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PM impede ocupação de prédio em SP com bombas de gás

21/07/2014 

A Polícia Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo para impedir que cerca de 240 sem-teto do Movimento de Luta por Moradia Digna (MLMD) ocupassem um prédio comercial da rua Dr. Cesário Mota Júnior, em Santa Cecília, região central de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira, 21.
Os policiais chegaram ao prédio, administrado pela empresa Graiche, por volta da 1h, quando 90 pessoas já se encontravam dentro do edifício. De acordo com a assessoria de imprensa da PM, o grupo tentou resistir ao diálogo e não quis desistir da ocupação. Os sem-teto teriam montado uma barreira com pedaços de vidro no local para impedir a entrada dos policiais, que revidaram com bombas de gás.

Morador da região, o aposentado Stefan Kizima, de 92 anos, acordou com o barulho da invasão. A porta de entrada do prédio estava com o vidro quebrado. “Eu pensei que tinham entrado com um tanque”, brincou. Kizima afirmou que ouviu o barulho de “muitas bombas”, mas nenhum disparo.

Após o uso da munição química, o grupo teria se dispersado. Henrique Rosa, de 39 anos, e Ronaldo da Silva, de 22, foram detidos pela PM e encaminhadas para o 2º Distrito Policial (Bom Retiro), onde foi registrado boletim de ocorrência por esbulho possessório. Os dois já foram liberados. Segundo os policiais, o zelador, que se escondeu durante a invasão, foi encontrado, acuado, no último andar do prédio.

Decisão deve sair hoje

Policiais militares e bombeiros decidem hoje ser irão paralisar atividades durante a Copa; ontem, eles se reuniram com o governador

Diário de Cuiabá|Gustavo Nascimento

Polícia Militar e Corpo de Bombeiros participarão de “Dia D” para decidir se param ou não durante a Copa do Mundo. Ontem (9), servidores passaram o dia reunidos com o governador Silval Barbosa e com equipe técnica para discutir propostas da greve. 

A reunião começou por volta das 10h e terminou somente às 18h30. Membros das associações dos oficiais, cabos, soldados, subtenentes, sargentos e homens do Corpo de Bombeiros, cobraram melhorias da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Secretaria de Estado de Administração (SAD), Casa Civil, comandantes gerais e do governador Silval Barbosa. 

Os servidores pedem a equiparação salarial com a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT). A primeira proposta dos trabalhadores era para que esta equiparação fosse realizada até 2015. Após negativa do governo, os trabalhadores apresentaram uma nova proposta parcelando a equiparação até 2017. 

Conforme o presidente da Associação dos Oficiais (Assof), o major Wanderson Nunes de Siqueira, o governo apresentou uma contraproposta para os trabalhadores, que ainda não está de acordo com o pedido. Ainda assim, os sindicalistas levarão o novo documento para a assembleia geral da categoria, que será realizada na tarde desta terça-feira (10). 

Segundo Wanderson, a reunião será o “Dia D” para os profissionais definirem o futuro da categoria. A falta de avanço nas negociações torna real a possibilidade de greve geral, mesmo com a Copa do Mundo. Dos 1,7 mil homens que a Sesp vai disponibilizar para o Mundial, 1,2 mil são PMs. Os policiais são os responsáveis pelo policiamento ostensivo e distúrbios civis, como no caso de manifestações. 

Conforme os policiais, a categoria tem sido submetida a uma jornada de trabalho duas vezes maior a de outras corporações pertencentes a Sesp. Os Servidores reclamam do não pagamento do adicional noturno e de insalubridade. Eles também calculam uma defasagem salarial que chega até 60% do que os profissionais recebem hoje. 

Em maio, a categoria fez um dos maiores protestos de sua história. Quase mil militares interromperam o trânsito e invadiram a Assembleia Legislativa (AL) do Estado para cobrar que os deputados tomassem partido no embate. 

A assessoria da Governo, afirmou que a legislação eleitoral impede a alteração dos valores dos vencimentos não apenas de PMs, mas de todos os servidores públicos em ano de eleição. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) seria um dos outros fatores que atrapalhariam as negociações. A assessoria disse que enviou uma nova proposta, porém não divulgou os valores. 

