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Minério do Pará ‘mata’ população em comunidade rural no Maranhão

Moradores de um vilarejo respiram pó de ferro emitido por 5 siderúrgicas que processam minério de Carajás

Portal Amazônia

AÇAILÂNDIA (MA) – Piquiá de Baixo é um pequeno povoado onde vivem cerca de 300 famílias na zona rural de Açailândia, no sudoeste do Maranhão. Piquiá está morrendo. Os 1,1 mil moradores do vilarejo, localizado a 15 quilômetros do centro do município, respiram pó de ferro emitido pelas cinco siderúrgicas que recebem e processam o minério extraído em Carajás, no Pará. Muitos adoeceram e deixaram a cidade.

O Maranhão integra o rol dos estados da Amazônia Legal, mas em Açailândia – a cidade do açaí – os poucos trechos remanescentes visíveis da floresta tropical estão cobertos pela poeira fina que deixa tudo escuro. Nas décadas de 1960 e 1970, a economia da região foi impulsionada pela extração de madeira, e hoje quase nada sobrou da mata.

Vista do povoado de Piquiá de Baixo, no distrito industrial de Açailândia (MA). Casas de moradores dividem espaço com fábricas de ferro gusa ao funda. Foto: Fabíola Ortiz

Desenvolvimento humano

Açailândia fica a 564 km de São Luís, tem 107.790 habitantes e, com sua produção de ferro gusa, é o município com terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão, atrás apenas da capital São Luís e de Imperatriz, a segunda cidade com mais habitantes do estado. Conforme o levantamento mais recente do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), a economia do município gerou cerda de 1,6 bilhão de reais em 2011(8% do PIB de São Luís).

Essa riqueza, porém, não é distribuída, como indicam os números do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, que aponta que um em cada dez moradores da cidade (10.12%) é extremamente pobre e um em cada quatro (25,17%) é pobre. No Índice de Desenvolvimento Humano do Município, a cidade tem desempenho de 0,672 . O IDH é uma medida comparativa usada para classificar países e municípios. O índice, que vai de 0 a 1, é composto a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB per capita. Tido como um município de desenvolvimento médio, Açailândia se compara ao IDH da Palestina (0,670) e do Paraguai (0,669).

Açailândia guarda histórias como a de Joselma Alves de Oliveira, 37, professora que nasceu e cresceu em Piquiá de Baixo e hoje não tem esperanças em relação ao local. Ainda com os pais vivos e mãe de uma filha adolescente, seu maior sonho é que sua família se mude daqui.

Estrada de Ferro Carajás corta 27 municípios, entre eles Açailândia. Foto: Fabíola Ortiz / O Eco.

“Na frente de nossas casas passa a estrada de ferro Carajás, ao redor existem indústrias de ferro gusa e, do lado, o entreposto de minério da Vale. É triste morar num local onde praticamente toda a população tem chance de ter doenças de pulmão, garganta e problemas respiratórios”, resume Joselma, a terceira de sete irmãos.

Na rota do minério

Piquiá fica na rota da indústria de ferro gusa nacional, uma das mais lucrativas do país. Todo o minério extraído nas minas de Carajás, explorado pela Vale, em Parauapebas (Pará) passa por Açailândia no caminho pela estrada de ferro até o porto de Itaqui, em São Luís do Maranhão, para suprir a crescente demanda mundial alavancada pelos países emergentes. Com extração de 240 milhões de toneladas de minério ao ano, a Vale é a maior companhia do mundo no setor.

Os números impressionam. Segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Parauapebas é o principal município exportador do país, batendo novos recordes a cada trimestre. De janeiro a março deste ano, Parauapebas exportou US$ 2,217 bilhões.

Dá para ver a devastação por satélite :

https://www.google.com/maps/@-4.9448592,-47.451754,24456m/data=!3m1!1e3?hl=pt-BR

Toda a produção de Carajás passa por Piquiá. Um trem passa atrás do povoado a cada 20 minutos e buzina, inclusive de madrugada. De todo o minério extraído, 7% é vendido para as indústrias guseiras instaladas no pólo industrial de Açailândia, e o restante, 93%, segue direto para o porto de São Luís. A produção de ferro gusa em Açailândia representa 11% da produção brasileira de gusa.

