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Indígenas isolados da Amazônia são desmistificados pelo sertanista Sydney Possuelo

Com mais de quatro décadas vividas em função de indígenas, Sydney Possuelo conta sua história. Confira

Portal Amazônia

Indígenas isolados em primeiro contato com servidores da Funai, no interior do Acre. Foto: Divulgação/Funai

MANAUS – Um grupo de indígenas até então isolados fez contato com servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) há poucas semanas, no interior do Acre. A divulgação deste contato gerou críticas e preocupações sobre até onde o ‘homem branco’ deve interferir na cultura de povos tradicionais, principalmente de grupos isolados. Para esclarecer esta e outras questões a reportagem do Portal Amazônia entrevistou o sertanista Sydney Possuelo. Ele foi responsável por idealizar na Funai, ainda no século passado, um setor que existe até hoje e serve para atender populações isoladas.

Possuelo foi despedido da Funai, segundo ele, por criticar o então presidente do órgão Mércio Pereira Gomes. “Fui defenestrado. Me jogaram pela janela. A história de como eu saí da Funai foi assim. Os Villas-Bôas também saíram assim”, recordou o profissional que se intitula “um sertanista sem sertão”. Sua última expedição está registrada no livro ‘Além da Conquista‘, do jornalista Scott Wallace. Confira a entrevista completa com quem dedicou 42 anos de sua vida ao sertanismo e, depois que saiu da Funai, criou o Instituto Indigenista Brasileiro – no momento com atividades suspensas por falta de dinheiro.

No final da entrevista há dois vídeos feitos por servidores da Funai que mostram o contato com indígenas isolados no Acre.

Portal Amazônia – Porque o senhor resolveu criar a Coordenação de Índios Isolados da Funai?

Sertanista Sydney Possuelo. Foto: Reprodução/YouTube

Sydney Possuelo – Eu criei pensando nos conflitos envolvendo índios isolado; os conflitos que geram o encontro entre povos tão distintos ao se encontrarem. Situações absolutamente diferenciadas uma das outras. Isso me preocupava. Eu ficava me imaginando: será que isso é o correto? Mas qualquer análise que você faça, desde o descobrimento até hoje, as técnicas [de aproximação] são sempre as mesmas: vai entra na selva, põe uns presentinhos, o índio vai e pega, pega outra vez e outra vez até que fala e pronto: estão pacificados, mansos. E a nossa sociedade os deixa morrer como tem deixado ao longo da nossa história. E cada vez mais tem ficado pior.

Tem piorado sistematicamente a cada governo. Só tem piorado a atenção que deveríamos dar a eles. Então comecei a pensar em uma política diferenciada. Essa era a política normal. Todo mundo fazia. Mas tinham administrações locais com posições diferentes e cada um fazia o que bem entendia. E não podia ser assim; não se brinca com a vida dos outros assim. Não se destrói esses povos de forma sistemática e quase impunemente. Todo mundo levava doenças para os índios. Eles morriam e pronto. “Eu fui lá cheio de boas intenções e eles morreram” [imitou o discurso de seus pares].

Eu vinha sistematicamente falando com os presidentes da Funai que nós precisávamos nos debruçar sobre essa questão para acabar com essa desordem. Quando o Romero Jucá assumiu a presidência de Funai ele foi o único que me escutou e me ajudou a criar a coordenação. Dali para frente nossos objetivos foram demarcação da terra, proteção da terra, proteção da ecologia e não contato. Deixar e respeitar o índio na sua diversidade, na sua vida diferenciada e não forçar o índio a nada; e demarcação e vigilância dos territórios, dos povos indígenas. E essa demarcação não é só pro índio. É um limite físico de até onde pode chegar nossa sociedade, pois dali para frente mora um povo que precisa daquelas águas, da ecologia, dos animais, enfim, precisa daquelas terras para viver. Eles não estão presos. A hora que eles quiserem eles saem e fazem contato. Não tem problema. Mas a nossa sociedade, inclusive a própria Funai, tem um limite até onde pode chegar. Dali pra frente não pode mais, porque você pode causar danos e até destruir povos de culturas diferenciadas.

Qual foi a sua maior aventura como sertanista?

Ah, é muito difícil falar! Eu não saberia dizer. Foram muitas situações de conflito, aventurosas, de primeiros contatos, de situações que pensei que teria grandes problemas físicos de luta e que acabou não acontecendo. Outras que eu pensei que não ia acontecer e que aconteceram conflitos. Enfim, é muito difícil eu dizer qual a situação. Mas, por exemplo, eu me lembro de uma situação interessante lá no Vale do Javari, quando estávamos eu e um amigo meu chamado Wellington [Figueiredo], de um grupo de índios que estava se aproximando de madeireiros e havia um perigo muito grande entre os madeireiros e este grupo. Então nós fomos lá ver o que podíamos fazer.

