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Minério do Pará ‘mata’ população em comunidade rural no Maranhão

Moradores de um vilarejo respiram pó de ferro emitido por 5 siderúrgicas que processam minério de Carajás

Portal Amazônia

AÇAILÂNDIA (MA) – Piquiá de Baixo é um pequeno povoado onde vivem cerca de 300 famílias na zona rural de Açailândia, no sudoeste do Maranhão. Piquiá está morrendo. Os 1,1 mil moradores do vilarejo, localizado a 15 quilômetros do centro do município, respiram pó de ferro emitido pelas cinco siderúrgicas que recebem e processam o minério extraído em Carajás, no Pará. Muitos adoeceram e deixaram a cidade.

O Maranhão integra o rol dos estados da Amazônia Legal, mas em Açailândia – a cidade do açaí – os poucos trechos remanescentes visíveis da floresta tropical estão cobertos pela poeira fina que deixa tudo escuro. Nas décadas de 1960 e 1970, a economia da região foi impulsionada pela extração de madeira, e hoje quase nada sobrou da mata.

Vista do povoado de Piquiá de Baixo, no distrito industrial de Açailândia (MA). Casas de moradores dividem espaço com fábricas de ferro gusa ao funda. Foto: Fabíola Ortiz

Desenvolvimento humano

Açailândia fica a 564 km de São Luís, tem 107.790 habitantes e, com sua produção de ferro gusa, é o município com terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão, atrás apenas da capital São Luís e de Imperatriz, a segunda cidade com mais habitantes do estado. Conforme o levantamento mais recente do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), a economia do município gerou cerda de 1,6 bilhão de reais em 2011(8% do PIB de São Luís).

Essa riqueza, porém, não é distribuída, como indicam os números do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, que aponta que um em cada dez moradores da cidade (10.12%) é extremamente pobre e um em cada quatro (25,17%) é pobre. No Índice de Desenvolvimento Humano do Município, a cidade tem desempenho de 0,672 . O IDH é uma medida comparativa usada para classificar países e municípios. O índice, que vai de 0 a 1, é composto a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB per capita. Tido como um município de desenvolvimento médio, Açailândia se compara ao IDH da Palestina (0,670) e do Paraguai (0,669).

Açailândia guarda histórias como a de Joselma Alves de Oliveira, 37, professora que nasceu e cresceu em Piquiá de Baixo e hoje não tem esperanças em relação ao local. Ainda com os pais vivos e mãe de uma filha adolescente, seu maior sonho é que sua família se mude daqui.

Estrada de Ferro Carajás corta 27 municípios, entre eles Açailândia. Foto: Fabíola Ortiz / O Eco.

“Na frente de nossas casas passa a estrada de ferro Carajás, ao redor existem indústrias de ferro gusa e, do lado, o entreposto de minério da Vale. É triste morar num local onde praticamente toda a população tem chance de ter doenças de pulmão, garganta e problemas respiratórios”, resume Joselma, a terceira de sete irmãos.

Na rota do minério

Piquiá fica na rota da indústria de ferro gusa nacional, uma das mais lucrativas do país. Todo o minério extraído nas minas de Carajás, explorado pela Vale, em Parauapebas (Pará) passa por Açailândia no caminho pela estrada de ferro até o porto de Itaqui, em São Luís do Maranhão, para suprir a crescente demanda mundial alavancada pelos países emergentes. Com extração de 240 milhões de toneladas de minério ao ano, a Vale é a maior companhia do mundo no setor.

Os números impressionam. Segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Parauapebas é o principal município exportador do país, batendo novos recordes a cada trimestre. De janeiro a março deste ano, Parauapebas exportou US$ 2,217 bilhões.

Dá para ver a devastação por satélite :

https://www.google.com/maps/@-4.9448592,-47.451754,24456m/data=!3m1!1e3?hl=pt-BR

Toda a produção de Carajás passa por Piquiá. Um trem passa atrás do povoado a cada 20 minutos e buzina, inclusive de madrugada. De todo o minério extraído, 7% é vendido para as indústrias guseiras instaladas no pólo industrial de Açailândia, e o restante, 93%, segue direto para o porto de São Luís. A produção de ferro gusa em Açailândia representa 11% da produção brasileira de gusa.

Além do barulho do trem, os moradores também enfrentam o ruído constante de freadas de caminhões pesados que cortam o povoado através da BR-222 – rodovia que liga Fortaleza (CE) à Marabá (PA), passando pelo Piauí e Maranhão. O barulho é suficiente para tirar o sono de qualquer um e os caminhões, carregados de carvão, cimento, brita e ferro gusa deixam para trás poeira, muita poeira. Das cinco siderúrgicas, ou “firmas”, como são chamadas pelos moradores locais, duas ficam logo atrás da casa de dona Angelita, de 62 anos, mãe de Joselma, a professora que nasceu em Piquiá de Baixo. Foi ela quem acolheu a reportagem por duas noites no povoado.

