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Campanha tenta mobilizar a população para salvar a vida de uma Bombeira

DIÁRIO DA MANHÃ|DIVANIA RODRIGUES

Soldado do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO), Suzeli Ferreira de Oliveira, 28, está precisando com urgência de uma doação de medula óssea. A corporação, organizou uma campanha para tentar achar possíveis doadores e ajudar a salvar a vida de Suzeli que em 2013 foi diagnosticada com leucemia. Coletas de amostras para testes de compatibilidade serão realizadas na terça-feira e quarta-feira, 29 e 30, em Goiás.

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A Bombeira, na corporação desde 2010, está lotada na cidade de Jataí, Goiás, luta contra a leucemia do tipo LLA – leucemia linfoide aguda – desde que foi diagnosticada. Nesse tipo específico do câncer há uma produção anormal dos leucócitos nas células sanguíneas, que se tornam rapidamente numerosas, porém imaturas e malignas. 

Depois de realizar o tratamento com quimioterapia, Suzeli, conseguiu obter uma melhora em seu estado de saúde. Porém, em março deste ano o câncer teria voltado de maneira mais agressiva, sendo que o transplante de medula óssea é a única alternativa para cura.

Na família de Suzeli não há doadores compatíveis. Segundo a assessoria do CBMGO, atualmente a Bombeira está internada recebendo tratamento bastante agressivo. Várias entidades também estão ajudando na divulgação da Campanha.

Para ser voluntário na doação é preciso:

*1- Comparecer ao Hemocentro dos municípios de Goiânia, Catalão, Ceres Rio Verde e Jataí,  portando documento pessoal;

2- Ter entre 18 e 54 anos;

3- Coletar apenas 5 a 10 ml de sangue para o teste de compatibilidade;

4- O tempo para realizar o teste é de apenas  15 minutos.*

De maneira extraordinária, veja onde fazer o teste para ajudar a soldado Suzeli: 

– Terça-feira, 29, a partir das 8h. Local: Academia Bombeiro Militar, Avenida Pedro Paulo de Souza, Quadra HC 4, Setor Goiânia 2.

– Quarta-feira, 30, a partir das 8h. Local: 3º Batalhão Bombeiro Militar, Praça Presidente Vargas, s/nº, Bairro Jardim América, Anápolis, Goiás.

Em caso de não compatibilidade com a Bombeira Suzeli, o voluntário pode escolher ajudar outras pessoas. Para isso basta pedir que o resultado de seu exame seja colocado para o banco de dados do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME).

Doação de sangue e medula óssea no Amazonas ainda são insuficientes

 
Em Manaus, coleta de sangue serve para atendimentos médicos e cadastro de doador de medula óssea. Foto: Reprodução/Shutterstock

Em Manaus, coleta de sangue serve para atendimentos médicos e cadastro de doador de medula óssea. Foto: Reprodução/Shutterstock

MANAUS – Com a chegada de feriados prolongados aumenta a preocupação com acidentes. Imprudência no trânsito e consumo excessivo de bebida alcoólica, entre outros fatores, podem acabar com as festividades de celebração da Páscoa. Um dos problemas mais comuns neste período é o baixo estoque de bolsas de sangue, que ajudam a salvar vidas em casos de acidentes e emergências.

A Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) alerta que o número de doadores de sangue precisa crescer para melhorar o atendimento à população. “O tipo sanguíneo que mais temos necessidade atualmente é o O negativo, pois é o doador universal”, afirmou a gerente do Núcleo de Captação de Doadores de Sangue do Hemoam, Maria Zeilla Frota.

Composto por hemácias (glóbulos vermelhos), plaquetas (fragmentos de células), leucócitos (glóbulos brancos) e plasma (líquido amarelo claro que representa mais de 50% do volume total), o sangue é um tecido vivo que tem como funções transportar oxigênio e defender o corpo contra infecções. O sangue humano é classificado em A, B, AB e O, com divisão de Rh positivo (+) ou negativo (-). Conhecido como universal, o tipo O – pode ser transfundido em qualquer pessoa, mas apenas 9% dos brasileiros possuem este tipo sanguíneo, conforme dados do Hemoam.

Como não há um substitutivo para o sangue, ou seja, ele não pode ser fabricado, as doações são de relevante importância, principalmente para pacientes de emergências e pronto-socorros ou pessoas internadas com alguma doença no sangue.

Doação de medula

Além de doação de sangue, o Hemoam também realiza cadastro de doadores de medula óssea – tecido líquido (gelatinoso) que ocupa o interior dos ossos e produz hemácias, leucócitos e plaquetas.  Anemia aplástica e leucemia são doenças comuns da medula óssea. É o caso de Kalielton Santos Souza. O jovem assistente de manutenção de apenas 23 anos descobriu ser portador de leucemia linfoblástica aguda, um tipo de câncer que afeta mais homens que mulheres. A doença foi descoberta em novembro de 2013, menos de um mês após o nascimento de sua primeira filha e hoje agrava-se rapidamente. “Havia chances de se curar com a quimioterapia, mas infelizmente não foi o caso”, contou ao Portal Amazônia a esposa de Kalielton, Fernanda Bittencourt.

