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Supermercados fecham mais cedo a partir desta segunda-feira

De A Tribuna On-line

Extra registrou episódios de violência

A partir desta segunda-feira, o hipermercado Extra da Avenida Ana Costa, no Campo Grande, e o supermercado Pão de Açúcar, na Aparecida, ambos em Santos, deixam de abrir 24 horas. O primeiro passa a funcionar das 7 horas à meia-noite, e o segundo, das 7 às 23 horas (de segunda-feira a sábado) e das 6 às 23 horas (aos domingos).

As decisões pelo encerramento antecipado das atividades foram anunciadas na semana passada. Primeiro, foi o Extra que noticiou a mudança. Logo depois, o Pão de Açúcar, que fica na Avenida Epitácio Pessoa, até então a única alternativa para quem desejasse ir às compras de madrugada, também limitou seu horário. O grupo responsável pelos estabelecimentos informa que a medida decorre da baixa procura de consumidores durante o período.

Apesar das alegações estarem baseadas em questões financeiras e custos trabalhistas, no caso do Extra, o fechamento durante a madrugada surge após sucessivos episódios de violência nas dependências do estabelecimento. Um dos mais graves envolveu a agressão de três pessoas por um grupo de adolescentes. Uma das vítimas foi o cabeleireiro John Barbosa de Oliveira, de 29 anos, que sofreu traumatismo craniano.

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Cartaz informa novo horário no supermercado
No Extra, cartazes afixados por toda a loja informam o novo horário de atendimento. Quanto ao estacionamento, é preciso ter cuidado. Mensalistas devem retirar seus carros antes da meia-noite, caso contrário só poderão fazê-lo às 6 horas da manhã seguinte.

Vida noturna limitada

Seguindo a tendência, há outros comércios em Santos que não querem fechar as portas tão tarde, como o Bar do Toninho, que tem dois estabelecimentos na Cidade. E a tradicional Banca Estátua, no Gonzaga, passou a fechar às 22 horas.

Na Rua Bassin Nagib Trabulsi, na Ponta da Praia, referência comercial no bairro, a situação é semelhante. Se, por um lado, os comerciantes comemoram o movimento durante o verão e férias de inverno, por outro, descartam manter as portas abertas até tarde.

O medo de sair nas ruas

Goianos evitam sair às ruas devido ao alto índice de violência, que incomoda até mesmo em horários de grande movimento comercial

DIÁRIO DA MANHÃ|FABIANA GUIMARÃES

A população goiana, que mora na Capital e Região Metropolitana, e quiçá do Brasil. está assustada com o índice de violência que paira na cidade nos últimos tempos. O que se percebe é que muitas pessoas estão deixando de sair de suas casas, para se divertir em bares, restaurantes, shoppings e outros atrativos, por medo de que aconteça algo com elas. O povo acredita sofrer riscos como pequenos assaltos, sequestros, estupros ou algo maior que prejudique suas vidas. O que se sabe é que o cidadão goiano tem se tornado vítima da sociedade, onde se tornou prisioneiro livre de suas moradias, não tendo mais o privilégio e direito de transitar nas ruas em segurança.

As estatísticas da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP), divulgadas atualmente para este ano, são preocupantes. Em relação ao ano passado, houve um aumento nos crimes como roubos, furtos, latrocínio, entre outros. O que parece é que os dados relatados pedem medidas no aumento de segurança para a população.

Segundo o coronel Alves, da Polícia Militar, as análises criminais são feitas pela SSP. “Os policiais têm o dever de encaminhar números mensais para que eles (SSP) repassem os lugares de maior incidência criminal de volta para nós. Assim, criamos estratégias de policiamento em determinados locais da cidade.”

Foto: <strong>Cristovão Matos</strong>

Foto: Cristovão Matos

CRIMES SEM HORÁRIOS

Os horários de maior incidência de assaltos e outros crimes, mostrados pela Polícia Militar (PM), é no período das 22h às 2h da madrugada. O cidadão tem que ter um cuidado maior neste período, não ficando dentro do carro parado, não estacionando em qualquer local, não ficar conversando nas ruas à noite, não ficar andando pelas ruas com o celular ou outros objetos de valor à mostra. O coronel Alves concorda que as pessoas tem o direito de adquirir bens. “Elas querem poder transitar nas ruas sem ter problemas, mas infelizmente esta realidade ainda não existe. O ideal seria, portanto, que as pessoas tomassem mais cuidados.”

No entanto, há crimes ocorrendo ao longo do dia. “Os furtos acontecem até quando o condutor do veículo transita pela cidade com pertences em cima do banco. Isto chama a atenção de bandidos, que acabam levando o que está à mostra sem que o motorista tenha tempo de reagir, ou até mesmo ver.”

Deixar pertences à vista no carro também é um problema, porque bandidos quebram os vidros e levam o que tiver dentro, como som automotivo, mochila, bolsa, aparelhos eletrônicos, sacolas, mercadorias e algo que chame a atenção. O ideal é deixar pertences no porta malas.

Outro caso comum que conta é a abordagem na entrada ou saída de casa, porque normalmente, as pessoas seguem uma rotina diária de horários de chegada e saída de casa. “O ladrão geralmente acompanha esta casa para armar uma estratégia de entrar. O que nós sugerimos é que todos tentem não seguir uma rotina de horários, sempre tentando alterná-los.”