Além do barulho do trem, os moradores também enfrentam o ruído constante de freadas de caminhões pesados que cortam o povoado através da BR-222 – rodovia que liga Fortaleza (CE) à Marabá (PA), passando pelo Piauí e Maranhão. O barulho é suficiente para tirar o sono de qualquer um e os caminhões, carregados de carvão, cimento, brita e ferro gusa deixam para trás poeira, muita poeira. Das cinco siderúrgicas, ou “firmas”, como são chamadas pelos moradores locais, duas ficam logo atrás da casa de dona Angelita, de 62 anos, mãe de Joselma, a professora que nasceu em Piquiá de Baixo. Foi ela quem acolheu a reportagem por duas noites no povoado.

Dona Angelita

Muitos tentam, mas não é possível levar uma rotina normal. O ritmo de vida segue o compasso das buzinas do trem, dos escapes de chamas e fumaças das guseiras e das freadas dos caminhões carregados.

Localizada na BR-222, a casa de Angelita é a primeira a ser vista pelos que cruzam a rodovia federal. Nos fundos, a família costumava plantar mais de 30 pés de côco, goiaba, laranja, limão siciliano, carambola, manga, acerola, macaxeira e uma boa variedade de hortaliças. A casa de Angelita tem um ar nostálgico da chácara que foi no passado. Há pelo menos 10 anos, o terreno não serve mais para cultivo. Sua plantas estão cobertas por uma camada pegajosa de pó preto.

“A gente planta, embolam as coisas e (alimentos) morrem com facilidade. As pessoas aqui não aguentam, cada dia é um ruído, uma zoada (barulho) diferente”, conta ao apontar do quintal para as chaminés de duas siderúrgicas visíveis de sua casa.

Não são só as plantas que sofrem. Angelita reclama da falta de ar e de um “aperto no peito” e, há 10 anos, sua filha Joselma sofre com intensa irritação na garganta e inflamação nos ouvidos. Após casar-se, Joselma se mudou com o marido para Piquiá de Cima a 2 km da casa de sua mãe.

Anel de ferro

A pequena Piquiá de Baixo é cercada por um anel de ferro. Atrás da casa de Angelita, ficam as propriedades das indústrias de ferro gusa. O quintal da mãe de Joselma hoje divide a cerca dos fundos com a Viena Siderúrgica S/A e a Gusa Nordeste S/A.

À noite, não há estrelas em Piquiá – o clarão com luzes das indústrias toma conta do céu. A produção do ferro gusa não para. Clareiras, barulho e escapes de fumaça irrompem a madrugada. O verde da vegetação que restou e o rio que leva o mesmo nome da comunidade contrastam com o tom monocromático das casas, com paredes marrom de poeira da estrada e telhados da cor preta e acinzentada do chamado pó de ferro.

A vida é inviável em Piquiá. Não é possível respirar ar puro. “Tem dias que está insuportável. Na escola, os alunos e os professores ficam perturbados com o barulho, não dá para se concentrar em nada. Tem hora que dá uns estouros e cobre tudo de poluição. Parece que estão quebrando ferro, dói no ouvido”, diz Angelita que há quase 40 anos vive na comunidade.

Do Piauí, ela se mudou para o vilarejo com o marido João, em 12 de janeiro de 1975, após três anos de casados. O sogro já tinha um terreno na região e convenceu o casal a fazer a vida na cidade. Seu João, hoje com 64 anos e doente após ter sofrido um AVC, foi o primeiro vereador de Açailândia, entre 1982 e 1986, quando o município se emancipou de Imperatriz.

 Depósito a céu aberto de material químico para processar o cimento. Foto: Fabíola Ortiz / O Eco

O chamado “progresso”

Como professora do primário, Angelita ensinou na escolinha municipal Almirante Barroso. Lecionou de 1997 até abril deste ano, quando teve que se ausentar para cuidar da casa e do marido enfermo. “Meu marido brigou demais na época contra a ideia de o pólo industrial se instalar no Piquiá”, lembra. A vida era boa em Piquiá, conta a moradora, com água abundante no rio e brejos que cortavam as propriedades.