Dona Angelita

Muitos tentam, mas não é possível levar uma rotina normal. O ritmo de vida segue o compasso das buzinas do trem, dos escapes de chamas e fumaças das guseiras e das freadas dos caminhões carregados.

Localizada na BR-222, a casa de Angelita é a primeira a ser vista pelos que cruzam a rodovia federal. Nos fundos, a família costumava plantar mais de 30 pés de côco, goiaba, laranja, limão siciliano, carambola, manga, acerola, macaxeira e uma boa variedade de hortaliças. A casa de Angelita tem um ar nostálgico da chácara que foi no passado. Há pelo menos 10 anos, o terreno não serve mais para cultivo. Sua plantas estão cobertas por uma camada pegajosa de pó preto.

“A gente planta, embolam as coisas e (alimentos) morrem com facilidade. As pessoas aqui não aguentam, cada dia é um ruído, uma zoada (barulho) diferente”, conta ao apontar do quintal para as chaminés de duas siderúrgicas visíveis de sua casa.

Não são só as plantas que sofrem. Angelita reclama da falta de ar e de um “aperto no peito” e, há 10 anos, sua filha Joselma sofre com intensa irritação na garganta e inflamação nos ouvidos. Após casar-se, Joselma se mudou com o marido para Piquiá de Cima a 2 km da casa de sua mãe.

Anel de ferro

A pequena Piquiá de Baixo é cercada por um anel de ferro. Atrás da casa de Angelita, ficam as propriedades das indústrias de ferro gusa. O quintal da mãe de Joselma hoje divide a cerca dos fundos com a Viena Siderúrgica S/A e a Gusa Nordeste S/A.

À noite, não há estrelas em Piquiá – o clarão com luzes das indústrias toma conta do céu. A produção do ferro gusa não para. Clareiras, barulho e escapes de fumaça irrompem a madrugada. O verde da vegetação que restou e o rio que leva o mesmo nome da comunidade contrastam com o tom monocromático das casas, com paredes marrom de poeira da estrada e telhados da cor preta e acinzentada do chamado pó de ferro.

A vida é inviável em Piquiá. Não é possível respirar ar puro. “Tem dias que está insuportável. Na escola, os alunos e os professores ficam perturbados com o barulho, não dá para se concentrar em nada. Tem hora que dá uns estouros e cobre tudo de poluição. Parece que estão quebrando ferro, dói no ouvido”, diz Angelita que há quase 40 anos vive na comunidade.

Do Piauí, ela se mudou para o vilarejo com o marido João, em 12 de janeiro de 1975, após três anos de casados. O sogro já tinha um terreno na região e convenceu o casal a fazer a vida na cidade. Seu João, hoje com 64 anos e doente após ter sofrido um AVC, foi o primeiro vereador de Açailândia, entre 1982 e 1986, quando o município se emancipou de Imperatriz.

 Depósito a céu aberto de material químico para processar o cimento. Foto: Fabíola Ortiz / O Eco

O chamado “progresso”

Como professora do primário, Angelita ensinou na escolinha municipal Almirante Barroso. Lecionou de 1997 até abril deste ano, quando teve que se ausentar para cuidar da casa e do marido enfermo. “Meu marido brigou demais na época contra a ideia de o pólo industrial se instalar no Piquiá”, lembra. A vida era boa em Piquiá, conta a moradora, com água abundante no rio e brejos que cortavam as propriedades.

Muita coisa mudou na região, relembra a mulher que testemunhou a história da degradação da comunidade. A energia chegou em fevereiro de 1981 e, com ela, o ‘progresso’. A BR-222 foi asfaltada no mesmo ano.

As empresas se instalaram na região após a construção da estrada de ferro Carajás que, desde 1985, começou a agitar a vida de vilarejos às margens da ferrovia. “Lembro da época que vieram para fazer o desmatamento, em julho de 1975, para a linha de trem (as obras começaram em 1982). Eu sabia que viria o progresso, mas não sabia que eram tão irresponsáveis de não ter nenhuma proteção ou de nos orientar. Quando vieram (empresas) para comprar as terras aqui só falavam nos benefícios, que viria trabalho e desenvolvimento”.

 Depósito a céu aberto de material químico para processar o cimento. Foto: Fabíola Ortiz / O Eco

A primeira guseira a se instalar foi a Companhia Siderúrgica Vale do Pindaré, em 1984, do Grupo Queiroz Galvão, que montou na época um alojamento de operários da construção bem ao lado da casa de Angelita.

