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Exército israelense mata mais um palestino no sétimo dia de ofensiva

Palestinos diante de uma casa destruída por ataques de Israel, em Gaza (14/07/14).

Palestinos diante de uma casa destruída por ataques de Israel, em Gaza (14/07/14).

REUTERS/Mohammed Salem

No sétimo dia de bombardeios aéreos israelense contra o Hamas e a Jihad Islâmica na Faixa de Gaza, o balanço de vítimas fatais se agrava, ultrapassando mais de 170 palestinos. Outros mil foram feridos. Um jovem de pouco mais de 20 anos foi abatido no sul da Cisjordânia. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, quer proteção internacional da ONU.

Muniar Ahmed Badarin levou tiros do exército israelense em um confronto perto da cidade de Hebron, no sul da Cisjordânia, nesta segunda-feira (14), pela manhã, e morreu no hospital.

O exército israelense não comentou a morte de Badarin, mas informou que tropas da Cisjordânia prenderam 23 palestinos na última madrugada, como parte da campanha ofensiva, batizada de Limite Protetor, que começou com a morte de três adolescentes israelenses no mês passado.

No domingo, o exército israelense anunciou uma incursão terrestre na Faixa de Gaza e alertou para que a população deixasse o norte do território. A ofensiva ainda não aconteceu, mas milhares de palestinos estão deixando a região.

Proteção internacional

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu à ONU para colocar o Estado da Palestina sob “proteção internacional” das Nações Unidas diante da escalada da violência na Faixa de Gaza.

O secretário de Estado americano, John Kerry, em conversa telefônica com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, no domingo, reiterou a oferta de mediar uma trégua entre as duas partes. 

Ofensiva israelense em Gaza já matou mais de 100 palestinos

Ataques de Israel continuam durante a noite desta sexta-feira (11) na Faixa de Gaza.

Ataques de Israel continuam durante a noite desta sexta-feira (11) na Faixa de Gaza.

REUTERS/ Amir Cohen
RFI

Ao menos 13 palestinos morreram nesta sexta-feira (11) nos ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, o que aumenta para 105 o número mortos e 600 feridos desde terça-feira. Ao todo, 73 civis morreram até o momento, entre eles 23 crianças. Hoje foi o quarto dia da operação militar israelense “Limite Protetor”, intensamente criticada pela comunidade internacional.

 

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou hoje, durante uma coletiva de imprensa no Ministério da Defesa de Tel Aviv, que nenhuma pressão internacional vai impedir seu país de combater os terroristas. “Nós continuaremos [os ataques] enquanto não tivermos certeza que os cidadãos israelenses poderão viver em calma”, disse.

Pelo segundo dia consecutivo, Netanyahu não excluiu a possibilidade de realizar uma ofensiva terrestre, já que a operação atual conta com a participação apenas da aviação e da marinha. “Nós estamos estudando todas as possibilidades, nos preparando para todas as eventualidades”, completou.

Barack Obama oferece mediação

Em uma reunião telefônica com o premiê israelense, o presidente norte-americano Barack Obama expressou o medo da escalada da violência e propôs ser o mediador entre as duas partes. “Os Estados Unidos estão prontos para ajudar nas negociações pelo fim das hostilidades, inclusive no retorno dos diálogos sobre o cessar-fogo”, anunciou um comunicado da Casa Branca, completando que considera a facção islâmica Hamas como “uma organização terrorista”.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que selou um acordo de reconciliação com o Hamas no fim de abril, fez um apelo ao Conselho de Segurança da ONU para que articule o cessar-fogo na região e condene a agressão israelense.

Ontem, durante uma região de urgência no Conselho de Segurança, representantes das duas partes trocaram acusações e não chegaram a nenhuma conclusão sobre a questão. Nem Netanyahu, nem o dirigente do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, pareceram dispostos a realizar uma trégua.