O coronel conta que alguns pais têm o costume de, ao buscar os filhos na escola, deixarem uma criança menor dentro do carro ou a chave na ignição, facilitando o acesso a um dos crimes mais comuns na capital: furto de veículos. “Há um caso recente de que o ladrão ia levar o carro e acabou levando a criança que também estava lá dentro.”

Até mesmo as brigas de trânsito vêm sendo um motivo para homicídios na cidade. Uma simples discussão começa e um dos condutores, possuindo uma arma, acaba tirando a vida do outro por uma discussão na hora de dirigir. “Deveria existir mais educação no trânsito, para que estes acontecimentos fossem evitados”, diz o coronel.

Relatos de uma afugentada pelo crime

Fabiana Guimarães Da Editoria de Cidades

A funcionária pública Lucinda Maria entrou na farmácia, por volta das 21h, para comprar um remédio indicado por sua ginecologista. Poderia ter ido mais cedo, mas a rotina de trabalho não permitiu. Quando conversava com um dos atendentes, foi surpreendida por um homem armado, com o capacete de moto escondendo a face, que gritava para as pessoas: “Todo mundo deitado! Todo mundo deitado!”. Ao perceber que se tratava de um assalto, Lucinda deitou-se no chão conforme os apelos. Muito religiosa, pediu à Deus que guardasse por sua vida e que nenhuma desgraça acontecesse aos presentes no local.

Olhou para o funcionário que ficava no caixa, notou que estava nervoso e apreensivo. Ele também seguiu o que o assaltante pedia. Tirava os montes de cédulas de dinheiro do caixa e enchia a bolsa do homem, que pedia “mais rápido rapaz, se não você morre!”. Tudo aquilo havia acontecido muito rápido.

A atendente virou-se para Lucinda e disse “não aguento isso mais! Quase toda semana somos assaltados. Vou acabar pedindo demissão!”. O dono da farmácia, localizada na Avenida Rio Verde, em Aparecida de Goiânia, após dez minutos que o indivíduo saíra do local, levantou-se envergonhado, pediu desculpas aos clientes e foi organizar a bagunça feita pelo ladrão que saiu correndo derrubando os produtos que estavam na prateleira. Lucinda ergueu-se, pagou por seu remédio e foi embora para casa agradecendo por nada mais grave ter acontecido.

Páscoa Ortodoxa no leste da Ucrânia celebrada sob tensão

AFP – Agence France-Presse

19/04/2014

Um homem em uniforme camuflado deixa a Igreja do Espírito Santo, faz o sinal da cruz e esconde o rosto em Slaviansk, cidade do leste da Ucrânia controlada por insurgentes pró-russos, para o descontentamento dos habitantes, que celebram a Páscoa Ortodoxa sob forte tensão.

“A pior situação é viver em pecado”, se limita a recitar o padre Roman, recusando-se a comentar sobre o que acontece há quase uma semana em sua cidade.

O patriarca ortodoxo de Kiev, Filaret, em uma mensagem por ocasião da Páscoa, afirmou que o “inimigo” russo que cometeu uma “agressão” contra a Ucrânia está condenado ao fracasso.

“O país que nos havia garantido a integridade territorial cometeu uma agressão. Deus não pode estar do lado do mal, de modo que o inimigo do povo ucraniano está destinado ao fracasso”, declarou Filaret.

Por sua vez, o patriarca da Igreja ortodoxa russa, Cirilo, pediu neste sábado na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou, que os fiéis rezassem para que nada possa “destruir a Santa Rússia”, durante uma missa na véspera da Páscoa.

Em Slaviansk, com uma cruz de ouro em sua mão, o sacerdote abençoa abundantemente com água benta os fiéis reunidos.

Do outro lado da imensa praça onde a igreja está localizada, vários “voluntários” em uniformes sem distintivos, alguns com rifles Kalashnikov, conversam em frente à prefeitura.

Dois adolescentes tiram fotos, aproveitando esta espécie de trégua pascal, apesar da forte tensão.

“Nós entramos na fase mais radical (…) exigimos a criação de uma federação (na Ucrânia), ou então faremos como na Crimeia”, que se anexou em março à Rússia, advertiu Anatoli Khmelevoi, líder local dos Partido Comunista.

“No momento, tudo está calmo, mas eles (os soldados ucranianos) podem atacar. Não devemos baixar a guarda”, explica Volodymyr, de 43 anos, perto de uma barricada erguida para impedir o acesso a principal delegacia de polícia de Slaviansk.

Quatro veículos repletos de bandeiras russas desfila em uma rua vizinha, sob os gritos e aplausos dos milicianos.

Mas esses defensores de uma maior autonomia para a sua região, incluindo de uma integração à Rússia, estão longe de ser uma unanimidade entre a população.

“O exército ucraniano virá para nos libertar”, diz exaltado Dima, um engenheiro de 29 anos nascido na cidade, localizada 100 km ao norte de Donetsk.

Quando? “quanto mais cedo melhor”, responde sua amiga. “Estamos com medo”.

Para Volodia, que trabalha em uma fábrica, “que os bombardeiem, e já”, exclama apontando para os membros de um destacamento de auto-defesa.

“Somos apenas um jogo para os russos, mas a Ucrânia está unida e é indivisível”, acrescenta.

Tamara, que vende garrafas de azeite produzidas usando métodos tradicionais permanece, por outro lado, de fora da agitação política.

“Tudo isso me preocupa. Me dói ver pessoas morrer. Tudo que eu quero é que vivemos juntos”, diz.

“Tudo está mais caro agora, isso está ficando pior, mas a Páscoa é a Páscoa, é uma grande festa para todos”, acrescenta, sorrindo.