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Risco de atentados leva Reino Unido a reforçar a segurança nos voos para os EUA

Zona de controle de passaportes em Londres.

Zona de controle de passaportes em Londres.

REUTERS/Neil Hall

O Reino Unido anunciou nesta quinta-feira (3) ter reforçado a segurança nos aeroportos britânicos, atendendo a uma solicitação feita ontem pelo governo americano. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos temem novos atentados.

Diante das novas estratégias utilizadas pelos extremistas para enganar os controles de segurança na hora do embarque, o governo americano recomendou a aeroportos da Europa, África e Oriente Médio que reforcem as medidas de precaução para os voos com destino aos Estados Unidos.

O governo britânico garantiu que o aumento do dispositivo não deve afetar os viajantes, em plena temporada de férias de verão na Europa. Mas especialistas acreditam que as medidas preconizadas podem provocar atrasos, já que haverá mais revistas e, para alguns voos, todos os passageiros terão que tirar os sapatos.

Os serviços de inteligência americanos suspeitam que jihadistas da Frente Al Nosra, atuante na Síria, e o braço armado da Al Qaeda na Península Arábica (Aqpa), grupo baseado no Iêmen, trabalhem juntos para produzir explosivos capazes de passar desapercebidos nos controles de embarque.

“Europeus temerários”

No domingo, o presidente Barack Obama advertiu que “europeus temerários”, envolvidos na guerra santa islâmica (Jihad) na Síria e no Iraque, constituem uma nova ameaça aos Estados Unidos, porque o país não exige visto para portadores de passaportes da União Europeia. Essa situação torna a identificação de potenciais terroristas mais difícil. Muitos extremistas islâmicos possuem passaportes europeus e americanos, o que dificulta o trabalho de prevenção dos serviços de inteligência.

Neste momento, os Estados Unidos enfrentam um aumento do risco de atentados, com o retorno de alguns soldados ao Iraque, para ajudar o governo iraquiano a combater a ofensiva jihadista. Além disso, o julgamento, em Washington, do principal suspeito do ataque ao consulado americano de Benghazi, na Líbia, ocorrido em 11 de setembro de 2012, também eleva a tensão. O suspeito Ahmed Abou Khattala clama sua inocência diante da justiça americana. O atentado matou o embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, e três agentes de segurança.

Boko Haram sequestra mais 60 mulheres no nordeste da Nigéria

Ataques do Boko Haram na Nigéria deixaram 30 mortos, na semana passada, no estado de Borno.

Ataques do Boko Haram na Nigéria deixaram 30 mortos, na semana passada, no estado de Borno|REUTERS|Stringer

O grupo terrorista islâmico Boko Haram é suspeito de ter sequestrado mais 60 mulheres no nordeste da Nigéria e ter matado pelo menos 30 pessoas em vilarejos da região. A informação foi confirmada nesta terça-feira (24) pelas autoridades nigerianas. A imprensa local evoca o rapto de 30 meninos, além das mulheres.

As mortes e raptos aconteceram na semana passada, em diversos ataques do grupo radical islâmico a localidades do estado de Borno. O chefe do vilarejo de Kummabza declarou que entre as mulheres sequestradas havia crianças com idades de 3 a 12 anos. O chefe de uma milícia local, Aji Khalil, confirmou o rapto das 60 mulheres “pelos terroristas do Boko Haram”. Mas o senador de Borno Ali Nduma disse não ter informações precisas sobre o número de vítimas.

Um outro habitante que conseguiu se refugiar em Maiduguri, a capital estadual, relatou que os ataques do Boko Haram se estenderam por quatro dias. Durante as ações, os rebeldes islâmicos mataram pelo menos 30 homens e ainda mantiveram os moradores do vilarejo como reféns durante três dias.

Uma autoridade de Damboa revelou que os rebeldes destruíram o vilarejo. “Alguns sobreviventes com dificuldades de locomoção, na maioria mulheres e idosos, caminharam até 25 quilômetro para fugir da fúria dos extremistas islâmicos, enquanto outros conseguiram se refugiar no estado vizinho de Adamawa”, explicou o nigeriano.

