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Gregos temem destruição de armas químicas sírias no Mediterrâneo

Manifestação ocorreu na ilha grega de Creta contra a destruição de armas químicas sírias.

Manifestação ocorreu na ilha grega de Creta contra a destruição de armas químicas sírias|Flirck’/ Creative Commons|RFI

Os moradores da ilha de grega de Creta, no sudeste do mar Mediterrâneo, temem os efeitos da destruição das armas químicas da Síria, prevista para acontecer em breve na região, a bordo de um navio americano. Nesta quinta-feira (26), os habitantes protestaram contra a escolha do local para a operação.

O navio americano MV Cape Ray deve chegar nos próximos dias ao porto de Gioia Tauro, no sul da Itália, onde vai ser carregado com as armas e produtos químicos sírios. Em uma segunda etapa, o material será destruído no leste do Mediterrâneo, perto de Creta.

“Vai ser a primeira vez que uma destruição tão importante acontecerá em um navio. O risco de acidentes é evidente”, afirmou Dimitris Petrakis, membro da associação Heraklion, contrária à operação.

Na quarta-feira, os militantes já tinham organizado um show na cidade para protestar contra a destruição das armas na região. Cerca de 1.000 pessoas participaram do ato.

Ontem, Washington indicou que o navio deixou o porto espanhol de Rota em direção a Gioia Tauro, onde deve chegar no início de julho. A embarcação havia sido enviada pelos Estados Unidos em 27 de janeiro.

A população de Creta manifesta há vários meses contra o procedimento de destruição das armas químicas sírias no Mediterrâneo. “No sul da Itália também houve protestos, mas poucos, afinal um mínimo de informações sobre o assunto foi divulgado”, lamentou Vaguelis Pissias, membro da associação grega. Os governos grego e italiano garantiram que a operação não tem riscos ambientais.

Armas químicas

A Síria entregou um total de 1.300 toneladas de agentes químicos à comunidade internacional. Os elementos mais perigosos, chamados de “prioridade Un” e que são usados para a composição de gás mostarda e sarin, serão destruídos a bordo do navio americano, num total de 700 toneladas, conforme o sub-secretário americano da defesa, Franck Kendall.

As operações devem durar entre 45 e 90 dias, segundo o Pentágono. O Cape Ray leva dois sistemas de hidrólise desenvolvidos pelas forças armadas americanas, capaz de neutralizar os mais perigosos agentes químicos. Os resíduos serão em seguida jogados no mar.

Essa será a primeira vez que uma operação dessa amplitude acontecerá no mar. A tecnologia, entretanto, é conhecida há muitos anos, conforme Adam Baker, químico do Centro Americano para a Eliminação de Armas Químicas. 

Grande expedição vai estudar poluição plástica no Mediterrâneo

Primeiro dia de visitas do público ao veleiro 'Tara', em Toulon, no sul da França.

Primeiro dia de visitas do público ao veleiro ‘Tara’, em Toulon, no sul da França|PM.Tattevin/Tara Expéditions|RFI

A veleiro francês Tara retornou nesta quarta-feira (28) ao mar Mediterrâneo para uma longa missão de avaliação sobre a presença de resíduos plásticos nas águas e o impacto dos dejetos nos ecossistemas marinhos. O barco, que partiu de Toulon, vai realizar escalas em 13 países, ao longo de sete meses.

A missão vai investigar os efeitos de uma pressão demográfica cada vez maior nos países banhados pelo Mediterrâneo, com o aumento da poluição, principalmente plástica. Os barcos Pacífico e Ártico já haviam recolhido informações e amostras para a pesquisa em 2011 e 2013.

A viagem do Tara vai começar pela Sardenha (Itália) e segue para Durres (Albânia), as ilhas gregas, Beirute (Líbano), Haifa e Tel Aviv (Israel), Valete (Malta), Bizerta (Tunísia), Alger (Argélia), Marselha (França), Nápoles e Gênova (Itália), Perpignan (França), Barcelona (Espanha), Tanger (Marrocos) e Faro (Portugal), até retornar para Lorient, no noroeste da França. O fim da missão está previsto para 7 de dezembro.

“Atualmente, 450 milhões de pessoas vivem em torno desta bacia, um número que dobrou em 30 anos”, destacou Romain Troublé, durante uma coletiva de imprensa nesta terça em Paris, para apresentar a expedição.

O Mediterrâneo, que representa menos de 1% da superfície de oceanos do planeta, é uma imensa reserva de biodiversidade (8% das espécies). Cerca de 90% da poluição que o mar recebe vem da terra.

Conhecer melhor os impactos

Gaby Gorsky, diretor científico da expedição Tara, disse que apesar da acumulação crescente de resíduos plásticos na natureza, “conhecemos muito pouco do que está acontecendo com os plásticos e o impacto deles nos ecossistemas”. “Vamos avaliar os fragmentos de plástico que flutuam, que têm de 0,3 a 50 milímetros, e os poluentes orgânicos associados a eles”, explicou. Esse diâmetro é o resultado de vários anos de decomposição do material no mar.

O passo seguinte será analisar os ecossistemas que se formam sobre o lixo – bactérias, protozoários, micro-algas e moluscos, entre outros. Por fim, os cientistas vão estudar a interação dos ecossistemas do plâncton com os fragmentos de plásticos. Uma pesquisa realizada em 2009 indicou que havia cerca de 250 bilhões de fragmentos do material no Mediterrâneo.

A expedição Tara conta com a colaboração interdisciplinar de pesquisadores franceses, italianos, alemães e americanos. Um dos objetivos também é, em cada parada do barco, conscientizar as populações locais sobre os riscos da poluição.