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Prefeitura de Paris proíbe protesto pró-palestinos previsto para sábado

Manifestação autorizada do Coletivo Nacional pela Paz Justa e Durável entre Israelenses e Palestinos, realizada na última quarta-feira (23), em Paris.

Manifestação autorizada do Coletivo Nacional pela Paz Justa e Durável entre Israelenses e Palestinos, realizada na última quarta-feira (23), em Paris.

REUTERS/Benoit Tessier
RFI

Depois da proibição de duas manifestações, no último fim de semana, que acabaram sendo realizadas e terminaram em vandalismo e atos antissemitas, a prefeitura de Paris decidiu nesta sexta-feira (25) não autorizar um ato contra a intervenção militar israelense previsto para este sábado. Os organizadores afirmam que pretendem recorrer da decisão.

A prefeitura da capital francesa julga insuficientes as garantias de segurança para o ato previsto para este sábado (26). Mas os organizadores acreditam que conseguirão derrubar a proibição no tribunal administrativo de Paris até a noite desta sexta-feira.

De acordo com Youssef Boussoumah, presidente do Parti des Indigènes de la Repúblique (PIR), uma das organizações responsáveis pela manifestação, o percurso da marcha era “perfeitamente seguro” e havia sido analisado pela polícia. O evento estava previsto para começar às 15h na praça da República até a praça da Nação, no leste de Paris.

Boussoumah acredita que a decisão é política e não tem relação com a polícia. “Nós temos um Estado que tem medo de sua juventude”, avalia.

No último fim de semana, uma manifestação não autorizada no bairro de Barbès, norte da capital, terminou em pancadaria depois que a polícia tentou dissipar os manifestantes. Na última quarta-feira (23), o Coletivo Nacional pela Paz Justa e Durável entre Israelenses e Palestinos realizou uma marcha no sul de Paris e não registrou violências.

Agressão

Um jovem judeu prestou queixa na polícia depois de ser agredido ontem por uma dezena de pessoas diante de sua casa, em Bobigny, no subúrbio de Paris. O homem, de 19 anos, é membro da Liga da Defesa Judaica (LDJ), grupo radical, cujos integrantes tentaram invadir a primeira manifestação pró-palestinos realizada em Paris, no dia 13 de julho.

Ministro francês diz que atos antissemitas em manifestações pró-palestinas serão punidos

Manifestação pró-palestina será realizada nesta quarta-feira (23) em Paris.

Manifestação pró-palestina será realizada nesta quarta-feira (23) em Paris.

REUTERS/Philippe Laurenson
RFI

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, afirmou nesta quarta-feira (23) que “provocadores” em manifestações pró-palestinas serão castigados. “Não vamos aceitar que se grite ‘morte aos judeus’ em uma marcha. Se isso acontecer hoje, os manifestantes serão punidos”, sublinhou. A capital francesa abriga nesta noite a primeira marcha autorizada, após a proibição dos protestos no último fim de semana.

 

Cazeneuve reconheceu que as dezenas de manifestações autorizadas foram realizadas de forma pacífica em todo o país. Apenas dois protestos, proibidos pelo governo, terminaram em atos de vandalismo e agressões antissemitas, em Paris, no último sábado (19), e em Sarcelles, no último domingo (20).

Interrogado sobre as provocações dos integrantes da Liga de Defesa Judaica (LDJ), que se juntaram à primeira manifestação pró-palestinos parisiense, no dia 13 de julho, o ministro classificou os atos como “repreensíveis”. A invasão do grupo judaico teria incitado a revolta de manifestantes pró-palestinos, que, em seguida, foram protestar diante de uma sinagoga.

O presidente francês François Hollande reafirmou hoje que a responsabilidade do Estado “é de fazer respeitar a ordem republicana”. Criticado por uma parte da opinião pública por proibir as manifestações e agravar a tensão entre judeus e muçulmanos, o chefe de Estado é repetiu que o governo não vai aceitar “slogans que exprimam o ódio”.

Manifestações em toda a França

Várias manifestações em apoio aos palestinos estão programadas para esta quarta-feira (23) na França, em Paris, Lyon, Lille ou Toulouse. O governo francês autorizou uma passeata na capital, organizada pelo Coletivo Nacional pela Paz Justa e Durável entre Israelenses e Palestinos, apesar das agressões ocorridas no último fim de semana contra judeus em atos que estavam proibidos.

