometem medidas impopulares e espero que no futuro não venham desdizer o que disseram”. Falcão também criticou a proposta de Eduardo Campos, de uma meta de inflação de 3%. “Isso significaria aumentar o desemprego em até 60%”. Por fim, assumiu ainda o compromisso por uma “Lei da Mídia Democrática”, contra o que chamou de distorções e manipulações da mídia, que seriam o principal instrumento da oposição.

A vez de Lula e Dilma

Após Rui Falcão, foi a vez de Lula, que começou elogiando o pronunciamento da presidente Dilma em Primeiro de Maio. “Você estava precisando de um discurso daqueles, os trabalhadores estavam precisando e o PT também”, afirmou. “Portanto, querida, faça mais”. Em seguida, passou a falar sobre Petrobras. “Não é aceitável que a elite brasileira queira destruir a imagem da maior empresa brasileira, que é a Petrobras”, disse Lula. “Desconfio até que tenha gente querendo fazer caixa de campanha em cima da Petrobras”.

Lula também mencionou José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha e Delúbio Soares. “Enquanto se preocupam em veicular todos os dias notícias sobre os nossos companheiros que estão presos, o mensalão tucano, de fininho, voltou para Minas”, afirmou Lula. “A perseguição é contra o nosso partido. Eles não aceitam que façamos por esse país o que eles não fizeram em décadas”. Lula também apontou a imprensa como “o maior partido de oposição do País”.

Por fim, sepultou de vez o ‘volta, Lula’. “Não é possível admitir um outro candidato que não seja a Dilma. Às vezes, eu leio notas em jornais de coisas que eu nunca disse. Toda vez que surgem essas bobagens, nossos adversários é que tiram proveito. Não podemos brincar. Não podemos ter salto alto. Estamos com o jogo mais ou menos ganho. Mas todos achavam que o Bayern ia ganhar em Munique e perderam de quatro a zero”, afirmou. Lula antecipou viagens que fará, mas garantiu: “Depois, estarei por conta da campanha”.

O ex-presidente disse ainda que é hora de “voltar a falar grosso em nome do nosso partido”. No entanto, afirmou que é preciso trabalhar para recuperar imagem do PT e construir uma nova utopia. “Criamos um partido para ser diferente de tudo o que os outros faziam”, afirmou. “Mas hoje parece que o dinheiro resolve tudo.”

Lula também prometeu se engajar. “Dilminha, é só preparar a agenda, que o Lulinha estará ao seu lado para ganhar estas eleições”.

Por fim, a presidente Dilma encerrou o encontro. Em sua fala, começou exaltando o antecessor. “O senhor é o maior líder político que o Brasil construiu nos últimos anos”, afirmou. Em seguida, agradeceu a “combatividade” da militância e falou do desafio de representar o PT na campanha à reeleição. “Este ato para mim é simbólico e representa nossa confiança mútua. Foi o compromisso com o povo brasileiro que nos uniu e esse compromisso é inquebrantável”, disse ela.

Fonte: Terra