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América Latina endurece posição contra operação de Israel em Gaza

Durante a 46ª cúpula do Mercosul, os presidentes dos países do bloco expressaram sua posição contra os ataques de Israel à população palestina e exigiram um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Durante a 46ª cúpula do Mercosul, os presidentes dos países do bloco expressaram sua posição contra os ataques de Israel à população palestina e exigiram um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Roberto Stuckert Filho/PR
RFI

Enquanto os Estados Unidos continuam vendendo munições ao exército israelense e autoridades europeias tentam relativizar a sangrenta operação Limite Protetor com inócuos pedidos de cessar-fogo em Gaza, países da América Latina figuram como os maiores críticos do governo de Israel até o momento. Hoje (31), a Bolívia foi além dos protestos e incluiu Israel na lista de “estados terroristas”.

 

A Bolívia, que rompeu suas relações diplomáticas com Israel em 2009, após a violenta operação “Chumbo Fundido”, já havia feito um pedido à ONU para que abrisse um processo contra Tel Aviv de crime contra humanidade, logo nos primeiros dias da atual ofensiva. Ontem, o presidente boliviano, Evo Morales, declarou que incluiu Israel na lista de “países terroristas”.

“Israel não é um Estado que garante os princípios de respeito à vida e os direitos básicos para a coexistência pacífica e harmoniosa na comunidade internacional”, afirmou Morales. “Nós declaramos Israel como um Estado terrorista”, ratificou.

Outros países reagiram à continuidade das violências contra os civis em Gaza nos últimos dias. O Chile classificou as operações militares israelenses como uma “agressão coletiva contra a população” da região. Já o Peru diz estar profundamente decepcionado com a violação dos vários cessar-fogos dos últimos dias e a continuidade da operação militar de Israel em Gaza.

Na terça-feira (29), durante uma reunião privada da 46ª cúpula do Mercosul, na Venezuela, os integrantes do bloco divulgaram um comunicado contra os ataques à população palestina e exigiram um cessar-fogo. Além do presidente venezuelano Nicolás Maduro, assinaram a declaração os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Brasil, Dilma Rousseff, do Uruguai, José Mujica, do Paraguai, Horacio Cartes, e da Bolívia, Evo Morales.

Brasil critica Israel

Na semana passada, o governo brasileiro condenou  “energicamente” o uso desproporcional da força de Israel na Faixa de Gaza, “do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças”. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil também reiterou seu chamado a um imediato a uma trégua. Além disso, Brasília convocou seu embaixador em Tel Aviv para consultas.

O porta-voz do governo de Israel, Yigal Palmor, ironizou a posição brasileira. “Desproporcional é perder uma partida de futebol por 7 a 1”, disse, em entrevista ao Jornal Nacional. Já em declaração ao The Jerusalem Post, Palmor, afirmou que a convocação do embaixador brasileiro em Israel “era uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”.

As declarações do governo israelense contra o Brasil não intimidaram outros países da América Latina, como Equador, Chile, Peru e El Salvador que convocaram igualmente seus embaixadores em Tel Aviv para consultas.

Desde o início da operação

A reação dos países latinos não é tardia. Desde o começo da ofensiva israelense contra o movimento islâmico Hamas em Gaza, vários países do continente americano já haviam se posicionado contra o governo de Israel. Uma semana após o início dos ataques, o ministério mexicano das Relações Exteriores pediu a proteção dos palestinos e condenou o uso da força e a operação militar.

Há três semanas, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, classificou a ofensiva de “guerra de exterminação” contra o povo palestino. Já em Cuba as autoridades pediram que “a comunidade internacional exija que Israel cesse a escalada de violência”. Ambos os países também romperam as relações com Tel Aviv em 2009.

Logo nos primeiros dias da operação Limite Protetor, o ministério das Relações Exteriores do Uruguai condenou a “resposta desproporcional” dos israelenses aos tiros lançados pelos palestinos. Em meados de julho, o Equador “condenou com energia todos os atos de violência” na região e pediu “o fim imediato das hostilidades”.

Bombardeio mata oito crianças palestinas que brincavam num parquinho em Gaza

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza, espera por atendimento no hospital.