PM ameaça greve geral durante a Copa

Negociações entre policiais militares e Governo não avançam e Mato Grosso poderá conviver com um problema sério em pleno Mundial

Diário de Cuiabá|Joanice de Deus

Sem avanços nas negociações, Mato Grosso pode enfrentar uma greve geral dos policiais militares em plena Copa do Mundo, que começa na próxima quinta-feira (12.06). Dos 1.700 homens que a Segurança Pública do Estado irá disponibilizar para o Mundial, 1.200 são PMs, que serão responsáveis pelo policiamento ostensivo e distúrbios civis, como no caso de uma manifestação. 

“Não se tem avançado muito nas conversações e esse cancelamento [da reunião com o governo anteontem] deixou a tropa muito decepcionada. Todos estão desesperançosos e dado aos últimos acontecimentos não sabemos como o pessoal vai reagir”, disse o presidente da Associação da Associação dos Oficiais (Assof/MT), major Wanderson Nunes de Siqueira. Segundo ele, não foi dada nenhuma explicação para o adiamento do encontro. 

O descontentamento dos militares aumentou ainda mais depois que o Governo do Estado adiou para segunda (09) a reunião com representantes da categoria, que deveria ter acontecido anteontem. “As negociações até o momento têm sido travadas e morosas. Se na segunda-feira, o governador (Silval Barbosa) não resolver e atender as reivindicações poderá haver uma radicalização”, frisou. 

No dia seguinte, às 10 horas, os 6.500 militares e os 900 homens do Corpo de Bombeiros reúnem-se em assembleia geral. “Apesar do impedimento legal, houve greve em seis Estados brasileiros e essa possibilidade de greve aqui em Mato Grosso é real”, alertou. Recentemente, PMs paralisaram as atividades na Bahia, Pará e no Amazonas, entre outros. 

Os 6.500 policiais militares e 900 homens do Corpo de Bombeiros reivindicam equiparação salarial com a Polícia Civil. “Em alguns casos, essa equiparação chega a 40% a 60%”, informou. Segundo o major, o descontentamento atinge todas as carreiras: de praças a oficiais. 

Eles também buscam a reestruturação da carreira. “Não diferença, por exemplo, entre um sargento com um ano e outro com 30 anos de carreira, nem por tempo de serviço e nem por qualificação. Apresentamos uma proposta e o governo disse que seria difícil atender. Fizemos adequação, mas o governo não apresenta uma solução”, criticou. 

Entretanto, mesmo com a possível paralisação, o secretário de Segurança Pública (Sesp), Alexandre Bustamente, garante que o Estado está ou estará preparado para garantir a tranquilidade à população mato-grossense e aos visitantes que virão assistir os jogos do campeonato mundial. 

Porém, Bustamante afirmou desconhecer a possibilidade de greve. “As negociações encerram-se na segunda-feira”, ponderou. 

 

Até dezembro, pelo menos 837 pessoas foram feridas durante as manifestações

Marcas da violência se espalharam pelo país

O DIA|JULIANA DAL PIVA

Rio – Desde o ano passado, a população brasileira teve que se acostumar com um cotidiano ainda mais conturbado. No Rio, Cinelândia, Candelária, Avenida Presidente Vargas, Palácio Guanabara e Assembleia Legislativa se tornaram palcos de protesto e disputa, muitas vezes violenta. 

Os números assustam. De acordo com relatório da ONG Artigo 19, apresentado na última semana, ao menos 837 pessoas ficaram feridas até dezembro, durante as manifestações em todo o país. O estudo também registra agressões a 117 jornalistas.Em São Paulo, durante um dos protestos de junho, o fotógrafo Sérgio Silva perdeu a visão de um dos olhos, após ser atingido por uma bala de borracha disparada por um policial. 

Truculência policial e ação de mascarados tornaram os protestos violentos, o que reduziu as adesões

Foto:  João Laet / Agência O Dia

A consequência é previsível. As manifestações pulverizaram, mas encolheram. Pesquisador do fenômeno das manifestações, o professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ivar Hartmann, acredita que a violência teve dois momentos decisivos para os protestos. “Acho que teve efeitos em dois sentidos. Em um primeiro momento, mobilizou ainda mais, com as pessoas vendo o que aconteceu com quem estava nas ruas. Mas isso foi em alguns dias, algumas semanas. Agora, a violência tem sido muito mais um desincentivo. As pessoas têm medo da repressão policial”, afirmou Hartmann. 

