Arquivo da tag: Ucrania

Combates na Ucrânia já deixaram mais de 1.100 mortos desde abril

Um separatista pró-russo ao norte da cidade de Donetsk, bastião da insurgência.

Um separatista pró-russo ao norte da cidade de Donetsk, bastião da insurgência.

AFP PHOTO/ BULENT KILIC

Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira (28), a ONU denunciou as mortes de 1.129 pessoas desde o início da operação do Exército contra os separatistas no leste da Ucrânia, em meados de abril. Além do elevado número de mortes, os combates deixaram 3.442 feridos, segundo a ONU.

 

O texto chama de alarmantes as informações sobre os combates em Donetsk e Lugansk, onde as duas partes “utilizam armas pesadas como artilharia, tanques, foguetes e mísseis” em áreas residenciais.

Citada pelo comunicado, a comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirma que a queda do avião da Malaysia Airlines, abatido por um míssil no leste da Ucrânia, pode se assimilar a um crime de guerra. “Tudo será feito para que os responsáveis dessa tragédia sejam levados à justiça”, disse ela. O Boeing fazia a rota entre Amsterdã e Kuala Lumpur no dia 17 de julho, com 298 pessoas a bordo. Kiev e as potências ocidentais apontam a responsabilidade dos rebeldes pró-russos e de seus aliados em Moscou.

Dez dias depois do acidente, fragmentos de corpos e pedaços da aeronave continuam espalhados pela região sob controle dos separatistas. Apesar de um frágil cessar-fogo ter sido estabelecido ao redor do área, os combates voltaram a se intensificar.

Equipes de policiais holandeses e australianos tentam chegar ao local do acidente. Ontem, eles desistiram da incursão por conta dos confrontos entre tropas ucranianas e rebeldes pró-russos, que aconteciam não só na estrada que leva à região, mas no próprio local do acidente, a cerca de 60 quilômetros de Donetsk, bastião da insurgência. A ministra australiana das Relações Exteriores, Julie Bishop, viajou a Kiev para discutir o assunto com as autoridades locais.

Desarmados, os policiais não estão encarregados da segurança do perímetro. Eles vão simplesmente observar o local em detalhes, uma etapa importante para a investigação, que deve durar entre cinco e sete dias.

Avião da Malaysia cai no leste da Ucrânia; Kiev e rebeldes trocam acusações

Destroços do Boeing 777 MH-17, da Malaisia Airlines, que caiu na região de Donetsk

Destroços do Boeing 777 MH-17, da Malaisia Airlines, que caiu na região de Donetsk

REUTERS/Maxim Zmeyev
RFI

Um avião comercial da Malaysia Airlines caiu na cidade de Chakhtarsk, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia nesta quinta-feira (17). A informação, divulgada inicialmente pelas agências de notícias Inter-Tass e InterFax foi confirmada pelo conselheiro do ministério ucraniano do Interior, Anton Geratchenko.

 

A companhia aérea disse ter perdido contato com o Boeing 777 MH-17, quando ele sobrevoava a Ucrânia a 10 mil metros de altitude, com 280 passageiros e 15 membros da tripulação a bordo. De acordo com o conselheiro ucraniano, não houve sobreviventes.

Troca de acusações

Anton Geratchenko acusou separatistas russos de terem abatido o avião, que fazia a rota entre as capitais da Holanda, Amsterdã, e da Malásia, Kuala Lumpur, com um míssil disparado a partir do solo. O governo malaio prometeu investigar o caso e o presidente ucraniano Petro Porochenko disse “não excluir” a possibilidade de o avião ter sido “abatido”.

“Este é o terceiro caso trágico dos últimos dias, depois dos aviões An-26 e Su-25 das forças armadas ucranianas, que foram derrubados (por mísseis lançados) a partir do território russo”, disse Porochenko em comunicado. De acordo com ele, que prestou condolências às famílias das vítimas, “as forças ucranianas não efetuaram tiros que pudessem atingir alvos aéreos”.