O casal imaginava se tratar de cansaço. Foto: Reprodução/Facebook-Kalielton Fernanda Helena Souza

Internado desde o último sábado (12) no Hospital Santa Júlia, em Manaus, após verificar que a quimioterapia não seria o suficiente e que a leucemia atingia 70% da medula, o próximo passo foi controlar a doença e aumentar a procura por um doador compatível. “É uma corrida contra o tempo. Buscamos manter ele bem”, disse Fernanda. De acordo com Kalielton, apesar de ter cinco irmãos a chance de serem compatíveis é de 50%, pois são apenas “por parte de mãe”. “É preciso que sejam completamente compatíveis para que as chances sejam boas”.

Fernanda relatou à reportagem que o marido trabalhava com máquinas pesadas para construção civil. Quando ele adoeceu todos imaginaram que fosse apenas cansaço do trabalho. “No começo ele sentia fadiga e depois dores nas articulações, quadril, coluna”, disse Fernanda. Kalielton completou. “Eu tomava um remédio e passava a dor, mas depois voltava. Depois de um tempo eles [remédios] já não controlavam mais as dores”.

Fernanda disse que os médicos logo diagnosticaram como uma típica virose da região. A suspeita de algo mais sério surgiu quando perceberam sintomas como nódulos atrás das orelhas, febre e presença de sangue na urina. “A parte ruim é que ele não me contou, preocupado com a gravidez. Então só descobri depois que nossa filha nasceu. Ele aguentava tudo sozinho”.

A luta de Kalielton pela vida é mostrada pela esposa em um perfil no Facebook, que leva o nome deles e da filha, Helena: Kalielton Fernanda Helena Souza.

Leucemia foi descoberta no mesmo mês que a primeira filha do casal nasceu. Foto: Reprodução/Facebook-Kalielton Fernanda Helena Souza

Em função do agravamento, a busca por um doador foi intensificada nesta semana. De acordo com informações do Núcleo de Captação de Doadores do Hemoam, quando um paciente não é geneticamente viável para doação de medula a solução para o transplante é procurar um doador compatível semelhante, mas sem grau de parentesco.

Maria Zeilla explicou que para reunir as informações de pessoas que se dispõem voluntariamente a doar medula óssea para transplante, como nome e resultados de exames, foi criado o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), instalado no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro.

No ano de 2013, o Hemoam realizou 1.544 cadastros que foram registrados no Redome, e no período de janeiro a março deste ano houve 526 cadastros. Não há lista de espera, uma vez que a espera é por um doador compatível, variável de pessoa para pessoa, com alcance até fora do País.

Dados do Inca estimam que em 2014, pelo menos 5.050 casos novos de leucemia em homens e 4.320 em mulheres devem ocorrer no Brasil. Estes números correspondem a um risco estimado de 5,20 casos novos para cada 100 mil homens e 4,24 para cada 100 mil mulheres. A leucemia é o quinto câncer mais frequente em homens na Região Norte (3,57 casos para cada 100 mil pessoas). Kalielton já está cadastrado no sistema e espera um doador.

Quero ser doador

Para ser doador de sangue é necessário apresentar documento de identificação oficial com foto, como Registro Geral (RG) ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH), ter entre 18 e 68 anos de idade e pesar no mínimo 50 quilos. As recomendações para o dia da coleta são não estar em jejum, fazer repouso mínimo de seis horas na noite anterior à doação, não ingerir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores, não fumar por pelo menos duas horas antes da doação e evitar alimentos gordurosos.

Entretanto, nem todo mundo pode doar, como quem teve hepatite depois de 11 anos de idade, tem comportamento sexual de risco, usa drogas, teve malária ou meningite, recebeu transfusão sanguínea ou contraiu doenças sexualmente transmissíveis nos últimos 12 meses. As doações também são impedidas no caso do doador ter tido febre nos últimos 30 dias ou ser mulher grávida ou amamentando.

Apesar de existirem muitos medos, como de agulha ou contaminação, e mitos sobre a doação de sangue, como ‘engrossar’ ou ‘afinar’ o sangue, doar sangue emagrece, ou o famoso ‘vou ficar sem sangue o suficiente’, a gerente do Núcleo de Captação de Doadores de Sangue do Hemoam assegurou que nada disso acontece com os doadores.

Já para ser doador de medula, o processo também é simples. É necessário ter entre 18 e 55 anos de idade; não ser portador de HIV, hepatite B e C ou usar insulina; não ter realizado quimioterapia ou radioterapia; e apresentar documento de identidade oficial com foto. Quem teve hepatite A em idade infantil pode ser doador. Em Manaus, apenas o cadastro é feito, com a coleta de uma amostra simples de sangue. Procedimentos cirúrgicos são realizados em São Paulo, no caso de compatibilidade com os pacientes.

Os postos de coleta de sangue e medula são no próprio Hemoam, localizado na Avenida Constantino Nery, no bairro Chapada, de 8h às 17h30, entre segunda-feira e sábado; e na Maternidade Ana Braga, na Avenida Cosme Ferreira, no bairro Coroado, de 8h às 17h, entre segunda e sexta-feira. Para mais informações sobre o assunto basta contatar o Hemoam por meio do endereço de e-mail faladoador@hemoam.am.gov.br ou dos números de telefone (92) 3655-0166 e (92) 3655-0167.