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Turcas protestam contra vice-premiê que aconselhou mulheres a não rirem em público

ISTAMBUL (Reuters) – Centenas de mulheres turcas postaram fotos de si mesmas rindo no Twitter nesta quarta-feira para protestar contra os comentários do vice-primeiro-ministro, Bulent Arinc, que aconselhou as mulheres a não rir em público para “proteger os valores morais”.

Melda Onur, uma parlamentar do principal partido de oposição, o CHP, disse no Twitter que os comentários de Arinc classificam risadas como um ato desonroso e deixam as mulheres sujeitas à violência.

Arinc criticou a mídia nesta quarta-feira por veicular seus comentários fora de contexto e se concentrar em uma pequena parte de seu discurso, no qual ele afirma ter aconselhado homens e mulheres a adotarem “comportamentos éticos”.

“Algumas pessoas me criticam ao pegar apenas uma parte de um discurso de uma hora e meia. Que alegação infundada e repugnante. Pessoas que ouviram todos os meus comentários têm percebido isso”, disse Arinc, segundo o jornal Hurriyet.

“Eu acredito que fiz um discurso útil”, disse ele. “Se eu tivesse apenas dito que as mulheres não devem rir, então eu teria feito algo irracional. Mas o meu discurso foi sobre boas maneiras e preceitos morais.”

Os opositores acusam a administração do primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, de governar de forma cada vez mais autoritária e de intervir na vida privada das pessoas, o que tem sido uma fonte de conflito entre os secularistas do país e os simpatizantes conservadores de Erdogan.

Erdogan está a caminho de se tornar o primeiro presidente eleito diretamente da Turquia, um país predominantemente muçulmano.

Arinc, um dos cofundadores do Partido AK, de Erdogan, disse nesta semana durante a festa de Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã: “A mulher deve ter castidade … Ela não deve rir na frente de todos e não ser convidativa em seu comportamento. Ela deve proteger sua honra”.

Uma organização pelos direitos das mulheres disse que vai apresentar uma denúncia contra o vice-premiê.

Seus comentários, em que ele também criticou novelas de televisão, atraíram críticas do candidato à presidência da oposição Ekmeleddin Ihsanoglu. Ele tuitou: “Nosso país precisa que nossas mulheres riam e de ouvir o riso alegre de todos mais do que nunca.”

(Reportagem de Humeyra Pamuk)

Erdogan proíbe comemorações da revolta de 2013 na Turquia

O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan

O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan|REUTERS/Umit Bektas
RFI

O primeiro ministro turco Recep Tayyip Erdogan ameaçou neste sábado (31) reprimir com firmeza os opositores que tentarem comemorar o primeiro aniversário do movimento antigoverno que ocupou a praça Taksim, em Istambul, em junho do ano passado. As forças de ordem farão “tudo que for necessário, de A a Z” para impedir a manifestação convocada por um coletivo de ONGs, sindicatos e membros da sociedade civil.

“Vocês não poderão ocupar a (praça) Taksim como fizeram no ano passado porque vocês devem respeitar a lei”, discursou o chefe do governo islamo-conservador diante de milhares de partidários.

Por isso, já nas primeiras horas desta manhã, mais de 25 mil agentes da polícia civil e da tropa de choque ocupavam o bairro onde fica a praça, símbolo da revolta de 2013 e, desde então, zona proibida para a contestação. Além dos homens, o governo mobilizou mais de 50 canhões de água para conter manifestantes.

Repressão contra ecologistas

Na metade do dia, o parque Gezi também estava fechado. Neste pequeno jardim público, no centro da parte europeia de Istambul, nasceu a primeira onda de contestação, que abalou o regime Erdogan, no poder desde 2003. Na madrugada de 31 de maio de 2013, a polícia expulsou violentamente do parque algumas centenas de ecologistas que tentavam impedir sua destruição.

A repressão causou um efeito bola de neve e levou cerca de 3,5 milhões de turcos (de acordo com os números oficiais) às ruas para protestar contra o governo. Ao menos oito pessoas morreram em conseqüência da forte repressão e mais de 8 mil ficaram feridas.

Durante o discurso de sábado, Erdogan aproveitou para desqualificar os opositores: “Digo a meu povo: não se deixe enganar. Isso não é uma campanha ecologista”, mas “organizações terroristas, que procuram manipular os jovens para atacar nossa unidade e nossa economia”, afirmou.