Muita coisa mudou na região, relembra a mulher que testemunhou a história da degradação da comunidade. A energia chegou em fevereiro de 1981 e, com ela, o ‘progresso’. A BR-222 foi asfaltada no mesmo ano.

As empresas se instalaram na região após a construção da estrada de ferro Carajás que, desde 1985, começou a agitar a vida de vilarejos às margens da ferrovia. “Lembro da época que vieram para fazer o desmatamento, em julho de 1975, para a linha de trem (as obras começaram em 1982). Eu sabia que viria o progresso, mas não sabia que eram tão irresponsáveis de não ter nenhuma proteção ou de nos orientar. Quando vieram (empresas) para comprar as terras aqui só falavam nos benefícios, que viria trabalho e desenvolvimento”.

 Depósito a céu aberto de material químico para processar o cimento. Foto: Fabíola Ortiz / O Eco

A primeira guseira a se instalar foi a Companhia Siderúrgica Vale do Pindaré, em 1984, do Grupo Queiroz Galvão, que montou na época um alojamento de operários da construção bem ao lado da casa de Angelita.

O pólo industrial de Açailândia contém cinco indústrias de ferro gusa – Viena Siderúrgica S/A, Siderúrgica do Maranhão S/A – SIMASA, Cia. Siderúrgica Vale do Pindaré, Ferro Gusa do Maranhão Ltda. – FERGUMAR, e Gusa Nordeste S/A. Elas processam o minério de ferro bruto e o transformam junto com o carvão vegetal em ferro gusa, uma matéria-prima para a produção do aço. São no total, 14 altos-fornos que precisam da água do rio Piquiá para seu resfriamento.

“As firmas chegavam e compravam as fazendas. Bem no lugar onde hoje é um dos altos-fornos da Viena ficava a casa da minha cunhada”, diz. O quintal de fundos tem 100 metros. Delimitado por uma cerca, o terreno das guseiras fica logo atrás. Ninguém mais pode se utilizar dos riachos que cortam as propriedades dos moradores, estão todos contaminados. Por eles escorre a água quente usada no esfriamento dos altos-fornos. “Não temos coragem de banhar no brejo aqui no meu quintal”, lamenta.

‘A gente não acostuma’

De cabelos longos e grisalhos e pele curtida do sol, Angelita está prestes a se aposentar. Altiva e enérgica, é ela quem cuida da casa de quatro cômodos onde sua família vive desde março de 1983. Sua casa abriga cinco pessoas e, até o início do ano, já chegaram a viver onze, entre filhos, genros e netos.

“Tem dias que sinto uma coceira e irritação quando cai o farelinho preto (pó de ferro). Já tem uns 12 anos que sinto isso. A gente não acostuma não, filha… A roupa no varal fica sempre cheia de furinhos de quando caem brasas das chaminés”.

Angelita limpa a casa diariamente e várias vezes por dia. Ela tem cuidado com a limpeza, está sempre com uma vassoura ou um espanador a tira colo. “A gente pensa que a casa está limpa, mas é só botar o pé no chão e passar o dedo nas coisas que fica preto. É só terminar de limpar e na mesma hora já fica sujo. Tem que cobrir tudo, a poeira cai no cabelo, na comida e na roupa”, descreve.

Se tivesse a oportunidade de deixar Piquiá, Angelita não pensaria duas vezes. Ela garante que teria ido embora. “Meu sonho é sair daqui e morar num lugar que a gente tenha uma vida digna. Viver num sufoco desse não representa dignidade para ninguém. Que deus me dê a chance de sair daqui com vida”.

 

Recifes de corais do Caribe podem desaparecer em 20 anos

Recifes de corais no arquipélago de Santo André, Providência e Santa Catarina, na Colômbia.

Recifes de corais no arquipélago de Santo André, Providência e Santa Catarina, na Colômbia|RFI

A maioria dos recifes de corais do Caribe pode desaparecer em 20 anos, devido à pesca intensiva dos peixes que se alimentam de algas, que se proliferam e sufocam os corais, além da diminuição do número de ouriços-do-mar, que ajudam a proteger os recifes. O alerta foi dado pela ONU nesta quarta-feira (2).