Ameaças

Diante de uma possível invasão israelense por terra anunciada pelo premiê israelense, o Hamas ameaçou hoje disparar foguetes contra o principal aeroporto de Tel Aviv. O movimento também alertou as companhias aéreas estrangeiras de aterrissarem em Israel. A ameaça interrompeu as operações no aeroporto de Ben Gourion durante alguns minutos, mas muitas empresas aéreas confirmaram que irão manter seus voos.

As duas principais facções radicais palestinas, o Hamas e a Jihad Islâmica, dispararam 550 foguetes e morteiros a partir de Gaza contra Israel nos últimos dias, segundo a ONU. Uma explosão causada por um foguete do Hamas deixou uma israelense gravemente ferido hoje em Ashdod, ao norte de Gaza.

O conflito é o mais violento desde novembro de 2012, que matou 177 palestinos e seis israelenses. Os confrontos recomeçaram após o sequestro e o assassinato de três estudantes de Israel na Cisjordânia, que Tel Aviv atribui ao Hamas. Extremistas judeus responderam queimando vivo um jovem palestino.

Israel promete punir Hamas por morte de três adolescentes

Protesto em Nova York, diante da sede da ONU, pela morte dos três jovens israelenses.

Protesto em Nova York, diante da sede da ONU, pela morte dos três jovens israelenses|REUTERS/Lucas Jackson

Os três jovens israelenses sequestrados no dia 12 de junho foram encontrados mortos em Halhoul, no sul da Cisjordânia ocupada. O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, reforçou nesta terça-feira (1°), as ameaças de retaliação feitas na véspera pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

“Vamos continuar a caçar os assassinos, não vamos descansar ou nos silenciar até colocarmos as mãos nos responsáveis”, disse Yaalon. “O Hamas é responsável e o Hamas irá pagar”, declarou Netanyahu . Ele convocou uma sessão do seu gabinete de segurança para decidir manobras militares contra o grupo islâmico, que nem confirmou nem negou as alegações de Israel.

Os corpos de Gil-Ad Shaer, Naftali Fraenkel, ambos de 16 anos, e Eyal Yifrah, de 19 anos, foram encontrados em um campo próximo de Hebron, um reduto de militantes e cidade-natal de dois membros do Hamas identificados por Israel como os sequestradores. Os suspeitos ainda estão foragidos, informaram fontes de segurança.

Aparentemente, os adolescentes foram mortos a tiros pouco depois de serem raptados enquanto pediam carona, disseram as autoridades. “Estavam sob uma pilha de rochas, em um campo aberto”, declarou o tenente-coronel Peter Lerner, um porta-voz dos militares.

Na noite de ontem, milhares de militares israelenses cercaram Halhoul e a cidade de Hebron. O exército destruiu as casas dos dois principais suspeitos em Hebron.

Repúdio

Netanyahu aproveitou para exigir que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, revogue o acordo de reconciliação firmado em abril com o Hamas, adversário de longa data, e que levou à formação de um governo de unidade em 2 de junho.

Abbas repudiou o sequestro e pediu a cooperação de suas forças de segurança, atraindo críticas do Hamas. O presidente americano, Barack Obama, condenou o que chamou de “ato de terrorismo absurdo contra jovens inocentes”. 

Operação de busca de israelenses sequestrados já matou quatro palestinos

Soldados israelenses continuam as operações de buscas dos três jovens sequestrados na Cisjordânia.

Soldados israelenses continuam as operações de buscas dos três jovens sequestrados na Cisjordânia|REUTERS/Ammar Awad|RFI

Duas pessoas foram mortas pelo exército de Israel neste domingo (22), na Cisjordânia. Eles elevam para quatro o número de civis palestinos abatidos desde o início da operação de busca de três jovens israelenses seqüestrados. Mahmoud Abbas condenou o que qualificou de “assassinatos a sangue frio”.

O presidente palestino, que condenou o seqüestro dos três jovens israelenses e que contribui com as operações de busca, criticou a postura de Israel durante uma entrevista publicada neste domingo (22) no jornal Haaretz. Segundo Abbas, “adolescentes palestinos foram mortos a sangue frio”.

