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População de Hong Kong pede reforma eleitoral em referendo

Mais de 800 mil pessoas votaram em um referendo informal para garantir maior democracia para Hong Kong.

Mais de 800 mil pessoas votaram em um referendo informal para garantir maior democracia para Hong Kong|REUTERS/Tyrone Siu|RFI

Cerca de 800 mil pessoas participaram do referendo extraoficial concluído neste domingo (29), em Hong Kong. Durante 10 dias, os habitantes dessa região administrativa especial da China foram consultados sobre uma reforma eleitoral que desafia Pequim.

Luiza Duarte, correspondente da RFI em Hong Kong

A campanha civil para permitir a indicação pública do chefe do executivo local foi considerada “ilegal” pelo governo chinês.

A ex-colônia britânica de cerca de 7 milhões de habitantes, voltou ao domínio chinês em1997, sob o modelo de “um país, dois sistemas”, com uma promessa sem data de voto direto. A realização de eleições para a escolha da autoridade máxima local está prevista para 2017, mas a população só pode optar entre candidatos pré-aprovados por um comitê de seleção alinhado com o governo da China.

Três propostas, todas favoráveis à consulta pública dos candidatos, foram submetidas. O modelo sugerido pela Alliance for True Democracy obteve a maior parte dos votos, com 42.1% da aprovação popular. Nele, os candidatos poderiam ser nomeados por 35 mil eleitores inscritos ou por um partido, que tenha garantido ao menos 5% dos votos na última eleição para a Assembleia Legislativa. Já as outras duas proposições só permitiriam que um comitê de nomeação e a população apresentasse candidatos.

Eleitores querem vetar propostas apresentadas pelo governo

O resultado indica também que 88% dos eleitores concordaram que o Conselho Legislativo deve vetar qualquer proposta de reforma apresentada pelo governo, que não cumpra normas internacionais democráticas.

O referendo conduzido pelo movimento Ocupe Central (Occupy Central, em inglês) – que faz referência ao bairro que abriga o principal pólo-administrativo e financeiro da ilha – foi realizado através de cabines de votação e uma plataforma online. A votação começou no dia 20 de junho e deveria ser encerrada dois dias depois, mas foi estendida pelos organizadores, após tentativas de boicote contra o website (popvote.hk).

Um em cada cinco eleitores inscritos votaram para pressionar Pequim a ceder à reforma democrática. A consulta popular terminou apenas dois dias antes da data que comemora o retorno de Hong Kong à China. A população foi convocada a se manifestar no feriado do 1º de julho, em defesa de uma real autonomia local em relação ao governo chinês. Segundo os organizadores, cerca de 500 mil pessoas são esperadas na terça-feira (1).

Ex-juiz Garzón apoia referendo sobre monarquia na Espanha, diz agência

O ex-juiz espanhol Baltasar Garzón durante entrevista à Reuters no mês de fevereiro, em Madri. Nesta quarta-feira, a agência estatal de notícias argentina Télam disse que Baltasar se mostrou favorável à convocação de um referendo na Espanha sobre a continuidade da monarquia após a abdicação do rei Juan Carlos. 17/02/2014 REUTERS/Susana Vera

O ex-juiz espanhol Baltasar Garzón durante entrevista à Reuters no mês de fevereiro, em Madri. Nesta quarta-feira, a agência estatal de notícias argentina Télam disse que Baltasar se mostrou favorável à convocação de um referendo na Espanha sobre a continuidade da monarquia após a abdicação do rei Juan Carlos. 17/02/2014 REUTERS/Susana Vera (reuters tickers)

04. Junho 2014 

BUENOS AIRES (Reuters) – O ex-juiz espanhol Baltasar Garzón se mostrou favorável à convocação de um referendo na Espanha sobre a continuidade da monarquia após a abdicação do rei Juan Carlos, informou nesta quarta-feira a agência estatal de notícias argentina Télam.

Partidos de esquerda e movimentos republicanos saíram esta semana às ruas para exigir a convocação de um plebiscito sobre o modelo de Estado da Espanha, logo depois de o monarca anunciar que entregará a coroa para seu filho, Felipe.

“Vivemos em um país democrático no qual a democracia está estabelecida, a monarquia foi ditada na sua época pelo ditador (Francisco Franco) e, portanto, este é o momento para que o povo espanhol se pronuncie a favor ou não”, disse o ex-magistrado a jornalistas na cidade de Neuquén, na Patagônia argentina, segundo a Télam.

O governista Partido Popular (PP) e líderes da principal força de oposição, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), rejeitaram os pedidos de convocação do referendo para consultar a população sobre se a Espanha deve continuar sendo uma monarquia ou se transformar em república. 

Garzón, abertamente republicano, acrescentou que “desde o final da ditadura o povo espanhol foi alvo de muitos nãos quanto a mostrar sua opinião sobre como deve ser a forma do governo”. 

(Reportagem de Alejandro Lifschitz)

Reuters

Europa continua articulações políticas sobre crise na Ucrânia

Tanque nas ruas de Slaviansk, oeste da Ucrânia com uma bandeira pró-russa. 12 de maio de 2014.

Tanque nas ruas de Slaviansk, oeste da Ucrânia com uma bandeira pró-russa. 12 de maio de 2014|REUTERS/Yannis Behrakis|RFI

A ofensiva diplomática europeia para tentar uma solução pacífica para a crise ucraniana é intensa após o referendo de domingo (11) sobre a independência das regiões de Lugansk e Donetsk. Nesta terça-feira (13), o chefe da diplomacia alemã foi o segundo representante do bloco europeu a visitar Kiev em menos de 24 horas para apoiar o diálogo nacional.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, se encontrou nesta manhã com o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniuk, e defendeu a importância da eleição presidencial antecipada no país. Para Steinmeier, a votação do próximo dia 25 de maio terá um papel decisivo para superar a divisão ucraniana.

Logo após o encontro com o ministro alemão, o premiê ucraniano viajou a Bruxelas para discutir com a Comissão Europeia medidas de apoio a Kiev e ao diálogo nacional, propostas pelas autoridades ucranianas. Uma mesa redonda com responsáveis políticos e representantes da sociedade civil está prevista para começar na quarta-feira (14). No entanto, o presidente interino, Oleksander Turtchinov, é contrário à participação dos separatistas pró-russos, dificultando o diálogo antes mesmo de sua abertura.

Anexação à Rússia

Depois da vitória no referendo de domingo, os separatistas do leste da Ucrânia anunciaram a soberania sobre os dois territórios e pediram a anexação deles à Rússia, assim como fez a Crimeia.

Os europeus e os Estados Unidos consideram as votações de Donetsk e de Lugansk ilegais e martelam que só vão reconhecer o resultado da eleição presidencial do próximo dia 25. Moscou pediu respeito ao desejo da população do leste ucraniano, mas ainda não respondeu ao pedido de anexação feito pelas duas regiões separatistas e nem reconheceu formalmente o resultado dos referendos.

Tentando pôr panos quentes, Vladimir Putin disse ontem apoiar a mediação da Organização pela Segurança e Cooperação da Europa (OSCE) durante conversa pelo telefone com o presidente da instituição, o suíço Didier Burkhalter. A OSCE tenta organizar uma reunião entre as autoridades interinas de Kiev e os separatistas pró-russos ainda esta semana.

“Sim” à independência vence. Rússia afasta conversações

UCRÂNIA

por LusaHoje

 
"Sim" à independência vence. Rússia afasta conversações
Fotografia © Reuters

A Rússia não vê utilidade em novas conversações internacionais sobre a Ucrânia e considera que a solução só pode ser alcançada através de um diálogo entre Kiev e as regiões separatistas, afirmou hoje o chefe da diplomacia russa.

“Voltar a reunir de forma quadripartida não faz sentido”, disse Serguei Lavrov, questionado sobre a possibilidade de uma nova ronda de conversações entre a Rússia, Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos.

“Nada funciona se os opositores ao regime não forem incluídos num diálogo direto sobre uma saída para a crise”, acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo.

“Queremos que, nesta fase, quando os atores-chave estão de acordo em relação aos princípios acordados em Genebra a 17 de abril, devemos passar às medidas práticas a aplicar pelas partes em conflito”, acrescentou.

O acordo de Genebra prevê, entre outras medidas, o desarmamento de todos os grupos ilegais e a evacuação de todos os edifícios públicos ocupados, tanto na capital, como no leste do país.

Lavrov falava depois de a presidência russa ter anunciado, em comunicado, que vai respeitar os resultados dos referendos separatistas realizados no domingo nas regiões de Donetsk e Lugansk.

“Respeitamos a expressão da vontade das populações de Donetsk e Lugansk”, afirmou o Kremlin em comunicado.

Quase 90% dos votantes em Donetsk e mais de 94% em Lugansk aprovaram a independência, segundo os resultados preliminares anunciados pelas comissões eleitorais nas duas regiões.

Eleitores começaram a votar pela independência de Donetsk e Lugansk

Eleitores votam em Mariopol, neste domingo 11 de maio de 2014.

Eleitores votam em Mariopol, neste domingo 11 de maio de 2014.

REUTERS|Marko Djurica|FOTO

Ignorando os apelos de Kiev e dos países ocidentais, os moradores do leste da Ucrânia começaram a votar neste domingo (11) para decidir o futuro de algumas regiões que mantiveram a organização de um referendo para definir sua independência. As urnas foram abertas às oito horas da manhã, pelo horário local, e a votação acontece sem violência. Os resultados dessa consulta popular podem representar uma secessão histórica do país.

 

Milhões de ucranianos do leste do país foram convocados às urnas e devem dizer se aceitam ou não a independência das repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk, duas regiões que fazem fronteira com a Rússia e são controladas pelos separatistas pró-russos.

As autoridades de Kiev denunciam a legitimidade do referendo e qualificam os separatistas, apoiados por Moscou, de “terroristas”. Por outro lado, os rebeldes não reconhecem o poder central de Kiev, comandado provisoriamente pelo presidente interino Aleksandr Turshinov após a queda de Viktor Ianukovicht, em fevereiro.

Centenas de pessoas faziam filas desde o início da abertura das seções eleitorais na periferia de Mariopol, no sudeste do país, onde confrontos violentos entre forças ucranianas e rebeldes pró-russos na sexta-feira deixaram pelo menos 20 mortos.

O enviado especial da RFI, Daniel Vallot, constatou que no centro de Donetsk, mal foram abertas as urnas em uma das escolas da região central da cidade, uma longa fila havia se formado com eleitores bem dispostos a votar. Um deles declarou que para os habitantes de Donetsk, não havia outra solução senão “a separação da Ucrânia e do governo fascista” que se instalou em Kiev.

Segundo os organizadores do referendo, mais de 1.200 urnas foram instaladas em diferentes locais de votação para permitir que 7,5 milhões de eleitores depositassem seus votos. Os responsáveis pelo referendo comemoravam o fato de que “tudo estava ocorrendo como previsto”.

Risco de secessão histórica

O temor de Kiev e de vários países ocidentais é de que o referendo produza o mesmo efeito do realizado na Crimeia onde, em março, os eleitores votaram pela independência da região, que foi anexada posteriormente pela Rússia.

No sábado à noite, os Estados Unidos avisaram que não vão reconhecer os resultados dos referendos “ilegais diante da lei ucraniana e que são uma tentativa de provocar divisões e problemas”. Os Ocidentais já anunciaram uma série de sanções contra a Rússia, acusada de comandar o movimento separatista no leste da Ucrânia. Os líderes ameaçam impor novas sanções caso não sejam realizadas as eleições presidenciais ucranianas antecipadas para o dia 25 de maio.

“Um fracasso para a realização das eleições presidenciais, internacionalmente reconhecidas, desestablizaria ainda mais o país”, advertiu a chanceler alemã Angela Merkel que recebeu o presidente François Hollande em seu reduto eleitoral, à beira do Mar Báltico.

Pela primeira vez, desde o início da crise ucraniana, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que representa os 28 países do bloco, fará uma visita a Kiev nesta segunda-feira.

Críticas à União Europeia

O ex-chanceler alemão Gerhard Schröder estimou que a União Europeia é a principal responsável pela crise ucraniana por ter obrigado Kiev a escolher seu futuro entre a Rússia ou o bloco europeu. As declarações foram publicads pelo diário Welt am Sontag neste domingo. “O erro crucial vem da política da União Europeia a favor de um tratado de associação”, que Bruxelas queria firmar com a Ucrânia, declarou Schröder que é amigo de Putin há muitos anos.

“A União Europeia ignorou o fato de que a Ucrânia é um país profundamente dividido culturalmente. Historicamente, a população do sul e do leste está mais orientada para a Rússia, e a do oeste mais para o bloco europeu”, afirmou. No entanto, o ex-chanceler considera que “todas as partes cometeram erros” e condenou a anexação da Crimeia pela Rússia.

Presidente da Ucrânia apela para moradores do leste rejeitarem referendo

Urnas sendo preparadas para votação em Donetsk, em 10 de maio.

Urnas sendo preparadas para votação em Donetsk, em 10 de maio.

AFP PHOTO / GENYA SAVILOV

O presidente da Ucrânia, Oleksander Tourchinov, pediu neste sábado (10) que os eleitores não votem “sim” no referendo marcado para este domingo em várias regiões do leste do país para evitar, segundo ele, o caos econômico e social. Autoridades de Kiev e países ocidentais consideram ilegais as votações previstas em Donetsk e Lugansk.

 

Os separatistas pró-russos realizam neste domingo um referendo pelo independência das repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk, que são russófonas. O presidente Tourchinov convocou os moradores para participarem de “mesas redondas” para discutirem uma maior autonomia dessas regiões.

A votação, cuja organização apresenta muitas falhas e problemas como a autenticidade das listas eleitorais e das cédulas de voto, pode levar o país à guerra civil, independentemente dos resultados.

Uma secessão com a Ucrânia “seria um passo em direção ao abismo” para essas regiões, declarou o presidente em seu site na internet. Ele evocou um “terror nojento” que tem o apoio de grande parte da população local. “É um problema complexo quando uma população enganada pela propaganda russa apoia os terroristas”, acrescentou.

Os separatistas respondem que eles estão se defendendo de um governo que consideram fascista e anti-russo. Depois da anexação da Crimeia à Rússia, uma secessão de Donetsk e Lugansk, regiões siderúrgicas e de carvão que representam 16% do PIB ucraniano, vai ser mais um duro golpe para o poder de Kiev.

Clima de tensão

Apesar do clima de tensão em diversas cidade do leste, não houve registros de confrontos. Em Marioupol, onde sete pessoas foram mortas na sexta-feira em combates violentos, rebeldes ergueram barricadas com pneus e latas de lixo para bloquear as ruas.

Uma fumaça pode ser vista no prédio da administração pública que foi incendiado. Aparentemente, não há presença das forças ucranianas. Em Slaviansk, reduto dos separatistas fortemente mobilizados, barricadas também foram erguidas nas ruas com ajuda de pneus, móveis e até lataria de carros.

Humanitários liberados

O Comitê Internacional daCruz Vermelha lançou neste sábado um apelo para que as partes envolvidas na crise ucraniana respeitem a neutralidade dos trabalhadores humanitários. Oito voluntários e um integrante suíço, do Comitê foram detidos por várias horas ontem à noite em Donetsk, reduto dos separatistas pró-russos.

Eles foram liberados poucas horas depois, mas um deles fico ferido no incidente e foi levado para o hospital. Um porta-voz dos separatistas informou que eles foram detidos diante da suspeita de que eram espiões.

Para França e Alemanha, referendos o leste da Ucrânia são ilegais

François Hollande e Angela Merkel a bordo do «MS Nordwind», no mar Báltico, 9/5/14.A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, alertam Kiev e Moscou sobre a importância da eleição presidencial de 25 de maio na Ucrânia. Em um comunicado divulgado neste sábado (10), em Stralsund, na Alemanha, os dois líderes também consideram osreferendos de domingo para a independência de algumas cidades no leste da Ucrânia como “ilegais”.

“A celebração de eleições presidenciais livres e equitativas na Ucrânia em 25 de maio é de importância capital”, afirmam os dois governantes no texto, divulgado após um encontro informal de dois dias na cidade balneária do norte da Alemanha.

Merkel e Hollande mencionam uma série de medidas para reduzir a tensão na Ucrânia, na véspera de um referendo sobre uma declaração de independência de parte do leste, de língua russa, do país, onde a escalada da violência aumenta. De acordo com ambos, “os referendos planejados em várias cidades do leste da Ucrânia são ilegais”.

Ameaças de sanções

“Um fracasso das eleições presidenciais internacionalmente reconhecidas desestabilizaria ainda mais o país. A França e a Alemanha consideram que isso terá as consequências correspondentes, como previu o Conselho Europeu de 6 de março”, completa a nota, sem entrar em detalhes.

Os dois líderes também pedem a Moscou que reduza o número de tropas na fronteira com a Ucrânia. Eles também pedem a Kiev “abster-se de realizar ações ofensivas antes das eleições”. A nota lamenta ainda a violência recente “em Odessa e sobretudo Mariupol, que provocaram perdas de vidas inaceitáveis”.

Apoio europeu

Na segunda-feira, Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, vai a Kiev. O objetivo da viagem é “continuar as discussões sobre como estabilizar a situação na Ucrânia antes da eleição presidencial, além de acabar com a violência no país e criar um diálogo nacional aberto”, explicou van Rompuy.

No dia seguinte, será a vez do primeiro-ministro Arseni Iatseniouk, de ir a Bruxelas para se encontrar com a Comissão Europeia.