A violência policial marcou inúmeros episódios. Ao longo dos meses, 2.608 pessoas foram detidas. Só em junho 1.212. A PM do Rio diz que abriu 67 investigações envolvendo o trabalho dos agentes em manifestações. Desses, dois policiais foram indiciados por crime militar, três por crime comum e cinco punidos por transgressão disciplinar. Os nomes, porém, não foram fornecidos. 

Os manifestantes também listam uma série de problemas no comportamento policial como a falta de identificação na farda, as prisões injustificadas e o uso excessivo de força. Para Hartmann, “a polícia não foi treinada e nunca ganhou equipamento adequado.”

‘Eu só quebrei banco’, diz integrante dos black blocs

Em meio aos protestos um grupo de jovens mascarados e de preto marcou posição e ficou conhecido. Estão envolvidos em episódios contraditórios. Tanto de vandalismo, como de defesa de professores, mas também na morte do cinegrafista Santiago Andrade. Sua atuação é polêmica e de difícil compreensão. De ferido no protesto a adepto da tática black bloc. Assim é a trajetória de Eric Pedrosa, 22 anos.

Ele conta que no grande ato da Avenida Rio Branco, que reuniu 100 mil pessoas, ele estava ajudando um policial que estava encurralado na rua lateral da Alerj, quando foi atingido no olho por um estilhaço de bomba de gás lacrimogêneo. A cicatriz no canto da pálpebra é visível até hoje. “A partir do momento em que eu quase fiquei cego, eu tenho que proteger o meu olho”, justifica Pedrosa, ao dizer por que aderiu aos black blocs. 

Eric Pedrosa diz que aderiu aos black blocs depois de ser ferido por estilhaço de bomba que quase o cegou

Foto:  Uanderson Fernandes / Agência O Dia

De lá para cá, já participou de 44 manifestações. Segundo ele, tem o apoio da família e a própria mãe chegou a comprar a sua máscara antigás. Questionado sobre o que conhecia de teoria política, respondeu rindo: “Maquiavel, O Pequeno Príncipe. A única coisa que eu li foi o Pequeno Príncipe e o Alquimista do Paulo Coelho.” Sobre os atos de vandalismo, ele afirma que só atacou “símbolos do capitalismo”. “Eu só quebrei banco”, conta. 

Pedrosa diz que vai torcer pela Alemanha na Copa do Mundo. E garante que vai marcar presença em todos os protestos que puder. Para pesquisadores tanto a violência policial quanto a causada pelos adeptos da tática black bloc também contribui para a violência. “Eles acreditam na violência como forma de mudança e contestação social. Isso entra em choque com outros movimentos sociais que acreditam na via pacífica”, explicou o sociólogo Paulo Baía.

Cinegrafista morreu após disparo de rojão 

Em fevereiro, um protesto contra um novo aumento no preço das passagens de ônibus no Rio terminou de modo trágico. O cinegrafista da Rede Bandeirantes Santiago Andrade acompanhava a manifestação quando ativistas e policiais militares do Batalhão de Choque entraram em confronto. 

Morte do cinegrafista Santiago Andrade virou marco na luta contra a violência nos protestos

Foto:  Divulgação

Ao fazer imagens da confusão, Santiago foi atingido na cabeça por um rojão disparado pelos manifestantes Fábio Raposo e Caio Souza. Ambos estavam com os rostos encobertos e foram identificados com o auxílio das imagens dos jornalistas que cobriam o protesto. Santiago chegou a ser levado com vida ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos dias depois. Sua trágica morte virou símbolo na luta contra a violência nos protestos. 

Fábio e Caio foram presos pouco tempo depois. Eles continuam detidos aguardando julgamento, acusados acusados pelos crimes de explosão e homicídio triplamente qualificado. As penas podem chegar a 34 anos de reclusão.

Tentativa de assalto termina com um PM e quatro suspeitos mortos na Baixada

Seis bandidos tentam roubar uma residência em Austin, em Nova Iguaçu. Durante a fuga, houve intenso tiroteio

ATHOS MOURA

Rio – Uma tentativa de assalto à uma residência, em Austin, no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, terminou com cinco mortos, entre eles um policial militar, na manhã desta segunda-feira. Por volta das 8h, um grupo de seis pessoas fortemente armados invadiram a casa de um comerciante, de 62 anos, na Rua Ramos de Castro, atrás de joias e dinheiro. O filho do dono do imóvel, de 31, percebeu a movimentação e conseguiu entrar em contato com a polícia.