O trajeto da manifestação parisiense, a partir das 18h30 locais (13h30 pelo horário de Brasília), foi alterado para evitar passar em frente a sinagogas. A polícia francesa contará com o apoio de seguranças treinados por Israel para proteger os judeus de agressões. Não se trata de uma milícia, mas de voluntários não armados de uma organização judaica francesa, treinados em lutas marciais.

O último ato organizado pelo Coletivo, há uma semana, reuniu 900 pessoas em Invalides, no centro da capital. Os policiais prevêem que o número de participantes será maior hoje.

Novo antissemitismo

Em editorial, o jornal Le Monde aponta para o surgimento de um novo fenômeno na França: “o novo antissemitismo”. Em sua edição de hoje, o diário lembra que a maioria das manifestações realizadas em solo francês foram pacíficas, mas que as agressões antissemitas em três delas trouxeram a tona slogans “intoleráveis” como “Morte aos judeus” ou “Hitler tinha razão”.

Para Le Monde, há 15 ou 20 anos, esse tipo de violência erra inadmissível, mas atualmente, ela não é “excepcional”. “É o novo antissemitismo banalizado, normalizado, geralmente expressado por uma parte da população muçulmana ou por seguidores de extrema direita”, publica.

O jornal acredita que é compreensível que o conflito israelo-palestino sensibilize particularmente os muçulmanos e os judeus franceses, suscitando uma solidariedade natural. Mas que “essa maneira mecânica de se alinhar sem nuances sobre o conflito” mostra que o “antissionismo nada mais é que a face escondida do antissemitismo”.

Franceses a favor da proibição

Uma pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) para o jornal Le Figaro, aponta que 62% dos franceses são a favor da proibição das manifestações. Para o público entrevistado, os protestos geram atos violentos.

Valls diz que violência de militantes pró-palestinos justifica proibição de manifestação

Policiais tentaram acabar com a manifestação em apoio ao povo palestino e revoltaram militantes neste sábado (19), em Paris.

Policiais tentaram acabar com a manifestação em apoio ao povo palestino e revoltaram militantes neste sábado (19), em Paris.

REUTERS/Philippe Wojazer
RFI

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, declarou na manhã deste domingo (20) que as violências de alguns manifestantes ontem, durante o ato em favor pró-palestinos em Paris, justificam a proibição do protesto pelas autoridades. O chefe do governo denunciou o nascimento de um novo tipo de antissemitismo que se espalha “na internet, nas redes sociais e nos bairros populares através de jovens sem consciência histórica”.

 

Em uma cerimônia que lembrou o aniversário de 72 anos de crimes antissemitas do Estado francês durante a Segunda Guerra Mundial, Valls apoiou hoje a decisão da prefeitura parisiense e do ministério do Interior que proibiram a manifestação em defesa do povo palestino ontem e resultaram em confrontos entre militantes e policiais. No último domingo (13), um ato reuniu milhares de pessoas no norte de Paris e terminou com violências diante de duas sinagogas da capital.

Mesmo sob proibição, os militantes realizaram ontem a manifestação pró-palestinos e uma multidão tomou as principais ruas do bairro de Barbès, no norte de Paris. O ato manteve seu clima pacífico até a chegada dos policiais, que tentaram acabar com o protesto. Revoltados, alguns manifestantes atiraram pedras e garrafas contra as forças de segurança, que respondeu com bombas de gás lacrimogênio, transformando o norte da capital em cenário de guerrilha urbana. Trinta e três militantes foram presos.

“O que aconteceu ontem em Paris foram excessos inaceitáveis, o que justifica ainda mais a escolha corajosa do ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, de proibir a manifestação. A França não deixará os provocadores alimentarem qualquer conflito entre comunidades”, declarou o primeiro-ministro.

Muitos partidos acusam o governo francês de incitar as tensões entre as comunidades árabes e judias de Paris com a proibição da manifestação pró-palestinos. Uma das diretoras do único partido político a manter sua participação no ato de ontem, o Novo Partido Anticapitalista (NPA), Sandra Demarcq, julgou “ilegítima e escandalosa” a decisão do ministro do Interior. “Temos direito de expressar a nossa solidariedade ao povo palestino”, declarou.

