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Cheia do rio Negro em 2014 é a que mais demorou para iniciar vazante

Boletim do CPRM prevê que a cota do rio Negro em Manaus deve permanecer acima dos 29 metros em agosto

Portal Amazônia

Cota do rio Negro pode permanecer acima dos 29 metros em agosto. Foto: Raylton Alves/ANA

MANAUS – Com cota acima dos 29 metros há 50 dias, o rio Negro iniciou a vazante em ritmo lento. De acordo com o 24º Boletim de acompanhamento de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgado nesta sexta-feira (11), a enchente de 2014 na capital do Amazonas “é a que mais atrasou seu pico e uma das mais impactantes cheias da história no que se refere a tempo de permanência acima dos 29 metros”.

O boletim informa ainda que cotas acima de 29 metros no mês de agosto nunca haviam acontecido. Entretanto, “há um prognóstico” para que a cota permaneça acima de desta medida nas primeiras semanas do próximo mês. A cheia com maior duração acima da cota 29 metros foi a de 2009, com 79 dias entre 13 de maio e 31 de julho. A cota do rio Negro em Manaus nesta sexta-feira (11) se manteve em 29,49m, a mesma desde a quarta-feira (9). A cidade está sob decreto de emergência desde o dia 26 de maio.

Em 2012 e 2013, no dia 11 de julho, a cota marcava a mesma medida: 28,84 metros. Das cotas registradas em Manaus, 74,77% tiveram o valor máximo anual no mês de junho, 18,92% em julho e 6,31% em maio. Em Barcelos, o nível do Rio Negro está a três centímetros de atingir cota de emergência (9,57 metros).

Chuvas em julho

De acordo com o meteoreologista Lucas Mendes, do  Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), até esta sexta-feira (11) foi registrado em torno de 30 milímetros de chuva para este mês. “O estimado para julho é que esteja entre a faixa normal, considerada entre 32 a 92 milímetros de chuva”, informou.

Segundo a assessoria de imprensa da Defesa Civil de Manaus, os bairros e comunidades atingidos pela enchente tem recebido kits de ajuda humanitária – colchões, cestas básicas, garrafões de água, lençóis e redes – e aluguel social. Ainda de acordo com o órgão as “chuvas de verão”, comuns no mês de julho, não trouxeram grandes ocorrências. A entrega de benefícios é realizada desde o último dia 5. Já foram atendidas 560 famílias no bairro São Jorge, mais de 300 famílias no bairro da Raiz e aproximadamente 800 famílias no bairro do Educandos.

Enchente no Amazonas

As bacias dos rios Javari, Purus e Madeira estão em período de vazante com níveis dentro da média para a época. O rio Solimões, monitorado nas estações de Manacapuru e Itapeuá (próximo a Coari) começou a baixar lentamente e também entrou no período de vazante. Já a bacia do rio Amazonas, apesar da vazante, ainda apresenta níveis acima da cota de emergência.

No boletim de alerta da Defesa Civil do Amazonasdivulgado no dia 1° de julho, registrou-se que, no interior do Estado, 39 municípios foram afetados pela subida das águas: 37 em situação de emergência e dois em estado de calamidade. O número de pessoas atingidas no Estado subiu para 317.154, um total de 63.212 famílias.

*Com reportagem de Clarissa Bacellar

 

Copa do Mundo: ribeirinhos do Amazonas relatam dificuldades e amor para assistir jogos

Comunidades às margens do rio Negro torcem pelo Brasil, mas ribeirinhos idolatram estrangeiros

Portal Amazônia

MANAUS – Manaus recebeu quatro jogos durante a Copa do Mundo de Futebol. Entretanto, na região do Baixo Rio Negro, o futebol é parte integrante da vida dos ribeirinhos e a confiança no hexacampeonato mundial do Brasil é grande. Percebe-se ainda que o fenômeno da ‘globalização do futebol’ também invadiu as comunidades. Neste sábado (28), o Brasil entra em campo contra o Chile e os torcedores da comunidade estarão reunidos. Conheça a vida desses ribeirinhos:

Futebol mobiliza centenas de pessoas nas comunidades ribeirinhas, principalmente nos campeonatos locais. Foto: Acervo/FAS

Globalização do futebol

Na comunidade Tumbira, localizada à margem direita do Rio Negro, um jovem caminha com a camisa 7 da seleção de Portugal – número do craque Cristiano Ronaldo. Este é apenas um dos indícios de que o fenômeno da ‘globalização do futebol’ também atingiu as comunidades ribeirinhas do Amazonas. Ao serem perguntados sobre seus ídolos do futebol, a maioria dos jovens cita jogadores de outros países, especialmente o argentino Messi e o próprio Cristiano Ronaldo. Nem mesmo o badalado Neymar supera os dois craques estrangeiros em popularidade na região.