Atualmente, resta apenas um sexto dos corais que existiam antigamente no Caribe, de acordo com um estudo realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a União Internacional pela Conservação da Natureza (UICN). Conforme a pesquisa, a partir dos anos 1970, 50% da superfície ocupada pelos corais nessa região desapareceu.

“Os recifes de corais do Caribe foram atingidos intensamente a partir dos anos 1980, devido à atividade humana”, constatam os especialistas, citando a explosão demográfica, a pesca e a poluição da costa como as causas do problema.

Durante muito tempo, as mudanças climáticas eram apontadas como as responsáveis pela degradação dos corais. As alterações do clima permanecem uma “ameaça séria”, ao beneficiar a acidificação dos oceanos e clarear os corais, o que resulta no fim do crescimento deles. Entretanto, os fatores climáticos hoje são minimizados pela ONU.

Equilíbrio afetado

O relatório mostra que a quase extinção dos peixes-papagaios, em decorrência da pesca excessiva, e dos ouriços-do-mar, por uma doença desconhecida, são as principais causas para explicar o declínio dos corais caribenhos. Os dois animais são os que mais equilibram a quantidade de algas que cobrem e matam os recifes, ao se alimentarem dessas plantas.

“Com algas demais, fica difícil de revitalizar os corais”, lamenta Carl Gustaf Lundin, diretor do Programa do Meio Marinho e Polar da UICN, que defende um maior controle da pesca na região, principalmente nas proximidades da costa. Lundin também afirma que o número de hoteis à beira-mar deveria ser limitado, além de a água do esgoto receber um melhor tratamento antes de ser despejada no mar.

Custos de transporte explodem emissões de CO2 durante a Copa

40% dos torcedores que irão à Copa pegarão um voo internacional.

40% dos torcedores que irão à Copa pegarão um voo internacional.

REUTERS|Henry Romero|RFI

A preocupação com o meio ambiente se transformou em uma etapa obrigatória da organização de qualquer grande evento internacional – e os esportivos ainda mais. Segundo a Fifa, a Copa do Mundo no Brasil vai gerar o equivalente a seis meses de emissões geradas pela Islândia, principalmente devido à poluição gerada pelos transportes.

O cálculo das perspectivas de emissões de gases de efeito estufa é complexo. Somente o envio dos uniformes dos jogadores, fabricados na China e transportados para o Rio de Janeiro de navio antes de serem enviados para as cidades-sede, vai resultar em 436 toneladas de CO2. A Federação Internacional de Futebol contabilizou os trajetos de avião necessários por delegações e torcedores, mas também tentou colocar no papel as toneladas de cabos utilizados para transmitir os jogos ou o número de horas em que os aparelhos de ar-condicionado ou refrigeradores ficarão ligados para o Mundial.

Segundo a entidade, a estimativa total é de 2.723.756 toneladas de CO2 a mais na atmosfera, ao final de um mês de competição. Os transportes respondem por 83,7% deste valor – 40% dos torcedores precisarão realizar um voo internacional para participar do evento. O total é o equivalente a pouco mais de seis meses de emissões de um país como a Islândia.

O cálculo da Fifa, porém, sofre críticas de ambientalistas, ao ignorar a poluição atmosférica gerada pelas obras de preparação para a Copa. “Todas as Copas do Mundo são diferentes. Não se pode compará-las”, observa Federico Addiechi, diretor do departamento de responsabilidade social da Fifa. Ele explicou que o valor final depende das distâncias percorridas pelos torcedores, da presença de infraestruturas no país e da origem da energia utilizada – no caso do Brasil, a maior parte vem de hidrelétricas.

Esforço conjunto

Tanto a Fifa quanto o governo brasileiro juram terem feito o máximo para promover a Copa “mais verde possível”. Os 12 estádios onde ocorrerão as partidas vão receber certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), um modelo de construção e gestão sustentável.