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza, espera por atendimento no hospital.

REUTERS/Finbarr O’Reilly/Files

Dez palestinos, incluindo oito crianças, morreram nesta segunda-feira (28) em um bombardeio ao campo de refugiados de Al Chati, na cidade de Gaza. As crianças teriam sido atingidas quando brincavam no parquinho do campo, na beira da praia. Quatro civis israelenses morreram, por sua vez, devido à explosão de um morteiro lançado de Gaza. O artefato caiu perto da fronteira, na região de Eshkol, no sul de Israel.

 

O bombardeio ao campo de refufiados de Al Chati deixou 40 feridos. Os corpos das crianças e de dois adultos foram levados para o hospital de Chifa, o maior do enclave palestino, que também foi alvo de uma explosão. Apenas um muro do estabelecimento foi danificado. O Exército de Israel acusa o Hamas pelos dois incidentes. Um comunicado militar afirma que eles foram provocados por “foguetes mal direcionados pelos terroristas de Gaza”.

Durante a madrugada e o período da manhã, os bombardeios diminuíram de ambos os lados, dando a impressão que havia uma trégua não-declarada entre os beligerantes. Porém, à tarde, os disparos recomeçaram.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a declaração do Conselho de Segurança da ONU exigindo um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza “não atende às exigências de segurança de Israel, principalmente no que diz respeito à desmilitarização” do território palestino.

Netanyahu conversou por telefone com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e lamentou que o texto do Conselho não faça alusão “aos ataques contra a população civil israelense nem ao uso dos palestinos como escudos humanos pelo Hamas”.

Ban Ki-Moon pede “humanidade” aos dirigentes

Ban Ki-Moon reiterou o apelo para que Israel e o Hamas ponham um fim ao conflito em Gaza, insistindo na necessidade de ambas as partes “honrarem” os pedidos de cessar-fogo da comunidade internacional. “Em nome da humanidade, a violência tem de parar”, disse o secretário-geral da ONU.

Ontem, reunidos emergencialmente em Nova York, os 15 países do Conselho de Segurança da ONU pediram que Israel e o Hamas aplicassem uma trégua humanitária durante e depois da festa muçulmana do Eid al-Fitr, que marca, nesta segunda-feira, o fim do jejum do Ramadã. O Conselho pediu assistência humanitária à população de Gaza, com o aumento das contribuições ao escritório da ONU para os refugiados palestinos.

Palestinos de Jerusalém pedem fim da ofensiva

Cerca de 45 mil palestinos se reuniram na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, para manifestar neste último dia do Ramadã um fervoroso apoio aos moradores de Gaza.

Muitos participantes usavam camisetas com frases de solidariedade aos vizinhos, como “estamos com vocês nesta festa do Eid al-Fitr” e “daremos nosso sangue por Gaza”. Outros vestiam camisetas de apoio ao braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, com dizeres do tipo “sequestrem mais soldados israelenses”.

A polícia israelense se manteve à distância dos manifestantes.

Faixa de Gaza tem trégua não-declarada para festa religiosa muçulmana

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza.

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza.

REUTERS/Finbarr O’Reilly/Files

O Conselho de Segurança da ONU adotou na madrugada desta segunda-feira (28) uma declaração unânime exigindo um “cessar-fogo humanitário imediato e incondicional” na Faixa de Gaza. Desde ontem, as hostilidades praticamente pararam, por conta da festa muçulmana do Eid al-Fitr, que marca o fim do jejum do Ramadã.

 

Os 15 países reunidos emergencialmente em Nova York pediram que Israel e o Hamas apliquem essa trégua “plenamente”, não só durante a data religiosa, mas depois também. E, que respeitem o direito internacional, principalmente no que diz respeito à proteção dos civis.

O Conselho pediu assistência humanitária à população de Gaza, com o aumento das contribuições ao escritório da ONU para os refugiados palestinos. Em alusão ao bombardeio de uma escola das Nações Unidas, o comunicado frisa que instalações civis e humanitárias devem ser respeitadas e protegidas. Único membro árabe do Conselho, a Jordânia pediu que a declaração seja adotada solenemente sem demora.