O pólo industrial de Açailândia contém cinco indústrias de ferro gusa – Viena Siderúrgica S/A, Siderúrgica do Maranhão S/A – SIMASA, Cia. Siderúrgica Vale do Pindaré, Ferro Gusa do Maranhão Ltda. – FERGUMAR, e Gusa Nordeste S/A. Elas processam o minério de ferro bruto e o transformam junto com o carvão vegetal em ferro gusa, uma matéria-prima para a produção do aço. São no total, 14 altos-fornos que precisam da água do rio Piquiá para seu resfriamento.

“As firmas chegavam e compravam as fazendas. Bem no lugar onde hoje é um dos altos-fornos da Viena ficava a casa da minha cunhada”, diz. O quintal de fundos tem 100 metros. Delimitado por uma cerca, o terreno das guseiras fica logo atrás. Ninguém mais pode se utilizar dos riachos que cortam as propriedades dos moradores, estão todos contaminados. Por eles escorre a água quente usada no esfriamento dos altos-fornos. “Não temos coragem de banhar no brejo aqui no meu quintal”, lamenta.

‘A gente não acostuma’

De cabelos longos e grisalhos e pele curtida do sol, Angelita está prestes a se aposentar. Altiva e enérgica, é ela quem cuida da casa de quatro cômodos onde sua família vive desde março de 1983. Sua casa abriga cinco pessoas e, até o início do ano, já chegaram a viver onze, entre filhos, genros e netos.

“Tem dias que sinto uma coceira e irritação quando cai o farelinho preto (pó de ferro). Já tem uns 12 anos que sinto isso. A gente não acostuma não, filha… A roupa no varal fica sempre cheia de furinhos de quando caem brasas das chaminés”.

Angelita limpa a casa diariamente e várias vezes por dia. Ela tem cuidado com a limpeza, está sempre com uma vassoura ou um espanador a tira colo. “A gente pensa que a casa está limpa, mas é só botar o pé no chão e passar o dedo nas coisas que fica preto. É só terminar de limpar e na mesma hora já fica sujo. Tem que cobrir tudo, a poeira cai no cabelo, na comida e na roupa”, descreve.

Se tivesse a oportunidade de deixar Piquiá, Angelita não pensaria duas vezes. Ela garante que teria ido embora. “Meu sonho é sair daqui e morar num lugar que a gente tenha uma vida digna. Viver num sufoco desse não representa dignidade para ninguém. Que deus me dê a chance de sair daqui com vida”.

 

Amazônia venezuelana pode ganhar seu próprio Inpa

Criação de um instituto de pesquisas na Venezuela ajudaria a descobrir potencial da biodiversidade da região

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Parceria entre Inpa e Venezuela deve ajudar a descobrir potencial de frutas da região e tratamento para doenças. Foto: Reprodução/Amazônia

MANAUS – Um bioma em comum e experiência de 60 anos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) contribuíram para estabelecer um espaço de diálogo e as diretrizes para a criação futura de um instituto de pesquisas amazônicas na Venezuela. O assunto foi debatido no terceiro Seminário Nacional da Comissão Nacional Permanente do Tratado de Cooperação Amazônica, Ciência e Tecnologia, que ocorreu na Amazônia venezuelana, em Puerto Ayacucho, na calha do rio Orinoco, divisa entre Venezuela e Colômbia.

Representante do Inpa no evento, o coordenador de extensão Carlos Bueno, disse que o instituto sediado em Manaus está disponível para ajudar a Venezuela em estabelecer seu próprio centro de pesquisas sobre a Amazônia.

“Certamente os cursos de pós-graduação do Inpa e as tecnologias sociais disponíveis poderão ser um caminho importante em curto prazo de apoio à criação de um instituto de pesquisas amazônicas da Venezuela. Isso é de grande importância para o Inpa nas perspectivas de compartilhamento de pesquisas e treinamento de pessoal”, completou.

Segundo o coordenador, a biodiversidade venezuelana tem muitas semelhanças com a da Amazônia Brasileira e muitas soluções de problemas podem ser natureza semelhante, como em relação a doenças (malária, dengue, leishmaniose, oncocercose conhecida como cegueira dos rios) e potencial econômico de frutas que eles desconhecem, como cupuaçu, abacaxi, açaí, camu-camu, cubiu e mapati (uva-da-amazônia).

 

Amazônia Legal estará toda mapeada até 2017, garante Sipam

Cerca de 55 mil km² de hidrovias navegáveis e 1,2 milhão de km² terrestres foram cartografados

Portal Amazônia

Mapeamento será feito pelo Sistema de Proteção da Amazônia. Foto: Reprodução/Portal Brasil

BRASÍLIA – O projeto de mapeamento da Amazônia Legal está em andamento e deve ser concluído até 2017, segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), que coordena as operações. Cerca de 55 mil quilômetros quadrados (km²) de hidrovias navegáveis e 1,2 milhão de quilômetros quadrados terrestres já foram cartografados.

