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Empréstimo de R$ 4 mi deu início a esquema

Dívida de R$ 4 milhões foi contraída junto a Júnior Mendonça em 2008 e quitada com recursos oriundos de um precatório da extinta Sanemat

Diário de Cuiabá|Laura Nabuco

O empréstimo ilegal que deu início ao esquema de lavagem de dinheiro alvo da operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal, teve como beneficiário o governador Silval Barbosa (PMDB) e foi quitado com recursos públicos, oriundos de um precatório da extinta Companhia de Saneamento do Estado de Mato Grosso (Sanemat). 

É o que afirma a decisão do juiz federal Jeferson Schneider que autorizou mandados de busca e apreensão contra, pelo menos, 20 acusados de envolvimento no esquema. 

Conforme o despacho, o empréstimo, no valor de R$ 4 milhões, foi contraído por Silval em 2008 junto ao empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça. À época, o governador ainda ocupava a cadeira de vice. 

A transação contou com a participação do então secretário de Estado de Fazenda Eder Moraes (PMDB), que assinou uma nota promissória no mesmo valor do empréstimo. No documento, constava como avalista, além de Eder, o próprio Silval. 

Ainda de acordo com a decisão, o débito não foi quitado na data prevista, tendo Júnior Mendonça, então, procurado Eder na sede da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) para cobrar a dívida. Na ocasião, o ex-secretário teria garantido o pagamento de R$ 4,750 milhões. 

Em depoimento à PF, Júnior Mendonça afirmou, segundo a decisão, que Eder Moraes ainda lhe confidenciou ter por receber à época cerca de R$ 9,5 milhões. 

O valor seria parte de um precatório de R$ 19 milhões devido à empresa Hidrapar Engenharia Civil Ltda. por conta de uma demanda contra a Sanemat. 

O escritório Tocantins de Advocacia seria o responsável por fazer o pagamento ao ex-secretário e, por isso, também a Júnior Mendonça. Para isso, seria aberta uma conta-corrente conjunta entre o escritório e a empresa Trimec Construções e Terraplanagem Ltda., cujo sócio proprietário é Wanderley Torres. 

A partir daí, conforme o juiz federal, foi que teve início “o que se denominou chamar de ‘conta-corrente’, por meio do qual Gércio Marcelino Mendonça Júnior, via suas empresas Global Fomento Ltda. e Comercial Amazônia Petróleo Ltda., operando conjuntamente com Eder de Moraes Dias instituição financeira clandestina, realizaram inúmeros outros empréstimos em favor do grupo político (Blairo Maggi e Silval Barbosa), assim como transferências bancárias para fins de ocultar a origem ilícita dos recursos”. 

CAMPANHA ELEITORAL – A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), cita um segundo empréstimo, também no valor de R$ 4 milhões, feito por Júnior Mendonça ao governador Silval Barbosa. 

A transação teria sido realizada em 2010, quando o peemedebista concorreu ao cargo de chefe do Executivo. A campanha, aliás, teria sido a justificativa para o pedido. Silval, todavia, teria a intenção de receber pelo menos R$ 7 milhões, valor que não foi aceito pelo empresário.