O embaixador palestino na ONU, Ryad Mansur, lamentou que o Conselho não tenha pedido o fim do embargo israelense a Gaza e que tenha optado por uma simples declaração no lugar de uma resolução. Do lado israelense, o embaixador Ron Prosor condenou o texto por não citar o Hamas nem seus foguetes. Ele voltou a acusar o movimento islâmico de usar a população como escudo humano.

Desde ontem à noite, os ataques praticamente cessaram, por ocasião da festa muçulmana. Um porta-voz do Hamas afirmou que “Israel será responsabilizado por qualquer escalada durante o Eid al-Fitr”. De acordo com o exército israelense, desde as 23 horas do domingo, o Hamas não atira nenhum foguete e Israel não realiza nenhum ataque aéreo.

Apesar disso, hoje de manhã, dois palestinos que haviam sido feridos na semana passada morreram na Faixa de Gaza. Com isso, o número de palestinos mortos desde o início da operação Limite Protetor, em 8 de julho, chega a 1.035. Os hospitais de Gaza receberam 6.200 feridos. Do lado israelense, o conflito deixou até agora 43 soldados mortos e três civis, atingidos pelos foguetes do Hamas.

Prefeitura de Paris proíbe protesto pró-palestinos previsto para sábado

Manifestação autorizada do Coletivo Nacional pela Paz Justa e Durável entre Israelenses e Palestinos, realizada na última quarta-feira (23), em Paris.

Manifestação autorizada do Coletivo Nacional pela Paz Justa e Durável entre Israelenses e Palestinos, realizada na última quarta-feira (23), em Paris.

REUTERS/Benoit Tessier
RFI

Depois da proibição de duas manifestações, no último fim de semana, que acabaram sendo realizadas e terminaram em vandalismo e atos antissemitas, a prefeitura de Paris decidiu nesta sexta-feira (25) não autorizar um ato contra a intervenção militar israelense previsto para este sábado. Os organizadores afirmam que pretendem recorrer da decisão.

A prefeitura da capital francesa julga insuficientes as garantias de segurança para o ato previsto para este sábado (26). Mas os organizadores acreditam que conseguirão derrubar a proibição no tribunal administrativo de Paris até a noite desta sexta-feira.

De acordo com Youssef Boussoumah, presidente do Parti des Indigènes de la Repúblique (PIR), uma das organizações responsáveis pela manifestação, o percurso da marcha era “perfeitamente seguro” e havia sido analisado pela polícia. O evento estava previsto para começar às 15h na praça da República até a praça da Nação, no leste de Paris.

Boussoumah acredita que a decisão é política e não tem relação com a polícia. “Nós temos um Estado que tem medo de sua juventude”, avalia.

No último fim de semana, uma manifestação não autorizada no bairro de Barbès, norte da capital, terminou em pancadaria depois que a polícia tentou dissipar os manifestantes. Na última quarta-feira (23), o Coletivo Nacional pela Paz Justa e Durável entre Israelenses e Palestinos realizou uma marcha no sul de Paris e não registrou violências.

Agressão

Um jovem judeu prestou queixa na polícia depois de ser agredido ontem por uma dezena de pessoas diante de sua casa, em Bobigny, no subúrbio de Paris. O homem, de 19 anos, é membro da Liga da Defesa Judaica (LDJ), grupo radical, cujos integrantes tentaram invadir a primeira manifestação pró-palestinos realizada em Paris, no dia 13 de julho.

França, Inglaterra, Alemanha e EUA vão discutir cessar-fogo em Gaza

Fumaça se eleva acima da cidade de Gaza após ataque aéreo israelense neste sábado (12).

Fumaça se eleva acima da cidade de Gaza após ataque aéreo israelense neste sábado (12).

REUTERS/Ahmed Zakot
RFI

O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, anunciou neste sábado (12) que discutirá a possibilidade de um cessar-fogo na Faixa de Gaza com os chanceleres norte-americano, francês e alemão, durante a reunião sobre o programa nuclear iraniano neste domingo em Viena. A ofensiva militar israelense contra o território palestino já deixou em cinco dias ao menos 127 mortos.