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Acabamos ‘barruando’, encontrando, no meio da selva estes índios. Uma situação… assim… é… a gente pensou que isso poderia acontecer, o encontro com eles, porém, era muito difícil. Pensávamos ser quase impossível isso acontecer, mas acabou acontecendo. Nós estávamos preparados. Passamos uma noite com eles. Eles dormiram com os pés em cima de nós. Eu e o Wellington no chão e eles com os pés atravessados em cima do nosso peito, da barriga, das pernas porque tinham medo da gente. Para não sairmos eles puseram peso em cima de nós. Passamos ali aquela noite interminável com aqueles homens em cima da gente. Foi uma situação muito interessante.

No dia seguinte chegou um grupo da selva, o restante do grupo indígenas, e nós não sabíamos o que ia acontecer. “Será que vão nos atacar? Vão nos matar? O que vão fazer com a gente?” [perguntou a ninguém em especial, apenas para dar sentido à narração]. E eles chegaram, se aproximaram, cantando bastante etc e tudo, e com um monte de gongo [lagarta comum em palmeiras]. Trouxeram as mãos cheias de alimento para gente. Fora isso, tem várias outras situações vividas. Boas ou más.

Qual era o maior desafio da profissão de sertanista?

A atividade principal do sertanista era chefiar as expedições para realizar os primeiros contatos com grupos indígenas isolados. Historicamente, esses grupos que viviam isolados foram muito perseguidos por frentes pioneiras. Normalmente, esses indígenas são muito belicosos principalmente quando se entra no território deles. E nessas aproximações, tentativas de aproximação, foram muitos companheiros que ficaram feridos, foram mortos nessa tentativa de aproximação. Eu penso que era a coisa mais relevante que o sertanista tinha como profissão era realmente os contatos com grupos isolados, como aquele que apresentou ao mundo aquele grupo. Essa apresentação também era uma coisa muito má, muito deletéria, nefasta para os índios. Mas era a política vigente para trazer os índios para o convívio da civilização como se isso acontecesse. Mas só traziam problemas maiores e outros menores.

Através disso nós matamos; destruímos. Mas não foi só nossa sociedade, mas todas as frentes. E isso foi desde 1500 que essa atividade vinha ocorrendo no País e se tornou uma política através de [Cândido] Rondon, que era um general do Exército, positivista. Ele era devotado, pois sua mãe era indígena, ele nasceu no Mato Grosso numa aldeia indígena e estudou.

Qual cultura chamou mais a sua atenção?

Eu tive a oportunidade de fazer sete contatos com grupos indígenas diferentes. Não existe uma cultura que sobrepuje a outra. Uma tem um aspecto material mais interessante, mais diversificado. A outra tem um universo mítico fantástico. É tudo muito relativo. E a importância desses povos não é numérica, se eles são muitos ou se são poucos, a importância deles em si mesmos é por serem humanos, segundo por serem donos de uma cultura absolutamente diferenciada da nossa, com línguas desconhecidas, universos míticos vastíssimos. Todas são importantes.

Existem diferenças físicas, linguísticas, materiais, mas todas elas têm o mesmo valor. Elas são cheias de um conhecimento que nós até hoje não sabemos aproveitar e desprezamos, deixando de aprender coisas interessantes e boas para a nossa existência.

Servidores da Funai contatam indígenas isolados no Acre e gravam dois vídeos para relatar aproximação cultural

Parque Zoobotânico do Acre digitaliza amostras de plantas da Amazônia

Projeto ‘Reflora’ disponibilizará informações de plantas nativas da região amazônica na Internet

Portal Amazônia

RIO BRANCO – O acesso de estudantes e pesquisadores que buscam conhecer a flora brasileira é bastante limitado, pois exige tempo e dedicação. Para tornar o conhecimento mais fácil e efetivo, surgiu em 2013 o projeto ‘Reflora’, no Acre. O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ), da Universidade Federal do Acre (Ufac), é um dos integrantes do projeto. Mais de 20 mil espécies de plantas do PZ estão catalogadas e oito mil ainda estão em processo de ‘montagem’ para o herbário virtual.

Plantas nativas serão digitalizadas para acervo online. Foto: Fany Dimytria/Portal Amazônia

A meta do programa Reflora é a digitalização de pelo menos 1,1 milhão de plantas brasileiras. Universidades Federais de Roraima, Mato Grosso e Acre, além do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) são algumas instituições que serão beneficiadas com o projeto. A iniciativa é realizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e tem como financiadoras instituições de fomento à pesquisa do Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Paraná. O Reflora ainda tem o apoio de empresas privadas, como a Natura Cosméticos e Vale S.A. O investimento total, que tem duração de quatro anos, chega a R$ 21 milhões.