Tentativa de assalto à uma residência da Rua Ramos de Castro, em Austin, terminou com um policial militar e outros quatro bandidos mortos

Foto:  Severino Silva / Agência O Dia

O intenso tiroteio começou com a chegada dos policiais que perseguiram os bandidos até a Rua Marati, próximo ao local do assalto. O PM Fábio Gregório Antero da Silva foi baleado no abdômen, passou por cirurgia no Hospital da Posse e seu estado de saúde é instável. Ele será transferido para o Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio. Já o policial do serviço reservado do 39ºBPM (Belford Roxo), Robson Vaz de Loiola, que mora nas proximidades, acabou não resistindo ao tiro no pescoço e morreu.

Entre os bandidos, um dos mortos seria o traficante Jó Cabral. Ele é apontado como o gerente do tráfico no Morro do Chapadão, em Costa Barros. Com os bandidos foram apreendidos dois fuzis (762 e 556), uma metralhadora, revólver calibre 38, uma pistola, um veiculo roubado, sete carregadores, três radio transmissores, uma luneta (equipamento que é acoplado no fuzil) e um caderno de anotação do tráfico. A ocorrência foi encaminhada para a 58ªDP (Posse).

Com os bandidos que tentaram assaltar uma casa em Austin, os policiais apreenderam fuzis, metralhadora, pistola, revólver e munições

Foto:  Severino Silva / Agência O Dia

Em outubro de 2012, a residência do comerciante já havia sido assaltada, com os policiais matando um dos bandidos. Homens do 20ºBPM (Mesquita) estão realizando uma operação na localidade com o auxílio de PMs do 24ºBPM (Queimados) na tentativa de prenderem os outros dois bandidos que conseguiram fugir.

Cracolândia de SP terá área de lazer em base da PM

A estrutura fixa para cerca de 24 policiais e o monitoramento do entorno por 16 câmeras de segurança já estão em funcionamento, mas o local ainda não foi aberto à população. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (Marcelo Camargo)  
A estrutura fixa para cerca de 24 policiais e o monitoramento do entorno por 16 câmeras de segurança já estão em funcionamento, mas o local ainda não foi aberto à população. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com praça reformada, bancos grafitados, novas quadras poliesportivas e academia ao ar livre, uma base comunitária da Polícia Militar será aberta oficialmente na próxima terça-feira, 3, no Largo Coração de Jesus, nos arredores da Cracolândia, centro da capital paulista. A inauguração terá um torneio de futebol entre usuários de crack que participam do programa municipal De Braços Abertos e imigrantes haitianos.

A estrutura fixa para cerca de 24 policiais e o monitoramento do entorno por 16 câmeras de segurança já estão em funcionamento, mas o local ainda não foi aberto à população. A inauguração deve ter a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Fernando Haddad (PT). O projeto, que envolveu as esferas municipal e estadual, teve parceria da seguradora Porto Seguro, cuja sede fica a um quarteirão do local. A empresa foi responsável por reformar a praça, que antigamente era um tradicional ponto de encontro no bairro. Mas isso era antes do aumento da concentração de usuários de crack nas ruas ao redor, nas últimas décadas.

“Na minha infância, a praça era muito usada e eu espero que volte a ser o lugar cativo que era”, disse a maestrina Marina Kahowec, de 23 anos, que mora no bairro Campos Elísios desde que nasceu e estudou no Liceu Coração de Jesus, na frente do Largo. Para Marina, a presença da base vai trazer uma maior sensação de segurança.

A maioria dos usuários que fazem parte do programa De Braços Abertos com os quais a reportagem conversou na manhã de ontem disse que teme a presença da base da PM. Entretanto, boa parte deles se mostrou animada com a possibilidade de ter um espaço de lazer. “Não só meus filhos, mas também as outras crianças da região vão ter um espaço para brincar. Um local limpinho e sem muita bagunça. Também vamos poder jogar vôlei”, disse Poliana Alessandra Silva, de 24 anos, que trabalha na varrição do programa municipal anticrack.