Mas o chefe separatista Alexandre Borodai acusa as forças ucranianas pelo ataque. “Ao que parece, foi mesmo um avião de linha, abatido pela força aérea ucraniana”, declarou à televisão o líder da autoproclamada “República Popular de Donetsk”.

Um grupo de socorristas do ministério ucraniano de Situações de Emergência teria se deslocado para o local do acidente, informaram agências de notícias. Da sede da ONU, em Nova York, o embaixador russo para as Nações Unidas, Vitaly Tchurkin negou que a Rússia esteja por trás dos disparos que derrubaram os dois aviões militares.

A queda do avião foi um dos assuntos abordados em uma conversa telefônica entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e americano, Barack Obama, na tarde desta quinta-feira.

Presidente ucraniano desiste de assistir à final da Copa com Putin

Forças ucranianas passam pela cidade de Severesk, no leste do país.

Forças ucranianas passam pela cidade de Severesk, no leste do país.

REUTERS/Gleb Garanich
RFI

O presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, desistiu de assistir à final da Copa do Mundo no Brasil, neste domingo (13). Ele havia confirmado ontem a presença no evento, do qual o presidente russo, Vladimir Putin, participará. Nesta manhã, uma bomba ucraniana teria caído em território russo, causando uma morte. Moscou diz que as consequências da “agressão” podem ser “irreversíveis”.

 

Porochenko afirmou que a viagem ao Rio de Janeiro ficou “impossível” neste momento em que se intensificam os confrontos entre as Forças Armadas ucranianas e os insurgentes separatistas no leste do país. Pelo menos 19 militares ucranianos morreram na sexta-feira, após uma sequência de disparos de foguetes pelos pró-russos.

A presença do presidente da Ucrânia na final da Copa havia sido anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, no sábado. A diplomacia russa havia dito “não excluir” uma reunião com o ucraniano à margem do jogo entre Alemanha e Argentina. Putin tinha confirmado presença há vários meses, por ser o presidente do próximo país-sede da Copa, em 2018.

Durante a madrugada, no entanto, as autoridades de Kiev disseram que “considerando a situação hoje na Ucrânia, o chefe de Estado estima que é impossível, para ele, assistir à final da Copa do Mundo”. Mesmo assim, o conflito na Ucrânia ainda deve ser abordado no Rio de Janeiro – mas entre Putin e a chanceler alemã, Angela Merkel, que vai ao Maracanã para torcer pela seleção do país. Merkel tem desempenhado um papel ativo nas negociações por uma solução da crise ucraniana.

Bomba cai na Rússia

A situação registra um novo pico de tensão neste domingo, depois que uma bomba vinda da Ucrânia teria caído em território russo, na fronteira entre os dois países, matando um russo. Moscou ameaçou Kiev e classificou o incidente como “uma agressão” por parte da Ucrânia. Kiev, porém, nega que seja a responsável pela bomba.

“Na Rússia, nós consideramos essa provocação como mais um ato de agressão”, indicou o ministério russo das Relações Exteriores. “Este acontecimento mostra uma escalada extremamente perigosa das tensões na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia e poder ter consequências irreversíveis, em que a Ucrânia terá as responsabilidades.”

As autoridades ucranianas, entretanto, desmentiram serem as responsáveis pelo disparo. “Não há dúvidas. As forças ucranianas não efetuam tiros em direção ao território da Federação Russa. Nós não atiramos”, declarou um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa.

Confrontos

Nas últimas 24 horas, pelo menos 24 pessoas morreram em confrontos na Ucrânia.
Seis mortes aconteceram em Donetsk, a maior cidade ucraniana controlada por rebeldes pró-russos. Outras oito pessoas perderam a vida em Marinka, um vilarejo também comandado por insurgentes, distante 30 quilômetros. Mais nove vítimas foram registradas em Lugansk, outro foco dos separatistas, das quais três eram militares ucranianos.

