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OCDE: América Latina atravessa “momento decisivo” para relançar economia

Agência Brasil

O secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Ángel Gurria, disse nesta segunda-feira que a região da América Latina e do Caribe atravessa atualmente “momento decisivo” para impulsionar as reformas que permitem assegurar o crescimento depois da chamada década de ouro.
 
“É preciso aproveitar a desaceleração dos motores externos para levar a cabo um plano regional de reformas bem entrosadas, para construir economias mais resistentes, inclusivas e sustentáveis”, acrescentou o líder da OCDE, na abertura em Paris do Fórum Internacional da América Latina e do Caribe.
 
No discurso, Guria lembrou que depois de “uma das fases de expansão econômica mais importantes de sua história”, com taxa de crescimento de 5% nos últimos anos, o crescimento deve ficar, este ano, entre 2% e 2,5%.
 
“Os ventos estão mudando na região”, disse Gurria, destacando que uma parte importante desse crescimento estava baseado em fatores externos e conjunturais, como o crescimento acelerado das importações da China ou a entrada de investimentos de curto prazo, que hoje “mudaram e estão gerando um nível maior de incerteza”.
 
Para garantir o crescimento sustentável dessas economias, ele defendeu o fortalecimento dos sistemas fiscais, a melhoria da infraestrutura de transporte e a eficiência dos procedimentos aduaneiros, além do desenvolvimento de uma política logística integrada.
 
“Temos uma oportunidade entre 2012 e 2015, quando 14 países desta região promovem eleições. No passado, dissemos que as eleições são elementos de instabilidade e turbulência, mas hoje são motivos de legitimação dos mandatos para levar a cabo essas tarefas”, disse Gurria.

Brasileiro diretor da OMC destaca papel de países em desenvolvimento no comércio

Brasileiro Roberto Azevêdo é o diretor-geral da OMC desde março de 2013.

Brasileiro Roberto Azevêdo é o diretor-geral da OMC desde março de 2013.

OCDE
Lúcia Müzell

O pior da crise econômica já ficou para trás e na medida em que a retomada econômica se consolidar, os países em desenvolvimento terão um papel cada vez mais importante no fluxo comercial mundial. Essa é a avaliação do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, que participou nesta terça-feira (6) em Paris de um debate sobre o futuro do comércio global.

 

O evento aconteceu durante o Fórum da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) sobre as perspectivas econômicas para este ano e o seguinte. Azevêdo destacou que o multilateralismo das decisões na governança global, incluindo os países emergentes, vai se refletir nas transações comerciais.

“Acho que vamos ver muitos países em desenvolvimento, que até agora não participavam completamente dos fluxos comerciais, ter um papel cada vez maior daqui para frente. Vamos ver novos atores incluindo-se nos fluxos comerciais globais, mas também nos fluxos de investimentos”, afirmou.

O diretor-geral observou que o comércio “é uma ferramenta potencial para o desenvolvimento”, ao gerar aumento da produtividade, da criação de empregos e do crescimento econômico. Com a saída da crise, os países vão procurar novas alternativas de negociações comerciais, e o resultado será o aumento de acordos bilaterais ou regionais, inclusive nos países em desenvolvimento, na opinião Azevêdo.

“Acho que os tratados regionais de comércio e os tratados de livre comércio vão proliferar, não somente entre os países desenvolvidos, mas também entre os em desenvolvimento. Eu estive na África na semana passada e só se fala em integração regional, integração continental”, disse. “Essa vai ser uma parte importante das negociações comerciais.”

Protecionismo

Neste contexto, Azevêdo advertiu para os riscos de as barreiras não-tarifárias, muitas vezes protecionistas, frearem o comércio internacional. As mais usadas são as restrições sanitárias para as importações, os subsídios e as medidas antidumping e compensatórias.

“O problema com as barreiras não-tarifárias é que são completamente imprevisíveis. Você não sabe que corpo ou que forma elas terão. Às vezes elas são ilegítimas, às vezes são apenas regulatórias, e às vezes são protecionistas”, explicou, sem citar exemplos. “Elas às vezes são feitas para proteger um setor especifico. É muito difícil de negociar regras quando você não sabe sobre o que você precisa se proteger.”

Crescimento do Brasil

A OCDE apresentava hoje o seu relatório de perspectivas para as principais economias mundiais. O estudo afirma que o crescimento do Brasil deve ser de 1,8% em 2014. O governo brasileiro espera um aumento do PIB de 3%.

Para o ano que vem, a OCDE prevê um crescimento de 2,2% da economia do país. A organização aponta a inflação alta, a queda da demanda interna, o aperto na política monetária e as incertezas sobre as eleições presidenciais como os fatores que devem pesar sobre a atividade econômica brasileira em 2014. O país não faz parte da instituição, que reúne os 34 países mais ricos do mundo.

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