A entidade também aposta nas campanhas de conscientização dos torcedores e promete incentivar a reciclagem de garrafas de plástico. Além disso, a compensação de emissões, através de doações de crédito de carbono por empresas e companhias aéreas, deve diminuir 59.000 toneladas de gases.

Frédéric Chomé, diretor da Factor X, consultoria de estratégia em clima que analisou as emissões dos Jogos Olímpicos de Londres, destaca que os organizadores costumam se esquecer de algumas fontes importantes de emissões, como os produtos derivados, a exemplo do material vendido para as torcidas. “Durante essas competições internacionais, a venda de televisões aumenta 1% no mundo, ou cerca de 20 milhões de aparelhos. Só aí, já tem 100 milhões de toneladas a mais de CO2”, explica. “Sem falar no 1 bilhão de televisões ligadas três horas por dia durante três semanas. Isso dá mais 2 milhões de toneladas de emissões.”

Plano da China de limitar CO2 é um avanço para negociações sobre clima

03. Junho 2014 

Por Kathy Chen e Stian Reklev

PEQUIM (Reuters) – A China disse nesta terça-feira que estabelecerá um teto para suas emissões de CO2 a partir de 2016, um dia após os Estados Unidos terem anunciado novas metas para seu setor de energia, marcando uma potencial superação de diferenças em duras negociações climáticas na Organização das Nações Unidas (ONU).

O progresso nas negociações climáticas globais foi frequentemente frustrado por uma grande divisão entre países ricos e pobres, liderados pelos Estados Unidos e pela China, respectivamente, sobre quem deveria adotar tomar mais ações para reduzir emissões. 

Mas o fato de que os dois maiores emissores de gases de efeito estufa terem feito anúncios sem precedentes sobre o clima num prazo de 24 horas trouxe otimismo entre observadores, que esperar ver o fim de décadas de negociações travadas. As medidas estão sendo divulgadas antes de um encontro global sobre mudanças climáticas na quarta-feira, na Alemanha. 

A China, maior emissor do mundo, vai estabelecer um teto para suas emissões de CO2 quando seu próximo plano quinquenal entrar em vigor em 2016, disse He Jiankun, presidente do Comitê Consultivo de Mudanças Climáticas da China, em uma coletiva em Pequim. 

As emissões de carbono na economia chinesa, ainda dependente de carvão, devem continuar a crescer até 2030, mas estabelecer um teto absoluto significa que a questão será mais regulamentada.

“O anúncio chinês marca, potencialmente, o ponto mais importante de mudanças na questão climática em uma década no cenário mundial”, disse Michael Grubb, professor de energia internacional e políticas climáticas da Universidade de Londres.

Reuters

Grande expedição vai estudar poluição plástica no Mediterrâneo

Primeiro dia de visitas do público ao veleiro 'Tara', em Toulon, no sul da França.

Primeiro dia de visitas do público ao veleiro ‘Tara’, em Toulon, no sul da França|PM.Tattevin/Tara Expéditions|RFI

A veleiro francês Tara retornou nesta quarta-feira (28) ao mar Mediterrâneo para uma longa missão de avaliação sobre a presença de resíduos plásticos nas águas e o impacto dos dejetos nos ecossistemas marinhos. O barco, que partiu de Toulon, vai realizar escalas em 13 países, ao longo de sete meses.

A missão vai investigar os efeitos de uma pressão demográfica cada vez maior nos países banhados pelo Mediterrâneo, com o aumento da poluição, principalmente plástica. Os barcos Pacífico e Ártico já haviam recolhido informações e amostras para a pesquisa em 2011 e 2013.

A viagem do Tara vai começar pela Sardenha (Itália) e segue para Durres (Albânia), as ilhas gregas, Beirute (Líbano), Haifa e Tel Aviv (Israel), Valete (Malta), Bizerta (Tunísia), Alger (Argélia), Marselha (França), Nápoles e Gênova (Itália), Perpignan (França), Barcelona (Espanha), Tanger (Marrocos) e Faro (Portugal), até retornar para Lorient, no noroeste da França. O fim da missão está previsto para 7 de dezembro.