Um enfrentamento violento entre o Exército ucraniano e os separatistas está cada vez mais próximo. As forças militares estão conseguindo cercar Donetsk e estão a 20 quilômetros da cidade. Kiev afirma ter realizado bombardeios aéreos contra bases dos separatistas, causando “duras perdas” e destruindo uma dúzia de tanques e morteiros dos insurgentes. 

Ucrânia avança contra rebeldes antes de reunião de ministros em Berlim

Por Richard Balmforth e Natalia Zinets

KIEV (Reuters) – Forças do governo ucraniano prosseguiram com uma ofensiva militar contra separatistas nesta quarta-feira, à medida que Ucrânia, Rússia, Alemanha e França se preparavam para uma reunião de ministros a fim de tentar controlar a crise no leste do país.

Rebeldes lançaram foguetes e conseguiram danificar um avião de ataque SU-24, disse um porta-voz militar, e um guarda de fronteira da Ucrânia foi morto por um ataque de morteiro em seu posto na divisa com a Rússia.

“As forças armadas e a Guarda Nacional estão prosseguindo com a ofensiva contra terroristas e criminosos. As ações de nossos militares são eficazes e estão dando resultados”, disse o presidente do Parlamento, Oleksander Turchynov.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, sob pressão interna para adotar uma linha dura contra separatistas que têm combatido as forças do governo desde abril, se recusou a renovar o cessar-fogo na segunda-feira à noite, e ordenou uma ofensiva do governo para “responder aos terroristas, militantes e saqueadores”.

A medida teve apoio dos Estados Unidos, mas foi criticada pelo presidente russo, Vladimir Putin, que disse que o recém-eleito líder ucraniano se desviou do caminho para a paz.

O levante separatista ganhou força no leste ucraniano, de língua russa, em abril, quando rebeldes tomaram prédios e pontos estratégicos na região, declarando “repúblicas populares” e dizendo que queriam a união com a Rússia.

Até 30 de junho um total de 191 ucranianos das forças de segurança tinham sido mortos, incluindo 145 soldados, disse nesta quarta-feira Andriy Lytsenko, porta-voz do conselho nacional de segurança e defesa. Centenas de civis e rebeldes também foram mortos.

Em uma nova tentativa de tentar estancar a crise, que resultou no pior embate entre a Rússia e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria, ministros das Relações Exteriores da Rússia, Ucrânia, Alemanha e França tinham planos de se reunir em Berlim nesta quarta-feira.

Diplomatas alertaram contra expectativas de algum avanço.

“Não há um objetivo preciso. É uma oportunidade para trabalhar em esforços de paz, mas não queremos criar expectativas”, disse uma fonte diplomática francesa na terça-feira.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, apoiou a ideia da reunião com seus colegas francês, Laurent Fabius, e ucraniano, Pavlo Klimkin, durante uma conversa por telefone com o ministro alemão Frank-Walter Steinmeier na noite de terça-feira, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Poroshenko, que acusa a Rússia de atiçar o conflito e permitir que combatentes e equipamentos cruzem a fronteira para apoiar seus rivais, não renovou um cessar-fogo unilateral que já durava 10 dias.

Cinegrafista de TV russa é morto em tiroteio no leste da Ucrânia

MOSCOU (Reuters) – Um cinegrafista da televisão russa foi morto durante a noite no leste da Ucrânia, em um tiroteio que, segundo Moscou, abalou a fé no desejo de Kiev de resolver semanas de conflito de maneira pacífica.

Anatoly Klyan, de 68 anos, trabalhava na televisão estatal Channel One e foi o terceiro jornalista russo morto desde que separatista pró-Rússia começaram um levante contra o governo central da Ucrânia em abril.

Klyan foi baleado no estômago enquanto acompanhava um grupo de mães de soldados que eram levadas para uma unidade pró-governo, para “encontrar seus filhos e levá-los para casa”, disse a emissora de TV em seu website.