O projeto Cartografia da Amazônia foi lançado em 2008 para atualizar e concluir as cartografias terrestre, geológica e náutica dos 35% da Amazônia sem informações na escala de 1:100 mil, que são mais detalhadas. Dos 5,2 milhões de km² da Amazônia Legal, 1,8 milhão de km² não tinham informações cartográficas nessa escala.

Mais importante que a base estruturante da cartografia são os desdobramentos temáticos para as instituições, órgãos e municípios da região, avalia o diretor de produtos do Censipam, Péricles Cardim. “Traduzir as informações dos mapas e pegar todo o montante desse conhecimento para subsidiar o poder decisório de outros órgãos era o que faltava na Amazônia”.

As cartografias auxiliam planejamento e execução de projetos de infraestrutura, como rodovias e hidrelétricas, regularização fundiária, segurança territorial e desenvolvimento regional.

Os 55 mil km² de hidrovias cartografados correspondem a 90 cartas náuticas produzidas ou atualizadas até 2013. Neste ano serão mapeadas mais cerca de 9,5 mil km², em 19 cartas náuticas, sendo que sete foram finalizadas até o último mês de maio. O objetivo é ampliar a segurança da navegação nos rios do Amapá, Amazonas, Acre, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Roraima.

Embarcações

Até 2008, dois navios dedicavam-se a mapear a Amazônia, mas, segundo Cardim, não conseguiam atingir afluentes mais distantes. Então, dentro do projeto, a Marinha recebeu cerca de R$ 43 milhões, sendo que 90% dos recursos foram para a construção de quatro navios menores, hidroceanográficos, e um de maior porte, oceanográfico. “A partir dessa capacidade, a Marinha amplia a cobertura, ano a ano, nos locais sem mapas ou que precisam de revisita”.

Mais de 95% de todo o transporte comercial da região ocorre por meio dos rios. Além disso, o transporte fluvial de passageiros movimenta anualmente 8,9 milhões de pessoas. A segurança de navegação também interfere no cálculo do seguro do frete comercial, influenciando diretamente no preço dos produtos transportados e afetando toda a economia regional.

Além dos navios, o projeto destinou recursos para investimentos como modernização dos sistemas de aquisição e processamento de dados de aeronaves especializadas em sensoriamento remoto, software e hardware para o tratamento e processamento dos dados e imagens, bem como da capacitação de recursos humanos.

Riqueza mineral

Segundo Péricles Cardim, o mapeamento geológico foi o que alavancou o projeto todo, levando também a parte mais substancial dos recursos: R$ 176 milhões. “É um mapeamento que vai delimitar com qualidade a real riqueza mineral que temos na Amazônia”.

Entretanto, segundo Cardim, são informações que dependem de aprovação e regulamentação do novo Marco Regulatório da Mineração. “É uma informação importante para ordenar como serão exploradas as riquezas”, explicou o diretor do Censipam.

O projeto Cartografia da Amazônia tem como executores a Marinha, o Exército, a Aeronáutica e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). O orçamento total é de R$ 350 milhões.

 

Maio de 2014 foi o mais quente do mundo desde 1880

Mês se equipara à temperatura de 2010, que também foi a mais alta em 130 anos

AFP – Agence France-Presse

23/06/2014 

Japoneses se protegem do forte sol em Tóquio. Verão chegou mais cedo (Yoshikazu TSUNO/AFP)  
Japoneses se protegem do forte sol em Tóquio. Verão chegou mais cedo

O mês de maio de 2014 foi o mais quente no mundo desde que começaram a subir as temperaturas em 1880, anunciou nesta segunda-feira a Agência Americana Oceânica e Atmosférica (NOAA).

A temperatura média na superfície terrestre e dos oceanos atingiu 15,54 graus Celsius em maio, isto é, 0,74°C a mais que a média de 14,8°C no século XX.

Também foi o 39º mês de maio consecutivo e o 351º mês seguido em que a temperatura global do planeta esteve acima da média do século XX, explicou a NOAA.

A última vez em que a temperatura de um mês de maio foi inferior à média do século XX remontava a 1976. O último mês em que a temperatura esteve abaixo da média no século passado foi em fevereiro de 1985.

A maior parte do planeta viveu em maio deste ano temperaturas mais quentes do que a média com picos de calor no leste do Cazaquistão, partes da Indonésia e o noroeste da Austrália, entre outros.

No entanto, partes do nordeste do Atlântico e locais limitados no noroeste e sudoeste do Pacífico, assim como nas águas oceânicas do sul da América, foram mais frias do que a média.

A temperatura de abril de 2014 esteve a par com a de 2010, que tinha sido a mais quente registrada no planeta aquele mês desde 1880, segundo a NOAA.

Segundo prognósticos da NOAA, há 70% de probabilidades de que a corrente quente do Pacífico El Niño volte a aparecer este verão no hemisfério norte e 80% de possibilidades de que surja durante o outono e inverno próximos, o que poderia ter um impacto importante nas temperaturas e nas precipitações em todo o mundo.