Segundo Edsom Ortega, assessor especial do governador Geraldo Alckmin, os policiais da base receberam uma formação suplementar de policiamento comunitário. “O treinamento reforça a aproximação da polícia com a população, com os PMs, conhecendo, por exemplo, o nome dos moradores e comerciantes. Isso facilita a identificação e a prisão de traficantes que atuam na região.”

Cariocas apontam corrupção como o maior problema da Polícia Militar

Pesquisa feita a pedido do DIA aponta que também há preocupação com treinamento, baixa remuneração e excesso de violência dos agentes

O DIA

Rio – As recorrentes cenas de violência policial não assustam a população tanto quanto a possibilidade de uma extorsão dos agentes de segurança pública. É o que mostra uma pesquisa feita pelo Instituto Gerp, a pedido do DIA . De acordo com o levantamento, a maior parcela (39%) identifica a corrupção como o principal problema da Polícia Militar.

O excesso de violência é o quarto quesito apontado: 8%. Antes vêm a falta de treinamento (20%) e a remuneração (13%). Foram ouvidas 870 pessoas no estado, entre 18 e 23 abril, e a margem de erro é de três pontos.

Para o sociólogo e coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, Ignacio Cano, o índice da violência ocupar o quarto lugar reflete uma certa tolerância com a repressão. “Há setores da sociedade que concordam com a violência policial, como a ideia de que bandido bom é bandido morto, mas não aceitam a corrupção”, aponta Ignacio Cano.

Foto:  Arte O Dia

O pesquisador pondera também que, como esse tipo de violência atinge sobretudo determinadas minorias — como a população negra da periferia —, a classe média acha que está mais imune a agressões de policiais. “Os senhores de classe média não têm medo de agressões da polícia. Mas uma extorsão pode afetar qualquer um”, analisou.

Delegado e doutor em Ciência Política, Orlando Zaccone diz acreditar que a percepção encontrada no levantamento tem relação com a mídia. “Acho que essa percepção ocorre mais em virtude dos noticiários e dos grandes debates, em alguns casos. Não sei se essas pessoas já foram vítimas de extorsão policial”, afirma Orlando Zaccone.

Ele observa que a impressão é curiosa, já que a corrupção pode ser percebida em outras instituições públicas, mas a violência é restrita a policiais e criminosos.

“A corrupção não é exclusividade dos PMs; existem outros órgãos com casos até mais volumosos. Interessante é se perguntar como a sociedade acaba assimilando o discurso de que a corrupção é o maior dos males, mas convive muito bem com a violência”, critica Zaccone. Procurada peloDIA , a Secretaria de Segurança Pública não se pronunciou.

O Gerp também perguntou se os entrevistados já tinham sido assaltados ao menos uma vez — e 48% responderam que sim. Outros 30% dos consultados disseram que já foram assaltados três ou mais vezes. 
O professor Ignacio Cano alerta que, apesar de alarmante, o dado é semelhante aos da maioria das capitais brasileiras. “Em média, em um ano, o índice fica entre 10% e 20% no máximo, sendo que 20% já são um índice bastante elevado”, detalhou. No levantamento, o Gerp não perguntou quando ocorreram os assaltos.

Segundo a pesquisa, o perfil dos moradores mais assaltados é composto por mulheres a partir dos 35 anos e com renda superior a 20 salários mínimos.

Jovens sofrem mais assaltos e são os mais descrentes

A pesquisa revela que jovens entre 18 e 34 anos estão entre os mais assaltados. E os que têm entre 16 e 17 anos são os mais críticos em relação à corrupção policial (61%). 

Na periferia da região metropolitana, 76% dos entrevistados disseram nunca ter sido assaltados.

Na outra ponta, entre os locais menos assaltados no estado aparecem o Centro e o Norte Fluminense, com 82% e 70%, respectivamente. 

Bruno Avelino e Jade Deister, alunos da UFF: jovens são os alvos preferenciais de assaltos entre pesquisados

Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

A desconfiança dos jovens em relação à PM foi constatada pelo DIA em entrevistas com alunos da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. A região tem sofrido um recrudescimento desse tipo de crime, entre outros. 

“A Polícia Militar é uma instituição corrupta e não nos sentimos protegidos. Parece que eles só servem para criminalizar os pobres e, principalmente, os negros”, afirmou a universitária Teresa Machado, de 25 anos. 