 

O ônibus que levava as mães e os jornalistas recuou após ficar sob fogo cruzado ao se aproximar da base. Klyan morreu quando um grupo de pessoas foi alvejado por disparos de fuzil automático ao sair do ônibus, disse o Channel One.

Não houve comentário imediato das forças militares da Ucrânia ou do governo de Kiev.

O governo russo se manifestou contra a morte do jornalista e reafirmou pedidos para que se encerre a operação militar lançada pelo governo de Kiev nas regiões de Donetsk e Luhansk, no leste do país, onde separatistas tomaram o controle de prédios estatais e arsenais de armas.

(Por Jason Bush e Alissa de Carbonnel em Moscou e Thomas Grove em Kiev)

Novas sanções podem ter graves consequências para economia russa

O presidente Vladimir Putin se prepara para enfrentar as consequências que as sanções ocidentais podem ter para a economia russa.

O presidente Vladimir Putin se prepara para enfrentar as consequências que as sanções ocidentais podem ter para a economia russa|REUTERS/Alexei Druzhinin/RIA Novosti/Kremlin|RFI

Novas sanções ocidentais contra Moscou podem agravar o crescimento econômico da Rússia, disse neste sábado (28) o ministro russo da Economia, Alexei Ulyukayev. O país se prepara para enfrentar as conseqüências das medidas prometidas pelos Estados Unidos e União Europeia devido à continuação dos combates da rebelião separatista russa no leste da Ucrânia.

Ulyukayev anunciou que o país preparou três cenários, caso as sanções ocidentais contra Moscou endureçam. O mais otimista deles prevê o bloqueio das exportações de produtos de luxo, como caviar e peles, e o pior cenário englobaria o setor da metalurgia, petroleiro, e o gás, disse o ministro russo da Economia à televisão do país.

Se o quadro mais pessimista se confirmar, avaliou Ulyukayev, o crescimento econômico da Rússia seria gravemente afetado. “Os investimentos chegariam ao negativo, os juros baixariam, a inflação aumentaria e as reservas do Estado diminuiriam”, analisou. Para o ministro, no entanto, a economia russa tem capacidade de “suportar” essa perspectiva.

Cessar-fogo prolongado

Ontem (27), ao assinar um acordo histórico de associação com Kiev, os dirigentes da União Europeia estipularam que Moscou tem até segunda-feira (30) para tomar medidas contra a rebelião separatista russa no leste da Ucrânia. Esperando obter ações concretas por parte do vizinho, Kiev prolongou ontem o cessar-fogo com insurgentes durante mais 72 horas, na esperança da abertura de um diálogo de paz.

Tanto a União Europeia como os Estados Unidos aplicam uma série de sanções contra autoridades russas ou ucranianas pró-russas há quatro meses. O presidente Vladimir Putin, que no começo desdenhou as medidas, começa a ter os primeiros resultados concretos das mesmas. Na semana passada, o banco central russo admitiu que o crescimento da economia do país teria um recuo de 0,4% este ano.

Ontem a agência americana Moody’s rebaixou a avaliação de crédito da Rússia de “estável” para “negativa”, argumentando que a economia de Moscou está ameaçada pelo conflito na Ucrânia. A instituição também avaliou que a rebelião elevou o perigo de um “evento geopolítico arriscado” na Rússia.

Combates continuam

Apesar da extensão do cessar-fogo, os combates continuam no leste da Ucrânia. De acordo com o porta-voz das operações militares pró-russas na região industrial de Donbass, a madrugada foi “mais ou menos calma”. Ele anunciou a morte de três soldados ucranianos hoje nos arredores de Slaviansk, reduto dos insurgentes.

Guardas russos da fronteira com a Ucrânia afirmaram que a localidade de Rostov-na-Donu e outras cidades russas da região foram atingidas hoje por três mísseis do exército ucraniano. Ontem à noite, os rebeldes tomaram o controle de uma base do ministério do Interior na periferia de Donetsk.

Presidente da Ucrânia aumenta cessar-fogo, com apoio da Rússia

Presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, esteve na reunião de cúpula dos líderes europeus, em Bruxelas.

Presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, esteve na reunião de cúpula dos líderes europeus, em Bruxelas|REUTERS/Philippe Wojazer|RFI

O presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, ampliou nesta sexta-feira (27) o cessar-fogo no leste do país, durante mais 72 horas. O prazo original expiraria às 22h (15h em Brasília). Enquanto isso, em Bruxelas, os líderes da União Europeia deram um limite de três dias para a Rússia fazer “ações concretas” para diminuir a tensão no país vizinho, sob pena de receber novas sanções.

Em uma coletiva de imprensa na capital belga, onde estava para assinar o acordo de associação à União Europeia, Porochenko afirmou que a decisão de prolongar o cessar-fogo cabia a ele e precisava ser tomada hoje, devido à expiração do prazo inicial. A trégua foi proposta por Kiev na sexta-feira passada e aceita pelos insurgentes do leste, embora tenha sido desrespeitada de maneira esporádica ao longo da semana.

Mais cedo, o presidente russo, Vladimir Putin, havia pedido um cessar-fogo “de longa duração” na Ucrânia e o início de negociações diretas entre o governo de Kiev e as lideranças separatistas. “Sinceramente, nós estamos fazendo todo o possível para ajudar no processo de paz”, declarou o presidente. O chanceler russo, Serguei Lavrov, explicou, entretanto, que o cessar-fogo não deve ser um “ultimato” para os insurgentes baixarem as armas.

Pressão europeia

Os líderes europeus e os Estados Unidos pressionam Moscou a tomar “ações concretas” para desarmar os insurgentes pró-russos e trazer de volta os milicianos russos que combatem ao lado dos separatistas no leste ucraniano. Em um comunicado, a União Europeia determinou quatro condições para a Rússia evitar novas sanções, a serem cumpridas até segunda-feira à tarde: abertura de negociações sérias sobre a aplicação do plano de paz proposto pelo presidente ucraniano, a adoção de um mecanismo de verificação do cessar-fogo, supervisionado por inspetores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), o retorno do controle ucraniano em três pontos de fronteira entre os dois países e a libertação dos reféns detidos pelos separatistas pró-russos.

O Conselho Europeu prometeu voltar “examinar a situação” na segunda-feira e “tomar as medidas necessárias”, conforme o andamento da crise. O texto garante que os europeus estão prontos “para se reunir a qualquer momento” para a adoção de novas sanções contra Moscou, acusada de não usar sua influência sobre os separatistas para baixar a tensão na Ucrânia. Os europeus adotaram há quatro meses uma série de sanções contra personalidades russas e ucranianas pró-russas, principalmente o congelamento dos seus bens no bloco e a proibição de entrar nos países-membros da UE.

No final de semana, o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, terão uma nova conversa por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, para tratar sobre o assunto.

Ucrânia assina acordo com UE em dia crucial para o leste do país

AFP – Agence France-Presse

27/06/2014

A Ucrânia assinou nesta sexta-feira um acordo de associação histórico com a União Europeia, o que provocou uma dura reação da Rússia, pressionada pela UE para que diminua a tensão no leste separatista do país.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, decidiu prolongar o cessar-fogo decretado para o leste da ex-república soviética até segunda-feira, coincidindo com o prazo dado pela União Europeia para que Moscou adote medidas concretas para reduzir a tensão na região, de acordo com uma fonte diplomática da UE.

Poroshenko também exigiu a libertação dos reféns, entre eles os observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e o fim da “infiltração” de armas e combatentes pela fronteira entre seu país e a Rússia, revelou a fonte.