Revolta silenciosa

Apesar do impressionante efetivo policial mobilizado nesta manhã, vários turcos saíram às ruas individualmente e em silêncio para lembrar as vítimas da repressão policial.

No início da tarde, alguns estudantes desafiaram as forças de ordem fazendo uma leitura pública, rapidamente dispersada. “Não nos esqueceremos daqueles que perderam suas vidas e de como o Estado se comportou contra seus cidadãos”, declarou um participante do ato, cercado de policiais em trajes civis, que agitavam ostensivamente seus cassetetes.

“A forma como o governo se dirige a nós é cada vez mais violenta”, denunciou Tayfun Karaman, membro do coletivo Taksim Solidariedade. “Nossa única forma de exprimir nosso descontentamento é nas ruas e isso é apenas o começo, a resistência continua”, concluiu.

Corrupção e vitória nas urnas

Desde a revolta do ano passado, o governo Erdogan tem reforçado o cerceamento das manifestações, com uma série de leis que aumentam sua influência sobre o Judiciário e os poderes dos serviços de inteligência. O primeiro ministro também tentou proibir redes sociais como Twitter, YouTube e Facebook, utilizadas pelos manifestantes como instrumentos de organização política.

Apesar deste esforço repressivo e de um escândalo de corrupção que desmontou seu governo, Erdogan foi o grande vencedor das eleições municipais de 30 de março e se prepara para anunciar sua candidatura às presidenciais dos próximos dias 10 e 24 de agosto.

 

 
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Erdogan proíbe comemorações da revolta de 2013 na Turquia

O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan

O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan

REUTERS/Umit Bektas
RFI

O primeiro ministro turco Recep Tayyip Erdogan ameaçou neste sábado (31) reprimir com firmeza os opositores que tentarem comemorar o primeiro aniversário do movimento antigoverno que ocupou a praça Taksim, em Istambul, em junho do ano passado. As forças de ordem farão “tudo que for necessário, de A a Z” para impedir a manifestação convocada por um coletivo de ONGs, sindicatos e membros da sociedade civil.

 

“Vocês não poderão ocupar a (praça) Taksim como fizeram no ano passado porque vocês devem respeitar a lei”, discursou o chefe do governo islamo-conservador diante de milhares de partidários.

Por isso, já nas primeiras horas desta manhã, mais de 25 mil agentes da polícia civil e da tropa de choque ocupavam o bairro onde fica a praça, símbolo da revolta de 2013 e, desde então, zona proibida para a contestação. Além dos homens, o governo mobilizou mais de 50 canhões de água para conter manifestantes.

Repressão contra ecologistas

Na metade do dia, o parque Gezi também estava fechado. Neste pequeno jardim público, no centro da parte europeia de Istambul, nasceu a primeira onda de contestação, que abalou o regime Erdogan, no poder desde 2003. Na madrugada de 31 de maio de 2013, a polícia expulsou violentamente do parque algumas centenas de ecologistas que tentavam impedir sua destruição.

A repressão causou um efeito bola de neve e levou cerca de 3,5 milhões de turcos (de acordo com os números oficiais) às ruas para protestar contra o governo. Ao menos oito pessoas morreram em conseqüência da forte repressão e mais de 8 mil ficaram feridas.

Durante o discurso de sábado, Erdogan aproveitou para desqualificar os opositores: “Digo a meu povo: não se deixe enganar. Isso não é uma campanha ecologista”, mas “organizações terroristas, que procuram manipular os jovens para atacar nossa unidade e nossa economia”, afirmou.

Revolta silenciosa

Apesar do impressionante efetivo policial mobilizado nesta manhã, vários turcos saíram às ruas individualmente e em silêncio para lembrar as vítimas da repressão policial.

No início da tarde, alguns estudantes desafiaram as forças de ordem fazendo uma leitura pública, rapidamente dispersada. “Não nos esqueceremos daqueles que perderam suas vidas e de como o Estado se comportou contra seus cidadãos”, declarou um participante do ato, cercado de policiais em trajes civis, que agitavam ostensivamente seus cassetetes.