Para o estudante Bruno Avelino, 16, adolescentes são um dos principais alvos dos criminosos.“Um homem armado nos roubou em frente ao Campo de São Bento. Vários amigos do meu colégio já foram assaltados”, relatou.

Ele também diz que não confia na Polícia Militar. “É uma instituição muito corrompida. A gente os vê entrando em restaurantes e comendo de graça”, criticou.

A estudante Camila Areas, 19, foi assaltada em Icaraí. “A rua estava cheia, mas a viatura de PM mais próxima estava a quatro quarteirões de distância”, disse.

PM cita artigos errados do Código Penal ao dar voz de prisão a manifestante

DIÁRIO DA MANHÃ|GUSTAVO PAIVA

Durante um protesto contra a Copa do Mundo em São Paulo, no último sábado (23), um policial militar deu voz de prisão a Iranildo Brasil, ao exigir a presença de um delegado de polícia.

Foto:Divulgação/Advogados Ativistas

Foto:Divulgação/Advogados Ativistas

Quando questionado por integrantes do grupo Advogados Ativistas sobre o motivo da prisão, um dos policiais respondeu “é só ler, artigo 247 no Código Penal e artigo 249”. Porém, nenhum dos artigos citados pelo PM explica o motivo da detenção.

O artigo 247, de acordo com o Código Penal Brasileiro, prevê prisão de um a três meses a quem permitir que um menor de 18 anos em sua responsabilidade frequente casas noturnas, de jogos ou de prostituição, e o artigo 249 trata de subtração de menores de idade. O artigo que deveria ser citado é o 330, que trata da desobediência de uma  ordem legal de funcionário público.

Em entrevista o advogado ativista André Zanardo diz que “isso deixa bem evidente a falta de conhecimento dele da legislação”. 

O policial possuía um código de dez dígitos no local em que deveria estar seu nome na farda. “Como que alguém identificado por número de série, como um robô, pode tentar entrar em diálogo com um cidadão?”, questionou Zanardo, explicando que identificando-se desse modo abrem-se brechas para policiais cometerem arbitrariedades sem ter seus nomes revelados.

Brasil foi levado pelos policiais ao 8º Distrito Policia, tendo seu carro revistado em frente aos advogados e à imprensa. Nada ilegal foi encontrado no veículo, sendo liberado em seguida.

Assista ao vídeo: Policial cita artigo errado durante apreensão

(Com informações R7)

 

SP: PM acompanha reintegração de posse em Osasco

A Polícia Militar iniciou, na manhã desta quarta-feira, uma reintegração de posse em um terreno invadido no bairro Quitaúna, em Osasco, na Grande São Paulo. Segundo informações da Polícia Militar, o terreno é ocupado por 429 moradias, das quais 81 devem ser desocupadas. A ação era pacífica no início da manhã. O terreno fina na altura do quilômetro 21 do Rodoanel, importante via que corta as rodovias do entorno da capital.

Fonte: Terra

Homem é baleado após fugir e disparar contra a polícia

DIÁRIO DA MANHÃ|DIVÂNIA RODRIGUES

Um assaltante foi alvejado por disparo de arma de fogo ao fugir de equipes da Polícia Militar (PM). O caso aconteceu no início da tarde desta segunda-feira, 12, na Avenida Mangalô, Setor Morada do Sol em Goiânia. As informações são da PM.

<strong>Bill Guerra/ DM.com.br</strong>

Bill Guerra/ DM.com.br

De acordo com os policiais, uma equipe teria se deparado com um homem em atitude suspeita dentro de um carro. Conforme os agentes, a suspeita era de que o homem se tratava de um assaltante de veículos. Ele teria fugido e atirado contra a equipe que também realizou disparos.

O suspeito colidiu o veículo que dirigia em um poste da avenida, porém ainda conseguiu escapar à pé para um mata próxima da região. Para tentar localizá-lo, várias equipes da polícia foram acionadas, inclusive com auxilio de um helicóptero. 

Quando os policiais o encontraram ele já havia conseguido pular o muro de uma oficina mecânica e se esconder no local. Ele estaria com uma das pernas feridas por disparo de arma de fogo.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (Samu) foi acionado para realizar os primeiros socorros. O homem já possuía várias passagens pela polícia, por roubo, furto e porte de documentos falsos. Aos agentes ele teria apresentado uma identidade falsa.