Os líderes da UE, reunidos em Bruxelas, deram à Rússia até a próxima segunda-feira para que adote uma série de medidas concretas para propiciar a pacificação no leste da Ucrânia, sob pena de mais sanções, segundo um comunicado oficial da cúpula de Bruxelas divulgado nesta sexta-feira.

As medidas concretas exigidas pelos líderes da UE incluem a libertação de todos os reféns na região, o retorno às autoridades ucranianas de três postos fronteiriços, negociações sobre o plano de paz ucraniano e um mecanismo de vigilância de sua aplicação.

“Que grande dia! Provavelmente o mais importante para meu país desde a independência em 1991”, declarou Poroshenko antes da assinatura deste acordo comercial, que pretende suprimir a maioria das barreiras alfandegárias entre a UE e a Ucrânia, país de 45 milhões de habitantes com importantes setores metalúrgicos e agrícolas.

O acordo de associação UE-Ucrânia é o mesmo que o antecessor de Poroshenko, o destituído Viktor Yanukovytch, se recusou a assinar em novembro, o que provocou uma onda de protestos, a queda de Yanukovytch e o conflito com a Rússia, que anexou em março a Crimeia a seu território.

Desde então, Kiev lançou uma operação militar para reprimir a insurreição separatista pró-russa no leste do país que já deixou mais de 400 mortos.

“É um grande dia para a Europa. A União Europeia está a seu lado, hoje mais do que nunca”, declarou por sua vez Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu.

Na Rússia, o presidente Vladimir Putin lamentou a assinatura do acordo.

“O golpe de Estado inconstitucional em Kiev e as tentativas para impor ao povo ucraniano a escolha artificial entre Europa e Rússia empurraram a sociedade para a divisão e para um doloroso confronto interno”, declarou Putin a um canal de televisão russo.

“No sudeste do país corre o sangue, há uma catástrofe humanitária em curso, milhares de pessoas fogem dos combates buscando refúgio em outros lugares, entre eles a Rússia”, completou.

Consequências graves

A assinatura deste acordo acaba com as esperanças do presidente russo de incorporar a Ucrânia à recente União Econômica Euro-asiática, criada pela Rússia em parceria com outras ex-repúblicas soviéticas, Belarus e Cazaquistão.

Geórgia e Moldávia, também ex-repúblicas soviéticas, assinaram nesta sexta-feira o mesmo acordo de associação com a UE.

Mas o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Grigori Karasin, advertiu para as consequências.

A Rússia teme a entrada em seu território de produtos fabricados na UE via Ucrânia em detrimento de sua produção nacional e considera que Kiev não pode manter relações comerciais privilegiadas com Bruxelas e Moscou ao mesmo tempo.

Desta forma, o Kremlin garantiu que vai adotar medidas para defender sua economia no momento das consequências negativas.

Durante a campanha eleitoral, o presidente ucraniano prometeu em maio orientar a Ucrânia em direção a Europa. Poroshenko considera que este acordo é um primeiro passo para a entrada de seu país na União Europeia.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, assinou em março o primeiro capítulo do acordo com a UE de caráter político.

110.000 pessoas fogem da Ucrânia

Na quinta-feira, Poroshenko disse estar disposto a alcançar um acordo de paz com Putin.

Representantes de Kiev e líderes separatistas também iniciaram uma terceira rodada de negociações diretas em Donetsk, apesar de os combates continuarem.

De acordo com o Exército, cinco soldados ucranianos morreram na quinta-feira à noite em ataques rebeldes.

Desde o início de 2014, um total de 110.000 pessoas fugiram da Ucrânia para a Rússia e outras 54.400 optaram por abandonar suas casas e seguir para outros pontos do país, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Além disso, o presidente da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), o suíço Didier Burkhalter, comemorou a libertação de quatro observadores sequestrados no leste da Ucrânia há um mês, mas pediu a libertação dos oito funcionários que permanecem detidos.

Os quatro observadores sequestrados em 26 de maio por rebeldes pró-Rússia chegaram na quinta-feira à noite em um hotel de Donetsk, reduto dos separatistas no leste da Ucrânia.