Processo de armazenamento e catalogação dura até 24 horas. Foto: Fany Dimytria/Portal Amazônia

Herbário 

De acordo com a coordenadora do Herbário do Parque Zoobotânico, Izailene Saar, o projeto Reflora vai estimular o conhecimento de curiosos e facilitará as pesquisas de acadêmicos. “Ele servirá como biblioteca online, com pesquisa, muito mais fácil do que procurar por catálogos, que é realmente bem trabalhoso”, explica. Saar ainda enfatiza que o projeto tem o objetivo de que as espécies catalogadas terão maior conservação e estudos mais aprofundados.

O Herbário do PZ é aberto ao público que deseja descobrir quais são as espécies tóxicas, comestíveis e medicinais, além de outras grandes abrangências no uso benefícios que as plantas típicas da região amazônica possuem.

Coordenadora do Herbário acredita que iniciativa irá facilitar as pesquisas. Foto: Fany Dimytria/Portal Amazônia

Parque Zoobotânico

O Parque Zoobotânico da Ufac é considerado a maior área verde dentro da cidade de Rio Branco. O espaço possui 167 hectares de floresta e a área é destinada, exclusivamente, à pesquisas, extensão e estudos. De acordo com a diretora do PZ, Cristina Boaventura, quase todos os tipos de animais que existem na Amazônia podem ser encontrados no Parque e, inclusive já foram objetos de pesquisas. “São anfíbios, roedores, répteis, aves e até mesmo primatas. Temos uma grande diversidade aqui. Consideramos uma área de refúgio para esse animais. Um corredor ecológico”, enfatiza.

Diretora do Parque Zoobotânico da Ufac diz que área é corredor ecológico da fauna e da flora amazônicas. Foto: Fany Dimytria/Portal Amazônia

Criado em 1980, o PZ tem mais de 30 anos de atuação. Inicialmente, o espaço era um seringal e tornou-se área de pastagem. Com a produção de mudas e a execução do projeto “Arboreto” – em que 138 espécies de sementes diferentes foram plantadas para estudo e análise – o Parque Zoobotânico tornou-se o espaço ideal para atestar que pode existir harmonia entre ciência e meio ambiente.

 

Porto Velho ainda está em reconstrução depois da enchente histórica do rio Madeira

Acre, Rondônia e Amazonas sofreram com subida do nível do rio, que atingiu quase 20 metros

Portal Amazônia

PORTO VELHO – O nível da água do rio Madeira atingiu cota máxima de 19,74 metros (pico em 30 de março) neste ano e deixou um rastro de prejuízo no Acre, Rondônia e Amazonas. Em Porto Velho, as ruas antes ocupadas pelos veículos foram tomadas por embarcações, que se tornaram os veículos de transporte dos habitantes. Passados quatro meses do clímax da enchente, a cidade ainda luta para reconstruir-se.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Confira o relato da repórter do Portal Amazônia, Vanessa Moura, sobre a enchente, os estragos e a luta de um Estado para reconstruir-se.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Para eu que acompanhei e noticiei a grande cheia do rio Madeira, pelo Portal Amazônia, foi impactante ver com o baixar das águas os estragos deixados por onde elas chegaram. Os prejuízos foram contabilizados em mais de R$ 4 bilhões, mas nas entrevistas que fiz com as pessoas atingidos pela enchente ficou claro que os danos iriam além do que pode ser calculado.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

Foram esforços de uma vida inteira cobertos por água e lama. As vozes embargadas e os rostos sofridos fizeram com que eu entendesse melhor a proporção dos estragos da grande cheia. No discurso dos desabrigados, uma unanimidade persistiu, o relato de que perderam praticamente tudo porque não acreditavam que as águas alcançariam a dimensão que tiveram na cidade.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

  Confira como está o local atualmente:

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Na última grande enchente registrada no rio Madeira, a de 1997, o nível do rio chegou 17,52 metros, dois metros a menos que neste ano de 2014. A enchente não poupou nem um dos mais relevantes patrimônios históricos da cidade, a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, que marca o início da cidade que em 2014 completa 100 anos de criação.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Reconstrução

Já se passaram quatro meses desde que as águas começaram a recuar e ainda há muito trabalho a ser feito. Durante todo o período que as águas avançavam sobre a cidade, a Defesa Civil de Rondônia e também a de Porto Velho já alertavam que ainda viria à fase ainda mais trabalhosa – a da reconstrução.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

A cheia histórica atingiu prédios públicos como o da Delegacia da Receita Federal, o Tribunal Regional Eleitoral, o Shopping Popular e o Mercado do Peixe, construções de décadas. Também prejudicou os trabalhos nos portos e arrasou a agricultura no alto, médio e baixo rio Madeira.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

No complexo ferroviário também afetado, os esforços são para deixar tudo pronto para que o cenário seja palco das comemorações do centenário da cidade, em outubro. As águas invadiram os galpões, obrigaram a transferência das peças dos museus, nem todas puderam ser salvas e sofreram todos os danos da atuação da água sobre elas durante meses. 