A proibição da manifestação foi uma decisão inédita na Europa. Em várias outras cidades francesas e europeias, milhares saíram às ruas para apoiar os palestinos da Faixa de Gaza e pedir o fim dos ataques israelenses. Com exceção de Paris, os atos realizados em toda a Europa não registraram violências.

Paris lança versão infantil de sistema de bicicletas gratuitas

Modelo infantil do sistema de bicicletas gratuitas de Paris|Twitter/ @vincentmichelon|RFI

Modelo infantil do sistema de bicicletas gratuitas de Paris.A Prefeitura de Paris lança nesta quarta-feira (18) a versão mirim do sistema de bicicletas gratuitas. O serviço, porém, será restrito a alguns pontos da capital francesa.

A partir dessa quarta-feira (18), os pequenos parisienses também poderão desfrutar do sistema de serviço gratuito de empréstimo de bicicletas de Paris. Batizado de “Petit Vélib” (pequeno Vélib, em português), o serviço estará disponível para crianças de 2 a 10 anos. As bicicletas apresentam o mesmo design da versão para adultos, incluindo a cestinha. Para cada faixa etária, porém, foram feitas adaptações.

Para as crianças entre 2 e 4 anos, existem modelos sem pedais e sem correntes ou uma versão tradicional com ou sem rodinhas. Já, para crianças entre 8 e 10 anos, a empresa que administra o sistema oferece um tamanho maior de bicicleta.

Nessa etapa de lançamento, 300 bicicletas estarão disponíveis. Diferentemente do sistema para adultos, as crianças não poderão circular por toda a cidade. As versões infantis estarão disponíveis nos parques Bois de Boulogne, Bois de Vincennes, às margens do canal Ourcq, em algumas margens do Sena fechadas para pedestres e em uma área verde do 12° distrito. Segundo a Prefeitura de Paris, essas áreas são consideradas seguras para os pequenos ciclistas.

O Vélib foi inaugurado em julho de 2007. Hoje existem cerca de10 mil bicicletas e 750 estações automatizadas em Paris e algumas cidades vizinhas. A primeira meia hora de uso é gratuita. Após esse período, é cobrada uma taxa que varia de acordo com o tempo de uso.

Companhia lança classe business low cost entre Paris e Nova York

O voo entre Paris e Nova York (foto) é um dos com maior demanda no mundo.

O voo entre Paris e Nova York (foto) é um dos com maior demanda no mundo|Flickr/Justin in SD|RFI

Uma boa notícia para quem sonha em voar na classe business mas acha os preços dessa categoria muito elevados. A companhia francesa DreamJet vai começar a operar aviões com o conceito de “classe business low cost”, chamado de “La Compagnie”. O primeiro voo do trajeto escolhido, entre Paris e Nova York, ocorrerá no dia 11 de julho.

Os voos do “La Compagnie” já podem ser comprados no site da empresa. “Vamos vender assentos até 67% mais baratos que a concorrência”, declarou o diretor-presidente da DreamJet, Frantz Yvelin, em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (16).

Em 2007, Frantz havia lançado a l’Avion, uma companhia com o mesmo conceito de classe business com preços mais acessíveis, que foi comprada pela British Airways em 2008.

A La Compagnie vai ligar o aeroporto Charles de Gaulle, em Roissy (periferia de Paris) ao de Newark, próximo de Nova York. O avião escolhido é um Boeing 757. Uma segunda aeronave deve começar a operar em outubro para realizar o trajeto, um dos que tem mais demanda no mundo, na aviação comercial.

Preços

O plano da DreamJet é fazer sete idas e voltas a Nova York por semana a partir de novembro. Por enquanto, é possível comprar um voo ida e volta para duas pessoas por € 1.776 (R$ 5.379), uma oferta de lançamento da companhia. O valor máximo será de € 5 mil (R$ 15,1 mil), “pelo menos 35% a menos que a concorrência”, observou o diretor-presidente.

“Nós prevemos chegar a um ponto de equilíbrio no negócio em 12 a 15 meses. Daqui a 12 a 18 meses, La Compagnie deve começar a dar lucro”, destacou Yvelin, explicando a estratégia de longo prazo da empresa.