Ucrânia e EUA reclamam da falta de apoio russo a plano de paz

O presidente ucraniano, Petro Porochenko.

O presidente ucraniano, Petro Porochenko.

Reurters/ Gleb Garanich|RFI

Na véspera do fim do cessar-fogo nos confrontos no leste ucraniano, o presidente do país, Petro Porochenko, lamentou nesta quinta-feira (26) o apoio insuficiente de Moscou ao plano de paz lançado por ele na semana passada. O secretário de Estado americano, John Kerry, pressionou a Rússia a dar, “nas próximas horas, sinais concretos de boa vontade na crise ucraniana”.

Conforme Porochenko, o plano de paz, composto por 14 pontos, “não poderá funcionar se a Rússia não participar”. O presidente deseja aplicar “um cessar-fogo duradouro”. “Até o momento, infelizmente, o apoio de Moscou não é suficiente”, afirmou, na Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu.

“A guerra não-declarada continua, neste momento. É preciso trazer de volta os mercenários que atravessam a fronteira russa”, disse Porochenko, referindo-se aos milicianos russos que vão à Ucrânia para combater ao lado dos separatistas.

Kerry em Paris

Em visita a Paris nesta quinta-feira, o secretário de Estado americano, John Kerry, aumentou a pressão sobre a Rússia na véspera do fim da trégua entre governo e separatistas na Ucrânia. Kerry pediu que Moscou dê, “nas próximas horas, sinais concretos de boa vontade na crise ucraniana”. “A Rússia precisa encorajar os separatistas a entregar as armas e convencê-los a participar do processo político”, declarou o secretário de Estado.

Ontem, o presidente Barack Obama voltou a ameaçar a Rússia com novas sanções, se Moscou não tomar medidas rápidas para diminuir a tensão na Ucrânia. O alerta americano acontece enquanto França e Alemanha tentam negociar uma saída pacífica para o conflito.

François Hollande e Angela Merkel tiveram, na quarta-feira, uma primeira teleconferência com os presidentes ucraniano, Petro Porochenko, e russo, Vladimir Putin. Hoje, os quatro líderes voltam a conversar pelo telefone. Segundo Paris, Putin ja teria pedido um prolongamento do cessar-fogo.

Desde abril, mais de 400 pessoas morreram nos enfrentamentos entre o exército e os separatistas pró-russos. 

Presidente ucraniano ameaça revogar cessar-fogo após ataque a helicóptero

AFP – Agence France-Presse

24/06/2014 

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, declarou nesta terça-feira que pode acabar com o cessar-fogo declarado unilateralmente, após a morte de nove soldados ucranianos na queda de um helicóptero abatido pelos rebeldes pró-russos no leste do país.

“O chefe de Estado não descarta acabar com o cessar-fogo antes de sua expiração prevista porque o acordo tem sido constantemente violado pelos rebeldes que são controlados pelo exterior”, indica um comunicado do serviço de imprensa do presidente pró-ocidental, em uma referência implícita à Rússia.

A destruição do helicóptero mostra que a desescalada continua lenta, apesar do intenso balé diplomático.

De acordo com o porta-voz do Exército ucraniano, a aeronave, um Mi-8, foi atingido no ar perto de Slaviansk, reduto dos rebeldes separatistas.

O helicóptero teria sido abatido por um míssil terra-ar portátil, uma arma fornecida aos rebeldes por Moscou, segundo os ucranianos. A Rússia nega que esteja fornecendo armas para os insurgentes.

De acordo com o presidente Poroshenko, suas forças foram atacadas 35 vezes desde que ele ordenou um cessar-fogo na sexta-feira à noite.

Ele deu a ordem para retaliar ataques de rebeldes “sem hesitação”, de acordo com o comunicado à imprensa.

Poroshenko também declarou que espera resolver a questão na quarta-feira durante uma conversa por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande.