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Invasões prejudicam indústria da Zona Franca de Manaus

Comunitários ocupam áreas destinadas a implantações fabris, como alternativa, empresários buscam outros locais

Jornal do Comércio

MANAUS – Na luta por um pedaço de terra para morar, comunitários ocupam áreas destinadas a implantações fabris, frustrando a possibilidade de novas instalações produtivas no Distrito Industrial 1 e 2, zona Sul da capital do Amazonas. Como alternativa, empresários buscam outros locais propícios à construção das indústrias, como a Avenida Torquato Tapajós e as rodovias BR-174 (Manaus/Boa Vista) e AM-010 (Manaus/Itacoatiara).

De acordo com o consultor, economista e diretor da empresa Profinco Projetos Financeiros e Econômicos Ltda., Hélio Pereira, atualmente é difícil conseguir uma área que apresente boa estrutura geográfica e que seja propício à construção de uma empresa. Pereira conta que há situações em que é mais viável comprar um terreno por um preço mais alto e recebê-lo com todo o preparo necessário como terraplenagem e cerca. “O local para a instalação é um dos atrativos para os empresários que têm pretensão de implantar projetos no Distrito Industrial. As invasões atrapalham esse processo porque a cada dia temos menos locais para trabalhar”, comenta.

Vista aèrea do Polo Industrial de Manaus (PIM). Foto: Chico Batata

Segundo Pereira, o metro quadrado de um terreno no Distrito Industrial custa R$ 1. Porém, as condições estruturais da área são ruins, havendo necessidade de investimentos. Pereira conta que na falta de alternativas os empresários buscam locais para instalações na BR-174 (Manaus/Boa Vista) e na rodovia AM 010 (Manaus/Itacoatiara). Os preços dos investimentos são mais altos, com custo mínimo de R$ 200 o metro quadrado. “São terrenos caríssimos que chegam a ser mais vantajosos por conta da estrutura”, afirma.

Para Pereira, a solução para as invasões estaria em uma união entre a Prefeitura, o Governo do Estado, e ainda entre as entidades representativas do Distrito Industrial. “Não adianta só bater naSuframa. A autarquia não tem poder de polícia para retirar os populares dos terrenos. O dirigente está atento e fiscalizando. Estamos em ano de eleição e há quem se aproveite da situação”, alertou.

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O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, confirma a dificuldade que o Polo Industrial de Manaus (PIM) enfrenta em ter acesso a terrenos próprios à instalação de fábricas. Périco conta que há alguns anos as entidades representativas do PIM levantaram uma discussão sobre a problemática das invasões, mas o tema não foi levado adiante. “Por conta desse problema temos empresas que estão situadas em outras áreas como na avenida Torquato Tapajós e AM 010. As ocupações indevidas trazem dificuldades para os futuros investimentos. Outra problemática está na questão do abastecimento de energia elétrica, água e gás que ainda não chegam ao distrito 2”.

Para Périco, as invasões são movimentos populares que acontecem sempre nas proximidades dos pleitos eleitorais. “A irregularidade ainda é somada aos problemas urbanos. As pessoas invadem de forma desordenada e quando se instalam no local cobram infraestrutura do poder público”, frisou.

Invasão no ramal Alfazema 

A mais recente invasão em área destinada a expansão industrial aconteceu no final do mês de junho, na região conhecida como ramal do Alfazema, localizado no bairro Jorge Teixeira 4, zona Leste, onde cerca de duas mil pessoas invadiram uma área de 59,1 mil metros quadrados pertencente à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Os ocupantes permanecem no local, alegam desinformação quanto a qualquer decisão judicial e afirmam que só deixarão o local mediante comprovação de que a área pertence à autarquia.

O terreno foi desmatado, loteado e os ocupantes realizam reuniões semanais onde tratam sobre um planejamento de urbanização para o local. Eles pretendem construir ruas e padronizar os terrenos com metragem 8 x 20. Para isso, vão contar com o auxílio de um topógrafo. Durante uma das reuniões, um dos ocupantes informou que o grupo vai ajuizar uma ação na justiça na próxima semana. No documento será anexado um abaixo-assinado com as assinaturas dos pretendentes às áreas e ainda a planta do terreno. A ideia, segundo eles, é que cada participante tenha seu lote legalizado.

De acordo com um dos ocupantes que não quis se identificar, o território que estão tentando conquistar era um sítio que estava abandonado há muitos anos. Na tentativa de conseguir um local para morar as pessoas se reuniram para lotear o espaço. Outro cidadão que também tenta conseguir um terreno disse que o governo deveria avaliar a situação de cada família, que segundo ele, só participa de invasões pela necessidade de ter uma moradia e sair do aluguel.