O menino que vestia a camisa de ‘CR7′ é Giovanni Garrido, de 16 anos. Apesar da idolatria pelo craque português, o jovem garante que sua torcida estará com a seleção brasileira. “Aqui a maioria das pessoas assistem juntas, eu gosto de chamar a galera pra assistir os jogos aqui em casa. Lembro muito de 2002 quando o Brasil foi campeão, na época do Ronaldo”, recordou.

Português Cristiano Ronaldo é ídolo entre os jovens ribeirinhos. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Sem nunca ter ido a um estádio de futebol na vida, Giovanni define como um ‘sonho’ a possibilidade de assistir a um jogo na Arena da Amazônia. “Ainda não assisti nenhum jogo no estádio, mas tenho vontade. Conheço a Arena por fotos. Seria uma emoção muito grande ir lá. Principalmente pra quem está acostumado só em assistir pela TV, então seria muito emocionante”.

Paixão pelo futebol

Vitor Garrido, também de 16 anos, concilia a paixão pelo futebol com o seu trabalho de marceneiro. Fanático pelo esporte bretão, o ribeirinho disputa torneios de futebol organizados pelas próprias comunidades e que são muito populares no Baixo Rio Negro. O jovem relembra a última Copa do Mundo, na qual o Brasil foi eliminado para a Holanda nas quartas de final. “A Copa de 2010 foi muito triste, mas eu tenho certeza que dessa vez o Brasil vai ganhar”.

Vitor Garrido trabalha como marceneiro e nutre paixão pelo futebol. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Vitor também afirma que a comunidade se mobiliza para acompanhar a seleção brasileira. “Quando o Brasil ganha, é festa que não tem hora pra acabar. O pessoal solta foguetes, é uma grande festa”, contou.

Ainda na comunidade Tumbira, Roberto Mendonça é dono do principal ‘ponto de encontro’ dos torcedores da região em jogos de futebol, a Pousada Garrido. “Como futebol é uma paixão do brasileiro, todo mundo aqui se concentra numa sala grande, escolhe a maior televisão que tem na comunidade e a gente acompanha”. Perguntado se a maior televisão da comunidade seria a sua, Roberto não titubeou. “Com certeza. Colocolo em frente a pousada para a galera vibrar”, brincou.

Passado e presente

Na comunidade Santa Helena do Inglês, também à margem direita do rio Negro, Pedro Vidal faz parte do passado e do presente da torcida pela seleção brasileira. Ao mesmo tempo em que varre um pátio aparentemente abandonado sem tirar o sorriso do rosto, o ribeirinho exibe com orgulho a camisa do Brasil que veste. “A gente está no País da Copa e por isso eu vesti essa camisa, porque eu amo”.

Pedro Vidal exibe camisa da seleção brasileira. Seu time do coração é o Santa Helena, clube da comunidade. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Um dos fundadores de sua comunidade e apaixonado por futebol desde os 13 anos, Pedro acompanhava os jogos da seleção na infância pelo ‘radinho’ de pilha. “Só em 82 que a gente conseguiu comprar uma TV preta e branca”, relembrou. O que era um privilégio de poucos àquela época, hoje é uma realidade. Toda a comunidade atualmente é abastecida pelo programa ‘Luz para Todos’, do Governo Federal, que leva energia elétrica para a população do meio rural – desta forma, hoje em dia todos os moradores assistem aos jogos pela televisão.

Fã de Pelé, Garrincha e Romário, Pedro confia que a Copa de 2014 será de Neymar. “Na seleção atual a gente tá com uma boa esperança que essa é a vez do Neymar. Ele é um cara novo, e quando a pessoa tem vocação para o futebol, ela vai evoluindo a cada ano e mudando o seu estilo de jogo para melhor”.

Um dos times de futebol ribeirinhos do Baixo Rio Negro. Foto: Acervo/FAS

Ao contrário dos outros moradores de Santa Helena do Inglês, Pedro já teve oportunidade de assistir a um jogo da seleção brasileira in loco, ainda no antigo estádio Vivaldo Lima. “Quando eu era jovem eu sempre assistia jogos em Manaus. Cheguei a ver a seleção brasileira jogando lá, se eu não me engano em 1970. Foi na época do Tostão, ele até fez um gol contra a seleção amazonense”. Ele também nutre o sonho de conhecer a nova Arena da Amazônia. “Eu fui no Vivaldo Lima assistir vários jogos. Agora na Arena [da Amazônia] eu ainda não fui, mas tenho certeza que ainda vou. Tá muito bonita, nota dez”.

