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Brasil contra México foi o jogo mais sem graça da Copa, diz Le Point

Treinador do Brasil, Luiz Felipe Scolari, durante o jogo entre Brasil e México na Arena Castelão, em Fortaleza.

Treinador do Brasil, Luiz Felipe Scolari, durante o jogo entre Brasil e México na Arena Castelão, em Fortaleza|REUTERS/Marcelo del Pozo
Adriana Moysés

Para a imprensa francesa, a situação do Brasil na Copa do Mundo é preocupante. O site da revista Le Point considera que a partida contra o México revelou duas evidências: a forma excepcional do goleiro mexicano Ochoa e a situação particularmente preocupante de Daniel Alves.

Para Le Point, “o lateral direito brasileiro foi inofensivo no ataque e ficou perdido na defesa”. “Bastava um mexicano correr atrás dele ou disputar uma bola no corpo a corpo que Daniel Alves perdia o rumo”, escreve Le Point. O empate entre Brasil e México foi um dos jogos mais sem graça da Copa do Mundo, opina o site da revista semanal francesa.

O jornal Aujourd’hui en France vê uma sombra no horizonte da seleção brasileira depois da “vitória discutível”, segundo o jornal, contra a Croácia (3 a 1), na estreia, e o empate de 0 a 0 com o México. Assim como a imprensa brasileira, o diário francês destaca que desde o Mundial da Argentina, em 1978, o Brasil não chegava até a última rodada sem ter conquistado a vaga para a próxima fase de maneira antecipada. “Em uma Copa do Mundo não é bom começar o torneio com muita força, mas o desempenho da seleção de Luiz Felipe Scolari deixa dúvidas sobre a capacidade do Brasil de levantar a taça no dia 13 de julho, escreve o Aujourd’hui en France.

Dúvidas sobre a equipe de Felipão

O L’Equipe, maior jornal esportivo francês, diz que a defesa do México demonstrou força e solidez. O destaque em campo foi o goleiro Ochoa, que defendeu todos os ataques do Brasil. “A Seleção encontrou um muro no gol”, afirma o diário. Vale lembrar que o goleiro mexicano joga no Campeonato Francês, no clube Ajaccio. Seu contrato acaba de vencer e não foi renovado, mas L’Equipe estima que depois da partida sensacional contra o Brasil, Ochoa vai receber convites de vários clubes.

L’Equipe afirma ainda que Thiago Silva merecia um cartão vermelho pelo lance com Hernandez. “O capitão brasileiro e do PSG cometeu uma falta perigosa que merecia expulsão”, assinala o jornal. Sobre Felipão, L’Equipe diz que o técnico da seleção brasileira foi muito questionado pelos jornalistas na coletiva depois do jogo, mas preferiu não entrar na polêmica.

Neymar “impotente” diante da muralha mexicana

Le Monde afirma que Neymar ficou completamente impotente diante da “muralha Ochoa”. O Brasil bem que tentou criar ocasiões de gol, mas no balanço final, na avaliação do Le Monde, o fato é que a Seleção não cresceu depois da estreia contra a Croácia. O símbolo da inércia da equipe é Fred, que saiu vaiado no segundo tempo, nota Le Monde.

Franceses vibram com vitória na Copa mas lamentam falta do hino

A seleção francesa em campo no estádio Beira-Rio em Porto Alegre, antes do jogo contra Honduras.

A seleção francesa em campo no estádio Beira-Rio em Porto Alegre, antes do jogo contra Honduras|REUTERS/Damir Sagolj|Como era de se esperar, a repercussão da vitória da França contra a Honduras por 3 a 1 monopolizou a imprensa e a opinião pública, que suspirou de alívio com a boa estreia do time no Mundial. Mas o momento de constrangimento pela ausência dos hinos das duas seleções não foi perdoado por aqui.
 

Benzema, o herói

A foto do atacante Karim Benzema comemorando a vitória de 3 a 0 contra Honduras é o grande destaque das capas dos jornais franceses desta segunda-feira (16).

Para a imprensa,  a estreia vitoriosa dos “Bleus” espantou o fantasma da Copa da África do Sul, quando foi eliminada na primeira fase da competição. A performance do time em campo comprovou as chances dos franceses e todos os jornais foram unâmimes ao elogiarem a seleção francesa que viveu um “grande momento em campo” com Benzema “na sua melhor forma”.