A DreamJet foi criada no ano passado com um capital de € 30 milhões (R$ 90 milhões), um dos maiores na França em 2013. A companhia tem 40 funcionários e está instalada em Bourget, onde opera um dos principais aeroportos de voos negócios da França. 

Ponte em Paris cede sob o peso dos “cadeados do amor”

Estrutura que atravessa o rio Sena foi evacuada

Turistas já colocaaram milhares de cadeados na ponte<br /><b>Crédito: </b> Jacques Demarthon / AFP / CP
Turistas já colocaaram milhares de cadeados na ponte 
Crédito: Jacques Demarthon / AFP / CP

Parte do alambrado da parisiense “Pont des Arts”, onde os turistas colocam os chamados “cadeados do amor” aos milhares, desabou na tarde desse domingo, o que fez a estrutura ser evacuada. Segundo a polícia parisiense, o incidente não causou vítimas e prefeitura está investigando as causas do desabamento. 

A “Pont des Arts” ou “Passerelle des Arts”, que atravessa o rio Sena na altura do Museu do de Paris, é conhecida em todo o mundo pelos milhares de “cadeados de amor” que os casais deixam presos ao longo de suas grades como símbolo de sua união, e depois jogam a chave nas águas. 

Muitos reclamam desse hábito, alegando que atentam contra a segurança dos habitantes e a qualidade de vida da cidade. Recentemente, foram encontrados cerca de 40 cadeados presos no ponto mais alto da Tour Eiffel.  

Fonte: AFP

 

Presa em Paris filha do dono da balsa que afundou na Coreia do Sul

Polícia marítima da Coreia do Sul procura por desaparecidos após o acidente com a balsa "Sewol", nesta imagem de 16 de abril de 2014.

Polícia marítima da Coreia do Sul procura por desaparecidos após o acidente com a balsa “Sewol”, nesta imagem de 16 de abril de 2014.

REUTERS/Kim Hong-Ji

A polícia francesa prendeu na noite de terça-feira (27) a filha do proprietário da balsa que naufragou na Coreia do Sul em 16 de abril passado, causando a morte de 300 pessoas. O seu pai, o bilionário Yoo Byung-eun, de 73 anos, dono da empresa operadora da balsa, Chonghaejin Marine, está foragido desde o acidente, com seus dois outros filhos.
 

 

Yoo Somena, de 47 anos, foi detida em seu apartamento em Paris depois da emissão um mandado de prisão internacional vindo de Seúl. Segundo fontes judiciais, ela deve ser apresentada nesta quarta-feira (28) a um juiz, que poderia colocá-la sob controle judicial, ou seja, decidir prendê-la.

O prazo de uma extradição vai depender da decisão de Yoo Somena de contestar o mandado ou não diante da justiça francesa. Até o momento, seu advogado não deu nenhuma declaração.

O naufrágio da balsa Sewol, nos arredores da costa meridional da Coreia do Sul, causou a morte de 302 pessoas, das quais 280 eram estudantes que participavam de uma viagem escolar.

Investigações

Os investigadores sul-coreanos estão em busca do empresário Yoo Byung-eun para interrogá-lo sobre o seu papel dentro da companhia Chonghaejin Marine. Ele não tem uma participação direta na empresa que, no entanto, é controlada por sua família e sócios próximos ao seu círculo social, no contexto de uma rede complexa, suspeita de evasão fiscal e desvio de fundos.

A polícia quer ouvir também os três filhos do bilionário, entre eles, Yoo Somena, mas nenhum havia respondido às convocações da justiça sul-coreana, que já prometeu até recompensas para quem der informações concretas sobre o paradeiro dos foragidos.

Falta de segurança

Há suspeita de que as regras de segurança não foram respeitadas e poderiam ser responsáveis pelo dramático naufrágio. Os primeiros elementos da investigação mostram que o peso transportado era duas vezes superior ao nível recomendado. A balsa também estava menos resistente devido à instalação de cabines ilegais suplementares em diversas áreas da embarcação, desde a sua compra, em 2012.

A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, muito revoltada com a atitude do proprietário da balsa, declarou que “a família do empresário é a responsável pela tragédia, mas ignora a lei, ao invés de se arrepender diante da opinião pública e dizer a verdade”.

Teliana Pereira realiza sonho ao vencer na estreia do Grand Slam francês

A tenista brasileira Teliana Pereira após sua primeira vitória em Roland Garros.