Segundo o senador Ndume, o vilarejo de Kummabza fica pouco povoado durante a estação das chuvas. A população jovem costuma deixar o local para áreas com menor risco de inundações. Nesse período do ano, o Exército não protege a região.

Chamar a atenção

Há vários anos, o grupo Boko Haram promove atentados em vilarejos do norte da Nigéria e sequestra mulheres. Em abril, o grupo chocou o mundo ao raptar de uma única vez cerca de 280 estudantes de um internato católico da localidade de Chibok. Pelas contas da polícia, 219 jovens permanecem no cativeiro.

Segundo o especialista sul-africano em segurança Ryan Cummings, o rapto de mais 60 mulheres pode ser uma estratégia do Boko Haram para chamar a atenção da comunidade internacional sobre as estudantes de Chibok e retomar as negociações com o governo nigeriano. No final de maio, as autoridades recusaram uma proposta de troca das estudantes por prisioneiros do grupo.

Iraque pede que EUA lancem ataques aéreos contra jihadistas

Captura de imagem de um vídeo amador, 18 de junho de 2014, da refinaria de Baiji.

Captura de imagem de um vídeo amador, 18 de junho de 2014, da refinaria de Baiji|REUTERS/Social Media Website/Reuters TV

Nesta quarta-feira (19), o governo do Iraque pediu oficialmente aos Estados Unidos que façam bombardeios aéreos contra as posições tomadas pelos combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Por enquanto, os Estados Unidos mantêm uma posição de neutralidade e alegam que estão estudando a situação.

Em nove dias, os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante conquistaram diversas cidades importantes do norte do país e ontem (18) atacaram e tomaram o controle da maior refinaria de petróleo do território, em Baiji.

Xiitas, eles pretendem derrubar o governo sunita de Nouri al-Maliki e fundar um Estado islâmico no norte, na fronteira com a Síria.

O presidente norte-americano Barack Obama vem mantendo uma posição de observação em relação ao avanço dos jihadistas no Iraque. Ele já declarou que não pretende entrar numa nova guerra e está realizando consultas junto ao seu gabinete para analisar quais seriam as melhores iniciativas para apoiar os iraquianos.

Parlamentares entre sim e não

Na quarta-feira (18), Obama reuniu na Casa Branca os principais líderes do Congresso para uma consulta sobre as posições em relação à crise.

Os parlamentares têm visões opostas sobre o assunto: os republicanos defendem que os Estados Unidos atendam imediatamente ao pedido do Iraque e bombardeie com caças e drones as bases jihadistas. Já os democratas são mais prudentes e preferem esperar o andamento dos fatos. Um tempo necessário para planejar uma ofensiva aérea.

Líder pede para iraquianos se armarem para defender país de jihadistas

Voluntários são levados por caminhão do Exército para combater a capital Bagdá da chegada dos jihadistas.

Voluntários são levados por caminhão do Exército para combater a capital Bagdá da chegada dos jihadistas|REUTERS/Ahmed Saad|RFI

A maior autoridade xiita do Iraque pediu nesta sexta-feira (13) que os iraquianos peguem nas armas para enfrentar os jihadistas, que nos últimos dias tomaram o controle de importantes cidades do país e avançam em direção à capital, Bagdá. A ONU afirmou que 40 mil pessoas já fugiram dos últimos combates.

“Os cidadãos que puderem pegar em armas e combater os terroristas para defender o país, o povo e os lugares santos, devem ser voluntários e se unir às forças de segurança para atingirmos esse objetivo sagrado”, declarou o xeque Mehdi al-Karbalai, em nome do aiatolá Ali al-Sistani, a maior autoridade religiosa xiita do Iraque. O líder é extremamente influente, embora não tenha qualquer papel político no país.

De acordo com ele, o Iraque enfrenta “um grande desafio e um perigo extraordinário”. “Os terroristas não querem controlar apenas algumas províncias: eles anunciaram querer tomar todas as províncias, inclusive Bagdá, Kerbala e Najaf. A partir deste momento, a responsabilidade de combatê-los e de lutar contra eles incumbe a todos e não se limita a uma única confissão religiosa ou a uma única parte da população”, explicou, afirmando que os mortos em confrontos serão considerados mártires.