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Confira como está o local atualmente:

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Nós últimos meses, mutirões são realizados para dar celeridade ao trabalho de limpeza no complexo ferroviário que chegou a acumular mais de dois metros de lama. O trabalho no local é realizado pela Secretaria Municipal de Serviços Básicos com apoio do Exército.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

A enchente também afetou os mais antigos bairros da cidade. Os que nasceram a partir da construção da Estrada de Ferro. Mas não foi só a parte urbana que sofreu com cheia, a população dos distritos na margem esquerda do rio Madeira também foram afetados. Em algumas localidades as águas encobriram toda a comunidade. No auge da cheia, mais de 1,6 mil famílias ficaram desabrigadas e 5,1 mil propriedades rurais foram inundadas.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Parte dos moradores, com um mês, após as águas começaram a recuar, não esperaram a intervenção do Poder Público e por conta própria fizeram limpeza e reforma das residências para voltar às propriedades. Outros ainda aguardam em um abrigo único montado pela Defesa Civil de Rondônia no Parque dos Tanques, localizado no bairro Nacional, a definição de seus destinos.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Cerca de 90 famílias ainda vivem no local, outros já deixaram o local e sobrevivem de auxílio-aluguel. Um levantamento sobre as moradias que estão aptas para serem reocupadas após a enchente é feito pela Defesa Civil de Porto Velho e está previsto para ficar pronto no próximo dia 15.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

A Prefeitura busca resolver o problema da falta de moradias através de programas de habitações populares. A medida faz parte do Plano Integrado de Recuperação e Prevenção de Desastres no Pós-Enchente, coordenado pela Secretaria de Estado de Assuntos Estratégicos.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Depois disso tudo o que fica para uma pessoa como eu, que nasci e fui criada nesta cidade, é a expectativa de que os estragos e lições deixados pela grande cheia se reflitam na construção de uma cidade mais sustentável e com estrutura. Pelo menos é isso o que prevê o plano pós-enchente. São mais de 50 projetos divididos nos eixos de infraestrutura, saúde, inclusão social e meio ambiente.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Entre as ações prioritárias estão a elaboração do modelo digital de terreno em todas as áreas dos municípios afetados e requalificação de Áreas de Preservação Permanente  urbanas, remodelação de áreas portuárias, drenagem urbana e desocupação da área pública, inclusive de prédios público de áreas afetadas pela enchente. É a chance de remodelar Porto Velho.

Enchente dos rios amazônicos eleva preço de alimentos em feiras de Manaus

Apesar da descida do nível dos rios estar em andamento os preços continuam nas alturas

 

Feira da Banana, no Centro de Manaus. Foto: Reprodução/Shutterstock

MANAUS – A economia local sofre variações, mais negativas do que positivas, durante período de enchente dos rios amazônicos. A mais visível variação é a escassez de produtos e elevação de preços. O valor final de gêneros alimentícios em Manaus sobem na mesma velocidade que o nível dos rios: da noite para o dia. Apesar da vazante (descida do nível dos rios) estar em andamento, os preços continuam nas alturas.

De acordo com o Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon/AM), a capital amazonense não é autossuficiente em produtos agrícolas. A cidade importa a maioria do que consome e o pouco que produz sequer supre o mercado local. “A maior parte dos produtos consumidos em Manaus são trazidos de fora. O pouco que é cultivado nas beiradas dos rios, com a cheia, essa produção também se torna inócua, ocasionando o aumento nos preços dos produtos”, analisou o presidente do Corecon/AM, Marcus Evangelista

A parte positiva da enchente está na atividade fluvial, onde o transporte registra um aumento acentuado na demanda. É a hora em que o proprietário de pequenas embarcações aproveita para aumentar a renda. “Os proprietários de pequenas embarcações aproveitam para fazer também um dinheirinho. A cheia, da mesma forma que tem o lado negativo, ela tem essa parte positiva que favorece a movimentação de dinheiro nos beiradões”, avaliou.

O diretor do Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus, Deuticilan Franco Barreto, disse que a enchente traz uma certa qualidade para a navegação e atracação nos portos de Manaus, entretanto prejudica o transporte e distribuição dos produtos no entorno dos grandes mercados. “Os barcos têm essa facilidade para atracar, sem transtorno. Em qualquer canto eles atracam com facilidade. Já na questão da saída dos produtos, o fluxo de veículos fica prejudicado, com algumas ruas interditadas, causando um grande congestionamento no entorno da Manaus Moderna e da Feira da Banana”, apontou.