“A forma como o governo se dirige a nós é cada vez mais violenta”, denunciou Tayfun Karaman, membro do coletivo Taksim Solidariedade. “Nossa única forma de exprimir nosso descontentamento é nas ruas e isso é apenas o começo, a resistência continua”, concluiu.

Corrupção e vitória nas urnas

Desde a revolta do ano passado, o governo Erdogan tem reforçado o cerceamento das manifestações, com uma série de leis que aumentam sua influência sobre o Judiciário e os poderes dos serviços de inteligência. O primeiro ministro também tentou proibir redes sociais como Twitter, YouTube e Facebook, utilizadas pelos manifestantes como instrumentos de organização política.

Apesar deste esforço repressivo e de um escândalo de corrupção que desmontou seu governo, Erdogan foi o grande vencedor das eleições municipais de 30 de março e se prepara para anunciar sua candidatura às presidenciais dos próximos dias 10 e 24 de agosto.

Filme turco “Winter Sleep” ganha Palma de Ouro no Festival de Cannes

O diretor Nuri Bilge Ceylan (ao centro), com a Palma de Ouro, ao lado do cineasta Quentin Tarantino e da atriz Uma Thurman.

O diretor Nuri Bilge Ceylan (ao centro), com a Palma de Ouro, ao lado do cineasta Quentin Tarantino e da atriz Uma Thurman|Reuters|Leticia Constant

O 67° Festival de Cinema de Cannes terminou neste sábado (24), sem nenhum escândalo e com a revelação de um jovem talento excepcional, o canadense Xavier Dolan. Entre os favoritos para receber a Palma, apenas o nome do melhor ator foi confirmado. No entanto, as outras premiações foram boas surpresas, um sinal de abertura do júri presidido pela cineasta neozelandesa Jane Campion.

 

“Winter Sleep”, do diretor turco Nuri Bilge Ceylan, foi o grande vencedor da Palma de Ourodeste 67° Festiva. O diretor, muito emocionado, recebeu o prêmio das mãos do cineasta Quentin Tarantino e da atriz Uma Thurman. Confessando sua surpresa, ele dedicou o prêmio à juventude turca e a todos os que perderam a vida no último ano durante as manifestações que aconteceram no país.

O roteiro de “Winter Sleep” fala de um artista aposentado que vive com a esposa e a irmã em um pequeno hotel na Anatólia e vão se isolando à medida que o inverno chega e a neve vai recobrindo a estepe onde se encontram.

Grande Prêmio ficou para o filme italiano “La Meraviglie”, da cineasta Alice Rohrwacher, sobre três mulheres apicultoras que vivem isoladas numa fazenda decadente e têm suas vidas estremecidas com a chegada de um jovem delinquente.

Palma de Melhor Direção foi para o norte-americano Bennet Miller por seu “Foxcatcher”, que fala da relação tumultuada de um milionário com dois lutadores de boxe que ele patrocina com o objetivo de fazer de um deles um campeão olímpico.

Já o Prêmio do Júri foi dividido entre duas gerações: “Mommy”, do fenômeno canadense Xavier Dolan, de 25 anos, a grande sensação deste festival, com sua história sobre a mãe que cria sozinha um filho hiperativo e agressivo e tenta construir uma relação equilibrada com ele; ele repartiu o prêmio com “Adieu au Language”,do mito do cinema francês Jean-Luc Godard, em 3D.

Palma de Melhor Roteiro foi para o maravilhoso filme russo “Leviathan”, do diretor Andrei Zviagintsev, que co-escreveu a trama com Oleg Negin. A trama relata a luta de um homem para preservar sua terra, um retrato brutal de uma Rússia dominada pela corrupção em todos os níveis. Ultimo filme projetado, foi o grande presente do fim do festival.

Palma de Melhor Atriz não foi para a francesa Marion Cotillard, como todos esperavam, mas para a norte-americana Julianne Moore. Julianne interpretou magistralmente Havana Segrand em “Maps to the Stars”, do diretor canadense David Cronenberg.

Palma de Melhor Ator confirmou o favoritismo do inglês Timothy Spall que criou um magnífico personagem do pintor William Turner no filme “Mr.Turner”, do diretor Mike Leigh.

Câmera de Ouro, que premia o primeiro filme de um diretor, foi para “Party Girl”, do trio francês Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis, que abriu a mostra “Um Certo Olhar” e tem como atriz principal a própria mulher festeira que inspirou a história.