 

“Precisamos de uma ação internacional urgente e conjunta a fim de estabelecer um cessar-fogo, como em 2012. Vou falar sobre isso com John Kerry, Laurent Fabius e Frank-Walter Steinmeier amanhã em Viena”, declarou o chefe da diplomacia britânica em um comunicado.

William Hague acrescentou que insistiu na necessidade de uma redução imediata da violência e do restabelecimento do cessar-fogo instaurado em novembro de 2012 durante suas conversas telefônicas deste sábado com o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

“Também expressei nossa profunda preocupação com o número de vítimas civis e o imperativo, para os dois lados, de evitar novas perdas de vidas inocentes”, acrescentou o ministro.

De manhã, William Hague já havia se declarado “extremamente preocupado” em sua conta no Twitter. Essa foi a primeira reação oficial de Londres desde o apoio firme oferecido a Israel pelo primeiro-ministro, David Cameron, na quarta-feira, um dia depois do início da ofensiva contra Gaza que visa acabar com os tiros de foguetes realizados por combantentes palestinos.

Vítimas civis

Desde então, o exército israelense multiplicou os ataques aéreos contra a Faixa de Gaza, deixando ao menos 127 mortos e 940 feridos, em sua maioria civis, segundo os serviços de saúde palestinos.

Ao mesmo tempo, o exército israelense identificou 564 foguetes lançados contra Israel. Cerca de 140 deles foram destruídos em pleno voo pelo sistema de defesa “Domo de Ferro”. Esses tiros deixaram cerca de dez feridos, mas nenhum morto.

Em novembro de 2012, uma operação militar israelense que também tinha como objetivo acabar com os lançamentos de foguetes a partir de Gaza deixou 177 mortos palestinos e 6 israelenses.

Na sexta-feira à noite, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que resistirá a toda intervenção internacional com vistas a proclamar um cessar-fogo.

Ofensiva israelense em Gaza já matou mais de 100 palestinos

Ataques de Israel continuam durante a noite desta sexta-feira (11) na Faixa de Gaza.

Ataques de Israel continuam durante a noite desta sexta-feira (11) na Faixa de Gaza.

REUTERS/ Amir Cohen
RFI

Ao menos 13 palestinos morreram nesta sexta-feira (11) nos ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, o que aumenta para 105 o número mortos e 600 feridos desde terça-feira. Ao todo, 73 civis morreram até o momento, entre eles 23 crianças. Hoje foi o quarto dia da operação militar israelense “Limite Protetor”, intensamente criticada pela comunidade internacional.

 

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou hoje, durante uma coletiva de imprensa no Ministério da Defesa de Tel Aviv, que nenhuma pressão internacional vai impedir seu país de combater os terroristas. “Nós continuaremos [os ataques] enquanto não tivermos certeza que os cidadãos israelenses poderão viver em calma”, disse.

Pelo segundo dia consecutivo, Netanyahu não excluiu a possibilidade de realizar uma ofensiva terrestre, já que a operação atual conta com a participação apenas da aviação e da marinha. “Nós estamos estudando todas as possibilidades, nos preparando para todas as eventualidades”, completou.

Barack Obama oferece mediação

Em uma reunião telefônica com o premiê israelense, o presidente norte-americano Barack Obama expressou o medo da escalada da violência e propôs ser o mediador entre as duas partes. “Os Estados Unidos estão prontos para ajudar nas negociações pelo fim das hostilidades, inclusive no retorno dos diálogos sobre o cessar-fogo”, anunciou um comunicado da Casa Branca, completando que considera a facção islâmica Hamas como “uma organização terrorista”.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que selou um acordo de reconciliação com o Hamas no fim de abril, fez um apelo ao Conselho de Segurança da ONU para que articule o cessar-fogo na região e condene a agressão israelense.

Ontem, durante uma região de urgência no Conselho de Segurança, representantes das duas partes trocaram acusações e não chegaram a nenhuma conclusão sobre a questão. Nem Netanyahu, nem o dirigente do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, pareceram dispostos a realizar uma trégua.