Depois de Barcelona e Paris, bicicletas públicas invadem Madri

AFP – Agence France-Presse

23/06/2014 

As bicicletas públicas invadiram Madri, esta segunda-feira, com a intenção de abrir espaço no denso tráfego de automóveis da capital espanhola, seguindo os passos de outras cidades europeias, como Barcelona, Paris e Londres e também cidade latino-americanas como o Rio de Janeiro.

“Está bem, um pouco pesada, mas levando em conta que é uma bicicleta elétrica, é o preço a pagar. Nos sinais de trânsito, quando se acelera, o primeiro impulso é perceptível”, explica Miguel Ángel Delgado, um madrilense de 49 anos, após dar as primeiras pedaladas nas novas BiciMad.

Odiada pelos taxistas, a ideia parece seduzir usuários e autoridades locais, que comemoram ter compensado o atraso com relação a outras capitais europeias, colocando à disposição dos moradores e turistas da capital espanhola mais de 1.500 bicicletas elétricas.

“Esta mudança cultural deve ocorrer pouco a pouco. É uma realidade em muitas cidades europeias”, disse nesta segunda-feira a prefeita conservadora de Madri, Ana Botella, após testar uma das bicicletas.

Em Barcelona, segunda cidade espanhola, desde 2007 funciona um sistema similar e o sucesso é indiscutível com 6.000 bicicletas, 420 postos e 92.000 assinantes. As outras três principais cidades espanholas – Valencia, Sevilha e Zaragoza – também têm bicicletas públicas.

“Nossa cidade é de todos e para todos. Temos que conviver com respeito entre motoristas, pedestres e ciclistas, temos que conviver”, acrescentou a prefeita, desejando que este projeto anime a deixar o carro em casa e ajude a reduzir a contaminação.

A escolha das bicicletas elétricas, explicou, pretende ampliar o perfil dos usuários, alguns dos quais poderiam desistir a utilizá-las pelos muitos custos da cidade.

Mas Madri, com poucos quilômetros com uma verdadeira ciclovia, muitas ruas estreitas e lotadas de carros, pode precisar de um tempo para aprender a conviver com este novo modo de transporte.

“Vai haver problemas e vai haver incidências, que serão resolvidas pelo nosso esforço”, disse Miguel Vital, diretor da BonoPark, a sociedade que administrará o serviço.

Extremamente perigoso

Esperando passageiros em frente à prefeitura de Madri, um taxista de 45 anos, Juan Carlos Gordillo, mostra suas dúvidas sobre o projeto.

“Os motoristas terão muitos problemas. Nenhum está acostumado aos ciclistas. Será mais perigoso”, reclamou.

“Será para nos acostumarmos todos, nos impuseram e teremos que nos adaptar”, acrescentou.

Segundo Pascual Berrone, professor da escola de comércio IESE Business School, autor de um estudo sobre desenvolvimento urbano, os espanhóis gostam da ideia de circular de bicicleta, mas têm reticências em Madri por razões de segurança.

“Há áreas em que é relativamente fácil circular de bicicleta, mas há áreas em que é extremamente perigoso. Muitas vezes dá medo andar de bicicleta em Madri”, explicou à AFP antes do lançamento da BiciMad.

A capital espanhola, que costuma sofrer com picos de contaminação relacionados com a circulação automobilística, tem atualmente 320 quilômetros de ciclovia ou vias adaptadas, segundo a prefeitura, que pode adicionar outros 70 km.

Segundo Ana Botella, a circulação de bicicleta em Madri aumentou 17% entre 2012 e 2013. Para fazer frente a esta demanda, a cidade instalou 123 postos no centro da capital para as 1.560 bicicletas elétricas disponíveis.

O preço para usá-las vai variar entre um e quatro euros, em função de se tratar de um assinante ou um usuário ocasional.

Protegendo-se do sol na sombra das árvores de uma avenida próxima ao grande parque do Retiro, bem ao lado de um dos postos, Miguel Ángel Delgado está disposto a recuperar sua bicicleta, cujo futuro não lhe parece claro nesta cidade.

“Madri é uma cidade um pouco peculiar, com pouca implantação de bicicletas. Ninguém sabe se será um sucesso ou um fracasso”, admite.

Projetos ambientais na Amazônia são usadas pela Fifa para neutralizar carbono da Copa

Projetos evitam desmatamento da Floresta Amazônica e fornecem energia limpa a uma cidade inteira

Portal Amazônia

Projeto Purus é executado no Acre. Foto: Reprodução/Fifa

MANAUS – Acre, Tocantins e Amazonas são os estados da Amazônia que abrigam três projetos ambientais que vão receber apoio da Federação Internacional de Futebol (Fifa, na sigla em inglês). Os projetos integram o portfólio de iniciativas de baixo carbono no Brasil, que foram selecionados pela entidade para neutralizar a emissão de carbono durante a operacionalização da Copa do Mundo de Futebol.