Assim como no Tumbira, a comunidade do Santa Helena do Inglês também ganhou um ‘ponto de encontro’ para torcer pelo Brasil na Copa: a Pousada Vista Rio Negro, inaugurada em maio. “Como a gente vai ter agora a pousada, geralmente em dia de jogo da Copa a gente se reúne e assiste, fica tomando uma cervejinha, assistindo pela TV”, conta o dono do estabelecimento e líder da comunidade, Nélson Mendonça.

Pousada do Garrido, na comunidade Tumbira, vai receber turistas franceses e alemães durante a Copa. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

 

Rio Negro mantém nível há quatro dias em Manaus

 

Nível do Rio Negro é de 29,48 metros desde o dia 13 de junho. CPRM aponta que estagnação é normal neste período

Portal Amazônia

nível do rio negro

MANAUS – A enchente do rio Negro começou a perder força desde o começo deste mês. Na última sexta-feira (13) atingiu a cota de 29,48 metros em Manaus e se mantém no mesmo nível até esta segunda-feira (16). De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, a estagnação caracteriza o início do período de vazante. O CPRM informou que o rio Negro deve atingir a cota de 29,60 metros em 2014. Esta é considerada a sexta maior enchente da história do Amazonas.

Oliveira explicou ao Portal Amazônia que a paralisação da subida do rio é normal neste período. “Nesta época é normal, porque até o final do mês começa a vazante. O rio alterna entre subir um centímetro, parar por alguns dias, e assim por diante”, disse. O superintendente informou ainda que em Parintins e Itacoatiara o rio já começou a diminuir o nível – quatro centímetros em cada cidade – desde sábado (14), mas que ainda é cedo para dizer que em Manaus acontecerá o mesmo este mês.

Famílias atingidas

Defesa Civil de Manaus afirmou que a situação na capital do Estado se mantém a mesma: 3.022 famílias de 16 bairros da cidade foram afetadas pela cheia e cadastradas para receber atendimento social. As ruas Barão de São Domingos e dos Barés, no Centro, continuarãointerditadas para o tráfego até a vazante. No bairro São Jorge, a Defesa Civil elevou em até 40 centímetros algumas das passarelas por causa da enchente. Um total de 42 pontes foram construídas em bairros da orla da cidade.

O Amazonas tem 38 municípios afetados pela cheia dos rios da bacia amazônica: 35 em estado de emergência e três em calamidade. A informação é da Associação Amazonense de Municípios (AAM) divulgada dia 13 de junho.

 

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MANAUS – A enchente do rio Negro começou a perder força desde o começo deste mês. Na última sexta-feira (13) atingiu a cota de 29,48 metros em Manaus e se mantém no mesmo nível até esta segunda-feira (16). De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, a estagnação caracteriza o início do período de vazante. O CPRM informou que o rio Negro deve atingir a cota de 29,60 metros em 2014. Esta é considerada a sexta maior enchente da história do Amazonas.

Oliveira explicou ao Portal Amazônia que a paralisação da subida do rio é normal neste período. “Nesta época é normal, porque até o final do mês começa a vazante. O rio alterna entre subir um centímetro, parar por alguns dias, e assim por diante”, disse. O superintendente informou ainda que em Parintins e Itacoatiara o rio já começou a diminuir o nível – quatro centímetros em cada cidade – desde sábado (14), mas que ainda é cedo para dizer que em Manaus acontecerá o mesmo este mês.

Famílias atingidas

Defesa Civil de Manaus afirmou que a situação na capital do Estado se mantém a mesma: 3.022 famílias de 16 bairros da cidade foram afetadas pela cheia e cadastradas para receber atendimento social. As ruas Barão de São Domingos e dos Barés, no Centro, continuarãointerditadas para o tráfego até a vazante. No bairro São Jorge, a Defesa Civil elevou em até 40 centímetros algumas das passarelas por causa da enchente. Um total de 42 pontes foram construídas em bairros da orla da cidade.

O Amazonas tem 38 municípios afetados pela cheia dos rios da bacia amazônica: 35 em estado de emergência e três em calamidade. A informação é da Associação Amazonense de Municípios (AAM) divulgada dia 13 de junho.