A tenista brasileira Teliana Pereira após sua primeira vitória em Roland Garros.“É minha primeira vitória em um Grand Slam, um momento muito especial.” Assim, Teliana Pereira resumiu seu sentimento ao deixar a quadra de Roland Garros depois de vencer a tailandesa Luksika Kumkhum de virada por 2 sets a 1. O resultado marcou a volta do tênis feminino brasileiro ao torneio disputado em terra batida, após 24 anos de ausência.

A expectativa desse retorno somada ao nervosismo da estreia pesaram para a jovem Teliana, de 25 anos, atual 94ª do ranking. Sem conseguir entrar no jogo, ela teve dois saques quebrados e deixou a tailandesa, número 114 do ranking, abrir 5/0.

“Eu estava tensa porque sabia que podia ganhar esse jogo. Eu me sentia favorita porque sabia que jogava melhor que ela na quadra rápida. Mas isso acabou me atrapalhando porque fiquei pensando isso durante o jogo, especialmente no primeiro set”, disse.

A reação começou ainda no primeiro set, mas não foi suficiente para impedir que a adversária Kumkhum fechasse em 6/4. “Ela é uma jogadora difícil por jogar nos dois lados, não estava acostumada, parecia que eu estava muito longe das bolas. Eu estava jogando muito reto. Mas apesar de ter perdido o primeiro set, foi importante para mostrar para ela que não ia ser bem daquele jeito”, explicou. “Depois consegui fazer o meu jogo, vi que dava para jogar melhor e consegui aplicar minha tática”, acrescentou.

 

 
A tenista brasileira Teliana distribui autógrafos após sua primeira vitória em Roland Garros.

Elcio Ramalho

Depois do intervalo veio a virada espetacular. A brasileira corrigiu sua atuação na quadra, foi mais agressiva e concluiu o set em 6/1. Embalada em quadra e apoiada por uma entusiasmada torcida verde-amarela nas arquibancadas, Teliana repetiu o mesmo placar de 6/1, para satisfação pessoal e de todos aqueles que prestigiaram a tão aguardada presença feminina brasileira no piso de terra batida de Paris.

“Joguei o Australian Open, foi meu primeiro torneio de Grand Slam, mas aqui é diferente. Roland Garros é meu torneio favorito, é diferente e onde gosto de jogar tênis”, afirmou. O “clima brasileiro” da torcida também ajudou, confessou Teliana, que só deixou a quadra depois de muitos “selfies” com os torcedores e uma improvisada sessão de autógrafos para novos fãs.

Próximo desafio: romena Cirstea

Enquanto Teliana eliminava a tailandesa, a romena Sorana Cirstea sofria para superar a canadense Aleksandra Wozniak. Depois de ser surpreendida por Wozniak no primeiro set, perdido por 6/7, Cirstea venceu o segundo por 7/5 e garantiu a vitória com um 6/2, fechando a partida em 2 sets a 1.

Teliana vai enfrentar Cirstea pela segunda vez na carreira e no primeiro confronto, no torneio de Charleston, superou a romena em sua primeira vitória sobre uma tenista do Top 30. Apesar dessa vantagem no confronto direto, Teliana é prudente. “Ela é favorita, com certeza. Quero apenas entrar na quadra para jogar meu melhor tênis. Se a vitória vier, será incrível, senão, sei que tenho muito tênis pela frente, tenho muito que melhorar e avançar passo a passo”, disse.

Por enquanto, a número 1 do Brasil está preocupada em saborear a conquista histórica na sua carreira. “Quero aproveitar ao máximo Roland Garros, amo demais esse lugar. Meu principal objetivo eu alcancei, que foi conseguir essa primeira vitória em um torneio de Grand Slam. Claro que quero continuar ganhando, mas tenho os pés no chão”, concluiu.

Rogério Dutra da Silva perde no qualifying e diz adeus a Roland Garros

Roland Garros

Roland Garros|©FFT|Foto

O paulista Rogério Dutra da Silva foi eliminado nesta quinta-feira (22) do torneio qualifying de Roland Garros ao ser derrotado pelo argentino Facundo Bagnis por 2 sets a 1, com parciais de 6/3, 6/7 (3/7) e 6/3. Rogério foi o segundo brasileiro a não conseguir uma vaga no quadro principal do Grande Slam francês, após a eliminação de João Sousa no dia anterior. O Brasil ainda disputa uma das vagas com André Ghem.