A execução da Copa que terá o carbono neutralizado inclui viagens e acomodações de todos os funcionários, oficiais, equipes, voluntários e convidados, assim como emissões resultantes dos locais de eventos, estádios, escritórios e reprodução televisiva.

Compradores de ingressos de todo o mundo foram convidados a compensar gratuitamente as emissões resultantes de sua viagem ao torneio, independentemente do lugar de onde estejam partindo, e a entrar em um sorteio para ganhar dois ingressos para a final da Copa, incluindo viagem e acomodação. Mais de 17 mil portadores de ingressos cadastraram-se em pouco mais de cinco dias, registrando 40.880 viagens de ida e volta para a Copa do Mundo de Futebol. Como resultado, a Fifa deve compensar 80 mil toneladas adicionais de CO2 (dióxido de carbono) e convidar o vencedor do concurso e um companheiro de sua escolha para a final da Copa, em 13 de julho.

Os projetos de baixo carbono foram selecionados juntamente com o programa de gestão de carbono sem fins lucrativos BP Target Neutral. Todos os projetos passaram por um rigoroso processo de licitação e cumprem os padrões definidos pela International Carbon Reduction and Offsetting Alliance (Icroa), e a seleção final foi realizada por um painel independente de ONGs ambientais. Além de impactos ambientais positivos, os projetos também oferecem benefícios sociais e econômicos para muitas comunidades brasileiras locais, como é o caso da iniciativa executada no Acre, o projeto Purus, cujo trabalho é para evitar desmatamento de 35 mil hectares de floresta nativa.

Trabalhando com comunidades que vivem às margens do rio Purus, o projeto concede os mesmas direitos legais sobre a terra que ocupam, em troca da cooperação para evitar desmatamentos futuros. O projeto também oferece cursos de agricultura sustentável para apoiar geração de renda e aumentar o nível de conscientização sobre o desmatamento. Dois por cento das receitas ligadas a carbono provenientes do projeto serão doados para o Instituto Chico Mendes, para promover a conscientização sobre a preservação da Amazônia.

Outra iniciativa que foi escolhida é o projeto Cerâmica, composto por quatro projetos individuais no Rio de Janeiro, Tocantins, Alagoas e Pernambuco. O objetivo principal desses projetos é reduzir a pressão sobre
as florestas nativas, substituindo a madeira nativa, utilizada como fonte de energia nos fornos das fábricas de cerâmica, por uma mistura de resíduos de madeira proveniente de plantações renováveis estabelecidas para tais fins. O projeto contribui, ainda, com diversas causas sociais locais, incluindo programas de saúde para crianças com câncer, um centro de reabilitação para usuários de drogas e um time de futebol feminino, que representou o estado de Tocantins em um campeonato nacional.

No interior do Amazonas, a cidade de Itacoatiara fornece energia limpa aos aproximadamente 80 mil habitantes. Graças ao projeto, a população local tem acesso a uma energia de baixo custo e com fornecimento mais estável (menos falhas e perdas de transporte). A usina produz até 56 mil MWh de eletricidade por ano, evitando o consumo de 5 milhıes de litros de diesel. As 100 mil toneladas de resíduos de madeira e serragem necessárias para a produção de eletricidade são obtidas de uma serraria que opera em conformidade com as diretrizes FSC.

EUA pedem uma estratégia mundial para salvar os oceanos

AFP – Agence France-Presse

16/06/2014

O secretário de Estado americano, John Kerry, fez uma forte advertência sobre os riscos que os oceanos enfrentam e pediu o desenvolvimento de uma estratégia global para salvá-los.

“Vamos desenvolver um plano para combater a pesca abusiva, as mudanças climáticas e a contaminação”, disse Kerry ao abrir uma conferência de dois dias sobre o tema no Departamento de Estado, da qual participaram chefes de governo e ministros de 80 países, assim como cientistas e líderes industriais.

“A administração do nosso oceano não é uma questão de uma pessoa… É um requisito universal”, insistiu Kerry.

“Como seres humanos, não há nada que compartilhemos tão completamente quanto o oceano que cobre cerca de três quartos do nosso planeta”, acrescentou o chefe da diplomacia americana. “Cada um de nós tem a responsabilidade compartilhada de protegê-lo”, sentenciou.

O presidente de Kiribati, Anote Tong, anunciou por sua vez que toda pesca comercial será proibida desde janeiro de 2015 na área protegida das ilhas Fénix, apesar das consequências negativas que possa ter sobre a economia.

“Fazer frente aos desafios das mudanças climáticas supõe um compromisso muito sério e um sacrifício”, disse Tong. “As perdas de renda projetadas pesaram muito na nossa consideração, mas na análise final tomamos a decisão de continuar com estratégias sustentáveis efetivas”, acrescentou.