Palma de Ouro do Curta Metragem foi dada a “Leidi”, do diretor colombiano Simon Mesa Soto, sobre uma mulher que parte em busca de seu companheiro desaparecido.

Prêmios das mostras paralelas

Outros prêmios já foram atribuídos antes da Palma. Na paralela ‘Um Certo Olhar”, venceu “White God”, do diretor húngaro Kornel Mundruzco, um filme que utiliza uma matilha de cães revoltados como metáfora para denunciar a violência e injustiça sofridas pelos mais fracos.

Ainda na mesma mostra, “O Sal da Terra”, dos diretores Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders, documentário sobre a vida e obra do fotógrafo Sebastião Salgado, ficou com o Prêmio Especial do Júri.

O júri da seção Cinéfondation e dos curtas , que apoia novos projetos de estudantes de cinema, presidido pelo cineasta iraniano Abbas Kiorastami e do qual também fez parte a diretora brasileira Daniela Thomas, premiou o projeto “Skunk”, de Annie Silverstein, da Universidade de Cinema do Texas.

E antes de terminar, não posso deixar de lembrar que a Palma Dog de melhor ator canino ficou com a dupla de labradores Lucky e Buddy, que se alternaram na interpretação de Hagen no filme húngaro “White Dog”. Uma excelente interpretação dramática que mereceu a recompensa.

E é assim, sem escândalos e com uma nova estrela no firmamento da Sétima Arte, que termina esta 67ª edição do Festival de Cinema de Cannes.

 

 
Ouça a Reportagem

 
24/05/2014
by Leticia Constant
 

24 pessoas são presas após acidente em mina turca

Mulheres homenageiam mortos em incêndio em mina na Turquia.

Mulheres homenageiam mortos em incêndio em mina na Turquia.

REUTERS|Osman Orsal|RFI

A polícia turca prendeu 24 pessoas, incluindo executivos de uma companhia de mineração, como parte de uma investigação sobre o desastre que matou 301 trabalhadores em uma mina no país, afirmaram emissoras de televisão neste domingo (18). A operação de resgate na mina de carvão em Soma, no oeste da Turquia, foi encerrada ontem.

Este foi o pior acidente industrial do país. O desastre aconteceu na terça-feira, quando um incêndio emitiu grande quantidade de monóxido de carbono na mina operada pela Soma Madencilik.

A explosão teria ocorrido depois de uma falha elétrica. Um representante da polícia afirmou à agência Reuters que promotores públicos estavam questionando funcionários da companhia em um tribunal de Soma.

A operadora nega ter negligenciado a segurança dos trabalhadores. Os procuradores que investigam o caso pedem a prisão preventiva do diretor-geral da Soma Madencilik, Akin Celik.

Um relatório preliminar sobre o acidente indica ter havido uma série de negligências no local, como a falta de um detector de monóxido de carbono. A maioria das vítimas faleceu devido à intoxicação pelo gás.

Protestos

A tragédia provocou protestos pela Turquia contra os donos da empresa e o governo do primeiro-ministro, Tayyip Erdogan, considerado muito próximo do setor industrial e insensível na resposta ao desastre. O Ministério do Trabalho também nega qualquer responsabilidade no drama e argumenta que a mina era inspecionada a cada seis meses.

Neste domingo, o acesso à mina foi bloqueado com barreiras e qualquer manifestação no local está proibida. Somente os investigadores e seguranças estão autorizados a se aproximar de Soma. 

Trabalhos de resgate concluídos na Turquia; 301 mortos

AFP – Agence France-Presse

17/05/2014 

As equipes de resgate turcas recuperaram neste sábado os corpos de dois mineiros do fundo da mina de Soma, concluindo seus trabalhos, com um saldo definitivo de 301 vítimas fatais, anunciou o ministro da Energia, Taner Yildiz.

“A missão de resgate foi concluída. Não resta nenhum mineiro no fundo da mina”, declarou Yildiz à imprensa, quatro dias após a explosão que devastou a jazida.

Um novo incêndio foi declarado neste sábado na mina devastada, o que atrasou o fim das operações para recuperar os corpos.

O acidente de Soma provocou desde terça-feira uma grande comoção em todo o país e uma onda de manifestações contra o governo islamita conservador do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, acusado de negligência.