 

Barcos viram arquibancada para torcedores da Copa na Amazônia

Amazônidas acompanham a Copa mesmo longe de estádios oficiais do torneio ou de Fan Fests

torcida se reúne em porto

MANAUS – A orla do rio Negro estava agitada na tarde desta quinta-feira (12), no Centro deManaus. Enquanto as seleções do Brasil e da Croácia disputavam o primeiro jogo da Copa do Mundo de Futebol, torcedores amazonenses disputavam espaço junto aos barcos aportados no entorno da Feira Manaus Moderna. Os próprios barcos serviam também de arquibancada, onde trabalhadores e moradores do local acompanham cada lance de bola, como o piloto de barcos, Jessé Ismael.

Veja alguns momentos:

torcadores nos barcos

porto manaus

torcida concentrada

torcedores acompanham jogo em barcos

 
 

Enchente leva população a usar barcos como casas em Manaus

Dezenas de pessoas que moram na orla do rio Negro perdem suas casas devido à enchente anual da região

barcos na orla de manaus

MANAUS – Com mais de 3 mil famílias de 16 bairros da capital do Amazonas atingidas pelaenchente, a orla da cidade aos poucos transforma-se em residência provisória. Alguns amazonenses que moram em palafitas na beira do rio ou em igarapés dentro da cidade perdem suas casas com a subida do nível do rio Negro. A solução encontrada por quem não pode mudar-se para casa de amigos ou alugar um imóvel é usar embarcações como residência durante todo o período da enchente.

Este é o caso de Eliane Nascimento. Aos 36 anos, Eliane mora em um barco com os seis filhos e o esposo, próximo à Feira Manaus Moderna, no Centro. A residência improvisada é moeda de troca, pois para morar no barco ela precisa vigiar as embarcações do local. “Acho ruim por causa das crianças. A de quatro anos já caiu dentro da água duas vezes”, relatou à reportagem doPortal Amazônia.  “O mais difícil é a água; com cheiro ruim, poluída”.

eliane vigia barcos

No início de junho a subida do nível da água do rio Negro começou a perder força. “É bom ser vigia quando enche. Quando tá na seca que é perigoso. Eu vou ficar aqui até conseguir um terreno pra mim”, disse Eliane. O rio Negro atingiu 29,47 metros nesta quinta-feira (12). O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) informou que o rio deve atingir a cota de 29,60 metros.

Eliane disse que haviam espalhado rumores que “indenizariam os vigias”, mas que até agora nenhum representante das defesas civis da prefeitura de Manaus ou do Governo estadual conversou com eles. De acordo com a Defesa Civil de Manaus, um levantamento socioeconômico das famílias atingidas para atendimento social por meio de cestas básicas, água potável e aluguel social tem sido feito em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh). Esta é a sexta maior enchente da história do Amazonas.

feira manaus moderna

 

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barcos na orla de manaus

MANAUS – Com mais de 3 mil famílias de 16 bairros da capital do Amazonas atingidas pelaenchente, a orla da cidade aos poucos transforma-se em residência provisória. Alguns amazonenses que moram em palafitas na beira do rio ou em igarapés dentro da cidade perdem suas casas com a subida do nível do rio Negro. A solução encontrada por quem não pode mudar-se para casa de amigos ou alugar um imóvel é usar embarcações como residência durante todo o período da enchente.

Este é o caso de Eliane Nascimento. Aos 36 anos, Eliane mora em um barco com os seis filhos e o esposo, próximo à Feira Manaus Moderna, no Centro. A residência improvisada é moeda de troca, pois para morar no barco ela precisa vigiar as embarcações do local. “Acho ruim por causa das crianças. A de quatro anos já caiu dentro da água duas vezes”, relatou à reportagem doPortal Amazônia.  “O mais difícil é a água; com cheiro ruim, poluída”.

eliane vigia barcos

No início de junho a subida do nível da água do rio Negro começou a perder força. “É bom ser vigia quando enche. Quando tá na seca que é perigoso. Eu vou ficar aqui até conseguir um terreno pra mim”, disse Eliane. O rio Negro atingiu 29,47 metros nesta quinta-feira (12). O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) informou que o rio deve atingir a cota de 29,60 metros.

Eliane disse que haviam espalhado rumores que “indenizariam os vigias”, mas que até agora nenhum representante das defesas civis da prefeitura de Manaus ou do Governo estadual conversou com eles. De acordo com a Defesa Civil de Manaus, um levantamento socioeconômico das famílias atingidas para atendimento social por meio de cestas básicas, água potável e aluguel social tem sido feito em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh). Esta é a sexta maior enchente da história do Amazonas.

feira manaus moderna

 

Nível do rio Negro atinge 29,45 metros e pontes construídas em Manaus são elevadas

Fenômeno já é a sexto maior registrado em Manaus. Pontes dos bairros do São Jorge, Glória e Educandos serão elevadas

Portal da Amazônia

MANAUS – O nível do rio Negro atingiu 29,45 metros nesta segunda-feira (9) e a Defesa Civil de Manaus iniciou o processo de elevação das passarelas construídas nos bairros São Jorge, Glória e Educandos em virtude da cheia. O fenômeno já é considerado a sexta maior cheia registrada na capital amazonense desde 1902, quando o curso de água começou a ser monitorado.

De acordo com o último boletim do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) a cota máxima do nível do rio Negro deve atingir a cota de 29,60 metros. O superintendente do CPRM, Marco Oliveira, explicou que a maior preocupação é a quantidade de tempo que e o rio Negro ficará acima da cota de emergência, que em Manaus é de 29 metros. Os geólogos acreditam que a mudança no clima tem influenciado esses níveis altos.

Passarelas em bairros afetados pelo rio Negro

Passarelas

As passarelas do bairro São Jorge serão elevadas em 40 centímetros e também será ajustado o comprimento. As pontes estão localizadas no Beco Bragança I e II, Beco Itapuranga I, II e III, Rua Vicente TorreReis, Rua Humberto de Campos e Beco Santa Cruz. Após a conclusão, o trabalho de ajuste segue para os bairros Glória e Educandos.

“Estamos fazendo o monitoramento diário das áreas que estão sendo afetadas pela cheia. Com a desaceleração da subida do rio, possivelmente o ajuste será apenas nesses três locais, porém, o levantamento continua”, explicou o chefe da Divisão de Resposta da Defesa Civil, Altaci Gomes.

Paralelo ao trabalho, agentes da Defesa Civil de Manaus e da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) retornaram, nesse fim de semana,aos bairros onde já foram feitos os cadastros de famílias para uma nova visita às casas que estavam fechadas durante a ação, mas também estão prejudicadas pela cheia do rio.

No total, o número de famílias cadastradas em Manaus é de 3.022 mil. A Semasdh  está fazendo o levantamento socioeconômico dessas famílias para atendimento social por meio de cestas básicas, água potável e Aluguel Social.

 

Amazônia tem má gestão de recursos hídricos, aponta geólogo da CPRM

Superintendente da CPRM, Marco Antonio de Oliveira, alerta para a falta de gestão na qualidade do recurso oferecido

Bairro da glória durante cheia em Manaus

MANAUS – Mais uma vez as águas do rio Negro ‘invadem’ a frente de Manaus e alagam cidades do interior da Amazônia fazendo com que as pessoas fiquem a aguardar por um novo recorde de cheia. Mas o superintendente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), geólogo Marco Antonio de Oliveira, diz que a cheia continua, porém, deve parar nos próximos dias. Oliveira também revelou porquê os rios enchem e vazam e até sobre o futuro hídrico da região.

Jornal do Commercio – Em algumas entrevistas você falou que as enchentes (e as vazantes) na Amazônia são cíclicas, 20 anos, mas parece que isso está mudando. Tivemos uma grande em 2009 e outra maior, em 2012. 

Marco Antonio de Oliveira – As cheias e vazantes na Amazônia tem sido monitoradas a partir dos dados dos níveis do rio Negro, registrados no Porto de Manaus desde 1902. Assim, temos uma série histórica de mais de 100 anos que possibilita estabelecer a recorrência ou retorno das cheias. Deste modo, a cheia de 2012 (recorde) é considerada como um evento que ocorre a cada 100 anos, a cheia de 2009 (a segunda maior) tem recorrência de 50 anos e a cheia de 1953 (a terceira maior) 25 anos de recorrência.

Nesta lógica as grandes cheias, que superam os 29 metros, ocorrem a cada dez anos. Como a série histórica do Porto de Manaus permite apenas correlacionar o que ocorreu no intervalo de pouco mais de 100 anos, ficam fora desta análise os eventos extremos de cheia ou vazante que ocorreram no passado mais longínquo, de 1 milhão à 10 mil anos atrás. Portanto, as cheias com recorrência de mil anos, por exemplo, podem voltar a acontecer no presente. Por outro lado no período que antecede uma mudança de estação do inverno para o verão (ou vice-versa), ocorre uma instabilidade no clima que provoca tempestades extremas. O mesmo se aplica na história climática da Terra, quando há uma mudança na temperatura global do planeta e há ocorrência de eventos extremos de chuvas, nevascas e secas.

Algumas pessoas acham que quando caem chuvas torrenciais em Manaus, as águas dos rios vão subir, mas não é bem assim. Essas chuvas precisam cair nas cabeceiras dos rios, não é isso?

MAO – As chuvas torrenciais em Manaus contribuem para a rápida subida das águas dos igarapés da região, mas pouco se refletem no nível da águas do rio Negro cuja bacia hidrográfica abrange perto de 1 milhão de km2 e assim reage lentamente às chuvas.

Por que os rios enchem, ou vazam? Isso tem alguma importância para a natureza?

MAO – O regime de cheias e vazantes depende essencialmente das chuvas ou da falta delas, e o modo como esta água circula sobre o terreno até chegar ao oceano Atlântico, está condicionado ao relevo, à cobertura florestal e à geologia. As chuvas na Amazônia provêm da evaporação das águas do oceano Atlântico, que adentram o continente sul americano ao longo do rio Amazonas, empurradas pelos ventos que sopram de leste para oeste. Esta massa de ar úmido interage com a floresta, mas quando atinge o extremo oeste do continente encontra uma barreira física, dada pela Cordilheira dos Andes, e toda a umidade é descarregada na forma de chuvas sobre as montanhas
do fronte oriental dos Andes. Elas que irão alimentar as nascentes do rio Amazonas. Na falta de chuvas, durante o verão amazônico (junho a outubro), o nível dos rios desce e se mantém perene devido a contribuição das águas subterrâneas, armazenadas sob o solo, durante milhares de anos.

Com quanto tempo é possível se prever se haverá, ou não, uma grande cheia ou uma grande vazante nos rios do Amazonas?

MAO – Para as cheias do Negro/Solimões/Amazonas é possível realizar uma previsão com 75 dias de antecedência, com probabilidade de acerto de 70%. Já para a vazante o comportamento hidrológico é mais instável e permite uma previsão de 10 dias de antecedência, com acerto de 50%.

Essas cheias e vazantes acontecem ao mesmo tempo em todos os rios da região? Tecnicamente, como é que vocês fazem essas medições? 

MAO – As cheias e vazantes ocorrem em tempo e espaços diferentes nesta dimensão continental da Amazônia, que abrange dois hemisférios. Os primeiros rios a encher são os da margem direita do rio Amazonas, com os os rios Javari, Juruá, Purus e Madeira, cujo pico da cheia ocorre entre fevereiro a abril. No rio Solimões, Amazonas e no Negro, em Manaus, a cheia ocorre no mês de junho. As medições são feitas a partir de estações hidrológicas localizadas nas principais calhas dos rios. Nas quais medidas do nível da água e da chuva são coletadas diariamente, seja de forma manual, ou automática via satélite. A cada mês obtemos dados diretos das vazões dos rios Solimões (Itapeua e Manacapuru), Negro (Manaus), Amazonas (Itacoatiara) e Madeira.

Como você vê o futuro hídrico da Amazônia, com o homem cada vez mais habitando a região e destruindo tudo à sua volta? Até a água do subsolo de Manaus está se exaurindo.

MAO – O cenário hídrico da região é promissor. A escassez de água não é mais uma projeção futura, já ocorre em outras regiões do Brasil, como no Nordeste e Sudeste, acarretando em diminuição na qualidade de vida e com fortes impactos na economia. Não há processo industrial e agrícola que não necessite de água em grande escala. Vejamos o exemplo de São Paulo, uma metrópole que vive uma crise de escassez de água sem precedentes, com aspectos conjunturais (falta de chuva) e estruturais (falta de investimentos, pouca oferta e alta demanda), que pode se tornar frequente diante das mudanças no clima da Terra. Por isso, a Amazônia é o futuro com água. Aqui não há escassez de água, há má gestão dos recursos hídricos no tocante a qualidade da água oferecida a população amazonense.

E esse ano, com as águas já bem altas, qual é o prognóstico?

MAO – O prognóstico é de continuidade da cheia pelos próximos dias, porém com indicativo de final de cheia e elevação lenta das águas (ao redor de 1-2 cm/dia).

 

Ribeirinhos do Amazonas preparam torneio de futebol paralelo à Copa

Torneio entre comunidades do rio Negro promete atrair turistas e amantes do futebol durante o Mundial

MANAUS – A Copa do Mundo de Futebol é um evento que mobiliza milhões de pessoas, inclusive na Amazônia. A região sedia o torneio pela primeira vez na história e aproveita para divulgar suas características. No Amazonas, as comunidades ribeirinhas estão integradas nesse processo à medida em que fazem parte dos roteiros turísticos do Estado. E os locais às margens do Rio Negro apresentam um atrativo especialmente para o Mundial: o tradicional Campeonato de Futebol da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro será realizado justamente no período do Mundial.

Torneio de futebol do Rio Negro. Foto: Acervo/FAS

A paixão pelo futebol nas comunidades ribeirinhas do Amazonas é perceptível. Torneios são organizados entre as comunidades em quase todos os fins de semana. Durante a Copa do Mundo, os locais pretendem atrair um número considerável de turistas. E além da natureza e da interação com animais, o futebol também desponta como um grande atrativo para os visitantes.

Clube da terra (e do coração)

Pedro Vidal tem 58 anos. Apaixonado por futebol desde os 13, o morador da comunidade Santa Helena do Inglês fala com orgulho do seu clube do coração. Flamengo? Vasco? Nada disso. É o Santa Helena, time amador que leva o nome da comunidade. “Minha paixão pelo futebol começou quando eu vesti a camisa do meu clube do coração, aqui da região, que é o Santa Helena. Comecei a jogar com 13 anos e até hoje, aos 58, eu ainda bato uma bola”, afirmou.

Futebol possui um importante papel social nas comunidades ribeirinhas do Amazonas. Foto: Acervo/FAS

Vidal define o Santa Helena como “o maior time da comunidade”. “É um time veterano aqui na área, muito conhecido no interior, até mesmo em Iranduba, Novo Airão e etc”, exibiu-se. O experiente ‘atleta’ explica que o torneio de futebol do Rio Negro envolve 19 comunidades ribeirinhas e é ‘democrático’, pois inscreve times masculinos, femininos e veteranos, como no seu caso.

Futebol = renda

Líder da comunidade Santa Helena do Inglês, Nelson Mendonça destaca um fator benéfico da realização de torneios de futebol nas comunidades: a geração de renda. “Esse esporte, além de proporcionar o lazer no sábado, no domingo, também ainda deixa um pouco de renda na comunidade que recebe o evento. Até porque o cara que vem jogar aqui come alguma coisa, compra uma cerveja, sempre deixa um dinheirinho”.

Estádio de futebol da comunidade Santa Helena do Inglês para os torneios do Rio Negro. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Outro ponto positivo destacado por Nelson é a integração das comunidades através do futebol. “É uma forma das outras comunidades virem pra cá. Até porque pra pessoa ir pra outro ‘campo’ tem que ser por algo que ela goste. E aqui a gente atrai muita gente nos torneios, tanto homem quanto mulher”.

Pra turista ver

Tanto a comunidade do Tumbira quanto a de Santa Helena do Inglês ainda não parecem ‘respirar’ Copa do Mundo. Nenhuma casa ou estabelecimento encontra-se decorado com bandeiras, cores ou qualquer enfeite relacionado à seleção brasileira. Entretanto, este panorama vai mudar até o início do Mundial, segundo os próprios moradores. O que não muda mesmo é a paixão dos comunitários pelo futebol – isto sim, perceptível em cada esquina.

Os turistas podem ficar despreocupados: se os destinos escolhidos durante a Copa forem as comunidades do Baixo Rio Negro, o que não vai faltar é bola na rede.

 

Cheia em Manaus: nível do rio Negro deve atingir 29,60 metros

Geólogos acreditam que a mudança no clima tem influenciado os níveis altos do rio Negro

Serviço Geológico do Brasil (CPRM) emitiu o terceiro e último alerta de cheia do nível do rio Negro, em Manaus. Foto: Divulgação/Portal da Copa

MANAUS – O nível do rio Negro deve atingir a cota máxima de 29,60 metros. A previsão é do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), após divulgar o terceiro e último alerta de cheia nesta sexta-feira (30). O superintendente do CPRM, Marco Oliveira, salientou que a maior preocupação não é o nível máximo que o rio atinge, mas a quantidade de tempo que ele ficará acima da cota de emergência, que em Manaus é de 29 metros.

Em 2009, por exemplo, o rio atingiu a cota de 29,77 metros e ficou 79 dias acima dos 29 metros. Em 2012, ano no qual foi registrada a maior enchente em Manaus, foi registrado 29,97m e 72 dias acima da cota de emergência. No ano passado, 2013, o nível foi de 29,33m e 45 dias acima de 29m. Os geólogos acreditam que a mudança no clima tem influenciado os níveis altos.

Monitoramento em áreas afetadas

Com base no estudo, a Defesa Civil de Manaus está intensificando o monitoramento na cidade, inclusive na área ribeirinha, e trabalha com ações preventivas para minimizar o impacto da cheia para as famílias que moram nas áreas constantemente afetadas. O trabalho está sendo realizado em 14 bairros: Glória, São Jorge, Educandos, Betânia, Raiz, Presidente Vargas, Tarumã, Mauazinho, Colônia Antônio Aleixo, Centro, Aparecida, Santo Antônio, Compensa e Puraquequara.

O trabalho preventivo do órgão começou ainda no início do ano, com a retirada de lixo dos igarapés, em parceria com a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp). Apenas de abril a maio deste ano, foram retiradas mais de 900 toneladas de lixo das águas. Em abril, o órgão começou realizou a realizar, em parceria com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e a comunidade, a construção de 41 pontes. Ao todo, foram 3.235 metros.

Em parceria com a Manaus Ambiental, a Defesa Civil está realizando a descontaminação das águas acumuladas no Centro, onde já foram usados 90kg de cal para neutralizar o odor e evitar a contaminação.

No último dia 28 de maio, a  Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) iniciou o cadastro de famílias afetadas pela enchente na cidade. Até sexta-feira (30), cerca de 1,4 mil famílias dos bairros São Jorge, Educandos, Mauazinho, Tarumã e Bairro do Céu tinham sido cadastradas para receber benefícios, como cesta básica, colchão ou até mesmo o aluguel social. O trabalho continua até o dia 9 de junho. A previsão é de que três mil famílias sejam cadastradas.

“Além da capital, esse trabalho também será realizado na zona rural, onde estaremos atuando neste fim de semana”, explicou o diretor operacional da Defesa Civil, Cláudio Belém.

 

Processo de ‘despoluição’ de águas na rua dos Barés inicia em Manaus

Técnicos da Defesa Civil medem o ph (acidez e neutralidade) da água para saber o nível de poluição

 

Rua dos Barés recebe cal para evitar doenças. FOTO. Karla Vieira/Semcom

MANAUS –  O trabalho de despoluição das águas que invadem um trecho da rua dos Barés, no centro da capital do Amazonas iniciou na última terça-feira (27). A via é a primeira de Manaus a ser interditada por conta da cheia do rio Negro. A solução de cal elimina as bactérias patogênicas transmissoras de doenças.

Durante o processo de descontaminação, técnicos da Defesa Civil medem o ph (acidez e neutralidade) da água para saber o nível de poluição. Com isso, é possível aplicar a quantidade correta de cal. Ao todo foram utilizados cinco galões de 50 litros na primeira ação.

De acordo com o secretário executivo da Defesa Civil de Manaus, Aníbal Gomes, equipes do órgão atuam constantemente onde a cheia do rio Negro já prejudica a circulação de pessoas, construindo pontes em madeira. “Nesta quarta-feira (28) iniciaremos a criação de passarelas laterais aqui na rua dos Barés para viabilizar a passagem de pedestres na área”, disse Aníbal.

O dono de uma das lojas da rua dos Barés, Altair Peres,  apoia a iniciativa. “É muito bom porque o cal derramado na água tira todo o odor e as pessoas não são impedidas de circularem. Isso é bom para nossa clientela”, comentou.

 Cheia 2014

A Defesa Civil de Manaus está monitorando diariamente a orla da cidade. Os alertas emitidos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) auxiliam no trabalho e a prefeitura já começa os atendimentos da segunda fase da Operação Cheia 2014. “A primeira fase dessa operação iniciou no dia 7 de abril, priorizando a construção de pontes em madeira para evitar o contado da população com as águas contaminadas. Já foram construídos mais de três mil metros de passarelas em 13 bairros da cidade e, a partir de agora, vamos começar a segunda fase”, explica o chefe da Divisão de Resposta da Defesa Civil de Manaus, Altacir Gomes..

Gomes enfatiza que o órgão voltará aos locais atingidos com as secretarias municipais de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), Saúde (Semsa) e outras secretarias que realizarão ações integradas para minimizar o impacto da cheia.