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Sabesp compara crise hídrica a tsunami

Presidente justifica que empresa não tem culpa por seca, pois se trata de um fenômeno natural, o mais severo em 84 anos

Agência Estado17:57

A presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, comparou nesta terça-feira, 27, a estiagem histórica do Sistema Cantareira a fenômenos naturais como terremotos e tsunamis. Em entrevista à rádio Estadão, ela afirmou que a população de São Paulo tem compreendido que a crise de abastecimento na Grande São Paulo não é um problema operacional ou de investimento do governo paulista.

“Está havendo um entendimento da população de que não é um problema de operação, não é um problema de investimento. É um problema de escassez de chuva. É um evento extremo. É como se fosse um terremoto no Chile, ou uma enchente no sul da Inglaterra, que aconteceu este ano. Ou até mesmo um tsunami no sudoeste asiático, como acontece sempre”, disse Dilma Pena. Os tsunamis, na realidade, ocorreram no sudeste da Ásia.


“Estamos vivenciando um fenômeno da natureza. Nós temos que entendê-lo. Nós temos que buscar atender a população, e temos que, cada vez mais, nos preparar, tanto os prestadores de serviços essenciais, água, energia, alimentos, quanto do ponto de vista da nossa concepção de vida, nosso conceito de vida. Nós temos que, individualmente, ser cada vez mais poupadores dos recursos da natureza, e a água é um deles. Então, o consumo racional é muito importante”, completou.

Dilma repetiu que a seca do Cantareira é a mais severa dos últimos 84 anos, quando teve início a série histórica de medição. Conforme o Estado revelou no início do mês, um estudo contrato pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que estiagens críticas como a registrada entre outubro de 2013 e março deste ano no principal manancial paulista só ocorre a cada 3.378 anos.

Multa

A presidente da Sabesp destacou que a companhia já reduziu em 9 mil litros por segundo a retirada de água do Cantareira com o remanejamento de água e a economia de consumo pelo população. Quanto à multa anunciada por Alckmin em abril para quem aumentar o consumo, Dilma disse que ainda não há data definida para implementá-la. “Não temos data para implantar essa tarifa de contingência. Não é nada ilegal”, afirmou. A medida é questionada por órgãos de defesa do consumidor. Segundo eles, a legislação prevê que a multa só pode ser implantada em um cenário de racionamento.

Petrobras: diretoria omitiu riscos sobre aquisição no Japão

O conselho de administração da Petrobras aprovou, em 2008, a compra de uma refinaria no Japão sem ter sido informado dos riscos do investimento, assim como ocorrido anteriormente com a aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a publicação, documentos internos da Petrobras mostram que o resumo enviado pela diretoria da estatal ao conselho, em que é solicitada a aprovação da compra da refinaria Nansei, em Okinawa, omitiu riscos apontados por áreas técnicas.

A avaliação técnica aponta que a refinaria dava prejuízos e se tornaria rentável apenas caso fosse adaptada para refinar petróleo brasileiro e dobrasse sua capacidade de produção para 100 mil barris por dia. Essa informação, porém, não foi transmitida ao conselho, segundo o jornal.

Em 2008, a aquisição de 87,5% de Nansei foi fechada por US$ 331 milhões. A justificativa para a compra foi a de “expandir os negócios em mercados rentáveis no exterior”, dado o “expressivo crescimento do mercado asiático”.

As áreas financeira e de estratégia consideravam que Nansei não era rentável porque o indicador usado no cálculo da expectativa de retorno na compra de uma empresa era negativo em US$ 215 milhões. Documento enviado ao conselho, porém, trazia avaliação distinta, feita pela área internacional, que apontou que o negócio era rentável mesmo sem a ampliação.

Ao jornal, a Petrobras afirmou que a aquisição da refinaria “estava alinhada ao planejamento estratégico da época”. 

Fonte: Terra