O secretário de Estado americano, John Kerry, pediu hoje às autoridades iraquianas “monstrarem união” para enfrentar o avanço dos combatentes. “Essa é uma advertência real para todos os dirigentes políticos iraquianos. Chegou o momento de eles se juntarem e se mostrarem unidos”, afirmou, em Londres.

ONU preocupada com crise humanitária

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) demonstrou hoje preocupação com a situação no país. Segundo a OIM, 40 mil pessoas já fugiram dos combates em Tikrit e Samarra, duas cidades invadidas pelos jihadistas. A organização prevê uma “crise humanitária prolongada” no Iraque.

“A situação está muito volátil. As pessoas estão fugindo dos combates”, declarou uma porta-voz da OIM, Christiane Berthiaume, em uma coletiva de imprensa em Genebra (Suíça). Conforme a organização, 500 mil civis já fugiram do conflito em Mossul, a segunda maior cidade iraquiana.

Operação fulminante

A partir de terça-feira (10), aproveitando-se da retirada do Exército, os extremistas do grupo Estado Islâmico no Iraque e no Levante conseguiram tomar Mossul e a província de Ninine, Tikrit e outras regiões da província de Salahedine, além de setores das províncias de Diyla e Kirkuk. Falluja, a 60 quilômetros de Bagdá, está controlada desde janeiro pelos extremistas.

Nesta sexta, os jihadistas avançavam em três eixos em direção a Bagdá, uma ofensiva fulminante marcada por “execuções sumárias” pelo caminho, conforme a ONU. O governo anunciou o início de um plano de segurança para proteger a capital, incluindo o envio de centenas de militares e o reforço das operações de informação, e destacou que civis estão se apresentando como voluntários para defender a cidade.

O Programa Alimentar Mundial da ONU lançou uma primeira operação de urgência para fornecer ajuda alimentar para 42 mil pessoas em situação vulnerável devido ao conflito. Em um primeiro momento, o PAM vai enviar 550 toneladas de comida por mês para o país, ao custo de 1,5 milhão de dólares. A organização enviou funcionários para o Curdistão, na fronteira com o Iraque, para determinar as necessidades alimentares na região.

França mantém na prisão suspeito da matança no Museu Judaico de Bruxelas

Retrato falado de Mehdi Nemmouche, suspeito de atentado ao Museu Judaico de Bruxelas em 24 de maio de 2014.

Retrato falado de Mehdi Nemmouche, suspeito de atentado ao Museu Judaico de Bruxelas em 24 de maio de 2014|Reprodução Youtube|BFMTV

A detenção para interrogatório do francês Mehdi Nemmouche, principal suspeito de ter matado quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas no mês passado, foi prolongada além dos quatro dias, prazo determinado pela lei da França. A medida, raríssima, foi tomada pela justiça no quadro da investigação antiterrorista.

Na França, a prolongação por mais 24 horas de uma detenção para interrogatório pode ser tomada em apenas dois casos: risco iminente de atentado ou razões ligadas às necessidades de uma cooperação internacional. Este é o caso do suspeito, que deveria ser conduzido diante de um juiz para ser notificado do mandado de prisão europeu em seu nome.

Silencioso desde que foi detido na sexta-feira passada (30 de maio), Mehdi Nemmouche recusou-se a sair de sua cela para ouvir fo mandado do qual é objeto e fazer uma nova deposição. Segundo fontes judiciais, a notificação está prevista para a quarta-feira (4).

Extradição e investigações

A próxima etapa para Mehdi Nemmouche deve ser a detenção durante o período em que aguardará a sua extradição para a Bélgica. O prazo vai depender do suspeito, que deve dar o seu acordo para ser extraditado.