Barreto explicou que o preço da banana subiu devido a enchente que no Acre, que abastece metade do consumo da fruta em Manaus. “Não há produção local. No Acre, a cheia foi muito grande afetando as estradas, as BRs, e hoje está com uma dificuldade muito grande de chegar a banana do Acre aqui, em Manaus. Por isso que está muito caro o preço da banana”, justificou o diretor do Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus.

Dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) apontam que as culturas mais afetadas pela enchente foram banana, com perda de 84,7 mil toneladas; macaxeira, 39,2 mil toneladas; mandioca, 11,8 mil toneladas; maracujá, 1,5 mil toneladas; e milho, 1,1 mil toneladas. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) não respondeu às questões apresentadas até o fechamento da matéria.

Foto: Reprodução/Shutterstock

Emergência

De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, Manaus permanece em estado de emergência, decretado em 26 de maio e segue até 25 de agosto. São 90 dias para que a verba emergencial oriunda do Governo Federal seja liberada, porém até o momento ainda não chegou no Amazonas.

No interior do Estado, 39 municípios foram afetados pela subida das águas nas bacias dos rios Madeira, Juruá, Jutaí, Purus e Amazonas. As cidades no Sul da Amazônia tiveram maiores problemas com a enchente entre março e abril. Os estados de Rondônia e Acre decretaram calamidade pública, bem como Humaitá, no Sul do Amazonas.

*Com reportagem de Tanair Maria, do Jornal do Commercio

 

Incêndio atinge fábrica de compensados, em Rio Branco

Cerca de 40 bombeiros participaram da operação. Fábrica está localizada no Parque Industrial da cidade

Portal Amazônia

RIO BRANCO – A Fábrica de compensados ‘Ouro Verde’, localizada no Parque Industrial, foi incendiada nesta quarta-feira (16). De acordo com o Major do Corpo de Bombeiros, Eudemir Bezerra, “o incêndio foi controlado rapidamente e não houveram vítimas”. A fábrica exporta matérias para empresas da Europa.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis do Acre, Edvaldo Magalhães, esteve no local, informou ao Amazon Sat que o acidente ocorreu por conta de uma faísca que entrou em contato com um material inflamável. “As chamas se alastraram por conta de uma fagulha no pó de serra, que é muito inflamável. O acidente causou um grande susto, mas os bombeiros conseguiram controlar”, explica Magalhães.

Incêndio atinge fábrica de compensados em Rio Branco. Foto: Anne Nascimento

 

Fábrica de Ração para Peixes é inaugurada no Acre

Diferencial da indústria é a produção de ração para peixes carnívoros, como o pirarucu e pintado

Portal Amazônia

Foto: Gleilson Miranda/Secom

RIO BRANCO – A Fábrica de Ração para Peixes, inaugurada no domingo (29), tem o objetivo de exportar para os estados brasileiros a produção do Acre. A cerimônia de inauguração teve a presença do governador Tião Viana e do ministro das Cidades, Gilberto Occhi.

O piscicultor e presidente da Central de Cooperativas de Piscicultores do Vale do Juruá, Sansão Nogueira, explica que a fábrica onera despesas para o piscicultor. “Agora a gente vai ter como adquiri-la com custo menor do que trazendo de fora”, disse.

O ministro Occhi ressaltou a iniciativa do Complexo de Piscicultura. “Uma indústria como essa vai atender não só ao mercado local, mas também gerar aqui uma economia melhor e, principalmente, melhorar as divisas do nosso Brasil, exportando para os países vizinhos e quem sabe, para a Europa. Está de parabéns o povo do Acre”, declarou.

Para o produtor Francisco Alves, de Sena Madureira, o projeto do Complexo representa muita vantagem.  “Estamos entrando no ramo da piscicultura, estamos recebendo os tanques. Agora já tem a fábrica de ração aqui perto da gente e daqui a pouco tem o frigorifico pra comprar da gente, nós já teremos pra quem entregar”, explica Francisco.

Tião Viana afirmou que a fábrica faz com que o Acre ingresse definitivamente na era industrial com tecnologia avançada. “Essa é a fábrica mais moderna que existe na América do Sul, outra comparada a ela só no Chile. A tecnologia veio da Dinamarca. O Edvaldo Magalhães e sua equipe ajudaram muito e o apoio da presidente Dilma foi decisivo para que pudéssemos ter um investimento ajudará milhares de produtores”, afirmou.

Atividade diferenciada

O secretário Edvaldo Magalhães, que responde pela Sedens, pasta responsável pelo empreendimento, frisou que foi dado o passo decisivo para a piscicultura moderna e competitiva: “Tudo que o produtor quer é poder contar com um alevino de qualidade, que nós já temos em nosso laboratório e uma ração que possa converter melhor na engorda do seu peixe”.