Sem a Marselhesa

Antes mesmo de começar, o encontro registrou um momento constrangedor tanto para os torcedores e atletas quanto para os organizadores. Uma falha técnica impediu que fossem entoados os hinos da França e de Honduras.

A falta não foi perdoada pelos jornais: “Os franceses não puderam cantar a Marseillaise,  escreveu o jornal Le Figaro. O diário esportivo L’Equipe publica as reações de alguns esportistas: o titular Mamadou Sakho disse que foi uma “falta de respeito”. Já para o ex-camepão francês de 98 e atual comentarista da televisão, Bixente Lizarrazu, “a situação foi muito estranha e chegou a ser folclórica”.

Sem estardalhaçomas com recorde de audiência

Discreta nas ruas, a empolgação dos franceses pôde ser medida pelos índices de audiência que atingiram um recorde durante a transmissão do jogo: quase 16 milhões de televisores ligados na partida, ou seja, 57% da audiência francesa no horário.

Fotografias nos jornais de hoje também mostram o presidente François Hollande, de terno e gravata, torcendo e vibrando com os três gols da seleção francesa.

Entre otimismo e apreensão, começa Copa do Mundo no Brasil

A Arena do Corinthians recebe os retoques finais, antes do ínicio da Copa do Mundo de 2014 neste 12 de junho de 2014.

A Arena do Corinthians recebe os retoques finais, antes do ínicio da Copa do Mundo de 2014 neste 12 de junho de 2014.

REUTERS/Ivan Alvarado

Chegou a hora! A expressão utilizada ontem (11) pelo treinador Felipão e o atacante Neymar durante coletiva na Arena Corinthians, traduz a expectativa do mundo inteiro que, a partir desta quinta-feira (12) estará de olho no país-sede da Copa do Mundo de futebol. As seleções de Brasil e Croácia farão a abertura dentro de campo. Fora do estádio, é grande a expectativa quanto à realização de manifestações.

Elcio Ramalho, enviado especial da RFI Brasil

As cores verde e amarela, e bandeiras do Brasil, podem ser vistas nas ruas, nas fachadas de prédios, casas, no comércio, muita gente também exibindo a camiseta da seleção brasileira; mas talvez não de maneira tão ostensiva como em outros Mundiais. Pelo menos por enquanto. A movimentação em torno do estádio de abertura da Copa, o Itaquerão, ficou mais intensa nos últimos dias com a presença dos brasileiros e também com a chegada de muitos torcedores de outros países.

Torcedores e operários

O ambiente é festivo e tranquilo fora do estádio, mas nos arredores e também dentro da Arena Corinthians ainda vemos muitos operários trabalhando para acertar os últimos detalhes. Todos sabem que a Arena não ficará 100% pronta devido ao atraso de muitas obras.

A expectativa é saber se durante a transmissão do evento os profissionais da imprensa não terão problemas devido ao atraso nas instalações de equipamentos de telecomunicação. Ontem (11), houve muita reclamação dos jornalistas, que precisaram ter paciência porque a conexão de internet sem fio caía com frequência no Centro de Imprensa, irritando muitos profissionais. No restaurantes, longas filas para poder comprar uma refeição. O estádio é moderno e impressiona, mas os detalhes da falta de acabamento não passam despercebidos. Vale lembrar que este estádio deveria ser entregue em dezembro passado, so ficou pronto na última hora e não houve tempo para testar todas as instalações antes do jogo de abertura. O grande teste para o funcionamento do Itaquerão sera realizado hoje mesmo quando o estádio irá receber mais de 60 mil torcedores.

Manifestações

Muitos grupos anunciaram que farão protestos contra a realização do evento que dividiu muitos brasileiros. Um forte esquema de segurança está sendo montado, inclusive com a participação do exército. Militares estiveram na quarta-feira fazendo uma varredura no local. As principais vias de acesso serão interditadas num raio de 5 quilômetros antes da chegada ao estádio e diversos check points, postos de controles sob comando do exército, irão realizar vistorias em carros e passageiros num perímetro de 5 quilômetros ao redor do Iraquerão, uma clara disposição de inibir a aproximação de manifestantes ao redor do estádio.