Suframa fará comunicado

No último dia 17 a Suframa conseguiu a expedição da liminar da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária no Estado do Amazonas, que determina a reintegração de posse do terreno. A autarquia informou que fará o comunicado oficial aos invasores até terça-feira (29). A partir do comunicado, os populares terão o prazo de cinco dias para saírem do local. Em caso de descumprimento devem pagar multa diária de R$ 800. Persistindo a desobediência, após dez dias, o juiz ordenou que a reintegração de posse seja feita com a intervenção policial.

Segundo a Suframa, após tomar conhecimento da ação ilegal dos invasores, a instituição tentou resolver a situação por meio de conciliação, o que de acordo com a autarquia, não foi possível porque os invasores alegaram que a Suframa não tinha como comprovar a propriedade do terreno. A partir disso, a Superintendência, por meio da Procuradoria Federal e Procuradoria Federal no Estado do Amazonas, órgãos ligados à AGU, ingressou com pedido de reintegração de posse para dar início à retirada das famílias que ocupam o local. “Quem desrespeitar a decisão judicial será penalizado com multa diária de R$ 800. Persistindo a desobediência à liminar, após 10 dias, o juiz ordenou que a reintegração de posse seja realizada com utilização de reforço policial”, disse Bruno Bisinoto, procurador-chefe da Procuradoria Federal junto à Suframa.

Conforme a Suframa, as invasões e ocupações de terras pertencentes à União configuram ilícitos previstos no artigo 20, parágrafo único da lei 4.967/66, com pena prevista de seis meses a 3 anos de detenção.

Destino 

A Suframa ainda informou que o terreno do ramal do Alfazema está reservado para a expansão do Distrito Industrial de Manaus. Segundo a autarquia, a área deverá abrigar plantas fabris das empresas que apresentam e têm projetos industriais aprovados junto ao CAS (Conselho de Administração da Suframa), estejam elas já instaladas na cidade ou com a intenção de se instalar.

Histórico

Há anos a pressão por moradia tem levado a população a disputar espaços destinados a expansão industrial. Em vários casos, a posse da terra foi conseguida pelos ocupantes, entre os casos, incluem-se os bairros Invasão da Sharp (divisa entre Distrito Industrial 2, Armando Mendes, zona Leste); Parque Mauá (Distrito Industrial); Monte Pascoal, zona Norte; e Nova Vitória, zona Norte.

Concorrência chinesa ameaça sobrevivência de fábricas em Manaus

Componentistas lamentam prejuízo financeiro há dois anos e estão temerosos em fechar as portas

Jornal do Commércio

MANAUS – As fabricantes de componentes do Polo Industrial de Manaus (PIM) amargam prejuízos nos últimos dois anos devido à concorrência com importadoras chinesas. Segundo a Associação dos Fabricantes de Componentes da Amazônia (Aficam) os Processos Produtivos Básicos (PPBs) da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) já contemplam diretrizes de incentivo à compra de insumos locais, porém, a entidade alega falta de fiscalização. Atualmente existem apenas cinco empresas componentistas em funcionamento no Distrito Industrial.

O presidente da Aficam, Cristóvão Marques, afirma que três das cinco empresas fabricantes de componentes correm o risco de “fechar as portas” até o próximo ano por conta da competitividade com as indústrias chinesas. Entre os produtos importados por algumas montadoras instaladas no PIM estão: chicote de força, estamparia de forno micro-ondas, peças utilizadas no ar-condicionado split e ainda peças de injeção plástica. “As montadoras de produto final teriam que comprar componentes produzidos em Manaus. Porém, atualmente esses materiais são importados. Isso tem prej udicado o segmento. Corremos o risco de ter redução de mais três empresas”, alerta.

Segundo Marques, nos últimos dois anos muitos funcionários foram demitidos, número que, de acordo com ele, representa uma redução de 50% da produção. O presidente também disse que neste ano o setor já registrou queda de mais de 10% na produtividade em comparação ao primeiro semestre de 2013. Um dos produtos que continua sendo produzido mas sem saída é o carregador de celular.

O presidente afirma que a solução para o problema está na concessão dos incentivos fiscais, por parte da Suframa, somente às empresas que comprarem os componentes na capital. Ele avalia que a mudança resultaria na geração de empregos. Marques anuncia que a medida já foi inserida nos artigos do PPB da Suframa, porém, ainda falta fiscalização. “Temos cobrado a Suframa e a Seplan – Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico – quanto a necessidade de haver vistorias relacionadas às compras feitas pelas empresas de bem final. A resposta que sempre recebemos é que a autarquia não tem pessoal suficiente para esse trabalho”, reclama.