A declaração foi uma reação à morte de quatro civis na Cisjordânia desde o início das buscas. Um deles, um jovem de 27 anos que sofria de distúrbios mentais, foi abatido pelo exército do Israel pois ele teria, segundo os soldados, “se aproximado das troças de maneira ameaçadora”. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, garante que suas forças agiram em legítima defesa.

Em um comunicado divulgado neste domingo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar preocupado com a retomada da violência, as prisões em massa e as restrições à liberdade de movimento na Cisjordânia. O chefe da Nações Unidas pediu que as partes envolvidas não cedam às provocações.

A operação israelense, que também visa o desmantelamento das infraestruturas do Hamas na Cisjordânia, está sendo vista como a mais importante ofensiva de Israel desde o fim da segunda Intifada em 2005. Mais de 340 suspeitos palestinos já foram presos. 

Novo governo de união nacional palestino toma posse

Mahmoud Abbas, presidente palestino (à dir.), e o premiê Rami Hamdallah (à esq.) durante a posse do novo governo palestino na cidade de Ramallah, Cisjordânia, nesta segunda-feira, 2 de junho de 2014.

Mahmoud Abbas, presidente palestino (à dir.), e o premiê Rami Hamdallah (à esq.) durante a posse do novo governo palestino na cidade de Ramallah, Cisjordânia, nesta segunda-feira, 2 de junho de 2014|REUTERS|Majdi Mohammed/Pool|RFI

O novo governo de união nacional palestino prestou juramento nesta segunda-feira (2) diante do presidente, Mahmoud Abbas. A equipe é formada por personalidades independentes e apoiada pelo Hamas. Israel já anunciou sua intenção de boicotar essa nova equipe.

“Hoje, com a formação de um governo de união nacional, anunciamos o fim da divisão palestina que prejudicou muito a causa nacional”, declarou Mahmoud Abbas em Mouqataa, a sede da presidência palestina em Ramallah (Cisjordânia), após o breve juramento dos ministros.

Esse governo de “consenso” é dirigido pelo primeiro-ministro Rami Hamdallah, um acadêmico respeitado mas relativamente pouco conhecido no exterior. Ele também assume o ministério do Interior e, após um desacordo com o Hamas resolvido no último minuto, o ministério dos Prisioneiros.

Composto por 17 ministros, incluindo 5 da Faixa de Gaza, esse executivo de transição tem como missão prioritária preparar as eleições presidenciais e legislativas até o final do ano.

Acordo com Hamas

“Nós saudamos o governo de consenso nacional que representa o conjunto do povo palestino”, declarou um porta-voz do movimento, Sami Abu Zuhri.

Como previsto, o primeiro-ministro do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, e sua equipe pediram demissão, deixando o posto para o novo governo de reconciliação.

“Deixamos o governo, mas não a nação. Deixamos os ministérios, mas não os interesses da nação”, disse Haniyeh em um discurso transmitido pela televisão. “O governo palestino de consenso nacional é o governo de um povo e de um único sistema político”, enfatizou o ex-primeiro-ministro do Hamas. “O novo governo enfrenta tarefas longas e árduas. Vamos cooperar com ele”, prometeu Haniyeh.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), dominada pelo movimento nacionalista Fatah de Mahmud Abbas, e o Hamas assinaram no dia 23 de abril um novo acordo de reconciliação para acabar com a divisão política desde 2007 entre a Cisjordânia, cujas regiões autônomas são administradas pela Autoridade Palestina, e a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas e sob boicote israelense.
Esse acordo previa a formação de um governo de “consenso nacional”, constituído por especialistas, sem mandato político, encarregado de preparar eleições presidenciais e legislativas até o final do ano.

O presidente Abbas prometeu que o novo governo rejeitará a violência, reconhecerá Israel e respeitará os compromissos internacionais, a fim de convencer a comunidade internacional de sua intenção de manter a paz com Israel.

Boicote de Israel

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu que Estados Unidos e União Europeia “não se precipitem” para reconhecer um governo palestino apoiado pelo Hamas.