A recomendação é para que os que vêem assistir ao jogo utilizem ônibus e trens. Aliás, ontem à noite, uma boa notícia após uma assembleia dos metroviários: eles decidiram não fazer nova paralisação no dia da abertura do Mundial e, ao invés de greve, optaram por um protesto na frente do sindicado da categoria.

Cerimônia de abertura

Antes da bola rolar, às 17 horas em São Paulo, uma cerimônia de abertura foi programada às 15h15, hora local. O espetáculo terá o trio que interpreta a canção-tema da Copa. A atriz e cantora Jennifer Lopez confirmou sua presença e estará no palco armado no gramado, ao lado do rapper americano Pitbull, autor da música “We are One”, “Somos um só”, cujo vídeo foi muito criticado pelos brasileiros e causou grande polêmica nas redes sociais por explorar todos os clichês ligados ao país.

O grupo afro Olodum e a cantora Claudia Leitte encerrarão a programação musical, que já está sendo criticada por ter deixado de lado um dos símbolos da cultura nacional : o samba carioca.

O show da abertura deverá ser visto ao vivo por bilhões de pessoas em todo o mundo, devendo se concentrar nas três imagens fortes do Brasil: a natureza, o povo e, é claro, a paixão pelo futebol. Em entrevistas, Claudia Leite faz mistérios sobre sua participação, mas disse que deverá agradar sobretudo às gerações mais jovens.

Um paraplégico deve dar o pontapé inaugural, utilizando uma roupa chamada exoesqueleto, concebida pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis.

Autoridades

Doze chefes de Estado e de Governo estarão presentes e não estão previstos discursos da presidente Dilma Rousseff ou do presidente da Fifa, Joseph Blatter. A imprensa afirma que nem imagens no telão da presidente serão projetadas para se evitar o risco de vaias.

A Copa tem início sem ninguém saber quem acompanhará o presidente da Fifa, Joseph Blatter, na entrega do troféu de campeão no dia 13 de julho. A presidente Dilma Rousseff não vai participar da festa, com receio de ser hostilizada pela multidão. O convite já foi feito à modelo Gisele Bündchen, segundo informações da imprensa, ainda não confirmadas pela Fifa. A entidade diz apenas que ainda não foi concluída essa questão protocolar. Mais um probleminha para a Fifa resolver.

Linha Direta – 12/06/2014

 
12/06/2014
 

Jules Rimet, criador da Copa, presidiu Fifa numa época sem escândalos

O francês Jules Rimet foi presidente da Fifa durante 33 anos, numa época bem longe dos escândalos atuais.

O francês Jules Rimet foi presidente da Fifa durante 33 anos, numa época bem longe dos escândalos atuais|Montagem: Bibliothèque nationale de France-Flickr/Ben Sutherland

Em plena Copa no Brasil, as 32 seleções em campo têm um único objetivo: ganhar  a taça. No entanto, poucos sabem quem foi o inventor da taça e da própria Copa. O francês Jules Rimet é hoje considerado como um pioneiro esquecido, mesmo se criou o maior evento mundial do futebol. Desde então, os tempos e a Fifa mudaram bastante.

O francês Jules Rimet foi o criador da Copa do Mundo, diretor do clube de futebol Red Star FC de Saint-Ouen (periferia de Paris) e presidente da Fifa durante 33 anos. Engajado, Rimet sempre acreditou que o esporte existe para ultrapassar as barreiras sociais e culturais, dando a todos uma chance de sucesso e realização pessoal.

Foi a partir desta filosofia que o dirigente esportivo decidiu criar um evento global em que todas as nações pudessem se encontrar. Em 1930, nascia a I Copa do Mundo de Futebol e com ela o primeiro troféu, chamado de Taça Jules Rimet, com cerca de 30 cm de altura e 4 kg, dos quais 1,8 kg de ouro puro.

Primeiro jogo

O primeiro jogo aconteceu no Uruguai, entre os times da França e do México. O atacante francês Lucien Laurent foi o autor do primeiro gol da história do evento. Mesmo se venceu por 4 a 1, a França não ganhou mais e foi eliminada na primeira fase.

