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Trabalhar demais faz mal à saúde

Médico britânico recomenda apenas quatro dias por semana de expediente. Medida reduziria estresse e hipertensão

O DIA

Rio – Nova medida para reduzir riscos de doenças: trabalhar menos. Presidente da Faculdade de Saúde Pública do Reino Unido, John Ashton, garante que expediente de quatro dias por semana seria capaz de diminuir os níveis de estresse e complicações mais graves como hipertensão.

O médico ressalta que tornar a semana de trabalho mais curta liberaria os trabalhadores para passar mais tempo em família e para fazer exercícios físicos, o que poderia reduzir a pressão arterial. 

“O estresse a que são submetidas e as consequentes faltas no trabalho por doença são o maior problema das pessoas hoje”, disse, em entrevista ao periódico ‘The Guardian’. Especialistas confirmam que o estresse tem o potencial de afetar o metabolismo.

Marcia Bandini, da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, explica que um quadro crônico de estresse — jornadas muito longas, mau relacionamento com a equipe, trabalhar sob pressão — é um dos fatores que podem levar à hipertensão e ao diabetes. Isso porque a repetição dessas situações provoca alteração hormonal e no sistema de defesas do corpo, o que reflete na pressão arterial. “No caso do diabetes, algo parecido ocorre, e o aumento da produção do hormônio cortisol, que eleva a quantidade de açúcar no sangue, pode desencadear o problema”, explicou Marcia, acrescentando que outros fatores também podem ser causas da doença (genética, má alimentação, sedentarismo e obesidade).

Para a especialista, não conseguir conciliar vida profissional e pessoal também contribui para aumentar os níveis de estresse. “Ter atividades culturais, hobbies serve como um fator de ‘descompressão’ para as tensões”, conclui.

Escalas mais flexíveis

Como nem todos podem trabalhar quatro dias por semana, a especialista Márcia Bandini destacou algumas dicas para que os trabalhadores consigam manter a saúde mental e física.

Usar o banco de horas para tirar folgas em dias estratégicos para ter contato com a família e negociar com o chefe escalas de trabalho mais flexíveis podem dar uma trégua para o trabalhador, o que refletirá em sua qualidade de vida.

Uma orientação simples que pode evitar grandes complicações é ter atenção aos sinais do corpo, como enxaqueca, dor de estômago e irritabilidade. Esses podem ser indícios de que a pessoa está indo além da sua capacidade.

Franceses trabalham 186 horas a menos por ano que alemães, mostra estudo

Na França  a duração horaria do trabalho é menor que as dos alemãns.

Na França a duração horaria do trabalho é menor que as dos alemãns.

Segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira (25), os trabalhadores franceses e finlandeses são os que trabalham menos horas por semana na Europa. Em relação aos alemães, por exemplo, os franceses trabalham cinco semanas a menos durante um ano.

A pesquisa foi feita pelo instituto Coe-Rexecode, ligada ao patronato francês.

Os finlandeses foram os que contabilizaram menos horas no serviço: uma média de 1.648 horas em 2013. Já os franceses atingiram 1.661 horas no ano passado. Do outro lado da pesquisa, os romenos se mostram os mais empenhados: 2.099 horas. A Grécia, Hungria, Bulgária, Croácia e Malta também suaram a camisa, com mais de 1.944 horas de esforços.

Por semana, os franceses trabalham uma média de 39,2 horas, sem contar ausências eventuais (férias, cursos, folgas, feriados e doenças).

De acordo com o levantamento, a França é também o país onde a jornada de trabalho mais diminui nos últimos 15 anos. Entre 1998 e 2013, a queda foi de 14,8%, contra 9,8% na Espanha, 8,9% na Alemanha, 8,5% na Suécia, 7,6% na Itália e 3,1% na Itália.

Em relação aos assalariados em tempo parcial, a duração média foi de 993 horas em 2013 na França, contra 851 horas na Alemanha, 864 no Reino Unido e 1.643 horas na Espanha. 
 