Defensores do meio ambiente sustentaram que as ilhas Fênix dão refúgio a espécies como atuns altamente migratórios e tartarugas, assim como peixes de recife e tubarões.

Kiribati está dentro do grupo de estados insulares – que inclui Tuvalu, Tokelau e as Maldivas – que a comissão de direitos humanos da ONU teme que possam ficar “apátridas” por causa das mudanças climáticas.

Kerry advertiu que já existem 500 “zonas mortas” em todo o mundo, onde a vida marinha não pode ser preservada e que um terço das reservas de pescado em nível mundial estão “super-exploradas”. Em todo o resto, segundo o secretário, pesca-se perto do “máximo nível sustentável”.

Se o panorama não mudar, “uma parte significativa da vida marinha pode morrer”, sentenciou.

Um tema de segurança vital

Ao abrir a conferência, Kerry advertiu: “Não se deve cometer equívocos, a proteção dos nossos oceanos é um tema de segurança vital”.

O funcionário insistiu em que o enfoque com que o problema se enfrenta hoje, “com cada nação e comunidade levando adiante sua própria política independente, simplesmente não bastará”. “Assim não é como funciona o oceano”, reforçou.

“Não vamos fazer frente a este desafio a menos que a comunidade de nações se reúna em torno de uma estratégia integral, global dos oceanos”, acrescentou.

No âmbito da conferência, o diplomata ressaltou a importância dos oceanos para os 6 bilhões de pessoas que habitam o planeta. “O oceano hoje provê o sustento de até 12% da população mundial. Também é essencial para manter o meio ambiente em que todos vivemos”, disse.

Proteger os oceanos também é vital para a segurança alimentar, destacou Kerry, apontando que uns 3 bilhões de pessoas “dependem do pescado como fonte de proteínas significativa”.

Kerry pediu para que seja elaborado um plano de ações concretas para enfrentar as diferentes ameaças aos oceanos e disse que o presidente, Barack Obama, fará um anúncio sobre a extensão das áreas de conservação marinha.

Os defensores do meio ambiente já identificaram três áreas – as remotas ilhas havaianas do noroeste, as ilhas Marianas e os atóis do Pacífico -, onde os parques marinhos existentes, alguns dos quais remontam ao século XX, poderiam ser amplamente expandidos.

Kerry, além disso, insistiu em que os Estados Unidos já tomaram medidas para proteger o meio ambiente marinho e teve êxito na reconstrução de muitas de suas populações esgotadas de peixes.

Custos de transporte explodem emissões de CO2 durante a Copa

40% dos torcedores que irão à Copa pegarão um voo internacional.

40% dos torcedores que irão à Copa pegarão um voo internacional.

REUTERS|Henry Romero|RFI

A preocupação com o meio ambiente se transformou em uma etapa obrigatória da organização de qualquer grande evento internacional – e os esportivos ainda mais. Segundo a Fifa, a Copa do Mundo no Brasil vai gerar o equivalente a seis meses de emissões geradas pela Islândia, principalmente devido à poluição gerada pelos transportes.

O cálculo das perspectivas de emissões de gases de efeito estufa é complexo. Somente o envio dos uniformes dos jogadores, fabricados na China e transportados para o Rio de Janeiro de navio antes de serem enviados para as cidades-sede, vai resultar em 436 toneladas de CO2. A Federação Internacional de Futebol contabilizou os trajetos de avião necessários por delegações e torcedores, mas também tentou colocar no papel as toneladas de cabos utilizados para transmitir os jogos ou o número de horas em que os aparelhos de ar-condicionado ou refrigeradores ficarão ligados para o Mundial.

Segundo a entidade, a estimativa total é de 2.723.756 toneladas de CO2 a mais na atmosfera, ao final de um mês de competição. Os transportes respondem por 83,7% deste valor – 40% dos torcedores precisarão realizar um voo internacional para participar do evento. O total é o equivalente a pouco mais de seis meses de emissões de um país como a Islândia.

O cálculo da Fifa, porém, sofre críticas de ambientalistas, ao ignorar a poluição atmosférica gerada pelas obras de preparação para a Copa. “Todas as Copas do Mundo são diferentes. Não se pode compará-las”, observa Federico Addiechi, diretor do departamento de responsabilidade social da Fifa. Ele explicou que o valor final depende das distâncias percorridas pelos torcedores, da presença de infraestruturas no país e da origem da energia utilizada – no caso do Brasil, a maior parte vem de hidrelétricas.

Esforço conjunto

Tanto a Fifa quanto o governo brasileiro juram terem feito o máximo para promover a Copa “mais verde possível”. Os 12 estádios onde ocorrerão as partidas vão receber certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), um modelo de construção e gestão sustentável.

A entidade também aposta nas campanhas de conscientização dos torcedores e promete incentivar a reciclagem de garrafas de plástico. Além disso, a compensação de emissões, através de doações de crédito de carbono por empresas e companhias aéreas, deve diminuir 59.000 toneladas de gases.