Neste ano de 2014, o neto de Rimet, Yves, decidiu lançar o “Diário de Jules Rimet”, escrito por Renauld Leblond, que narra os 60 anos da vida esportiva do dirigente.

“Acho que se ele visse o futebol moderno ficaria realmente decepcionado”, diz seu neto, completando que Jules Rimet, no fundo, sabia que esta seria a evolução lógica do esporte. “Gerando quantias astronômicas, é difícil evitar os deslizes”, diz Yves Rimet, lembrando que a origem modesta da maioria dos jogadores prova que o ideal de abertura do esporte profissional desejada por seu avô é mais atual do que nunca.

Histórias da Taça

A Taça Jules Rimet teve uma vida bastante movimentada desde a sua criação até ser derretida por ladrões no Rio de Janeiro.

Um fato interessante aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. A Taça Jules Rimet estava em um banco em Roma pois a Itália era a campeã na época. Ottorino Barassi, então presidente da Federação Italiana, tirou em segredo o troféu do banco e o escondeu em uma caixa de sapatos embaixo da cama. A Taça reviu a luz do dia em 1946 e voltou aos gramados em 1950, na quarta edição do evento.

Um outro caso, menos curioso e mais dramático, aconteceu nos anos 80. O Brasil, tricampeão mundial em 1970, ganhou o direto de ficar com o troféu, que foi guardado na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro. Em 1983, a Taça Jules Rimet original foi roubada por ladrões e nunca mais foi encontrada. A hipótese mais provável é que tenha sido derretida e o ouro, vendido. Assim terminou a história do primeiro troféu mais desejado do mundo.

Mundial vai estrear sem Itaquerão estar totalmente pronto

O funcionário Daniel Campos termina as instalações da tribuna de imprensa do Itaquerão em 10 de junho de 2014.

O funcionário Daniel Campos termina as instalações da tribuna de imprensa do Itaquerão em 10 de junho de 2014.

Elcio Ramalho

O clima alegre do pagode improvisado com torcedores brasileiros e estrangeiros na frente da Arena do Corinthians contrastava com o ambiente tenso e corrido dentro do estádio, onde operários ainda trabalhavam a todo o vapor na terça-feira (10), último dia oficial de obras no Itaquerão.

Elcio Ramalho, enviado especial da RFI ao Brasil

O barulho das máquinas nas tribunas provisórias, a presença de engenheiros nas arquibancadas, denunciavam que ainda havia muito o que fazer antes de entregar o estádio aos protagonistas da festa de abertura. Daniel Campos, de uma empresa terceirizada de colocação de móveis, faz parte de um grupo de funcionários que estava em Belo Horizonte e foi chamado às pressas para acertar os acabamentos da tribuna de imprensa.

“Tem muita coisa para fazer em termos de acabamento, fazer o ‘pente fino’ do material que vai faltar, e ainda dependemos de outras empresas; a parte de comunicação, de passar os cabos, nós, da montagem, não podemos terminar o serviço porque dependemos deles”, diz Daniel, lembrando que tudo deve estar pronto “até a meia-noite, depois ninguém entra”.

Abertura

Dificilmente o estádio estará 100% pronto para o jogo de abertura. O que é certo é que, nesta quarta-feira (11,) os jogadores do Brasil e da Croácia treinarão no gramado do estádio. Antes de entrarem em campo, às 16h no horário de Brasília, os jogadores brasileiros vão falar com a imprensa. Em seguida, às 17h30, hora local, será a vez dos croatas fazerem o reconhecimento do gramado.

Dilma:olhos e corações do mundo voltados para o Brasil

A seleção brasileira chegou na noite de terça-feira em São Paulo, pouco depois do discurso em rede nacional da presidente Dilma Rousseff. Ela defendeu a realização da Copa e afirmou que o evento vai deixar um gande legado para os brasileiros, com muitas obras de infraestrutura. Dilma rejeitou as críticas de que o país gastou demais com o Mundial em detrimento da saúde e da educação, e reiterou que a democracia brasileira permite manifestos livres. A presidente explicou que excessos e radicalismos devem ser reprimidos e chamou de perdedores os que apostaram que o país não seria capaz de realizar o Mundial.

Clique aqui para ouvir a reportagem completa:

 

 
Enro Elcio 11.06

 
11/06/2014