“O terrorismo islâmico levanta a cabeça na Europa, vimos um exemplo com o horrível crime cometido no museu judaico de Bruxelas”, afirmou nesta segunda-feira Benjamin Netanyahu. “É estranho para mim que os países europeus condenem com firmeza esse crime enquanto falam de maneira ambígua, e até amigável, de um governo com o Hamas, uma organização terrorista que comete e faz apologia desse tipo de crime”, acrescentou ele.

Segundo o jornal Jerusalem Post, o gabinete de segurança isralense se reuniu durante a madrugada e confirmou a decisão de congelar todas as negociações com a Autoridade Palestina enquanto ela mantiver seu acordo com o Hamas.

O governo israelense já decidiu não reconhecer o novo governo palestino e não manter nenhuma relação com ele. Como represália, o governo de Netanyahu deveria bloquear parte dos impostos que recebe a cada mês em nome dos palestinos, podendo agravar a situação financeira da Autoridade Palestina.

Novo governo palestino deverá ‘rejeitar violência e terrorismo’, diz Abbas

Mahmoud Abbas preside reunião da OLP neste sábado, 26 de abril de 2014, em Ramallah, na Cisjordânia.

Mahmoud Abbas preside reunião da OLP neste sábado, 26 de abril de 2014, em Ramallah, na Cisjordânia.

REUTERS/Mohamad Torokman

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmou neste sábado (26) que o governo de consenso nacional acertado com o movimento islamita Hamas deverá “rejeitar a violência e o terrorismo”, e também reconhecer o Estado de Israel e os acordos assinados com o país.

 

“O próximo governo obedecerá a minha política”, declarou Abbas aos membros do Conselho Central Palestino, órgão dirigente da Organização para a Libertação da Palestina, reunido neste fim de semana em Ramallah, na Cisjordânia. Abbas sublinhou que o novo governo palestino vai cuidar prioritariamente de assuntos internos.

“Reconheço o Estado de Israel, rejeito a violência e o terrorismo e respeito os compromissos internacionais”, acrescentou o líder palestino.

Por outro lado, Abbas deixou claro que os palestinos “nunca aceitarão reconhecer um Estado judeu”, uma exigência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Abbas ressaltou que Israel não fez esse tipo de exigência à Jordânia e ao Egito, países que assinaram acordos de paz com o Estado hebreu. Ele também lembrou que os palestinos reconheceram o Estado de Israel em 1993.

O Hamas considerou “positivo” o discurso de Abbas. “Nós apoiamos as posições da OLP sobre Jerusalém, sobre a reconcliliação interpalestina e o não reconhecimento do estado judeu”, declarou Bassem Naim, um dos dirigentes do Hamas na Faixa de Gaza.

Naim disse que o novo governo de consenso nacional terá basicamente três missões: reunificar as organizações palestinas, preparar novas eleições e reconstruir Gaza. Segundo Naim, “não cabe a esse governo tratar de questões políticas”.

Israel suspende negociações

O acordo de reconciliação fechado nesta semana entre as forças políticas palestinas enfureceu Israel, que considera o Hamas uma “organização terrorista”.

O Hamas rejeita as negociações de paz empreendidas pela Autoridade Palestina de Abbas com Israel e defende a resistência armada contra o país.

Em resposta ao acordo interpalestino, Israel suspendeu as negociações que estavam sendo mediadas pelo secretário de Estado americano, John Kerry.

Obama considera “inútil” acordo com o Hamas

Confrontado a mais um fracasso de sua administração no processo de negociações israelo-palestino, o presidente americano, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, durante visita a Seul, que uma “pausa” era necessária no diálogo entre israelenses e palestinos.

Obama criticou o acordo interpalestino, qualificando de “inútil” a aproximação do Fatah (partido de Abbas) com o Hamas. Na avaliação de Obama, tanto o governo de Israel quanto os dirigentes palestinos tomaram uma série de iniciativas nas últimas semanas “infelizes”, que não acrescentaram nada de bom aos esforços diplomáticos para se chegar a um acordo de paz duradouro no Oriente Médio.