Frédéric Chomé, diretor da Factor X, consultoria de estratégia em clima que analisou as emissões dos Jogos Olímpicos de Londres, destaca que os organizadores costumam se esquecer de algumas fontes importantes de emissões, como os produtos derivados, a exemplo do material vendido para as torcidas. “Durante essas competições internacionais, a venda de televisões aumenta 1% no mundo, ou cerca de 20 milhões de aparelhos. Só aí, já tem 100 milhões de toneladas a mais de CO2”, explica. “Sem falar no 1 bilhão de televisões ligadas três horas por dia durante três semanas. Isso dá mais 2 milhões de toneladas de emissões.”

Filhote de peixe-boi é resgatado no Amazonas

 

Mamífero é macho e pesa 18kg; este é o quinto animal resgatado em 2014 pela Associação Amigos do Peixe-boi

Veterinário pesam filhote de peixe-boi resgatado pelo Inpa

MANAUS – O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) ganhou mais um hóspede. O filhote de peixe-boi é macho, pesa 18kg, mede 1 metro e está com boa saúde.  A Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) já resgatou, somente neste ano, cinco mamíferos. O animal estava em Nova Olinda do Norte (a 126 quilômetros da capital amazonense) e chegou na cidade nesta quinta-feira (5), às 17h45.

Veterinário medem filhote resgatado

O filhote foi encontrado sozinho, próximo a um flutuante. “Era um local de remanso, mas como aparentemente ele estiva perdido, é provável que a mãe tenha sido caçada”, disse o veterinário Anselmo D’Affonsêca ao Portal Amazônia.

Tratamento

Assim que chegou, o pequeno recebeu os cuidados necessários para a reabilitação através da equipe de veterinários e biólogos da Ampa. O animal passará por um período de quarentena para se adaptar à vida em cativeiro. De acordo com D’Affonsêca, esse é um período importante para o sucesso da reabilitação.

O peixe-boi ainda está sem nome. “Ele só ganhará um nome quando estiver devidamente adaptado. A preferência é por nomes que remetam à localidade de procedência do animal, ou um nome indígena”, comentou D’Affonsêca. É provável que o animal seja enviado para o Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos (CPPMA), em Balbina, onde o Inpa mantém parceria.

Filhote peixe-boi resgatado em Nova Olinda do Norte (AM), passa por avaliação da Ampa

Alerta

O veterinário Anselmo D’Affonsêca pede atenção quanto ao resgate de filhotes de peixe-boi na região. D’Affonsêca cita como exemplo os filhotes que ficam presos em redes de malhadeira durante atividades de pesca. “É preciso verificar se há a possibilidade de a mãe estar por perto, é mais importante ainda evitar retirar o filhote do local”, explica. “Quando o filhote está preso da malhadeira normalmente a mãe está próxima, pois ela não abonda o filhote”, finaliza.

 

Belém perde 47 espécies de aves em 200 anos

06/06/2014 

São Paulo, 06 – Em apenas 200 anos, 47 espécies de aves da Região Metropolitana de Belém, no Pará, podem ter sido extintas localmente. É o que mostra o mais recente levantamento em torno do impacto da perda de vegetação sobre a avifauna amazônica. O trabalho, publicado na revista Conservation Biology, avalia a perda regional, mas a história que conta reflete o drama da chegada do desenvolvimento à floresta.

Os pesquisadores ligados a mais de 20 instituições, entre elas Museu Paraense Emílio Goeldi, Embrapa, Universidade de Lancaster e Instituto Ambiental de Estocolmo, se valeram de identificações feitas pelos primeiros naturalistas, que chegaram a Belém no começo dos anos 1800 e do último levantamento das aves da região, de 1970.

Depois eles começaram a avaliar os registros de visualização daquelas aves depois disso e observaram que cerca de 14% das 329 de terra firme (que não são aquáticas nem migratórias) não são vistas desde 1980. Entre elas está a maior espécie de ave brasileira, o gavião-real (Harpia harpyja), e a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus). Ambas, de acordo com o estudo, devem ter sumido antes mesmo de 1900.

Segundo Nárgila Moura, do Goeldi, a construção de estradas, primeiramente a Real para ligar Belém a São Luís, e depois a rodovia para Bragança, foram os principais motores da perda de hábitat. No caso do gavião e da arara, ela destaca que a caça e o tráfico de animais foram fundamentais para o desaparecimento local das espécies.

O trabalho está sendo usado para alertar as autoridades para a preservação e recuperação de florestas no entorno da cidade. Nárgila explica que as aves ainda existem em um raio de até 300 km de Belém. “Temos muitos parques urbanos e florestas, mas estão ou degradados ou são de mata secundária. Se forem recuperados, as aves podem voltar a colonizar.”