Ameaças

Diante de uma possível invasão israelense por terra anunciada pelo premiê israelense, o Hamas ameaçou hoje disparar foguetes contra o principal aeroporto de Tel Aviv. O movimento também alertou as companhias aéreas estrangeiras de aterrissarem em Israel. A ameaça interrompeu as operações no aeroporto de Ben Gourion durante alguns minutos, mas muitas empresas aéreas confirmaram que irão manter seus voos.

As duas principais facções radicais palestinas, o Hamas e a Jihad Islâmica, dispararam 550 foguetes e morteiros a partir de Gaza contra Israel nos últimos dias, segundo a ONU. Uma explosão causada por um foguete do Hamas deixou uma israelense gravemente ferido hoje em Ashdod, ao norte de Gaza.

O conflito é o mais violento desde novembro de 2012, que matou 177 palestinos e seis israelenses. Os confrontos recomeçaram após o sequestro e o assassinato de três estudantes de Israel na Cisjordânia, que Tel Aviv atribui ao Hamas. Extremistas judeus responderam queimando vivo um jovem palestino.

EUA: Israel e palestinos devem manter cooperação em segurança

AFP – Agence France-Presse

01/07/2014 

A Casa Branca pediu nesta terça-feira a Israel e à Autoridade Palestina que continuem cooperando em matéria de segurança, depois que Israel prometeu adotar represálias contra o Hamas.

Israel responsabiliza o Hamas pelo assassinato de três jovens israelenses sequestrados na Cisjordânia.

O porta-voz da Casa Branca Josh Earnest destacou a comoção do presidente Barack Obama com os assassinatos e pediu a ambas as partes que deixem de lado qualquer ação que possa desestabilizar a região. Pediu ainda que israelenses e palestinos cooperem na manutenção da segurança.

“Houve uma cooperação entre a Autoridade Palestina e Israel, quando investigaram em conjunto o desaparecimento dos três jovens e tentaram devolvê-los vivos a seus lares”, lembrou Earnest.

O assessor disse ainda que “existem importantes laços de segurança” entre ambos. “Esperamos que esse espírito de cooperação se mantenha, superando esse período tão difícil”, insistiu.

Já o Departamento de Estado americano sugeriu que o Hamas teve ligação com o triplo homicídio. “Há muitos elementos que sugerem um envolvimento do Hamas”, declarou a porta-voz adjunta da diplomacia americana, Marie Harf.

Em entrevista coletiva, Marie Harf apontou que os líderes do Hamas comemoraram o sequestro. Ela negou, porém, estar acusando o Hamas como “responsável” pelas mortes. “Não dou um nome em particular. Digo que a investigação está em andamento”, desconversou.

O Hamas condenou o presidente palestino, Mahmud Abbas, por apoiar a colaboração com Israel em matéria de segurança, estimando que prejudica a união entre palestinos, e que significa um golpe para os palestinos detidos em Israel.

Já Abbas considera que essa cooperação serve aos interesses dos palestinos e prometeu que não haverá uma nova Intifada, apesar do recente fracasso das negociações de paz promovidas pelos Estados Unidos.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, garantiu que fará o Hamas “pagar” por seus crimes. Nesta terça, seu governo estudava a magnitude dessa resposta.

Israel promete punir Hamas por morte de três adolescentes

Protesto em Nova York, diante da sede da ONU, pela morte dos três jovens israelenses.

Protesto em Nova York, diante da sede da ONU, pela morte dos três jovens israelenses|REUTERS/Lucas Jackson

Os três jovens israelenses sequestrados no dia 12 de junho foram encontrados mortos em Halhoul, no sul da Cisjordânia ocupada. O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, reforçou nesta terça-feira (1°), as ameaças de retaliação feitas na véspera pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

“Vamos continuar a caçar os assassinos, não vamos descansar ou nos silenciar até colocarmos as mãos nos responsáveis”, disse Yaalon. “O Hamas é responsável e o Hamas irá pagar”, declarou Netanyahu . Ele convocou uma sessão do seu gabinete de segurança para decidir manobras militares contra o grupo islâmico, que nem confirmou nem negou as alegações de Israel.