 
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Na França a duração horaria do trabalho é menor que as dos alemãns.
Na França a duração horaria do trabalho é menor que as dos alemãns.
Segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira (25), os trabalhadores franceses e finlandeses são os que trabalham menos horas por semana na Europa. Em relação aos alemães, por exemplo, os franceses trabalham cinco semanas a menos durante um ano.
A pesquisa foi feita pelo instituto Coe-Rexecode, ligada ao patronato francês.

Os finlandeses foram os que contabilizaram menos horas no serviço: uma média de 1.648 horas em 2013. Já os franceses atingiram 1.661 horas no ano passado. Do outro lado da pesquisa, os romenos se mostram os mais empenhados: 2.099 horas. A Grécia, Hungria, Bulgária, Croácia e Malta também suaram a camisa, com mais de 1.944 horas de esforços.

Por semana, os franceses trabalham uma média de 39,2 horas, sem contar ausências eventuais (férias, cursos, folgas, feriados e doenças).

De acordo com o levantamento, a França é também o país onde a jornada de trabalho mais diminui nos últimos 15 anos. Entre 1998 e 2013, a queda foi de 14,8%, contra 9,8% na Espanha, 8,9% na Alemanha, 8,5% na Suécia, 7,6% na Itália e 3,1% na Itália.

Em relação aos assalariados em tempo parcial, a duração média foi de 993 horas em 2013 na França, contra 851 horas na Alemanha, 864 no Reino Unido e 1.643 horas na Espanha. 

Trabalhadores ferroviários completam quinto dia de greve na França

Dois sindicatos de trabalhadores da SNCF, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e os Solidários Unidos Democráticos (SUD), iniciaram na última quarta-feira uma greve para protestar contra o projeto de lei que deve ser discutido pelo Parlamento nesta semana

AFP – Agence France-Presse

15/06/2014 

O governo socialista francês anunciou que manterá a reforma ferroviária, apesar da oposição de uma parte dos sindicatos, que completaram neste domingo um quinto dia de greve que perturba seriamente a circulação de trens.

“Não existe nenhuma razão” para adiar a reforma da Sociedade Nacional de Ferrovias da França (SNCF), já que se trata de “uma reforma de sentido comum, negociada com os sindicatos”, declarou neste domingo à rádio Europe 1 o ministro das Finanças, Michel Sapin.

Dois sindicatos de trabalhadores da SNCF, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e os Solidários Unidos Democráticos (SUD), iniciaram na última quarta-feira uma greve para protestar contra o projeto de lei que deve ser discutido pelo Parlamento nesta semana.

Estes dois sindicatos, majoritários na empresa, rejeitam a reforma que busca estabilizar a dívida do setor ferroviário (44 bilhões de euros) e preparar sua abertura total à concorrência.

Mudanças sobre a carga horária de trabalho estão sendo discutidas

DIÁRIO DA MANHÃ|FABIANA GUIMARÃES

Foto: Divulgação Gilberto Carvalho

Foto: Divulgação Gilberto Carvalho

O governo estuda algumas mudanças trabalhistas. Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria Geral da República, afirma que essas mudanças são nas regras que vão permitir contratações com carga horária flexível, sendo classificado como trabalho part-time (em inglês, meio período). A medida veio para atingir, principalmente, o setor varejista que espera reduzir custos com o pagamento de horas extras e não precisar haver folgas aos funcionários. Isso ainda contribui reduzindo disputas judiciais.

As regras não serão definidas de acordo com a hierarquia e o assunto está sendo discutido. Carvalho afirma “não podemos fazer nenhuma lei nesse sentido sem criar um consenso fundamental porque se trata da mudança de uma legislação que já está muito estabelecida”. O ministro conta que vai coordenar junto com o ministro do Trabalho um processo de discussão com o movimento sindical, com os setores patronais para ver a oportunidade de editar uma lei nesse sentido “mas é preciso ainda passar pelo crivo tradicional nosso, que é o crivo da consulta.” Completa ele.