A polícia turca dispersou violentamente na sexta-feira com jatos d’água e bombas de gás lacrimogêneo 10.000 pessoas que protestavam em Soma para denunciar as condições de trabalho dos mineiros.

Após catástrofe na mina, polícia turca reprime com violência protesto em Soma

A polícia turca usou canhões de água e granadas de gás lacrimogênio contra manifestantes em Soma na tarde desta sexta-feira (16).

A polícia turca usou canhões de água e granadas de gás lacrimogênio contra manifestantes em Soma na tarde desta sexta-feira (16).

Reuters|RFI

O desastre na mina de Soma, na Turquia, provocou uma nova onda de protestos contra o regime do primeiro-ministro conservador Recep Tayyp Erdogan. Nesta sexta-feira (16), as equipes de resgate se esforçam para resgatar os últimos corpos de mineiros. O balanço final deve ultrapassar 300 mortos. Um protesto em Soma foi reprimido com violência pela polícia turca.

A emoção provocada pela morte de centenas de mineiros se transformou rapidamente em indignação contra o primeiro-ministro, que deve anunciar nas próximas semanas sua candidatura em um primeira eleição direta, marcada para o dia 10 de agosto.

No final da tarde desta sexta-feira, a polícia reprimiu com violência uma manifestação de vários milhares de habitantes de Soma, cidade mineira do oeste da Turquia onde aconteceu o drama. Ao menos cinco pessoas ficaram feridas.

Desde o acidente ocorrido na terça-feira (13) na mina de carvão, milhares de turcos foram às ruas para expressar seu descontentamento com o governo, acusado de ser indiferente ao destino dos trabalhadores em geral.

Já muito contestado por uma mobilização popular inédita em junho de 2013, o poder tentou acalmar a opinião pública prometendo esclarecer as causas da pior catástrofe industrial da história do país.

“Haverá uma investigação aprofundada”, disse o primeiro-ministro na quarta-feira, quando visitou o local da catástrofe. Ele afirmou que o acidente era uma fatalidade, citando como exemplos acidentes ocorridos na França no início do século 20, o que exacerbou a indignação popular.

“Os acidentes fazem parte da própria natureza das minas”, insistiu Erdogan, antes de ser violentamente vaiado pela população local.

Indignação

De acordo com vídeos feitos com telefones celulares que circularam nas redes sociais, o primeiro-ministro, conhecido por seus acesso de raiva, teria agredido fisicamente um manifestante que o criticava. A informação foi desmentida pelo porta-voz de seu partido.

Os vídeos provocaram furor nas redes sociais e ampliaram a impressão de um chefe do governo que não tem empatia pelas vítimas do drama.

A polícia está em alerta em toda a Turquia desde o acidente e reprime com violência qualquer reunião de pessoas em praça pública, como aconteceu na quinta-feira em Izmir ou Istambul.

As forças de segurança dispersaram com granadas de gás lacrimogênio passeatas de ativistas sindicais em greve em várias outras cidade, incluindo a capital Ancara.

Os opositores de Erdogan denunciam a falta de controle dos locais de trabalho pelo poder público e sobretudo no setor mineiro, no qual os acidentes de trabalho estão aumentando.

Fragilizado após a revelação em dezembro de um amplo escândalo de corrupção envolvendo as principais figuras de seu regime e o próprio primeiro-ministro, Recep Tayyp Erdogan saiu no entanto reforçado das eleições municipais, que seu partido venceu em março.

Segundo analistas, ele deve se candidatar à eleição presidencial e tem todas as chances de ganhar.

Negligência

No local do acidente, as equipes de resgate continuam trabalhando para resgatar os últimos corpos. Segundo o ministério da Energia, no máximo 18 mineiros ainda estão presos dentro da mina. Ele estima que o balanço final deve ser de 301 ou 302 mortos.

A empresa privada que explora a mina de Soma desmentiu, por sua vez, qualquer “negligência”. O diretor de exploração, Akin Celik, informou que uma explosão de poeira de carvão pode ter sido a origem da explosão, e não um curto-circuito de transformador elétrico, hipótese evocada desde o início do acidente.

O presidente da companhia, Alp Gürkan, disse que a mina respeitava todas as normas de segurança. O executivo, que seria próximo do partido no poder, é acusado pela imprensa turca de ter privilegiado a rentabilidade em detrimento da segurança dos mineiros.

