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60 obras raras do Mosteiro de São Bento estão disponíveis na Internet

21/04/2014

O setor de obras raras possui aproximadamente 13 mil obras impressas do séc. XVI ao XIX
O setor de obras raras possui aproximadamente 13 mil obras impressas do séc. XVI ao XIX

60 obras raras, dos séculos XVI ao XIX poderão ser acessadas pela internet a partir dessa terça-feira (22/4). Elas pertencem ao Mosteiro de Sâo Bento, em Salvador, e foram restauradas por uma equipe multidisciplinar de especialistas do Mosteiro e da Faculdade São Bento da Bahia, com técnicas inovadoras de desinfestação, higienização e restauro.

O projeto durou cerca de dois anos e absorveu investimentos de de R$ 500 mil, oriundos do Fundo de Cultura da Bahia, destinado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Entre as obras restauradas e digitalizadas estão a coleção “Obras Completas de Luiz de Camões”, edição crítica com as mais notáveis variantes, de 1873;; “Cartas Selectas”, de Padre Antônio Vieira, de 1856; “Index Librorum Prohibitorum”, do Papa Bento XIV, de 1764 e “Historia dos Judeos”, de Flavio José, de 1793. Os mais antigos da lista são: “Cometario as Sentenças de Duns Scoto, do Fr. Nicolau de Orbellis”, de 1503, e “Suma Theologica Secundæ”, de São Tomas de Aquino, de 1534.

— Acesse as obras digitalizadas

O Mosteiro de São Bento da Bahia foi o primeiro fundado pela ordem dos Beneditinos nas Américas. Sua biblioteca, alvo depesquisadores de todo o mundo, foi fundada em 1582 e é tombada pelo Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) desde a década de 1930.

O acervo completo ultrapassa os 200 mil volumes, e o setor de obras raras possui aproximadamente 13 mil obras impressas do séc. XVI ao XIX.

Restauração de igreja preserva arte de monges e escravos

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo
Mosteiro de São Bento dá início as obras de restauração da Igreja Abacial Nossa Senhora do Montserrate, construída a partir de 1633, e que compõe o conjunto arquitetônico do mosteiro (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Mosteiro de São Bento dá início às obras de restauração da Igreja Abacial Nossa Senhora do Montserrate, construída a partir de 1633, e que compõe o conjunto arquitetônico do mosteiroTomaz Silva/Agência Brasil

O diretor de Patrimônio do Mosteiro de São Bento, situado na zona portuária do Rio de Janeiro, dom Mauro Fragoso, avaliou, em entrevista à Agência Brasil, que a  restauração da Igreja Abacial Nossa Senhora do Montserrate é importante não só para a comunidade monástica como para toda a sociedade fluminense.

A igreja, construída a partir de 1633, e que compõe o conjunto arquitetônico do mosteiro, envolverá recursos não reembolsáveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no montante de R$ 8,7 milhões. A participação do banco no projeto atinge 80%.

“A construção e ornamentação da referida igreja são um marco na memória beneditina em todo o continente americano. Lembrando que apenas o Brasil contou com essa ordem durante todo o período colonial das três Américas”, disse Mauro Fragoso. 

O contrato entre o BNDES e o Mosteiro de São Bento foi assinado no último dia 13. Os  monges terão 36 meses para utilizar os recursos. Isso significa que as obras de restauração do templo deverão ser concluídas em até três anos.  De acordo com informação do Departamento de Economia da Cultura do BNDES, a  primeira parcela dos recursos já foi liberada.

Ainda segundo o BNDES, as intervenções envolvem a restauração das duas capelas falsas (Santa Ida de Lovânia e Francisca Romana), das seis capelas laterais (Nossa Senhora da Conceição, São Lourenço, Santa Gertrudes, São Brás, Nossa Senhora do Pilar e São Caetano), do forro da nave central, de dois púlpitos, de dois tocheiros, da balaustrada do guarda-corpo, situado  no coro, sob a nave central, e da extensão da capela do Santíssimo. Nas capelas, as obras compreendem a recuperação das paredes, imagens, castiçais e lampadários, informou a assessoria de imprensa do BNDES.

Para dom Mauro Fragoso, a preservação desse patrimônio significa  salvaguardar a memória de monges e escravos, que trabalharam na edificação da igreja sobre a rocha firme, “história até então omitida pelos  historiadores”. O monge do Mosteiro de São Bento  observou que poucos leitores sabem da atuação de Antônio Teles, escravo com titulação de mestre pintor, e de seus oficiais na decoração desse templo.

Destacou, ainda, que há quatro séculos a igreja vem sendo referencial da vida de muitos fiéis que nela tiveram a iniciação cristã, casaram e receberam outros sacramentos ao longo de suas vidas. Dom Mauro Fragoso disse, ainda, que a preservação da Igreja de Nossa Senhora de Montserrate ultrapassa a fronteira religiosa, “uma vez que para que haja religiosidade, é necessário que haja primeiro a cultura”.