Indústria. Foto: Marco Antonio/Jornal do Commercio

Falência

Neste ano, uma empresa decretou falência e demitiu 800 funcionários. Marques disse que não poderia anunciar o nome fábrica e nem das que ainda estão em funcionamento por temer problemas futuros com os clientes.

De acordo com o diretor de política industrial da Afcam, Jhones Lima, o modelo do Polo Industrial não apresenta incentivos que motivem a empresa do bem final a comprar produtos na região. Ele afirma que as indústrias coreanas e chinesas buscam comprar ao máximo materiais em seu país de origem por conta da viabilidade econômica e logística. “Isso restringe a nossa região. Se boa parte dos componentes fosse produzido pelo Polo Industrial, com certeza teríamos uma geração de empregos em maior escala. Não estamos pedindo para produzir tudo aqui mas acreditamos que é necessário intensificar essa atividade no PIM”, argumentou.

Um diretor de uma empresa fabricante de componentes e associado da Afcam, que pediu para não ter o seu nome e o da indústria revelados, também falou sobre a dificuldade enfrentada pelo setor. Ele disse que a empresa atua no PIM há 24 anos e que o problema da competitividade com os materiais chineses sempre existiu, mas que nos últimos dois anos a situação tem se agravado. Um dos principais motivos, segundo o diretor, é a demanda de investimentos exigidos pelo sistema econômico e industrial brasileiro que apresenta a obrigatoriedade dos gastos com o funcionário, com itens como a alimentação, fardamento e plano de saúde. Segundo o associado, na China a situação é bem diferente porque as empresas são livres desses encargos fiscais.

Em 2013 a empresa registrou uma queda de 20% na produção em comparação a 2012. Já no primeiro semestre deste ano houve um declínio de 16% dos materiais produzidos em relação ao primeiro semestre de 2013. A projeção, segundo o diretor, é de que até o final de 2014 esse índice alcance uma redução de 25%.

A solução, segundo o empresário, é a construção de uma política industrial mais adequada que incentive a compra dos produtos fabricados no Polo Industrial.

 

Conheça as origens do selo da Zona Franca de Manaus

Marca integrou parte da estratégia de divulgação da indústria amazonense por 32 anos

Selo da Zona Franca de Manaus. Foto: Divulgação/Suframa

MANAUS – Leveza, harmonia, simplicidade e universalidade. Foram estes os conceitos usados para a criação do selo Zona Franca de Manaus (ZFM) em 1982. A imagem da garça com asas abertas, estampada nos produtos oriundos da indústria local, foi desenvolvida pela agência amazonense Saga Publicidade. “A escolha da garça como elemento gráfico tem uma explicação simples: leveza, apelo visual, liberdade para voar – em termos de mercado, visando inclusive as exportações”, explica o autor da marca, o diretor de criação Reginaldo Lima.

Segundo ele, independente de ser a garça um símbolo amazônico, a ave é encontrada em todo o país. “E isso tinha a ver com a discussão do momento, em nossos brainstormings, pois já considerávamos que a Zona Franca de Manaus era, de fato, Zona Franca do Brasil. Um modelo nacional de desenvolvimento econômico e social”, ressalta. Além da parte visual, a agência também teve importante participação no desenvolvimento de estratégias de divulgação da ZFM no eixo Rio-São Paulo.

Reginaldo Lima, Diretor de Arte da Saga Publicidade e criador do selo ZFM. Foto: Arquivo Pessoal/Cedida

Em colaboração com a Associação Comercial do Amazonas (ACA) e o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), a Saga fez uma campanha publicitária nacional e elaborou estratégias de divulgação da indústria local. Na década de 1980, os segmentos de eletroeletrônicos, oftálmicos, relojoeiros e motocicletas da ZFM abasteciam quase a totalidade do mercado brasileiro. Assim, a agência propôs à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) que os lançamentos publicitários dos produtos produzidos no polo fosse realizado primeiro em Manaus. A obrigatoriedade do uso do selo, não apenas na embalagem dos produtos, mas nas campanhas publicitarias também fez parte da estratégia.

Garça voando em Jurubatiba foto Rômulo Campos - ICMBio

Originalmente, a marca trazia o texto “Produzido na Zona Franca de Manaus. Conheça o Amazonas”. A partir de 1998, com a ampliação dos benefícios da Zona Franca de Manaus para as Áreas de Livre Comércio em Rondônia, Roraima, Acre e Amapá, adotou-se um texto mais abrangente. Desde então, a marca traz o texto “Produzido no Polo Industrial de Manaus. Conheça a Amazônia”.