A discussão do setor de construção civil está mais adiantada. A proposta é aumentar as horas extras para trabalhadores de obras que ficam distantes de onde moram. Estes podem aumentar a jornada de trabalho “isso também estamos discutindo e está muito maduro, mas também será feito com acordo” afirma o ministro.

 

Sketchbook: objeto inseparável de quem trabalha com criação

A Tribuna|Carlota Cafiero

Um suporte para suas ideias, rabiscos, estudos e “viagens”, feito com papéis escolhidos, recortados, costurados e pintados por você. Assim é o sketchbook ou o livro de artista, um objeto inseparável de quem trabalha com criação – seja moda, design, publicidade, artes plásticas, arquitetura ou literatura.
 
O conceito remete a tempos imemoriais na história da arte. “O livro de artista é anterior ao período cristão, mas o mais famoso é do pintor renascentista italiano Leonardo Da Vinci. O francês Henri Matisse também produziu livros de anotações, dentro de uma série limitada, chamada Jazz, com cada volume pintado à mão”, conta o ilustrador e professor do curso de Produção Multimídia na Universidade Santa Cecília (Unisanta) Osvaldo DaCosta, que está ministrando o workshop Livro de Artista, no Sesc Santos – vagas completas –, ao lado da artista plástica Natália Cunha. 
 
O professor ressalta que o scketchbook ou livro de artista sempre foi muito comum no meio artístico, mas ganhou as ruas mais recentemente com os grafiteiros, que fazem seus esboços nos cadernos antes de grafitar os muros.
 
Por não ser um suporte caro ou nobre como uma tela ou um papel importado (daqueles utilizados para aquarela) ou um Moleskine (famosa marca de cadernos de notas produzida por uma empresa italiana), o livro de artista possibilita ao artista anotar qualquer ideia que lhe vem à mente, ajudando-o, até, a quebrar com o bloqueio criativo.
 
Diário gráfico 
 
Afinal, como defende o desenhista carioca Renato Alarcão, que ministra o workshop Diário Gráfico pelo Brasil, cabe tudo dentro desse tipo de suporte: colagens com objetos e fragmentos do cotidiano, achados gráficos e fotografias, além de manchas, desenhos, texturas, stêncils.
 
“O livro de artista é uma espécie de diário gráfico que possibilita experiências pictóricas e registra a trajetória criativa de uma pessoa. Às vezes, você está andando na rua e encontra um papel de bala ou uma folha com uma cor ou textura interessante que dá para jogar dentro do livro e usar em alguma concepção”
 
DaCosta – que trabalhou como ilustrador em A Tribuna – conta que aprendeu a fazer livros de artista em 2005, durante um curso ministrado por Alarcão, como parte da exposição Ilustrando em Revista, organizada pela editora Abril. Desde então, montou, costurou e preencheu cerca de 20 livros e levou essa técnica para as suas aulas.

N/A

A artista plástica Natália Cunha e DaCosta em ação no curso que estão realizando no Sesc Santos
 
“Talvez no segundo semestre, eu ministre outro curso de livro de artista”, espera o professor, que também ensina técnicas de monotipia e colagem no workshop Livro de Artista, mas dá total liberdade para os alunos imprimirem seu próprio estilo nas páginas. “Ninguém precisa dominar técnicas de desenho nos meus cursos, pois desenho, para mim, é expressão, e cada um tem a sua”, considera. 
 
DaCosta também organiza encontros de sketchcrawl – ilustrações ao ar livre, na Cidade. é mestre em Comunicação pela Universidade São Caetano do Sul e membro da SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil. Em tempo: acabou de ganhar Menção Honrosa no 16° PortoCartoon World Festival, salão de humor em Portugal.

Em greve, funcionários de consulados do Brasil reclamam de condições de trabalho

Os funcionários locais do Consulado-Geral do Brasil em Paris, em solidariedade à Associação Internacional dos Funcionários Servidores Locais do Ministério das Relações Exteriores, paralisarão suas atividades.

