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Chile: professores protestam para ter voz na reforma educacional de Bachelet

Propostas feitas pela presidente foram recusadas e profissionais da educação vão às ruas para pedir mais

AFP – Agence France-Presse

25/06/2014 

Professores tomam as ruas de Santiago em protesto (AFP PHOTO/Claudio Reyes)  
Professores tomam as ruas de Santiago em protesto

Os professores chilenos saíram às ruas nesta quarta-feira para pedir a melhora da educação pública e uma participação mais ativa na reforma educacional projetada pelo governo de Michelle Bachelet.

Em paralelo, foi convocada para esta quarta-feira uma paralisação nacional nas escolas públicas. Algumas delas – seis na capital, Santiago – estão tomadas por alunos em protesto pela má qualidade da infraestrutura e contra as propostas educacionais do governo.

Convocada pelo sindicato da categoria, o Colégio de Professores, e contando com o apoio do movimento estudantil, a marcha reuniu milhares de pessoas, em sua maioria docentes, que partiram dos arredores da Praça Itália e caminharam pela principal avenida do centro de Santiago.

Os organizadores do protesto calculam que cerca de 50 mil pessoas participaram do ato e que houve uma adesão de 80% à paralisação em todo o país. Já a polícia chilena fala em nove mil participantes.

“Sem professores não há reforma. Pela recuperação da educação pública e pela dignidade docente” diziam os cartazes carregados pelo sindicato, que também quer a melhora dos salários, mais tempo para preparar as aulas e menos alunos por turma.

“Na minha opinião (a reforma educacional do governo), é insuficiente até agora. Precisa ser uma reforma muito mais profunda e imediata”, disse à AFP a professora Ana Cristina, que trabalha na rede pública.

Os professores marcharam em meio a cantos como “Ministro, ministro, lhe peço que viva um mês com o meu salário, e eu com o seu”.

Também participaram da manifestação representantes de organizações estudantis, como a Coordenação Nacional de Estudantes Secundaristas do Chile (Cones) e a Confederação de Estudantes do Chile (Confech), além de deputados emblemáticos do Partido Comunista, como a ex-líder estudantil Camila Vallejo.

“Compartilho a demanda dos professores, que querem estar envolvidos em uma reforma, da qual foram deixados de lado”, disse à AFP Martín, de 22 anos, estudante de uma universidade privada.

Bachelet aprovou um primeiro pacote de leis para acabar com o co-pagamento das famílias, com o lucro das escolas subsidiadas pelo governo e com a seleção que segrega os alunos por origem socioeconômica.

Tanto professores como estudantes rejeitaram esses primeiros projetos, por considerá-los insuficientes, e exigem uma maior participação no projeto da reforma, que não se baseie apenas no diálogo, mas que também suas propostas nos projetos de lei.

O ministro chileno da Educação, Nicolás Eyzaguirre, vem pedindo aos profissionais do ensino e aos estudantes “paciência” e “confiança” em suas reformas.

Desde 2011, os estudantes exigem, por meio de grandes manifestações, um ensino público de qualidade no país. O Chile tem um dos sistemas educacionais mais segregados do mundo, herdado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

 

Greve perturba o tráfego ferroviário na França

Dois terços dos trens suburbanos não circulam e ficaram estacionados nas estações nesta quarta-feira (11).

Dois terços dos trens suburbanos não circulam e ficaram estacionados nas estações nesta quarta-feira (11)|REUTERS/Christian Hartmann
RFI

Os ferroviários franceses estão em greve nesta quarta-feira (11). O movimento contra o projeto de reforma do setor começou ontem (10) e perturba o tráfego ferroviário, principalmente na região parisiense.

Os ferroviários franceses cruzaram os braços desde a noite de terça-feira para protestar contra a reforma do setor, que será debatida na semana que vem pelo Parlamento. O projeto do governo prevê a fusão das duas empresas que administram a rede ferroviária francesa, visando estabilizar a dívida do setor, atualmente em € 44 bilhões (cerca de 120 milhões de reais), e preparar sua abertura total à concorrência.

Mobilização

Mais de 50% dos ferroviários estão em greve, estima o principal sindicato da categoria. Já a estatal SNCF afirma que esta manhã apenas 27,84% dos trabalhadores de toda a empresa cruzaram os braços, sem dar detalhes sobre a mobilização por categoria. Segundo os sindicatos, condutores e controladores são as duas categorias mais mobilizadas contra o projeto de reforma.

Apesar da guerra de números, o movimento perturba fortemente o tráfego ferroviário. Concretamente, isso significa que um em cada dois trens-bala circulam em direção ao norte e leste da França e apenas um em cada três em direção ao oeste e sudeste. Na região parisiense, os passageiros têm que ter muita paciência. Apenas 30% dos trens suburbanos estão circulando e super lotados. Para piorar a situação, os táxis parisienses também fazem greve nesta quarta-feira.

A paralisação ainda afeta os trens internacionais que ligam a França à Bélgica e à Espanha. Já os trens-bala para Londres e Alemanha circulam normalmente.

Os ferroviários franceses votaram hoje a continuidade da greve por mais 24 horas e ameaçam continuar o movimento por tempo indeterminado se o governo não atender as reivindicações. Eles afirmam que a proposta governamental não vai solucionar o problema do endividamento do setor e pedem uma reunificação total das duas estatais.

Trens largos demais vão custar 50 milhões de euros de reformas na França

Captura vídeo da reportagem sobre o tamanho dos novos trens que são grandes demais para algumas estações

france 2

Captura vídeo da reportagem sobre o tamanho dos novos trens que são grandes demais para algumas estaçõesA empresa nacional de transporte ferroviário da França (SNCF) encomendou novos trens regionais mais largos do que os atuais. O problema é que eles são grandes demais para algumas das estações mais antigas. Assim, 1300 plataformas terão que ser reformadas para recebê-los, a um custo de 50 milhões de euros, o equivalente a mais de 150 milhões de reais.

“Comicamente dramático” e “rocambolesco”. Quem usou essas expressões foi o secretário dos Transportes da França, Frédéric Cuvillier, ao admitir o erro, denunciado nesta quarta-feira (21), pelo jornal Le Canard Enchaîné.

Muitos dos trens em questão foram construídos em uma época onde não existia normas a respeito. Na França, a distância entre duas plataformas ou entre plataforma e trilho não seguem um padrão.

Fusão

As autoridades francesas aproveitaram a ocasião para enfatizar a importância de uma reforma em curso, prevendo a fusão das duas empresas que administram o sistema atualmente. Uma delas cuida da infraestrutura da rede ferroviária, enquanto a outra se ocupa da exploração dessa rede, o que teria provocado o erro.

Os sindicatos de trabalhadores ferroviários, no entanto, são contra a reforma, que deve ser examinada pelos deputados no mês que vem.

Burocracia prejudica reforma do campus da USP em Santos

A Tribuna|Leopoldo Figueiredo

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Mais de dois anos após o início das aulas no Campus Santos, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) ainda espera a cessão e a entrega definitiva do imóvel onde estão as salas de ensino. Oficialmente, o centenário casarão da antiga Escola Estadual Cesário Bastos, na Vila Mathias, permanece com a Secretaria de Estado da Educação, que não desocupou todos os andares. E sem o termo transferindo o local para a USP, não há como iniciar as reformas que vão adaptá-lo para atender as demandas dos estudantes.

A situação é “preocupante”, diz o diretor da Poli-USP, José Roberto Castilho Piqueira, em entrevista a A Tribuna. Ele explica que, como não consegue iniciar as obras programadas, os estudantes acabam tendo de utilizar um imóvel “em condições precaríssimas”. Sem construir os laboratórios necessários aos cursos, o educador já cogita a possibilidade de, a partir do próximo ano, uma parcela dos alunos ter de ser levada para a Cidade Universitária, na Capital, durante alguns dias da semana para ter parte das aulas.

O Campus Santos da Politécnica iniciou suas atividades em fevereiro de 2012, no antigo prédio da Cesário Bastos. Ali, teve início a primeira turma do curso de Engenharia de Petróleo da unidade, com dez alunos. Hoje, são três classes: a que está no primeiro ano, com 50 estudantes, a do segundo, com outros 50, e a pioneira, com os dez que já estão no terceiro ano.

A princípio, o imóvel seria compartilhado por dois anos com a Diretoria Regional de Ensino de Santos, que já utilizava o prédio e seria transferida. Em setembro do ano passado, o órgão finalmente anunciou sua mudança. Mas, segundo Piqueira, até agora a Diretoria ainda não retirou seu arquivo morto de um dos andares.

“Em um primeiro momento, nós ficamos com um andar (do prédio) porque, nos outros, estava a Secretaria de Educação (especificamente, a Diretoria Regional de Ensino). Ela só saiu recentemente, mas deixou um entulho infinito num andar. Nós temos um andar inteirinho ocupado por entulho da secretaria, que a gente pede para tirar e não consegue”, afirma o diretor.

A Escola Politécnica espera a entrega tanto física como burocrática do prédio, uma vez que a USP ainda aguarda o termo de cessão do imóvel. “Nós não conseguimos até hoje colocar as coisas em ordem. As pessoas disseram: ‘Agora vocês podem ficar com o prédio’. Mas não tem um papel dizendo assim. Oficialmente, o prédio não é nosso. Temos a permissão de uso, mas não temos a propriedade”, explica Piqueira.

Essa documentação é necessária, afirma o diretor, pois somente com ela é possível iniciar a reforma do casarão, construído em 1900 pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851- 1928) e tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). Segundo o educador, a demora para o início dessas obras já prejudica os alunos.

“Nós temos uma parte do teto que está caindo. Tivemos de interditar (uma parte dos sanitários, que fica embaixo da área do telhado danificada) para que nossos alunos não tenham risco”, contou.

Laboratórios

No ano passado, o projeto de restauração do prédio foi orçado em R$ 6 milhões. Ele prevê o conserto das estruturas danificadas – como no caso do telhado – e a adaptação do imóvel para receber efetivamente as aulas do curso de Engenharia de Petróleo e dos demais programas de graduação planejados pela Escola Politécnica. O problema é que essas instalações já serão necessárias no próximo ano, quando a primeira turma do campus chegar ao quarto ano do curso.

Diante da possibilidade de os laboratórios não estarem prontos em 2015, o diretor da Poli considera possível contornar o problema levando os dez alunos dessa turma para ter parte das aulas na Cidade Universitária. Mas a situação ficará mais crítica se essas salas não estiverem prontas em 2016, quando a segunda turma, com 50 estudantes, hoje no segundo ano, chegar ao quarto ano.

“Minha preocupação é que nós temos de ter ações emergenciais. E para termos essas ações, elas estão relacionadas à recuperação do prédio. Se as obras atrasarem ainda mais, passamos a ter risco. Nós até aguentamos esses dez alunos (indo para São Paulo) durante um ano, mas e os 50?”, questiona.

Piqueira defende a construção dos laboratórios como uma medida essencial para os cursos da Poli. “Hoje, a Escola Politécnica está totalmente impedida de fazer as obras e montar seus laboratórios. Um curso de Engenharia não se dá em uma esquina, não se dá em uma escolinha. Um curso de Engenharia precisa ter laboratório de Física, laboratório de Química. Imagine um curso de Engenharia de Petróleo. Se tem um curso de Engenharia de Petróleo que não tem isso, é picaretagem”.

Além de cobrar a entrega do casarão e o termo de cessão do imóvel, o diretor da Politécnica pede mais atenção – e verbas – da Secretaria de Estado do Desenvolvimento e do próprio Governo do Estado para a efetiva implantação do Campus Santos da USP.

“O gargalo, hoje, está na Secretaria de Estado da Educação e nos projetos de recuperação do prédio atual. Mas há a falta de recursos. Desses recursos, parte tem de ser da USP e parte deve ser de algum aporte especial de alguma secretaria”, afirma Piqueira, citando mais uma batalha que terá de travar para consolidar a presença da Poli-USP na Baixada Santista.

 

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