Os corpos de Gil-Ad Shaer, Naftali Fraenkel, ambos de 16 anos, e Eyal Yifrah, de 19 anos, foram encontrados em um campo próximo de Hebron, um reduto de militantes e cidade-natal de dois membros do Hamas identificados por Israel como os sequestradores. Os suspeitos ainda estão foragidos, informaram fontes de segurança.

Aparentemente, os adolescentes foram mortos a tiros pouco depois de serem raptados enquanto pediam carona, disseram as autoridades. “Estavam sob uma pilha de rochas, em um campo aberto”, declarou o tenente-coronel Peter Lerner, um porta-voz dos militares.

Na noite de ontem, milhares de militares israelenses cercaram Halhoul e a cidade de Hebron. O exército destruiu as casas dos dois principais suspeitos em Hebron.

Repúdio

Netanyahu aproveitou para exigir que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, revogue o acordo de reconciliação firmado em abril com o Hamas, adversário de longa data, e que levou à formação de um governo de unidade em 2 de junho.

Abbas repudiou o sequestro e pediu a cooperação de suas forças de segurança, atraindo críticas do Hamas. O presidente americano, Barack Obama, condenou o que chamou de “ato de terrorismo absurdo contra jovens inocentes”. 

Novo governo de união nacional palestino toma posse

Mahmoud Abbas, presidente palestino (à dir.), e o premiê Rami Hamdallah (à esq.) durante a posse do novo governo palestino na cidade de Ramallah, Cisjordânia, nesta segunda-feira, 2 de junho de 2014.

Mahmoud Abbas, presidente palestino (à dir.), e o premiê Rami Hamdallah (à esq.) durante a posse do novo governo palestino na cidade de Ramallah, Cisjordânia, nesta segunda-feira, 2 de junho de 2014|REUTERS|Majdi Mohammed/Pool|RFI

O novo governo de união nacional palestino prestou juramento nesta segunda-feira (2) diante do presidente, Mahmoud Abbas. A equipe é formada por personalidades independentes e apoiada pelo Hamas. Israel já anunciou sua intenção de boicotar essa nova equipe.

“Hoje, com a formação de um governo de união nacional, anunciamos o fim da divisão palestina que prejudicou muito a causa nacional”, declarou Mahmoud Abbas em Mouqataa, a sede da presidência palestina em Ramallah (Cisjordânia), após o breve juramento dos ministros.

Esse governo de “consenso” é dirigido pelo primeiro-ministro Rami Hamdallah, um acadêmico respeitado mas relativamente pouco conhecido no exterior. Ele também assume o ministério do Interior e, após um desacordo com o Hamas resolvido no último minuto, o ministério dos Prisioneiros.

Composto por 17 ministros, incluindo 5 da Faixa de Gaza, esse executivo de transição tem como missão prioritária preparar as eleições presidenciais e legislativas até o final do ano.

Acordo com Hamas

“Nós saudamos o governo de consenso nacional que representa o conjunto do povo palestino”, declarou um porta-voz do movimento, Sami Abu Zuhri.

Como previsto, o primeiro-ministro do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, e sua equipe pediram demissão, deixando o posto para o novo governo de reconciliação.

“Deixamos o governo, mas não a nação. Deixamos os ministérios, mas não os interesses da nação”, disse Haniyeh em um discurso transmitido pela televisão. “O governo palestino de consenso nacional é o governo de um povo e de um único sistema político”, enfatizou o ex-primeiro-ministro do Hamas. “O novo governo enfrenta tarefas longas e árduas. Vamos cooperar com ele”, prometeu Haniyeh.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), dominada pelo movimento nacionalista Fatah de Mahmud Abbas, e o Hamas assinaram no dia 23 de abril um novo acordo de reconciliação para acabar com a divisão política desde 2007 entre a Cisjordânia, cujas regiões autônomas são administradas pela Autoridade Palestina, e a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas e sob boicote israelense.
Esse acordo previa a formação de um governo de “consenso nacional”, constituído por especialistas, sem mandato político, encarregado de preparar eleições presidenciais e legislativas até o final do ano.

O presidente Abbas prometeu que o novo governo rejeitará a violência, reconhecerá Israel e respeitará os compromissos internacionais, a fim de convencer a comunidade internacional de sua intenção de manter a paz com Israel.

