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Aécio, sem vice, é motivo de piada no anedotário político nacional

Correio do Brasil

José Serra

Pré-candidato tucano à Presidência da República, o senador Aécio Neves (MG) segue, até agora, a mesma trilha de seu antecessor, José Serra, na tentativa de encontrar alguém para chamar de vice, e que o acompanhe na tentativa de chegar ao Palácio do Planalto, em outubro deste ano. Serra conseguiu que fosse escolhido o nome de última hora, do empresário Antonio Pedro Indio da Costa, que lhe rendeu algumas situações embaraçosas durante a campanha. O próprio Serra descarta, terminantemente, o posto de vice do oponente interno na legenda. Avisou que prefere ser a deputado ou a senador. Sem uma opção apresentada ao público, até agora, para a candidatura à Vice-presidência, Neves vira motivo de piada na crônica política brasileira.

Há também a pressão para que o futuro candidato tucano escolha de vice um goiano. Ronaldo Caiado e Henrique Meirelles chegaram a ser citados por correligionários, junto com o governador daquele Estado, Marconi Perillo. Caiado, identificado com o agronegócio e a ultradireita, peca por não ser um nome reconhecido nacionalmente, a não ser por suas opiniões extravagantes. Não consegue ser consenso nem mesmo em Goiás. O DEM, partido a que pertence, tende a desaparecer nas próximas eleições e, em território goiano, não consegue esconder suas fragilidades, principalmente, por causa do envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Já Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central durante os oito anos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje integra o PSD, não tem expressão política e mais: o PSD fechou, em termos de candidato a presidente, com a reeleição de Dilma Rousseff. Para Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que teve seus direitos políticos cassados por três anos, uma possível aliança com os tucanos seria restrita a São Paulo, mas sequer cogita ter o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles como candidato a vice de Aécio Neves.

– É impossível. Só de admitir essa possibilidade já fica chato, porque ela realmente não existe – descarta Kassab.

A Justiça Eleitoral condenou o ex-prefeito de São Paulo à perda dos direitos políticos e ao pagamento de multa por entender que ele violou a lei, ao tirar recursos para quitação de precatórios e usar as verbas para outras finalidades da prefeitura paulistana. Além da perda dos direitos políticos, Kassab foi condenado ao pagamento de multa correspondente a 30 vezes o valor salário do prefeito no último mês do exercício de 2006. Cabe recurso contra a decisão. A sentença não enquadra uma possível candidatura de Kassab na Lei da Ficha Limpa porque é de primeira instância e o juiz não apontou enriquecimento ilícito do ex-prefeito no caso.

Os precatórios são dívidas do governo que, após serem reconhecidas pela Justiça, devem ser pagas pelas administrações de acordo com regras gerais. As verbas devidas a servidores após disputas judiciais com o Executivo são exemplos de precatórios. Segundo a decisão do juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital Evandro Carlos de Oliveira, quando o orçamento de 2006 da Prefeitura de São Paulo foi aprovado havia previsão de gasto de R$ 240 milhões para o pagamento de precatórios. Porém, posteriormente Kassab editou decretos que levaram à quitação de apenas R$ 120 milhões em 2006, o que violou a legislação, de acordo com a sentença do magistrado.

Comédia

No anedotário político, porém, o ex-atacante da seleção brasileira Ronaldo (Fenômeno) Nazário seria o candidato perfeito para Neves. “Ronaldo Fenômeno, maior artilheiro de todas as Copas e empresário bem sucedido, pode ser acusado de tudo, menos de ser um idiota, como o chamou o escritor Paulo Coelho, que estava a seu lado, entre outras autoridades e celebridades, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014. Ao contrário, o ex-jogador do Corinthians e da seleção sempre foi muito esperto nos negócios e não rasga dinheiro, um exímio surfista em busca de uma boa onda, sem dar muita bola para compromissos e princípios éticos, um verdadeiro fenômeno empresarial”, afirmou em sua coluna semanal o cronista Ricardo Kotscho.

“Quando aceitou ser membro do Comitê Organizador Local, em 2007, uma das tarefas de Ronaldo era exatamente a de defender a Copa no Brasil e responder críticas à organização do evento. Só que, logo em seguida, ele sumiu do noticiário, mudou-se para Londres, onde foi cuidar dos seus negócios, e esqueceu a tarefa que havia assumido. Até aí, seria apenas mais um cartola omisso e leniente, preocupado mais em faturar como garoto propaganda do que em servir ao futebol brasileiro que lhe deu fama e fortuna. Depois de embolsar uma bela grana com comerciais alusivos à Copa do Mundo, eis que ele ressurge em grande estilo no Brasil, ganhando novamente as manchetes ao papaguear as críticas da grande mídia à organização, na qual o COL tem um papel importante. Ronaldo foi além e desceu o pau no atraso das obras dos estádios e da mobilidade urbana. Como se não tivesse nada com isso, apenas um turista inglês de passagem pelo Brasil, falou mal dos aeroportos e de todo o resto, dizendo que sentia vergonha de tudo”, prosseguiu.

Vergonha de Ronaldo sentimos nós ao constatar que não fez nada de graça, nem isso: na verdade, estava fazendo política rasteira para desgastar o governo e iniciar uma campanha a favor do candidato que apoia, o tucano Aécio Neves, seu amigo, como fez questão de registrar em seuFacebook, chamando-o de futuro presidente. Com a maior cara de pau, logo deu início à sua nova tarefa de cabo eleitoral: ‘Sempre tivemos uma amizade muito forte e agora vou apoiá-lo. É meu amigo, confio nele e acho que é uma ótima opção para mudar o nosso país’. Foi mais longe: afirmou que, como empresário, diz que desistiu de investir no Brasil no próximo ano por estar inseguro. ‘Essa insegurança que estamos vivendo, essa instabilidade, a revolta do povo… O governo deveria tranquilizar o povo, o setor empresarial”, acrescentou.

“Se com sua ficha extracampo Ronaldo vai agregar ou tirar votos do tucano, é outro problema. E se o nome dele for aprovado nas pesquisas internas do PSDB? Fica a sugestão. A campanha eleitoral ficaria pelo menos mais divertida e festiva”, conclui Kotscho.