A chuva no início da manhã desta quinta-feira atrasou a retomada dos jogos pela segunda rodada do qualifying. Assim que o sol voltou a brilhar, os dois tenistas entraram em uma das quadras do complexo parisiense ao meio-dia pelo horário local.

Rogério começou mal a partida e deixou o argentino abrir 4/2 antes de perder o set por 6/3. A reação do brasileiro aconteceu no set seguinte quando conseguir manter seu serviço e superou o argentino no tie break. No terceiro e decisivo set, Bagnis foi mais consistente e chegou a abrir vantagem de 5/2. Rogério ainda esboçou uma resposta, mas não conseguiu reverter o placar e perdeu após 2h14min de jogo.

Com a eliminação, o paulista quebra uma sequência de duas participações consecutivas em Roland Garros onde nas edições de 2012 e 2013 caiu na primeira rodada na chave principal. Este foi o quarto confronto direto entre Rogério Dutra da Silva e Facundo Bagnis. Com a vitória do argentino em Paris, eles chegaram a um empate com 2 vitórias para cada um.

O único brasileiro que ainda tem chances de conseguir uma vaga na chave princiapal é André Ghem. O gaúcho enfrenta ainda nesta quinta-feira o alemão Michael Berrer pela segunda rodada do qualifying.

Enigmas da mente é tema de nova peça de Peter Brook

Cena da peça "The Valley of Astonishment", de Peter Brook, em cartaz em Paris.

Cena da peça “The Valley of Astonishment”, de Peter Brook, em cartaz em Paris|DR|Patricia Moribe

Ele é considerado como um dos mais geniais criadores contemporâneos, com uma carreira que percorre mais de sete décadas pelo teatro, cinema e ópera. O visionário Peter Brook, 89 anos, está em cartaz em Paris com uma nova criação, a peça “The Valley of Astonishment”, algo como “vale do espanto”, em tradução livre.

Em cena, uma viagem de sons, sensações, números e leituras de mundo inusitadas, a partir de pacientes que sofrem de distúrbios neurológicos como a sinestesia, que os fazem ter diferentes percepções do cotidiano, bagunçando os planos sensoriais. As cores são explicadas com sons, os números se acumulam no pensamento de uma pessoa.

O cenário é econômico, com algumas cadeiras e mesas. Três atores alternam vários papéis, seja das pessoas que sofrem porque percebem o mundo de maneira diferente ou das pessoas “normais”. A extraordinária atriz Kathryn Hunter faz a primeira paciente, dona de uma memória excepcional, o que a faz perder o emprego e a transforma em objeto de estudo cientifico e atração de circo. Marcello Magni e Jared McNeill fazem outros pacientes acometidos de sinestesia.

Os relatos do texto, escrito por Brook em colaboração com Marie-Hélène Estienne, são acompanhados pela música envolvente de Raphaël Chambouvet e Toshi Tsuchitori. Outro elemento importante no palco enxuto são as luzes, na iluminação criada por Philippe Vialatte.

O trabalho de Brook e Estienne é fruto de muitos anos de trabalho e pesquisas, influenciado pelo neurologista Oliver Sacks. O título da peça vem de uma das fontes de inspiração de Brook: o poema épico “Conferência dos Pássaros”, do poeta persa Fariddudin Attar. Os pássaros percorrem sete vales, entre eles o do espanto, numa longa e difícil jornada.

Parisiense de adoção

Peter Brook nasceu em Londres, em 1925, mas há mais de 40 anos adotou Paris como base.

Antes ele foi diretor residente da Royal Shakespeare Company, onde realizou montagens inovadoras dos grandes clássicos do bardo. Dirigiu filmes como Lord of the Flies e O Mahabharata. Sua última incursão na ópera, Flauta Mágica (2011), teve turnê mundial incluindo o Brasil.

Com a peça, Brook volta à “sua casa” em Paris, o teatro Bouffes du Nord, que ele dirigiu durante varias décadas. The Valley of Astonishment fica em cartaz até final de maio. Depois segue em turnê pela Europa e Estados Unidos.