Boicote de Israel

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu que Estados Unidos e União Europeia “não se precipitem” para reconhecer um governo palestino apoiado pelo Hamas.

“O terrorismo islâmico levanta a cabeça na Europa, vimos um exemplo com o horrível crime cometido no museu judaico de Bruxelas”, afirmou nesta segunda-feira Benjamin Netanyahu. “É estranho para mim que os países europeus condenem com firmeza esse crime enquanto falam de maneira ambígua, e até amigável, de um governo com o Hamas, uma organização terrorista que comete e faz apologia desse tipo de crime”, acrescentou ele.

Segundo o jornal Jerusalem Post, o gabinete de segurança isralense se reuniu durante a madrugada e confirmou a decisão de congelar todas as negociações com a Autoridade Palestina enquanto ela mantiver seu acordo com o Hamas.

O governo israelense já decidiu não reconhecer o novo governo palestino e não manter nenhuma relação com ele. Como represália, o governo de Netanyahu deveria bloquear parte dos impostos que recebe a cada mês em nome dos palestinos, podendo agravar a situação financeira da Autoridade Palestina.

Independência que Israel celebra hoje é vista como tragédia pelos palestinos

 
Israel iniciou na noite de segunda-feira, 5 de maio, a comemoração da criação do Estado de Israel.

Israel iniciou na noite de segunda-feira, 5 de maio, a comemoração da criação do Estado de Israel.

REUTERS/Ronen Zvulun

Israel comemora nesta terça-feira (6) o Dia da Independência, data que, para os palestinos, é conhecida como “nakba”, a catástrofe. O país celebra os 66 anos de sua criação em15 de maio de 1948, alguns meses depois da decisão histórica das Nnações Unidas de partilhar a palestina entre árabes e judeus.A data é celebrada pelo calendário judaico, por isso este ano caiu no dia 6 de maio.

Daniela Kresch, correspondente da RFI Brasil em Tel Aviv

As festividades começaram na noite de ontem (5), com shows e fogos de artifício nas principais cidades do país. E continuam durante o dia de hoje até o anoitecer.

A celebração acontece sempre um dia depois do chamado Dia da Lembrança, quando são rememorados os cerca de 23 mil cidadãos que morreram nas guerras e em ataques terroristas dos últimos 66 anos.

Tragédia palestina

Se a data é comemorada pela maioria judaica de Israel,  é lembrada de outra forma pela minoria árabe.

Para a maioria dos árabes-israelenses, pouco mais de 20% da população do país, o dia é conhecido como “nakba”, ou Dia da Tragédia. Cerca de 76% de árabes gnoram a data ou participam de manifestações em lembrança da “nakba”, que acontecem em geral no dia 15 de maio – data do calendário gregoriano na qual Israel foi criado.

Os palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza também consideram o dia como uma data trágica. Estima-se que 700 mil árabes tenham fugido ou sido expulsos de suas aldeias durante a guerra da Independência, que começou no dia seguinte à proclamação de criação de Israel.

Muitos foram para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e hoje lutam por um estado palestino. Outros foram para o Líbano, Síria e Jordânia, onde seus descendentes são até hoje refugiados e sonham em voltar as aldeias de seus antepassados.

Aplicativo inabka

A “nakba” ganhou até um aplicativo para telefones celulares. Para coincidir com o Dia da Independência de Israel, ou a catástrofe sob o ponto de vista árabe, uma ONG de direitos humanos lançou um aplicativo para celulares chamado “inakba”.

O aplicativo localiza no mapa atual de israel os 400 vilarejos árabes que foram destruídos ou evacuados desde 1948, ano da criação do estado.

Alguns viraram ruínas, outros foram repovoados por imigrantes judeus que foram chegando ao recém-criado estado de Israel.

O aplicativo é trilingue, em árabe, hebraico e inglês e ajuda descendentes a identificar onde seus antepassados moravam na época da criaçao de Israel.

O aplicativo foi criado pelaONG Zochrot (“lembram”, em português), baseada em Nazaré, a maior cidade árabe de Israel.

Os responsáveis pelo aplicativo são cidadãos árabes de Israel, mas se identificam com os palestinos.