“Atualmente, 450 milhões de pessoas vivem em torno desta bacia, um número que dobrou em 30 anos”, destacou Romain Troublé, durante uma coletiva de imprensa nesta terça em Paris, para apresentar a expedição.

O Mediterrâneo, que representa menos de 1% da superfície de oceanos do planeta, é uma imensa reserva de biodiversidade (8% das espécies). Cerca de 90% da poluição que o mar recebe vem da terra.

Conhecer melhor os impactos

Gaby Gorsky, diretor científico da expedição Tara, disse que apesar da acumulação crescente de resíduos plásticos na natureza, “conhecemos muito pouco do que está acontecendo com os plásticos e o impacto deles nos ecossistemas”. “Vamos avaliar os fragmentos de plástico que flutuam, que têm de 0,3 a 50 milímetros, e os poluentes orgânicos associados a eles”, explicou. Esse diâmetro é o resultado de vários anos de decomposição do material no mar.

O passo seguinte será analisar os ecossistemas que se formam sobre o lixo – bactérias, protozoários, micro-algas e moluscos, entre outros. Por fim, os cientistas vão estudar a interação dos ecossistemas do plâncton com os fragmentos de plásticos. Uma pesquisa realizada em 2009 indicou que havia cerca de 250 bilhões de fragmentos do material no Mediterrâneo.

A expedição Tara conta com a colaboração interdisciplinar de pesquisadores franceses, italianos, alemães e americanos. Um dos objetivos também é, em cada parada do barco, conscientizar as populações locais sobre os riscos da poluição.

Qualidade das praias do litoral paulista cai em 2013

Dados divulgados na quarta-feira pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apontam que a qualidade de praias do litoral norte de São Paulo despencou no ano passado. Foram analisados 88 pontos nos quatro municípios da região – Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela. Do total, 69 pontos receberam da agência a classificação anual de impróprios. Este é considerado o pior resultados dos últimos dez anos, segundo informações publicadas no jornal Folha de S. Paulo. 

A classificação anual caiu em relação ao ano de 2012 em 50 pontos (em algumas praias há mais de um local de coleta de água. De acordo com técnicos da Cetesb, as chuvas concentradas são a principal explicação para o resultado ruim registrado em 2013. A chuva altera a qualidade da água das praias quando leva esgotos e detritos para o mar, pelos vários rios e riachos dos litoral paulista. 

Durante a gestão Geraldo Alckmin (PSDB), por meio da Sabesp, foram anunciados investimentos de R$ 2,1 bilhões, feitos desde 2007, no programa Onda Limpa. Mesmo com a construição de mais de mil quilômetros de redes coletoras de esgoto, a qualidade das praias do litoral não melhor porque, segundo o relatório da Cetesb, existem dois graves problemas na costa paulista. O primeiro é que milhares de imóveis, por motivos econômicos ou desinteresse, não fizeram a ligação de esgoto com a nova tubulação construída. O segundo é o crescimento da ocupação ilegal, principalmente nas cidades de São Sebastião e Guarujá.



Autor/Fonte: Terra

Níveis crescentes de CO2 afetam valor nutricional dos cereais

AFP – Agence France-Presse

07/05/2014 

Níveis crescentes de dióxido de carbono (CO2) vão afetar o valor nutricional de cereais importantes para a alimentação, com o arroz e o trigo, alertaram cientistas nesta quarta-feira.

Os agricultores deveriam se concentrar na preocupante vulnerabilidade destes gêneros às emissões crescentes de carbono, acrescentaram.

Em artigo publicado na revista Nature, cientistas afirmaram ter testado 41 cepas de seis cultivos plantados em campos abertos de sete locais em Austrália, Japão e Estados Unidos, onde as plantas foram expostas a níveis altos de CO2 liberados por gasodutos horizontais.

O ar normal tem concentrações de CO2 de cerca de 400 partes por milhão (ppm), que atualmente está subindo em torno de dois a três ppm ao ano.

Em seu ambiente “enriquecido com carbono”, as plantas experimentais cresceram em condições de 546-586 ppm de CO2, uma cifra que em cenários pessimistas pode ser alcançada em meados do século.

