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EUA e Irã fazem guerra de declarações antes da última rodada de negociações nucleares

A última rodada de negociações nucleares em Viena começou nesta quarta-feira com uma guerra de declarações entre o Irã, que traçou uma linha vermelha sobre seu programa energético, e as potências, que o advertem para que não perca uma oportunidade histórica.

A República Islâmica não tem nada a esconder de seu programa atômico, mas “nós não liquidaremos nossos progressos tecnológicos”, advertiu no jornal francês Le Monde o chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif.

Depois de meses de intenso diálogo, as duas partes têm 15 dias para alcançar um acordo que garanta que o Irã não terá a arma atômica, em troca do levantamento das sanções internacionais contra sua economia. As delegações chegam nesta quarta-feira à capital austríaca.

Por sua vez, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou no The Washington Post que estas negociações “promovem uma escolha para os líderes do Irã. Eles podem aceitar dar os passos necessários para assegurar ao mundo que o programa nuclear de seu país será exclusivamente pacífico e não será utilizado para construir uma arma”, escreveu Kerry.

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, França, Grã-Bretanha e Rússia), além da Alemanha, querem que o Irã reduza seu programa nuclear para tranquilizar a comunidade internacional.

A sexta e última rodada começa oficialmente na quinta-feira e pode continuar potencialmente até 20 de julho, quando expira um acordo provisório assinado em novembro, embora teoricamente este prazo possa se prolongar.

A capacidade de enriquecimento de urânio que o Irã conservaria depois de um acordo é um dos principais pontos de divergência.

O Irã confirmou estar disposto a modificar os planos de seu reator de água pesada em construção em Arak, perto de Teerã, para garantir que já não poderá produzir plutônio, o outro combustível possível de uma bomba nuclear, junto com o urânio altamente enriquecido.

As autoridades iranianas se negam a discutir seu programa de mísseis – que poderiam transportar bombas – alegando que esta capacidade balística é uma questão de defesa nacional, e não de política nuclear.

Irã lamenta exigências de grandes potências em negociações nucleares

AFP – Agence France-Presse

26/06/2014 

O Irã fez propostas racionais nas negociações sobre seu programa nuclear, mas as exigências excessivas das grandes potências podem impedir um acordo até a data limite de 20 de julho, indicou nesta quinta-feira o chanceler iraniano.

“O Irã está preparado para uma solução e fez propostas racionais”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, segundo a agência oficial Irna. “Mas as exigências excessivas da outra parte podem impedir um acordo. Neste caso, o mundo saberá quem é o responsável pelo bloqueio das negociações nucleares”, acrescentou.

As grandes potências e o Irã, ainda longe de um acordo, decidiram na semana passada intensificar o ritmo de suas negociações, com a esperança de alcançar um acordo na data limite de 20 de julho, e voltarão a se reunir no dia 2 de julho em Viena.

O Grupo 5+1 (Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) e a República Islâmica negociam desde o início do ano um acordo histórico que garanta às grandes potências que Teerã não buscará se dotar de uma bomba atômica em troca do levantamento das sanções internacionais.

Dois temas-chave bloqueiam as discussões.

O primeiro é o enriquecimento de urânio, que torna possível em alto grau obter o combustível para uma arma nuclear. O Irã, que sempre afirmou que seu programa nuclear era puramente civil, insiste na possibilidade de conservar sua capacidade de enriquecimento.

O segundo ponto é o ritmo do levantamento das sanções depois de um eventual acordo.

O acordo temporário de novembro de 2013, que tornou possível lançar a negociação, prevê descongelar as sanções por um montante de 4,2 bilhões de dólares.

Nem o Irã, nem os países do 5+1 propõem de maneira pública prolongar a discussão por outros seis meses, uma possibilidade prevista pelo acordo temporário.