Enquanto isso, as investigações continuam na França e na Bélgica. Em Paris, diante do silêncio do acusado, os investigadores tentam descobrir a razão pela qual ele veio para Marselha. Ele já cumpriu pena de prisão na região, mas as perguntas sem resposta são muitas: “Ele veio ao encontro de alguém?”; “Ele pretendia fugir de navio para a Argélia?”; “Por quê o risco de viajar com as armas?”; “Ele teria a intenção de fazer um novo ataque na França”?

Bélgica

Será em Bruxelas que as investigações devem realmente se completar. A perícia deve confirmar as suspeitas de que as armas apreendidas em Marselha foram as mesmas usadas em Bruxelas para matar as quatro pessoas. 

A polícia belga também vai aprofundar as investigações sobre as relações de Nemmouche na Bélgica, onde os candidatos ao jihad na Síria crescem a cada dia.

Um novo Merah

A questão é saber se Nemmouche é um novo Mohamed Merah. Segundo uma fonte policial, no período em que esteve preso o suspeito demonstrava “um certo fascínio pelos atos de Mohamed Merah”, que assassinou três militares e quatro judeus, dos quais três crianças, em Toulouse e Montbauban, em março de 2012.

Ambos têm o mesmo perfil de delinquente em ruptura social, com a diferença de que Nemmouche nunca se interessou muito pela religião enquanto Merah vivia numa família salafista. Foi na prisão que Nemmouche se radicalizou, inclusive lançando apelos aos gritos aos outros detentos para as orações a Maomé.

Europeus e Jihad

Os estudos dos serviços secretos internacionais indicam que entre 2 mil e 3 mil europeus foram para a Síria, partindo da França, Inglaterra, Dinamarca, Noruega e Bélgica. Eles são treinados por jihadistas, radicais islâmicos que pregam a “Guerra Santa”, para realizar atentados na Europa.

Preso em Marselha o francês suspeito da matança no Museu Judaico de Bruxelas

O procurador-geral da República, François Molins, em coletiva de imprensa no tribunal neste domingo, 1° de junho de 2014.

O procurador-geral da República, François Molins, em coletiva de imprensa no tribunal neste domingo, 1° de junho de 2014.

Reuters/Benoît Tessier

As autoridades francesas divulgaram neste domingo (1°) que um homem foi detido na tarde de sexta-feira ((30) em Marselha, no sul do país, suspeito de ter atirado contra quatro pessoas, no dia 24 de maio, no Museu Judaico da capital belga. Um casal israelense, uma francesa e um belga morreram. O francês teria passado uma temporada com um grupo jihadista na Síria, em 2013.

 

 

Ele se chama Mehdi Nemmouche, nasceu em Roubaix, no norte da França, tem 29 anos e foi preso sete vezes por assaltos entre prisão por assalto entre 2005 e 2012.

Nemmouche foi detido por acaso, em um controle de rotina na estação Saint-Charles, em Marselha. Ele estava em um ônibus vindo de Amsterdam e Bruxelas. Na bagagem, trazia uma metralhadora Kalachnikov, um revólver e uma câmara, objetos que foram imediatamente relacionados aos crimes no Museu Judaico de Bruxelas.

Desde a sua detenção para interrogatório, em Marselha, Nemmouche não disse uma só palavra, porém, a perícia científica das armas, do computador e das imagens da câmera portátil que estavam em seu poder, parecem confirmar o seu envolvimento no ataque de 24 de maio, em Bruxelas. Os resultados oficiais serão divulgados somente no começo da semana, mas o procurador-geral da República, François Molins, confirmou a descoberta de um curto vídeo de 40 segundos na máquina fotográfica Nikon que mostrava as duas armas e as roupas usadas pelo atirador, assim como a câmara GoPro.

“O autor dos tiros não aparece na imagem, mas sua voz parece ser a de Mehdi Nemmouche. Esta voz comenta as imagens, explicando que o vídeo foi feito porque a filmagem da fusilada do Museu Judaico de Bruxelas pela câmara não havia funcionado”, comunicou o procurador.

Radicalismo religioso

Informações sobre o percurso do suspeito também foram divulgadas: “Durante sua última pena, ele chamou a atenção por seu proselitismo extremista, frequentando um grupo de detentos que são islamitas radicais e convocando os outros presos para uma prece coletiva”, disse François Molins.