Isto se traduz em um aquecimento de mais de 3 graus Celsius com base em níveis pré-industriais, enquanto os países-membros das Nações Unidas se comprometeram a limitar a elevação das temperaturas a 2 graus Celsius.

Os níveis de zinco, ferro e concentrações de proteínas nos cultivos de trigo nos campos diminuíram 9,3%, 5,1% e 6,3% em comparação com o trigo cultivado em condições normais, afirmaram os cientistas.

No arroz, os níveis de zinco, ferro e proteína despencou 3,3%, 5,2% e 7,8%, embora essas cifras variem muito de acordo com as diferentes cepas testadas.

Outras quedas foram observadas no zinco e no ferro em campos de cultivo de ervilha e soja, mas houve poucas mudanças em seus níveis proteicos.

Em contraste, o impacto do CO2 “enriquecido” no milho e no sorgo foi relativamente menor.

Níveis crescentes de CO2 afetam valor nutricional dos cereais

“Este estudo é o primeiro a solucionar a questão de se as concentrações crescentes de CO2, que têm aumentado firmemente desde a Revolução Industrial, ameaçam a nutrição humana”, disse Samuel Myers, cientista de saúde ambiental da Escola de Saúde Pública de Harvard.

“A humanidade está fazendo uma experiência global ao alterar as condições ambientais no único planeta habitável que conhecemos. À medida que esta experiência se desenvolver, sem dúvida haverá muitas surpresas”, continuou.

O estudo alertou os agricultores a adaptar os cereais essenciais para torná-los menos sensíveis ao aumento do CO2.

Sem ajuda, os países mais pobres poderão ficar expostos a uma nutrição decadente, acrescentou. Cerca de dois bilhões de pessoas sofrem de deficiências de zinco e ferro, que podem afetar o sistema imunológico e provocar anemia, respectivamente.

China tem 60% dos lençóis freáticos poluídos

Criança bebendo água em Fuyuan, China

Criança bebendo água em Fuyuan, China

Reuters
RFI

A imprensa oficial chinesa revelou nesta quarta-feira (23) que 60% dos lençóis freáticos analisados no país estão poluídos e não podem ser consumidos sem tratamento. Os dados elevam as preocupações sobre a poluição ambiental na segunda maior economia mundial.

 

A qualidade da água de 203 cidades chinesas foi avaliada no ano passado. Os resultados publicados hoje indicam uma qualidade “relativamente ruim” ou “muito ruim”.

No primeiro caso, a água é considerada não potável sem tratamento. No segundo, é “imprópria para o consumo”, mesmo após ser tratada. A proporção de água considerada não potável sem tratamento aumentou 57% desde 2012, de acordo com o estudo, divulgado pela agência Xinhua.

A degradação ambiental no país preocupa a população chinesa, que aceita cada vez menos que o meio ambiente seja prejudicado para sustentar o crescimento econômico. A grande maioria dos rios do país registra níveis médios ou elevados de poluição. Os escândalos sobre a contaminação dos lençóis freáticos são frequentes, assim como a assustadora poluição atmosférica, que atinge não apenas as grandes cidades, como regiões inteiras chinesas.

Solo contaminado

Na semana passada, o governo havia anunciado que a poluição dos solos chineses afeta uma superfície comparável com a do Peru ou Colômbia. Os resultados da pesquisa eram conhecidos há muito tempo pelas autoridades, mas eram mantidos em segredo.

Dos 6,3 milhões de km2 estudados – cerca de dois terços da China -, calcula-se que 16,1% estejam contaminados, o equivalente a uma superfície que ultrapassa um milhão de quilômetros, segundo o Ministério da Proteção do Meio Ambiente. “A situação do solo no âmbito nacional não é positiva”, admitiu o ministério em seu site, mencionando que as indústrias mineradoras e a agricultura são os principais responsáveis por este problema.

Mais de 80% dos agentes poluidores detectados no solo são de origem biológica, segundo a pesquisa realizada durante oito anos, de 2005 a 2013. A ONG Greenpeace vem alertando sobre os efeitos das cinzas de carvão no país.