Os funcionários locais do Consulado-Geral do Brasil em Paris, em solidariedade à Associação Internacional dos Funcionários Servidores Locais do Ministério das Relações Exteriores, paralisarão suas atividades.
 

Funcionários locais do serviços consulares do Brasil em 17 cidades dos Estados Unidos, Canadá e Europa iniciaram nesta terça-feira (13) uma greve de 48 horas para pedir um plano de carreiras e salários e melhores condições de trabalho.

Com o objetivo de chamar a atenção para as condições de trabalho consideradas “precárias”, funcionários locais de consulados e embaixadas do Brasil fazem uma paralisação até esta quarta-feira (14). Entre as cidades afetadas na Europa estão Paris, Londres, Genebra, Milão, Bruxelas e nos Estados Unidos os consulados gerais de Nova York, Atlanta, Los Angeles e São Francisco.

Com a paralisação, ficam prejudicados serviços para brasileiros como a emissão de passaportes e de outros documentos. “Ficará sensivelmente prejudicado o processamento de pedidos de visto, especialmente para os estrangeiros que pretendem vir ao Brasil para prestigiar a Copa do Mundo”, informa comunicado da Aflex (Associação dos Funcionários Servidores Locais do Ministério das Relações Exteriores no Exterior).

 

 
Os funcionários locais do Consulado-Geral do Brasil em Paris paralisarão suas atividades nestes dias 13 e 14 de maio.

AFLEX

O objetivo da Aflex é atingir os postos-chave na representação brasileira no exterior. Márcia Ramos, funcionária local do Consulado Brasileiro em Paris e membro da Aflex explica, em entrevista àRFI, o motivo da greve. “Desde 2011, a AFLEX tem tentado um canal de comunicação com o Ministério das Relações Exteriores devido à fragilidade na qual nos encontramos. A legislação de 1997 considerou os locais como regidos pelas leis dos países nos quais estão lotados. Mas existem locais muito antigos que ficaram sem a cobertura local do país e sem a cobertura do Brasil”.

Segundo Márcia Ramos, essa situação gera um “limbo jurídico” para os funcionários locais que são privados de um regime de aposentadoria e de auxílio no caso de perda do emprego.

Assédio e discriminação

Para além das questões de carreira e da defasagem salarial em vários países, a Aflex também se queixa de problemas de assédio moral e de sobrecarga de trabalho. “No caso do consulado da França, temos, desde 1998, o mesmo número de funcionários locais: 13. Mas o número de brasileiros cresceu e as demandas também se diversificaram”, argumenta Márcia Ramos. Ela também afirma que, em países onde a questão do pagamento de horas-extras não é regulamentada, os funcionários são obrigados a trabalhar “sem nenhuma remuneração adicional”.

A Aflex também lamenta que, nesse período que antecede a Copa do Mundo, o MRE não tenha reforçado os quadros dos consulados e embaixadas para dar conta do volume de pedidos de estrangeiros.

A associação também defende a união com outros sindicatos de trabalhadores dos serviços diplomáticos e consulados brasileiros, como o Sinditamaraty, a Asof e a Abed. “Essa união acarretará melhorias nas condições dos pontos de trabalho no exterior e, também, vai melhorar o atendimento ao público”, diz Márcia Ramos.

Reportagem 13/05/14

 
13/05/2014
 
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 Outro lado

O Itamaraty afirma que os salários dos funcionários locais seguem a legislação e as condições de mercado de trabalho dos países nos quais eles atuam. Em caso de reclamações trabalhistas, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil aconselha os empregados a levarem o problema à Justiça local.

Sindicatos franceses mostram desunião no Dia do Trabalhador

Passeata organizada por sindicatos franceses em Marselha, no sul da França, nesta quinta-feira (1).

Passeata organizada por sindicatos franceses em Marselha, no sul da França, nesta quinta-feira (1).

Reuters/Jean-Paul Pelissier
RFI

Tradicionalmente, os jornais franceses não publicam edições no dia 1° de Maio. Mas como já é de praxe nos últimos anos, continuam cobrindo o noticiário em seus sites. O grande destaque desta quinta-feira na Internet é a comemoração do Dia do Trabalhador.