Em 31 de dezembro de 2012, três semanas depois de ser libertado, Nemmouche foi para a Síria começando a viagem por Bruxelas, passou por Londres, Beirute e Istambul, até chegar ao destino final. Ele se juntou aos combatentes do grupo jihadista “Estado Islâmico do Iraque e Levante”.

De volta à Europa, ele foi visto pela última vez em Frankfurt, na Alemanha, em março de 2014, data em que teve o passaporte controlado na alfândega alemã.

Etapas jurídicas

A partir de agora, as investigações devem continuam em estreita cooperação entre as autoridades judiciárais francesas e belgas. Além das perícias técnicas em matéria genética, capilar, balística e informática, os investigadores vão tentar estabelecer o percurso do suspeito e identificar suas relações mais próximas.

Os dois juízes de instrução de Bruxelas emitiram no sábado um mandato de prisão europeu, que será notificado a Mehdi Nemmouche no final de sua detenção para interrogatório. O mandato será analisado e a justiça decidirá se o suspeito será entregue às autoridades da Bélgica.

Família em estado de choque

A família de Nemmouche declarou estar “muito chocada”, depois de ter ouvido pela televisão a notícia de sua prisão por suspeita de assassinato. “Estamos chocados, não poderíamos imaginar isso”, disse à imprensa uma tia do homem, definido por ela como alguém de “educado, inteligente e que cursou até o primeiro ano da faculdade”. Ela também lembrou que ele sempre foi muito discreto e fechado.

Os parentes de Mehdi Nemmouche não tinham contato com ele desde meados do ano 2000, quando ele foi preso no sul da França por assalto. No fim de 2012 ele apareceu para dar notícias, mas depois não falou mais com os parentes.

Quanto ao extremismo religioso que pode tê-lo motivado a atacar os judeus, um parente disse que ele nunca frequentou a mesquita nem falava de religião. “Certamente ele se converteu ao radicalismo na cadeia para cometer um ato assim terrível”, constatou.

Reações políticas

A prisão de Mehdi Nemmouche traz novamente à tona a questão dos jovens franceses que viajam para a Síria e são treinados por extremistas religiosos para praticar o Jihad Islâmico, usualmente definido como Guerra Santa, mas que, na verdade, significa em árabe “fazer o máximo esforço”.

O presidente da França, François Hollande, declarou que seu governo está determinado a fazer tudo para impedir os jovens radicais de realizar ataques. “Vamos monitorar esses jihadistas e certificar-se de que, quando eles voltarem de uma luta que não é a deles, e definitivamente não é a nossa, eles não façam mal algum”, disse o presidente.

Os serviços secretos franceses estimam que entre 700 e 800 jovens franceses, estiveram ou ainda estão na Síria em contato com jihadistas radicais. Cerca de 200 belgas também teriam tomado o mesmo caminho.

Os fatos

No dia 24 de maio último, um homem armado, de óculos escuros e boné, invadiu o Museu Judaico de Bruxelas, matando um casal de turistas israelenses, uma voluntária francesa e o recepcionista belga do local.

O Congresso Judaico Europeu apontou um novo exemplo de ódio e antissemitismo, lembrando que a matança ocorreu dois anos depois do famoso caso Merah, o jovem franco-argelino que assassinou quatro judeus, dos quais três crianças, e três militares, em Toulouse, no sudoeste da França, em 2012.

Carro bomba mata dez pessoas na Síria

25/05/2014 

Beirute, 25 – Um carro bomba atacou um bairro pró-governo na região central da cidade de Homs, na Síria, neste domingo, matando ao menos dez pessoas. Outros carros pegaram fogo e fortes nuvens negras de fumaça surgiram no céu.

Em Homs, rebeldes e o governo firmaram dois acordos de cessar-fogo os quais haviam trazido algum semblante de paz de volta à cidade. O governador da província, Talal Barazi, afirmou que o ataque tinha a motivação de prejudicar os esforços de reconciliação.

Um oficial disse que dez pessoas foram mortas na explosão e outras 40 ficaram feridas. Já o diretor do Observatório Sírio para Direitos Humanos, baseado no Reino Unido, afirmou que o total de mortos era 12.

A TV estatal Síria culpou “terroristas” pelo ataque, termo que utiliza para descrever aqueles que lutam contra o governo do presidente Bashar Assad. O canal transmitiu imagens de carros pegando fogo e pessoas tentando tirar outros veículos do local.

Homs foi uma das primeiras cidades a se levantar contra Assad e ficou conhecida como a “capital da revolução”. Em um revés para os rebeldes no início deste mês, um acordo com o governo concedeu a homens armados de oposição passagem segura para fora da cidade.

Com a saída dos rebeldes, toda Homs ficou sob controle do governo, com exceção da região periférica de Waer, que abriga milhares de civis. Waer está sob bloqueio do governo há seis meses, o que impede que comida e combustível sigam para o local. Na sexta-feira, oposição e governo concordaram em cessar fogo em Waer. O objetivo é permitir a negociação de um acordo mais amplo e que permita aos opositores evacuar a área. Fonte: Associated Press.

 

Duplo atentado no Quênia deixa ao menos 10 mortos

Equipe legista queniana trabalha no local onde aconteceram as duas explosões desta sexta-feira (16) no mercado de roupas usadas Gikomba, próximo ao centro de Nairóbi.

Equipe legista queniana trabalha no local onde aconteceram as duas explosões desta sexta-feira (16) no mercado de roupas usadas Gikomba, próximo ao centro de Nairóbi|Reuters|RFI

Duas explosões deixaram ao menos dez mortos e quase 70 feridos nesta sexta-feira (16) em Nairóbi, capital do Quênia. Um suspeito foi preso. Nenhum grupo reivindicou os atentados até agora. Há alguns dias, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França e a Austrália recomendaram a seus cidadãos no Quênia que ficassem atentos. Os turistas britânicos no litoral queniano estão sendo repatriados.

 

As duas explosões aconteceram na entrada do mercado Gikomba, próximo ao centro da capital, onde são vendidas roupas usadas. Uma delas ocorreu dentro de um miniônibus de 14 lugares. Segundo a polícia local, as bombas utilizadas eram de fabricação artesanal.

O Quênia foi recentemente palco de atentados a bomba visando principalmente ônibus. No início de maio, uma série de atentados deixou sete mortos e uma centena de feridos em Mombasa e Nairóbi em apenas um final de semana.

Em setembro do ano passado, combatentes islâmicos do grupo Al Chabaab atacaram um shopping center de Nairóbi, matando 67 pessoas.

Repatriamento

Centenas de turistas britânicos estão sendo retirados nesta sexta-feira do litoral do Quênia em voos fretados por suas agências de viagem, depois que o governo do Reino Unido e vários países ocidentais alertaram contra uma ameaça terrorista.

Thomson e First Choice, filiais do maior grupo de viagens da Europa, TUI Travel, anunciaram nesta sexta-feira que cancelaram todos os voos para Mombasa, segunda maior cidade do Quênia, até 31 de outubro. “Por medida de precaução, também decidimos repatriar para o Reino Unido todos os nossos clientes que estão atualmente de férias no Quênia”, anunciaram em um comunicado. Um porta-voz indicou que cerca de 400 clientes estavam na região de Mombasa.

Na quarta-feira, o Foreign Office britânico “desaconselhou qualquer viagem não essencial” a Mombasa e em parte da costa queniana, dois dias depois de um alerta similar da França e da Austrália. O Canadá também recomenda desde o início de maio evitar qualquer viagem na região de Mombasa, onde ocorreram no último dia 3 dois atentados, deixando quatro mortos.

As autoridades do Quênia qualificaram na quinta-feira de “atos de inimizade” os alertas dos países ocidentais sobre o litoral queniano.

Indústria do turismo ameaçada

Os trabalhadores e empresários do turismo, setor que representa uma parte importante da economia e do emprego no Quênia, ficaram preocupados com o impacto dessa medida de repatriamento sobre o futuro da indústria turística, que já enfrenta dificuldades.