Número de mortos em mina pode passar de 300 na Turquia

Correio do Brasil, com DW – de Soma, Turquia

 Empresa operadora da mina nega negligência e diz ainda não saber causa exata da explosão

O Ministro de Energia, Taner Yildiz, afirmou nesta sexta-feira, que 18 trabalhadores ainda estão soterrados na mina onde aconteceu a explosão seguida de incêndio em Soma, no Oeste da Turquia. De acordo com as últimas informações oficiais, o número de mortos chegou a 284 e poderia, portanto, subir para no máximo 302.

O ministro disse que as previsões são baseadas em relatos das famílias dos trabalhadores e informações fornecidas pela empresa que opera a mina, a Soma Holding. Grande parte das mortes foi provocada por envenenamento por monóxido de carbono, suspeitam as autoridades.

Segundo a operadora, além dos prováveis 302 mortos, 363 mineiros foram resgatados em boas condições e 122 foram hospitalizados. Portanto, um total de 787 trabalhava no momento da explosão. O acidente teria ocorrido durante uma troca de turno, o que explicaria o grande número de operários no local.

O gerente da operadora, Akin Celik, declarou que ainda não se sabe a causa exata do acidente. “Não houve negligência da nossa parte. Nós todos trabalhamos de corpo e alma”, disse.

Asessor de Erdogan pede desculpas

Yusuf Yerkel, assessor do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que chutou um manifestante nesta quarta-feira,  desculpou-se pelo ocorrido em um comunicado. O assessor afirmou ter perdido o autocontrole diante das “provocações, insultos e ataques”. “Sinto muito pelo incidente desta quarta-feira em Soma”, afirmou, segundo a mídia turca.

Desde a tragédia em Soma, considerada o mais grave acidente em mina de carvão do país, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra o governo e a falta de segurança no setor.

Para Erdogan, o desastre vem numa hora crítica. Nas próximas semanas, ele deverá divulgar se concorre às eleições presidenciais de agosto. Desde a vitória de seu partido, o AKP, nas eleições municipais no fim de março último, a candidatura do premiê para o cargo mais alto da política turca é tida como praticamente certa.

Erdogan visita mina e revela novo balanço de 238 mortos

por AFP, traduzido por Susana SalvadorHoje

 
Erdogan visita mina e revela novo balanço de 238 mortos
Fotografia © Reuters

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, encontra-se junto à mina de carvão de Soma, tendo anunciado que o número de vítimas do acidente de terça-feira se situa já nos 238. Em Ancara, polícia usou gás lacrimogéneo contra manifestantes que acusam o governo de responsabilidade no acidente.

O anterior balanço, divulgado pelo ministro da Energia, Taner Ildiz, era de 205 mortos. No interior da mina estarão ainda cerca de 150 mineiros. A Turquia decretou três dias de luto nacional.

Erdogan chegou ao local onde estão reunidos os familiares e próximos dos mineiros mortos ou ainda presos no interior da mina. 363 mineiros conseguiram sair com vida do interior da mina de carvão, onde ocorreu uma explosão.

Em Ancara, a polícia usou gás lacrimogéneo contra cerca de 800 estudantes que protestavam contra o regime islamita e conservador, que acusam ser responsáveis pela tragédia. Os manifestantes queriam ir do campus universitário de Ancara para o ministério da Energia. Os estudantes responderam com pedras ao gás lacrimogéneo e ao lançamento de pedras.

Confrontos em Istambul provocam 58 feridos

1º DE MAIO

por LusaHoje 

Confrontos em Istambul provocam 58 feridos

Fotografia © Murad Sezer/ Reuters

Os confrontos entre as autoridades e manifestantes em Istambul, Turquia, provocaram, pelo menos, 58 feridos e a detenção de 139 pessoas que tentavam chegar à praça Taksim, que tem sido palco de manifestações contra o Governo.

“Segundo as informações que possuímos, até agora foram detidas 139 pessoas em Istambul, mas temo que esse número venha a aumentar”, disse Mehmet Soganci, presidente do sindicato TMMOB, que representa os engenheiros e arquitetos e que foi uma das quatro grandes organizações responsáveis pela marcha de hoje, Dia do Trabalhador.

Em declarações à agência de notícias EFE, Soganci disse estar ainda a recolher dados nos hospitais sobre o número de feridos, estimando que o número possa atingir uma centena.

Os únicos dados conhecidos até ao momento são os avançados pela associação de juristas CHD, que falam em 58 feridos.

Os primeiros incidentes foram registados ainda de madrugada, (05:30 GMT, 06:30 em Lisboa) nos bairros de Sisli e Besiktas, ambos a cerca de dois quilómetros de Taksim, a emblemática praça cujo acesso foi bloqueado com blindados pelas forças de segurança.

Por volta das oito da manhã, os confrontos já se tinham estendido a 14 zonas distintas da cidade, segundo relatos da emissora Yol TV, citada pela EFE.

Para dispersar a concentração, a polícia usou canhões de água, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes mas, à hora do almoço, os confrontos já tinham diminuído e a polícia começava a desmontar as barricadas montadas pelos protestantes.

As organizações responsáveis pela manifestação reconheceram que a forte presença da polícia tornou impossível chegar a Taksim, considerando que tinham sido postos em causa direitos doas cidadãos.

“Há de facto uma lei marcial que é pior que nos dias do regime militar, em 1980”, afirmou Soganci, notando que o Governo violou o direito à livre circulação de pessoas.

O centro da cidade foi cercado por cordões policiais pesados, o tráfego rodoviário interrompido e a circulação de pessoas quase reduzida a zero.

O governador de Istambul anunciou, na quarta-que, que iria impedir qualquer tentativa de reunião em Taksim, mas os sindicatos decidiram, mesmo assim, que iriam marchar até a praça, símbolo da luta dos trabalhadores.

Erdogan apresenta condolências pelo massacre de arménios ocorrido entre 1915 e 1917

por LusaHoje

 
Primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan
Primeiro-ministro turco Recep Tayyip ErdoganFotografia © Reuters

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, apresentou hoje as condolências da Turquia “aos netos dos arménios mortos em 1915”, numa referência às deportações e massacres desta comunidade cometidos pelo império otomano em plena I Guerra Mundial.

Num comunicado emitido na véspera do 99.º aniversário do início das deportações, o chefe do Governo turco aborda abertamente e pela primeira vez estes acontecimentos ocorridos entre 1915 e 1917, na fase final do império otomano, e reconhecidos como um genocídio por numerosos países.

Pelo contrário, e desde a sua fundação em 1923, a Turquia republicana nunca reconheceu o genocídio arménio.

“É um dever humano compreender e partilhar a vontade dos arménios em comemorar os seus sofrimentos durante essa época”, refere o texto, citado pela agência noticiosa AFP.

“Desejamos que os arménios que perderam a vida no contexto do início do século XX repousem em paz e exprimimos as nossas condolências aos seus netos”, acrescenta a missiva. Na sua mensagem sobre os acontecimentos de 1915, Erdogan também considera “inadmissível” que os acontecimentos de 1915 sejam utilizados como um “pretexto” para hostilizar a Turquia, ou que a questão seja aproveitada para promover o “conflito político”.

“No mundo de hoje, promover a inimizade através da história e criar novos antagonismos não é aceitável nem útil para a construção de um futuro comum”, sublinha o líder turco, que também recorda a necessidade do diálogo “apesar das diferenças”, de compromisso e de promoção do “respeito e tolerância”.

Neste contexto, recorda que a Turquia “apelou para o estabelecimento de uma comissão história conjunta para estudar os acontecimentos de 1915 na perspetiva de uma abordagem académica”.

“Este apelo permanece válido. As investigações, que deverão ser efetuadas por historiadores turcos, arménios e internacionais desempenharão um significativo papel no esclarecimento dos acontecimentos de 1915 e de um correto conhecimento da história”, refere.

O dia 24 de abril de 1915 assinala o início das perseguições à população arménia que há séculos vivia sob domínio otomano, no que é descrito como o primeiro genocídio do século XX. Centenas de milhares de arménios foram na ocasião deportados e a maioria dos seus bens confiscados.

Enquanto as autoridades da Arménia e diversos historiadores se referem a cerca de 1,5 milhões de mortos no decurso das perseguições e deportações, a Turquia argumenta que cerca de 500.000 arménios morreram de fome ou em combates durante o conflito mundial, continuando a rejeitar o termo genocídio.