Magalhães explica ainda que o diferencial dessa indústria para as demais do País está nas rações. A fábrica do Acre produzirá ração para peixes carnívoros, comuns em criadouros desta região, como o pirarucu e pintado.

 

No Acre, artista tem lendas amazônicas no quintal de casa

 

 

 

RIO BRANCO – Na Vila Custódio Freire, um longínquo bairro rumo ao aeroporto da capital acriana, fantasia e realidade confundem viajantes e estrangeiros e até mesmo os próprios moradores que passam pelo local. O motivo? A estranheza da Matinta Perera, o sapeca Curupira, a beleza da sereia Iara e a magnitude do Mapinguari que enfeitam o incomum e belo acervo de esculturas amazônicas no quintal do artesão Enock Tavares.

 

Cobra Grande, mede 12 metros, e é uma das atrações mais celebradas no espaço. Foto: Fany Dimytria/Portal Amazônia

Aos 64 anos de idade e um sorriso de menino ao falar de suas esculturas, o artesão garante que a vontade de perpetuar a rica cultura da região amazônica é o principal objeto das suas criações mitológicas. Formado em Artes pela Universidade Federal de Belém (UFPA), o artista plástico reside há 2 anos no Acre e conta que deu início ao projeto que ele considera o maior orgulho de sua vida. “Acredito que temos que primeiro gostar do que fazemos e depois abusar da criatividade, deixar fluir”, conta Enock.

Escola de artesanato 

Além de sua paixão pela construção das obras únicas – entre caiporas, cobras grandes, rasgas mortalhas, etc –  Enock não guarda o talento só para si. Ele só trabalha dois dias por semana – porque tem que cuidar de um de seus três filhos, de 3 anos – mas faz questão de ensinar para quem se dispõe a aprender. Em um simples estúdio de artesanato, improvisado em um galpão, o artesão mostrou à reportagem do Portal Amazônia o material que divide com os alunos da comunidade que se interessam pela arte.

O artesão Enock Tavares pousa ao lado da onça pintada, escultura também de sua autoria. Foto: Fany Dimytria/ Portal Amazônia

Pó de cerra, semente de frutas, madeira, papel machê, cimento e ferro. Esses são os protagonistas no processo de construção do vasto acervo que mais parece um museu a céu aberto no quintal do autônomo. Enock também recebe encomendas e tem a ajuda de seus alunos que, assim como ele, tem o interesse pela criação. “Eu dou aulas de artesanato na oficina e dou também o material, com meu próprio dinheiro. Os alunos me auxiliam nas encomendas, dividimos o lucro, porque o trabalho também é deles. São quase 10 alunos que trabalham aqui comigo”, explica.

Ítalo Ruan, tem 13 anos e é estudante do 8º ano do Ensino Fundamental e também vizinho do Seu Enock. Tímido, o garoto manuseia papel machê que aos poucos ganha a forma de um sapo. “Eu gosto mais de trabalhar com cimento. Minha família gosta quando passo um tempo aqui, meus amigos acham legal e aqui é um passatempo bom”, conta o estudante.

Aluno há dois anos de Enock, Roni Alves cursa o último ano do Ensino Médio. Estimulado pela irmã, professora de artes, Roni é o principal ajudante de Enock na produção das encomendas recebidos.  Ele divide metade do lucro da venda de peças com seu maior incentivador. O jovem diz que teve sua curiosidade despertada quando falaram que havia um jacaré na frente da casa de um vizinho. Logo ali, era seu Enock. “Quando vi achei interessante e comecei a frequentar aqui e não sai mais. O que eu mais gosto é de fazer esculturas de animais, quero aprender a pintar também”. E Enock reconhece: “Esse parece eu, quer fazer tudo”, orgulha-se o escultor.

 

 Escultura do Mapinguari, o gigante da floresta amazônica, mede 5 metros e levou apenas uma semana para ser concluída. Foto: Fany Dimytria/Portal Amazônia

Jardim Mágico

À noite, pequenos holofotes iluminam a floresta de Seu Enock. Não existem cercas ou alarmes para restringir o contato com as obras. Os viajantes que não detêm os olhares apenas à estrada chegam durante a madrugada e acordam toda a família para elogiar o belíssimo trabalho do artesão. “Eles acordam a gente porque acham que tem que pagar para entrar, tirar foto. Tem uma cestinha no meio do quintal, alguns estrangeiros acharam um absurdo eu não cobrar. Por isso eu fiz uma. A cestinha está lá, mas não é obrigatório depositar algo nela”, esclarece.

A ideia é que o espaço seja aberto para que todos visitem, tirem foto e tenham um contato com as esculturas, sem restrições, mas com respeito devido ao trabalho. “Afinal, tempo, esforço e amor foram empregados por nós que, com simplicidade e carinho, explicamos as lendas amazônicas, mesmo que todos já a saibam de cor”, finalizou o Enock.

 

Projetos ambientais na Amazônia são usadas pela Fifa para neutralizar carbono da Copa

Projetos evitam desmatamento da Floresta Amazônica e fornecem energia limpa a uma cidade inteira

Portal Amazônia

Projeto Purus é executado no Acre. Foto: Reprodução/Fifa

MANAUS – Acre, Tocantins e Amazonas são os estados da Amazônia que abrigam três projetos ambientais que vão receber apoio da Federação Internacional de Futebol (Fifa, na sigla em inglês). Os projetos integram o portfólio de iniciativas de baixo carbono no Brasil, que foram selecionados pela entidade para neutralizar a emissão de carbono durante a operacionalização da Copa do Mundo de Futebol.

A execução da Copa que terá o carbono neutralizado inclui viagens e acomodações de todos os funcionários, oficiais, equipes, voluntários e convidados, assim como emissões resultantes dos locais de eventos, estádios, escritórios e reprodução televisiva.

Compradores de ingressos de todo o mundo foram convidados a compensar gratuitamente as emissões resultantes de sua viagem ao torneio, independentemente do lugar de onde estejam partindo, e a entrar em um sorteio para ganhar dois ingressos para a final da Copa, incluindo viagem e acomodação. Mais de 17 mil portadores de ingressos cadastraram-se em pouco mais de cinco dias, registrando 40.880 viagens de ida e volta para a Copa do Mundo de Futebol. Como resultado, a Fifa deve compensar 80 mil toneladas adicionais de CO2 (dióxido de carbono) e convidar o vencedor do concurso e um companheiro de sua escolha para a final da Copa, em 13 de julho.

Os projetos de baixo carbono foram selecionados juntamente com o programa de gestão de carbono sem fins lucrativos BP Target Neutral. Todos os projetos passaram por um rigoroso processo de licitação e cumprem os padrões definidos pela International Carbon Reduction and Offsetting Alliance (Icroa), e a seleção final foi realizada por um painel independente de ONGs ambientais. Além de impactos ambientais positivos, os projetos também oferecem benefícios sociais e econômicos para muitas comunidades brasileiras locais, como é o caso da iniciativa executada no Acre, o projeto Purus, cujo trabalho é para evitar desmatamento de 35 mil hectares de floresta nativa.

Trabalhando com comunidades que vivem às margens do rio Purus, o projeto concede os mesmas direitos legais sobre a terra que ocupam, em troca da cooperação para evitar desmatamentos futuros. O projeto também oferece cursos de agricultura sustentável para apoiar geração de renda e aumentar o nível de conscientização sobre o desmatamento. Dois por cento das receitas ligadas a carbono provenientes do projeto serão doados para o Instituto Chico Mendes, para promover a conscientização sobre a preservação da Amazônia.

Outra iniciativa que foi escolhida é o projeto Cerâmica, composto por quatro projetos individuais no Rio de Janeiro, Tocantins, Alagoas e Pernambuco. O objetivo principal desses projetos é reduzir a pressão sobre
as florestas nativas, substituindo a madeira nativa, utilizada como fonte de energia nos fornos das fábricas de cerâmica, por uma mistura de resíduos de madeira proveniente de plantações renováveis estabelecidas para tais fins. O projeto contribui, ainda, com diversas causas sociais locais, incluindo programas de saúde para crianças com câncer, um centro de reabilitação para usuários de drogas e um time de futebol feminino, que representou o estado de Tocantins em um campeonato nacional.

No interior do Amazonas, a cidade de Itacoatiara fornece energia limpa aos aproximadamente 80 mil habitantes. Graças ao projeto, a população local tem acesso a uma energia de baixo custo e com fornecimento mais estável (menos falhas e perdas de transporte). A usina produz até 56 mil MWh de eletricidade por ano, evitando o consumo de 5 milhıes de litros de diesel. As 100 mil toneladas de resíduos de madeira e serragem necessárias para a produção de eletricidade são obtidas de uma serraria que opera em conformidade com as diretrizes FSC.

Obras do linhão de energia no Acre começam em agosto

Obra terá 36 meses de execução e beneficiará as cidades de Feijó, Tarauacá, Cruzeiro do Sul (AC) e Guajará (AM)

       

Obras do Linhão de Energia no Acre começa em agosto

RIO BRANCO –  As obras do linhão de energia que irá até Cruzeiro do Sul começam no dia 1 de agosto. A garantia é das Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A (Eletronorte). A linha parte de Rio Branco, numa extensão de 660 quilômetros, e incluirá novas subestações em Feijó e Cruzeiro do Sul.

A obra terá 36 meses de execução e está programada para ser entregue no segundo semestre de 2016, beneficiando as cidades de Feijó, Tarauacá, Cruzeiro do Sul e Guajará (Amazonas). O investimento total da obra será de R$ 370 milhões e, vai gerar 1,2 mil postos de trabalho, preenchidos preferencialmente por mão de obra local.

Segundo o diretor de Engenharia e Planejamento da Eletronorte, Ademar Palocci, o linhão irá transferir 230 kW de potência e aposentará as usinas termelétricas da região, que geram energia por meio da combustão de diesel. “O Acre está passando por um processo de se integrar cada vez mais ao Sistema Interligado Nacional [SIN]. Hoje, a capital é abastecida por duas linhas de transmissão, e aqueles problemas de fornecimento foram todos superados. Agora estamos levando energia limpa e mais confiável para o oeste do Estado”, ressalta Palocci. 

O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) é hoje o responsável pelo licenciamento ambiental da obra. O secretário de Meio Ambiente, Carlos Edegard de Deus, explica que a obra vai levar energia limpa e mais barata ao Estado. “Do ponto de vista ambiental, todos os estudos estão sendo feitos de forma correta. Já temos a rodovia BR-364 ligando o Acre de ponta a ponta, e agora estamos desenvolvendo ainda mais o estado, levando energia”, explica. 

Conquista 

Após um primeiro leilão com licitação deserta, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou em novembro do ano passado o sucesso do segundo leilão para contratação de empresa especializada para a construção de linhas de transmissão de energia elétrica em 12 Estados brasileiros. O lote N, um dos 17 ofertados, foi arrematado pela Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A (Eletronorte), que tem a responsabilidade da construção da nova linha e de duas subestações no Acre.

 

Implantação de 1,4 mil vagas de estacionamento rotativo vai melhorar tráfego e beneficiar comércio

Implantação de 1,4 mil vagas de estacionamento rotativo vai melhorar tráfego e beneficiar comércio

RIO BRANCO – O sistema de estacionamento rotativo chamado ‘Zona Azul’ é a promessa para desafogar o trânsito e trazer mais praticidade na vida dos comerciantes e da população rio branquense. De acordo com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBtrans), os parquímetros começam a funcionar em agosto. O projeto prevê a implantação de 1,4 mil vagas em toda a área central da cidade, os bairros Bosque, Estação Experimental e arredores.

“A vantagem é exatamente a rotatividade de veículos nessas áreas movimentadas”, diz o superintendente da RBtrans, Ricardo Torres. Ele explica que as demarcações irão garantir maior praticidade tanto para a população quanto para os comerciantes. “Uma média de 85% dos veículos ficam parados o dia inteiro e isso inviabiliza boa parte do comércio e das pessoas que buscam essas áreas comerciais pra uma compra mais rápida. Mas com as zonas azuis, isso irá mudar”, ressalta Torres.

Durante dois meses condutores receberão ação educativa sobre as Zonas Azuis. Foto: Henrique Perinotto/Secom SP

Com o sistema, as 1,4 mil vagas triplicam – já que cada veículo só poderá ficar no máximo duas horas estacionado. Durante os meses de junho e julho serão realizadas campanhas para instruir os condutores sobre as zonas e os pagamentos nos parquímetros.
Para os que trabalham nas regiões, a alternativa mais viável de não sentir no bolso é escolher os estacionamentos privativos e negociar com os mensalistas.

Flanelinhas

Questionado sobre o futuro dos flanelinhas, o superintendente da RBtrans afirmou que negociações junto à uma associação – que cuida dos interesses dos trabalhadores – são realizadas para discutir a situação assim que as Zonas Azuis forem instaladas. “Cada um deles cuida de trechos na região. Então, a proposta é que a gente reinsira esses flanelinhas dentro do mercado de trabalho formal”, conta.

Divergências

Para a paulista Daisy Sanches, residente do Acre há quase dois anos, a Zona Azul é um mau negócio. “Compensaria mais ir trabalhar de ônibus se os coletivos fossem bons. Economizaria tempo, gasolina e paciência. Em cidades que os coletivos funcionam não existe muito trânsito”, propõe. Já o auxiliar administrativo Carlos Fernandes acredita que a iniciativa é a solução. “Eu aprovo esse projeto. Não sabia que ia vir para o Acre, mas vai melhorar muito o tráfego nas horas de pico”, conta.

Pagamento

O pagamento pela utilização dos locais demarcados como Zona pode ser realizado nos parquímetros, que ficarão a 50 metros das vagas. O usuário digita os números da placa do carro no painel e debita o valor do tempo que usará. O sistema aceita cartões de crédito e débito. É importante que o motorista tenha o controle da hora, já que o tempo máximo de permanência de um mesmo veículo no estacionamento é de duas horas. Ao ultrapassar o limite de tempo, o motorista poderá ser penalizado conforme o previsto o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).