“Estamos preocupados, não há um um perigo grave iminente para justificar essas medidas. Isso vai ser um golpe duro para o setor do turismo. A alta temporada deveria começar em julho”, explicou Sam Ikwayen, um executivo da associação dos hoteleiros e donos de restaurante do Quênia. Ele estima que os hotéis da região podem ter uma queda de até 70% em suas receitas.

Segundo os dados mais recentes, o turismo representa direta ou indiretamente 14% do produto nacional bruto e fornece cerca de 700 mil empregos diretos ou indiretos, ou seja, 12% dos empregos do país.

O Quênia, conhecido por seus sáfaris e suas praias de areia branca, recebeu pouco mais de um milhão de visitantes em 2013, o que corresponde a uma queda de mais de 11% em relação a 2012. As autoridades atribuem a redução do número de turistas às “ameaças terroristas”.

Novo governo palestino deverá ‘rejeitar violência e terrorismo’, diz Abbas

Mahmoud Abbas preside reunião da OLP neste sábado, 26 de abril de 2014, em Ramallah, na Cisjordânia.

Mahmoud Abbas preside reunião da OLP neste sábado, 26 de abril de 2014, em Ramallah, na Cisjordânia.

REUTERS/Mohamad Torokman

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmou neste sábado (26) que o governo de consenso nacional acertado com o movimento islamita Hamas deverá “rejeitar a violência e o terrorismo”, e também reconhecer o Estado de Israel e os acordos assinados com o país.

 

“O próximo governo obedecerá a minha política”, declarou Abbas aos membros do Conselho Central Palestino, órgão dirigente da Organização para a Libertação da Palestina, reunido neste fim de semana em Ramallah, na Cisjordânia. Abbas sublinhou que o novo governo palestino vai cuidar prioritariamente de assuntos internos.

“Reconheço o Estado de Israel, rejeito a violência e o terrorismo e respeito os compromissos internacionais”, acrescentou o líder palestino.

Por outro lado, Abbas deixou claro que os palestinos “nunca aceitarão reconhecer um Estado judeu”, uma exigência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Abbas ressaltou que Israel não fez esse tipo de exigência à Jordânia e ao Egito, países que assinaram acordos de paz com o Estado hebreu. Ele também lembrou que os palestinos reconheceram o Estado de Israel em 1993.

O Hamas considerou “positivo” o discurso de Abbas. “Nós apoiamos as posições da OLP sobre Jerusalém, sobre a reconcliliação interpalestina e o não reconhecimento do estado judeu”, declarou Bassem Naim, um dos dirigentes do Hamas na Faixa de Gaza.

Naim disse que o novo governo de consenso nacional terá basicamente três missões: reunificar as organizações palestinas, preparar novas eleições e reconstruir Gaza. Segundo Naim, “não cabe a esse governo tratar de questões políticas”.

Israel suspende negociações

O acordo de reconciliação fechado nesta semana entre as forças políticas palestinas enfureceu Israel, que considera o Hamas uma “organização terrorista”.

O Hamas rejeita as negociações de paz empreendidas pela Autoridade Palestina de Abbas com Israel e defende a resistência armada contra o país.

Em resposta ao acordo interpalestino, Israel suspendeu as negociações que estavam sendo mediadas pelo secretário de Estado americano, John Kerry.

Obama considera “inútil” acordo com o Hamas

Confrontado a mais um fracasso de sua administração no processo de negociações israelo-palestino, o presidente americano, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, durante visita a Seul, que uma “pausa” era necessária no diálogo entre israelenses e palestinos.

Obama criticou o acordo interpalestino, qualificando de “inútil” a aproximação do Fatah (partido de Abbas) com o Hamas. Na avaliação de Obama, tanto o governo de Israel quanto os dirigentes palestinos tomaram uma série de iniciativas nas últimas semanas “infelizes”, que não acrescentaram nada de bom aos esforços diplomáticos para se chegar a um acordo de paz duradouro no Oriente Médio.