 

Le Monde afirma que já há vários anos o dia internacional de solidariedade aos trabalhadores virou um dia de discórdia entre os sindicatos. Mais uma vez este ano, as duas principais centrais sindicais francesas, a CGT e a CFDT, comemoram a data separadamente.

O jornal explica que as duas entidades divergiram no passado sobre a flexibilidade do emprego e a aposentadoria, e hoje em dia discordam sobre a posição a adotar diante do plano de austeridade do primerio-ministro francês, Manuel Valls.

Libération vai no mesmo caminho, com o título “Desunião sindical para a passeata do 1° de Maio”. O jornal progressista informa que a CGT et a FO, terceira grande central sindical francesa, vão fazer uma passeata juntas em Paris, mas sem a CFDT, “considerada complacente demais em relação à política do governo”.

Libération lembra que os sindicatos terão outras ocasiões de se unirem nesta primavera francesa. A começar do dia 15 de maio, dia de greve dos funcionários públicos para protestar contra medidas de austeridade que atingem a categoria.

Já o comunista L’Humanité enfatiza que este 1° de Maio é, para os trabalhadores, a primeira ocasião de protestar contra o plano do primeiro-ministro Manuel Valls para economizar 50 bilhões de euros em três anos. Em seu site, o jornal traz um mapa interativo mostrando as mais de 300 passeatas programadas em toda a França.

Joana d’Arc, ícone da extrema-direita

O partido de extrema-direita Frente Nacional organiza tradicionalmente uma manifestação em homenagem a Joana d’Arc no dia 1° de maio. E este ano, segundo o jornal Libération, a líder Marine Le Pen quer aproveitar o desfile para estimular seus seguidores a votarem nas eleições europeias de 25 de maio. Para ela, apoiar a União Europeia, é “agir contra a França”, lembra o diário.

Já Le Figaro aponta que os feriados custam uma fortuna à França. Maio é um mês com três feriados que caem na quinta-feira este ano – e outras tantas sextas-feiras que são enforcadas por muitos trabalhadores.

Segundo os especialistas consultados pelo jornal conservador, no ano passado os feriados tiveram um impacto negativo de 2 bilhões de euros sobre o PIB da França. Em contrapartida, alguns setores da economia esperam com impaciência os feriados do mês de maio: as empresas de turismo e lazer acreditam que terão um movimento melhor do que no ano passado.

Os cinco trabalhos mais miseráveis do mundo

Cinco dos trabalhos mais miseráveis do planeta: Documentário mostra algumas das situações mais degradantes enfrentadas por seres humanos

“Uma das coisas mais tristes é que a única coisa que um homem pode fazer durante oito horas, dia após dia, é trabalhar. Não se pode comer durante oito horas, nem beber oito horas, nem fazer amor oito horas… A única coisa que se pode fazer durante oito horas é trabalhar. E esse é o motivo pelo qual o homem torna tão desgraçado e infeliz a si mesmo e os demais”, dizia o escritor norte-americano William Faulkner. É com essa reflexão que começa “Workingman’s Death” (A morte do operário), um opressivo documentário que percorre meio mundo para denunciar a existência de trabalhos miseráveis que, em sua face mais desumana, praticamente desapareceram da face dos países ricos.

O diretor do documentário, o austríaco Michael Glawogger, segue as “mulas humanas” do vulcão indonésio Kawah Ijen, os abatedores do mercado de carne de Port Harcourt (Nigéria), os desmontadores de petroleiros de Gaddani (Paquistão), os operários do metal chineses e mineiros clandestinos ucranianos para denunciar que os trabalhos mais miseráveis não desapareceram do planeta, apenas se tornaram invisíveis para os olhos dos cidadãos dos países industrializados.

“O trabalho pode ser muitas coisas. Com frequência mal é visível. Às vezes é difícil de explicar. E, em muitos casos, impossível de retratar. Mas o duro trabalho manual é visível, explicável e retratável. É por isso que com frequência penso que é o único trabalho real”, opina Glawogger, que ganhou o Prêmio Especial do Jurado no Festival de Cinema de Gijón (Espanha) por Workingman’s Death.

Conheça a seguir as atividades denunciadas no documentário. Longe de acabar, elas continuam a degradar a condição humana.

1. “Mula humana” no vulcão.

Todos os dias, por algumas miseráveis moedas, dezenas de homens sobem ao vulcão indonésio Kawah Ijen para, asfixiados por fumaças tóxicas, arrancar enormes blocos de enxofre das suas entranhas. Sobem ao vulcão entre cantos e tosses, mas descem carregados como mulas, com mais de 100 quilos de mineral deformando suas costas. Numa cena do filme “Workingman’s Death”, um mineiro, possivelmente blefando, conta a outro como beijou uma mulher francesa que tinha acabado de conhecer. “Eu estava com o nariz sujo por causa dos vapores do enxofre, mas ela me deixou beijá-la. Foi muito bom.” É cada vez maior o número de turistas que vêm ao vulcão para tirar fotos ao lado das “mulas humanas”.

2. Trabalhador de matadouro numa cidade petroleira.

O nigeriano Isaac Mohammed levanta-se todos os dias às cinco da manhã para ir ao matadouro da sua cidade degolar cabras e vacas. Ele trabalha no mercado de carne de Port Harcourt, uma cidade do delta do rio Níger na qual convivem a pobreza extrema com a ostentação das petroleiras ocidentais, como a Shell. Durante sua jornada, os abatedores arrastam pesadas cabeças de vaca pela lama para leva-las até a fogueira, onde serão cozinhadas para venda. E, no final do dia, se não levaram uma chifrada de um zebu, muitos completam seu miserável salário com outros trabalhos, como dirigir uma moto-táxi.

3. Desmontadores de petroleiros.

Muitos pastunes, principal grupo étnico dos talibãs, são pobres. Por isso acabam procurando ganhar a vida em lugares como Gaddani, um porto do Paquistão convertido em cemitério de barcos gigantescos. Em Gaddani, milhares de trabalhadores desmancham cargueiros e petroleiros para convertê-los em placas de aço. “Um passo em falso e é uma queda de 80 metros. Ou te cai um pedaço de aço na cabeça. Ou o óleo e os gases residuais te incendeiam. Temos a morte sempre presente”, explica um trabalhador em “Workingman’s Death”. Eles trabalham durante um ano e depois, com sorte, poderão voltar durante um mês para suas casas. “O pagamento nunca foi suficiente, nem antes nem agora”, lamenta um homem que trabalha no desmanche desde 1991. “Alá nos encomendou essa tarefa”, proclama outro.

4. Metalúrgico na China.

A província de Liaoning, no nordeste da China, acolhe alguns dos maiores altos fornos do país e do mundo. Enquanto a Alemanha converte algumas das suas antigas fundições em parques temáticos para crianças, como fez a cidade de Duisburgo com suas gigantescas siderúrgicas em 1985, a China faz o movimento contrário e expande seus altos fornos para fornecer ferro e aço ao mundo. Nas fundições, os operários chineses trabalham de sol a sol em condições penosas, como faziam os empregados de Duisburgo há mais de meio século.

5. Mineiro na ratoeira nevada.

“Temos medo sempre. Um desmoronamento de 10 centímetros e é o fim. Não há forma de nos tirar daqui”, confessa um mineiro ilegal ucraniano no filme de Michael Glawoggfer. Junto com outros companheiros da bacia do Donbás, ele procura carvão em filões que seus avós chamavam de “ratoeiras”. Fora da mina, as mulheres carregam o carvão em meio à neve, até duas toneladas por dia cada uma. Diante da câmera, os mineiros caçoam de Aleksei Stajanov, o famoso mineiro transformado em ídolo pela propaganda soviética em 1935, depois de extrair mais de cem toneladas de carvão em uma só jornada. “Nós não somos movidos pelo entusiasmo. Aquilo foi uma palhaçada.”

Fonte: Pragmatismo Político

Desemprego volta a se aproximar de recorde na Espanha

Desempregados esperam abertura de uma agência de emprego em Madri, 29 de abril de 2014.

Desempregados esperam abertura de uma agência de emprego em Madri, 29 de abril de 2014.

REUTERS/Andrea Comas
RFI

A taxa de desemprego na Espanha voltou a subir no primeiro trimestre de 2014, atingindo 25,93%, um número próximo do recorde histórico. As estatísticas são o reflexo da diminuição da população ativa, que deixa cada vez mais o país em busca de oportunidades no exterior.

 

No fim de março, a Espanha tinha 5.933.300 desempregados, 2.300 a menos que no fim de dezembro, o que poderia ser um sinal de mudança de tendência, segundo dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE). O órgão informou que essa foi a primeira vez desde 2005 que o primeiro trimestre registrou uma redução do número de pessoas em busca de trabalho.

Mas em um país que registra queda do número de habitantes há dois anos, com a saída dos residentes estrangeiros, a diminuição da população economicamente ativa (187.000 pessoas a menos) provocou o aumento mecânico da taxa de desemprego, que passou de 25,73% no fim de 2013 a 25,93% no final de março.

A situação continua dramática para os jovens com menos de 25 anos, faixa com taxa de desemprego que vai a 55,5%. O INE observa, entretanto, que essa foi a primeira vez desde 2005 que o primeiro semestre do ano, tradicionalmente ruim para a abertura de vagas, registra uma queda no número de desempregados.

Discurso otimista

O governo conservador de Madri, que adotou um discurso otimista para estimular o fim da recessão, comemorou os números divulgados hoje. Para o ministro do Orçamento, Cristobal Montoro, os dados “trazem esperanças”.

“Sim, nós saímos da crise. Não podemos deixar de dizê-lo”, afirmou. “Nós vemos que o número de desempregados reduziu em relação há um ano [com 344.900 a menos]”, declarou.

Fim da procura

A pesquisadora da Fundação de Estudos de Economia Aplicada da Espanha Sara de la Rica destaca, entretanto, que “o número de desempregados baixou não porque eles encontraram um trabalho, mas porque pararam de procurar”. Ela destaca que a taxa de atividade, de 59%, está muito baixa, assim como a taxa de emprego, de 44%.

Segundo o INE, quase a mesma quantidade de desempregados deixou essa categoria para trabalhar (798.100) ou porque parou de procurar uma atividade remunerada (781.300). 

Vídeo: Rio decreta ponto facultativo na próxima terça-feira em função de obras na cidade

Agência Rio de Notícias

Em função da interdição total de um trecho da Avenida Brasil, na altura de Ramos, para obras da Transcarioca e da interdição da Avenida Rodrigues Alves para implosão de mais um trecho do Elevado da Perimetral, a Prefeitura do Rio decretou ponto facultativo nas repartições municipais na próxima terça-feira (22). Serviços essenciais funcionarão normalmente e o decreto está publicado no Diário Oficial da última quinta-feira (17).

A Avenida Brasil será fechada totalmente ao trânsito nos dois sentidos na altura de Ramos a partir das 22h deste domingo, dia 20, e será reaberta às 10h de quarta-feira, dia 23, para instalação do arco do viaduto Prefeito Pedro Ernesto que faz parte do BRT Transcarioca.

Já no Centro, um trecho de 300 metros do Elevado da Perimetral, na altura da Praça Mauá, será implodido às 7h da manhã do domingo de Páscoa, dia 20. Após a implosão, equipes da prefeitura e da concessionária PortoNovo, empresa responsável pela execução das obras e prestação dos serviços públicos da Operação Urbana Porto Maravilha, farão a limpeza do trecho para a liberação da Avenida Rodrigues Alves. O serviço de retirada de entulho vai durar quatro dias e a previsão é de que a Rodrigues Alves seja reaberta às 5h de quinta-feira, dia 24.

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio