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Poroshenko recusa compromisso com Rússia sobre Crimeia

por LusaHoje

 
Poroshenko recusa compromisso com Rússia sobre Crimeia
Fotografia © Reuters

O novo Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, disse hoje durante a sua tomada de posse que vai recusar qualquer “compromisso” com a Rússia sobre a orientação europeia do seu país e a anexação da península da Crimeia por Moscovo.

“A Crimeia foi e continuará a ser ucraniana. Disse-o claramente ao Presidente russo na Normandia”, afirmou Petro Poroshenko, gerando aplausos no parlamento, onde estão presentes chefes de Estado estrangeiros, nomeadamente o vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden.

O novo presidente da Ucrânia prometeu manter a unidade do seu país, enquanto decorrem os combates entre o exército de Kiev e os combatentes pró-russos nas regiões rebeldes do sudeste do país.

Falando no parlamento, Poroshenko prometeu aos habitantes da região de Donbass, na maioria controlada pelos rebeldes, que vai descentralizar o poder das regiões e garantir a livre utilização da língua russa.

A Ucrânia assiste hoje à posse do novo Presidente Petro Poroshenko, um milionário de 48 anos de idade, que venceu a eleição presidencial a 25 de maio com 54,7% dos votos, e é conhecido como “Rei do Chocolate” devido à sua empresa de doces Roshen, e que tinha na Rússia um dos seus principais clientes até ao bloqueio das importações por Moscovo.

Na sexta-feira, e num breve encontro com o Presidente russo Vladimir Putin à margem das celebrações do 70.º aniversário da invasão da Normandia (norte da França), Poroshenko abordou pela primeira vez a possibilidade de um cessar-fogo com as forças pró-russas.

Putin e Poroshenko apelam ao fim dos combates

or Lusa, publicado por Ana MeirelesHoje

 
Petro Poroshenko e Vladimir Putin discutiram a situação da Ucrânia à margem das celebrações do Dia D
Petro Poroshenko e Vladimir Putin discutiram a situação da Ucrânia à margem das celebrações do Dia DFotografia © REUTERS/Alexander Zemlianichenko/Pool

O Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo ucraniano, Petro Poroshenko, apelaram hoje ao fim dos combates entre as forças em confronto na Ucrânia, durante um breve encontro durante as cerimónias do Desembarque na Normandia.

“Na sequência de um breve diálogo, Putin e Poroshenko pronunciaram-se pelo fim o mais rapidamente possível do derramamento de sangue no sudeste da Ucrânia”, declarou Dmitri Peskov, o porta-voz de Putin citado pelas agências noticiosas russas.

Os dois responsáveis também de pronunciaram pelo “fim das ações armadas dos dois lados, quer do lado das forças armadas ucranianas quer dos apoiantes da federalização da Ucrânia”, acrescentou.

Segundo os ‘media’ franceses, o encontro, que se prolongou por 15 minutos, ocorreu antes do almoço oficial, no âmbito das celebrações do 70º aniversário do “Dia D”, o desembarque das forças aliadas na Normandia na fase final da Segunda Guerra Mundial.

Dezenas de chefes de Estado, incluindo o anfitrião e Presidente francês François Hollande, o seu homólogo dos EUA Barack Obama e a chanceler alemão Angela Merkel participam nas cerimónias.

Na reunião, que decorreu na véspera da tomada de posse de Poroshenko no parlamento de Kiev, os dois responsáveis abordaram a possibilidade de um cessar-fogo” nos “próximos dias”, de acordo com os círculos próximos de Hollande.

Fontes da presidência francesa asseguraram ainda que Moscovo vai enviar no sábado um embaixador a Kiev.

Hollande recebe Obama, Putin e rainha Elizabeth 2ª em Paris

Rainha Elizabeth II da Inglaterra chega à estação Gare du Nord em Paris, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2014.

REUTERS/Benoit Tessier|ARFI

A Rainha Elizabeth II da Inglaterra chega à estação Gare du Nord em Paris, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2014.O presidente francês, François Hollande, começa a receber a partir desta quinta-feira (5), em Paris, cerca de 20 chefes de Estado e de governo que vão participar das comemorações dos 70 anos do desembarque aliado na Normandia, o Dia D, celebrado amanhã, 6 de junho. Vladimir Putin estará presente, assim como Barack Obama, a rainha da Inglaterra Elizabeth 2ª e o novo presidente ucraniano, Petro Porochenko.

Não há um encontro previsto entre Obama e Putin, mas Hollande espera unir os dois líderes pelo menos para a fotografia oficial do evento. Putin não descarta a hipótese de conversar com Porochenko.

Na delicada tarefa de ser o anfitrião das celebrações em um momento de alta tensão entre americanos e russos, devido à crise na Ucrânia, o presidente francês terá uma agenda intensa hoje em Paris. Hollande vai chegar a jantar duas vezes, primeiro com Obama, às 19h, e depois com Putin, às 21h. Antes, ele recebe a rainha Elizabeth, que desembarca de trem na Gare du Nord, vinda da Inglaterra de Eurostar.

Rainha vem de trem

A viagem de trem sob o Canal da Mancha carrega todo um simbolismo político, já que a construção do Eurotunel foi uma das maiores realizações em conjunto entre França e Inglaterra. Depois de desembarcar na estação de trem mais movimentada da Europa, a rainha e o príncipe Filipe vão se dirigir ao Arco do Triunfo e em seguida desfilar pela avenida Champs Elysées rumo ao Palácio do Eliseu, onde serão recebidos por François Hollande.

O casal real será transportado em um carro adaptado, mais alto do que o utilizado habitualmente por chefes de Estado na França, para que a rainha não precise se curvar demais. Aos 88 anos, Elizabeth 2ª tem viajado cada vez menos, mas a França é um dos seus destinos preferidos.

A primeira visita ocorreu em 1948 e, a partir daí, a rainha já se encontrou com nove chefes de Estado franceses diferentes, em cinco viagens oficiais, fazendo da França o país mais visitado por ela, à exceção dos países do Commonwealth. Assim como essa pode ser a última grande celebração do Desembarque da Normandia com veteranos do combate ainda vivos, especialistas na monarquia inglesa afirmam que, por causa da idade avançada, essa poderá também ser a derradeira visita de Elizabeth ao país.

O convite de Hollande à coroa inglesa também redime o país do constrangimento do aniversário dos 65 anos do desembarque, quando o então presidente Nicolas Sarkozy não convidou o casal real. O Desembarque da Normandia foi a gigantesca operação militar que marcou o início da libertação da França do jugo dos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Guardas de fronteiras da Ucrânia se rendem à autodefesa de Lugansk

Conflitos no sudeste ucraniano devem serem ainda mais intensos esta semana

02/06/2014

O autoproclamado governo popular de Lugansk anunciou que os guardas de fronteiras da Ucrânia começaram a se render às forças de autodefesa. Segundo a agência RIA Novosti, as tropas da resistência atacaram a sede do Serviço de Guarda Fronteiras em Lugansk nesta segunda-feira, 2.

A tomada da sede foi concluída às 7 horas (locais), correspondentes à 1h de Brasília. Diversos guardas ficaram feridos no confronto e pelo menos cinco integrantes das milícias populares morreram.

As tropas da resistência de Lugansk estão mantendo posições no confronto com os militares de Kiev

Analistas políticos temem que os conflitos se intensifiquem esta semana na Ucrânia. Isto porque o Presidente eleito, Petro Poroshenko, pediu ao governo federal para completar até sábado, 7, a chamada operação limpeza nas regiões de Donetsk e Lugansk que declararam sua independência do país e formaram o estado da Nova Rússia.

Na mesma data, acontece a posse de Petro Poroshenko na presidência da Ucrânia.

Pró-russos promovem mega-ofensiva no leste da Ucrânia

Padre segura uma bandeira russa diante do prédio da administração local de Lugansk, ocupado por separatistas

Padre segura uma bandeira russa diante do prédio da administração local de Lugansk, ocupado por separatistas|REUTERS|Stringer|RFI

Nesta segunda-feira, centenas de atiradores pró-Rússia atacaram um campo da guarda fronteiriça em Lugansk, no leste da Ucrânia. A ação, que contou com atiradores de elite, lança granadas e morteiros, foi uma das maiores ofensivas da insurgência que Washington acusa Moscou de apoiar e patrocinar.

O ataque extremamente bem organizado começou logo nas primeiras luzes do dia e se estendeu pela tarde. Homens armados de fuzis de fabricação russa compuseram a linha de frente, cobertos por snipers experientes, posicionados sobre dois prédios de nove andares no entorno do campo. Um destes atiradores foi morto, além de quatro outros rebeldes, informou a guarda fronteiriça em comunicado. Ainda de acordo com o texto, oito pró-russos ficaram feridos. Do lado ucraniano, foram oito feridos, quatro sem gravidade.

No início da tarde, as duas partes negociaram um cessar-fogo para que os feridos pudessem ser retirados em ambulâncias. Um porta-voz do que a Ucrânia chama de “operação antiterrorista” afirmou que a guarda recebeu apoio aéreo, que conseguiu destruir duas equipes de lançadores de morteiros.

De fato, testemunhas viram crateras no chão ao redor de um prédio administrativo de Lugansk que está ocupado por separatistas desde o dia 6 de abril. De uma das janelas do edifício, era possível ver nuvens de fumaça, que poderiam ter sido causadas por uma explosão ou por bombardeio.

Teste para Porochenko

Para o presidente-eleito Petro Porochenko, a ofensiva de hoje serviu para lembrar o quanto vai ser difícil manter sua promessa de campanha de salvar o país da desintegração territorial e do colapso econômico. O empresário pró-ocidente de 48 anos conseguiu um trunfo político inesperado na manhã de segunda, com a decisão da gigante estatal russa Gazprom de prorrogar o prazo para Kiev pagar sua dívida de quase US$ 2,5 bilhões com Moscou.

Inicialmente, a Ucrânia poderia ter seu suprimento interrompido já na terça-feira, com consequências catastróficas não apenas para a ex-república soviética, mas para toda Europa, altamente dependente do gás russo, que transita majoritariamente por território ucraniano.

Mas, duas horas antes de os dois lados se encontrarem para discutir o preço do gás – que subiram drasticamente depois de a derrubada do presidente pró-Kremlin Viktor Yanukovich, em fevereiro -, a Gazprom confirmou ter recebido uma primeira parcela de US$ 786 milhões de Kiev e estendeu em uma semana o ultimato.

Às margens da Normandia

No plano político, as potências ocidentais procuram pressionar o presidente russo Vladimir Putin, para que ele pare de jogar lenha na fogueira ucraniana. Hoje, a diplomacia britânica informou que o primeiro ministro David Cameron se encontrará com mandatário russo às margens das comemorações dos 70 anos do Dia D, na Normandia.

Barack Obama também participa da celebração e já tem uma reunião marcada com Petro Porochenko, a quem expressará seu apoio. O presidente-eleito ucraniano prometeu uma conversa com Putin, mas o Kremlin negou que tal encontro esteja sendo negociado. Oficialmente, o presidente russo não conversou com nenhum membro do executivo da Ucrânia, desde que o regime de Yanukovich foi deposto.

Guerra Fria

De acordo com o secretário americano do Tesouro, Jacob Lew, Washington proporá novas sanções à Rússia durante a cúpula dos países do G7 que acontece nesta terça (3) em Bruxelas. “Há evidências de que a Rússia continua permitindo um fluxo livre de armas, fundos e soldados através de suas fronteiras e até agora não sabemos quais serão os próximos passos do presidente Putin”, disse Lew.

Diante deste cenário, ele acrescentou que o presidente Obama “deu seu aval para que tomemos ações ainda mais drásticas caso a Rússia continue a apoiar separatistas armados no leste da Ucrânia”. Poroshenko agora procura novas alianças militares no ocidente para se afastar do abraço de Putin, mas o presidente norte-americano já declarou que priorizará a diplomacia sobre as armas no caso da expansão russa.

Por outro lado, os oficiais americanos insistem que seu compromisso com a Ucrânia permanece forte. De acordo com o Pentágono, Washington discute um plano de ajuda militar de 13 milhões de euros para que a Ucrânia constitua “forças armadas de alta eficácia”.

Kiev acusa Rússia de propaganda “pró-agressão” no leste

Combatente passa diante de caixões de milicianos pró-russos após batalha no aeroporto de Kiev

Combatente passa diante de caixões de milicianos pró-russos após batalha no aeroporto de Kiev|REUTERS/Yannis Behrakis|RFI

Neste sábado (31), a Ucrânia acusou Moscou de lançar uma campanha de propaganda para justificar sua “agressão” ao leste do país, incentivar o separatismo pró-russo e abalar a legitimidade do novo presidente pró-ocidental, Petro Porochenko. Depois dos violentos combates do início da semana no aeroporto internacional de Donetsk, os conflitos entre forças pró-Kiev e separatistas se multiplicam pelo território. Desde o início da semana, oito observadores da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) estão desaparecidos.

Para os russos, a origem da violência é uma “operação punitiva” de Kiev, que se recusa a dialogar com os separatistas e opta pela via das armas. A acusação é rechaçada pelas autoridades ucranianas: “O Kremlin não para de fazer declarações baseadas na emoção e de inventar informações com o único objetivo de legitimar a agressão russa”, escreveu hoje no jornal de língua inglesa Kyiv Post o ministro das Relações Exteriores Andrii Dechtchitsa.

Em sua coluna, ele denunciou ainda uma “campanha massiva de informação lançada nos últimos dias pelo Kremlin contra a operação antiterrorista (ucraniana), com um discurso dúbio, repleto de falsas informações”. De acordo com ele, o discurso do vizinho mostra que a Rússia está desesperada para aproveitar sua “última chance de influenciar a opinião pública internacional”.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, pediu mais uma vez que o secretário de Estado norte-americano John Kerry convença Kiev a cessar sua ofensiva no leste. Mas, de acordo com o conselheiro adjunto de segurança nacional dos Estados Unidos, Ben Rhodes, o presidente Barack Obama “expressará diretamente ao presidente eleito Porochenko seu apoio” à Ucrânia. Os dois se encontram na Polônia na próxima quarta-feira (4), antes de seguirem para a França para participar das comemorações da tomada da Normandia, no dia 6. Vladimir Putin também estará presente.

Armas e remédios

Nos últimos dias, o presidente russo multiplicou as conversas telefônicas com dirigentes ocidentais, entre eles o francês François Hollande. Ele acusa Kiev de violar a Convenção de Genebra de 1949 no que tange a obrigação dos estados de proteger os civis. De acordo com Putin, a Ucrânia usa deliberadamente seus meios militares contra a população do leste e se opõe à ajuda humanitária na região.

Para a diplomacia ucraniana, o discurso não passa de retórica: “Fornecer armamento de um lado e remédios do outro é, no mínimo, contraditório”, ironizou Andrii Dechtchitsa, em referência à artilharia – inclusive pesada – utilizada por cidadãos russos que combatem ao lado dos insurgentes. Os próprios separatistas confirmaram que a maioria dos 40 mortos nos combates do aeroporto de Kiev era russa.

Diálogo e guerra

Eleito no último dia 25 no primeiro turno, Porochenko afirmou que pretende dialogar com Moscou, mas prometeu também agir com firmeza com relação aos rebeldes.

De fato, nesta semana, Kiev reforçou a ofensiva no leste, que já causou 200 mortes – entre soldados, separatistas e civis – desde seu início, em 13 de abril. De acordo com as autoridades ucranianas, Kiev ganhou terreno, mas os combates estão cada vez mais violentos e várias cidades da região – inclusive a capital Donetsk – sucumbiram à anarquia.

Crise de abastecimento

Além da violência, Kiev enfrenta o risco de uma interrupção no fornecimento do gás russo já na próxima terça-feira. Nas negociações desta sexta em Berlim, Kiev fez um gesto ao anunciar o pagamento de US$ 786 milhões de sua dívida de US$ 3,5 bilhões com a Rússia.

Uma nova rodada está prevista para segunda-feira em Bruxelas para discutir principalmente o preço, fixado a um nível sem precedentes depois da tomada do poder na Ucrânia pelos pró-ocidentais. A Europa também teme uma crise de abastecimento, já que boa parte de seu gás russo transita por território ucraniano.

Novo presidente da Ucrânia promete acabar com “terror” no leste

Caminhão de forças rebeldes ucranianas é visto perto do aeroporto internacional de Donetsk, nesta terça-feira, 27 de maio de 2014.

Caminhão de forças rebeldes ucranianas é visto perto do aeroporto internacional de Donetsk, nesta terça-feira, 27 de maio de 2014|REUTERS/Yannis Behrakis

O presidente eleito da Ucrânia, Petro Porochenko prometeu por um fim ao “terror” e acabar com a guerra no leste da Ucrânia. Na principal cidade da região, Donetsk, onde o movimento separatista pró-russo continua muito ativo, foram registrados novos tiroteiros nesta quarta-feira (28).

Após 48 horas de intensos combates, as forças governamentais da Ucrânia retomaram nesta terça-feira o controle do aeroporto da região rebelde de Donetsk, onde vivem mais de 1 milhão de pessoas. O Exército ucraniano também destruiu um acampamento de treinamento dos separatistas pró-russos na vizinha Lugansk.

O prefeito de Donetsk disse que os enfrentamentos deixaram 40 mortos, entre separatistas e soldados ucranianos, além de dois civis. Ele pediu aos moradores da cidade para evitar saírem de suas casas e até mesmo nas sacadas dos apartamentos. Várias lojas foram fechadas e as vitrines cobertas por placas de madeira ou de metal para evitar pilhagem. Escritórios também permaneceram fechados por medidas de segurança.

A preocupação agora é com o destino de quatro membros da missão de observação da Organizaçao para a Segurança e a Cooperação na Europa, a OSCE, que teriam sido sequestrados pelos separatistas, assim como um padre polonês. Os observadores seriam de nacionalidade dinamarquesa, estoniana, suíça e turca.

Plano para evitar corte de gás

Kiev e Moscou vivem uma tensão devido a chamada “guerra do gás” que preocupa os europeus, muito dependentes do produto russo que para chegar à Europa passa pela Ucrânia. O Kremlin ameaça cortar o envio de gás à Ucrânia caso o governo do país não pague adiantado as notas do mês de junho equivalentes a US$ 1,66 bilhão. Arruinada financeiramente, Kiev já acumula dívidas de mais de US$ 3 bilhões com a gigante fornecedora de gás russo Gazprom.

De acordo com um plano definido pelos europeus, Kiev e Moscou têm até a noite desta quarta-feira para aceitar o compromisso que prevê, num primeiro momento, o pagamento pelo governo ucraniano de 2 bilhões de dólares à empresa Gazprom.

Na terça-feira, os ucranianos disseram que o plano proposto pelos europeus não convém ao país e antes de reembolsar a dívida, exige garantias de uma redução no preço do produto.

 
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Novo presidente da Ucrânia promete acabar com “terror” no leste

Caminhão de forças rebeldes ucranianas é visto perto do aeroporto internacional de Donetsk, nesta terça-feira, 27 de maio de 2014.

Caminhão de forças rebeldes ucranianas é visto perto do aeroporto internacional de Donetsk, nesta terça-feira, 27 de maio de 2014.

REUTERS/Yannis Behrakis

O presidente eleito da Ucrânia, Petro Porochenko prometeu por um fim ao “terror” e acabar com a guerra no leste da Ucrânia. Na principal cidade da região, Donetsk, onde o movimento separatista pró-russo continua muito ativo, foram registrados novos tiroteiros nesta quarta-feira (28).

 

Após 48 horas de intensos combates, as forças governamentais da Ucrânia retomaram nesta terça-feira o controle do aeroporto da região rebelde de Donetsk, onde vivem mais de 1 milhão de pessoas. O Exército ucraniano também destruiu um acampamento de treinamento dos separatistas pró-russos na vizinha Lugansk.

O prefeito de Donetsk disse que os enfrentamentos deixaram 40 mortos, entre separatistas e soldados ucranianos, além de dois civis. Ele pediu aos moradores da cidade para evitar saírem de suas casas e até mesmo nas sacadas dos apartamentos. Várias lojas foram fechadas e as vitrines cobertas por placas de madeira ou de metal para evitar pilhagem. Escritórios também permaneceram fechados por medidas de segurança.

A preocupação agora é com o destino de quatro membros da missão de observação da Organizaçao para a Segurança e a Cooperação na Europa, a OSCE, que teriam sido sequestrados pelos separatistas, assim como um padre polonês. Os observadores seriam de nacionalidade dinamarquesa, estoniana, suíça e turca.

Plano para evitar corte de gás

Kiev e Moscou vivem uma tensão devido a chamada “guerra do gás” que preocupa os europeus, muito dependentes do produto russo que para chegar à Europa passa pela Ucrânia. O Kremlin ameaça cortar o envio de gás à Ucrânia caso o governo do país não pague adiantado as notas do mês de junho equivalentes a US$ 1,66 bilhão. Arruinada financeiramente, Kiev já acumula dívidas de mais de US$ 3 bilhões com a gigante fornecedora de gás russo Gazprom.

De acordo com um plano definido pelos europeus, Kiev e Moscou têm até a noite desta quarta-feira para aceitar o compromisso que prevê, num primeiro momento, o pagamento pelo governo ucraniano de 2 bilhões de dólares à empresa Gazprom.

Na terça-feira, os ucranianos disseram que o plano proposto pelos europeus não convém ao país e antes de reembolsar a dívida, exige garantias de uma redução no preço do produto.

Ofensiva militar do governo mata mais de 50 rebeldes na Ucrânia

27. Maio 2014 

Por Sabina Zawadzki e Gabriela Baczynska

Ícone de Jesus é visto em meio a estilhaços de vidro manchados de sangue, nos arredores do aeroporto de Donetsk, Ucrânia
DONETSK Ucrânia (Reuters) – Mais de 50 rebeldes pró-Rússia foram mortos em uma ofensiva sem precedentes de forças do governo ucraniano que entrou no segundo dia nesta terça-feira, após o recém-eleito presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, ter prometido esmagar a revolta no leste de uma vez por todas.

Jornalistas da Reuters contaram 20 corpos em roupas de combate em uma sala do necrotério de Donetsk. Em alguns dos corpos faltavam membros, sinal de que o governo havia utilizado forte poder de fogo contra os rebeldes pela primeira vez. 

“Do nosso lado, há mais de 50 (mortos)”, disse o primeiro-ministro dos rebeldes que se autointitulam República Popular de Donetsk, Alexander Borodai, à Reuters, em um hospital. 

O governo disse não ter sofrido perdas na operação, iniciada com ataques aéreos horas após os ucranianos terem elegido como presidente o bilionário Poroshenko.

O presidente russo, Vladimir Putin, que declarou o direito de Moscou de intervir para proteger a população de língua russa na Ucrânia, exigiu a paralisação imediata da ofensiva militar. Moscou também disse que não consideraria receber uma visita por parte de Poroshenko para quaisquer negociações. 

Até agora, as forças ucranianas estavam avitando de modo geral lançar ofensivas contra os separatistas, em parte por medo de que, segundo eles, isso pudesse precipitar uma invasão de dezenas de milhares de soldados russos posicionados na fronteira. 

Mas o governo em Kiev parece ter interpretado a grande vitória eleitoral de Poroshenko – com mais de 54 por cento dos votos em uma disputa com 21 candidatos – como um mandato para ação decisiva. 

Após rebeldes terem tomado o aeroporto de Donetsk na segunda-feira, aviões de guerra ucranianos e helicópteros os atacaram pelo ar, e paraquedistas foram usados como parte da ofensiva.

O tiroteio aconteceu durante a noite e, nesta terça-feira, a estrada para o aeroporto tinha sinais de combate. 

“O aeroporto está completamente sob controle”, disse o ministro do Interior, Arsen Avakov, a jornalistas em Kiev. “O adversário sofreu pesadas perdas. Não perdemos ninguém”, acrescentou. 

“Vamos continuar a operação antiterroristas até que não sobre nenhum terrorista no território da Ucrânia”, afirmou o primeiro-vice-primeiro-ministro Vitaly Yarema após uma reunião do governo.

Borodai, o primeiro-ministro rebelde, confirmou que o aeroporto estava agora sob controle do governo. 

(Reportagem adicional de Natalia Zinets, Pavel Polityuk, Richard Balmforth e Gareth Jones em Kiev, e Katya Golubkova e Denis Pinchuk em Moscou)

Reuters

Combates pelo controle do aeroporto de Donetsk deixam 50 mortos

Helicóptero ucraniano atira em rebeldes no terminal principal do aeroporto internacional de Donetsk, na segunda-feira, 26 de maio de 2014.

Helicóptero ucraniano atira em rebeldes no terminal principal do aeroporto internacional de Donetsk, na segunda-feira, 26 de maio de 2014|REUTERS/Yannis Behrakis

As manobras militares pelo controle do aeroporto de Donetsk, na Ucrânia, continuam nesta terça-feira (27), 24 horas após milicianos separatistas terem invadido o complexo e provocado a intervenção das Forças Armadas, que contra-atacam com soldados, helicópteros e aviões de caça.

Andrei Netto, enviado do jornal “O Estado de S.Paulo”, especial para RFI

O prefeito de Donetsk, Alexandre Lukiantchenko, anunciou a morte de 48 pessoas nos enfrentamentos, incluindo dois civis. O separatista Alexander Borodai, autoproclamado primeiro-ministro da República Popular de Donetsk, disse que mais de 50 pró-russos morreram em combate. O governo de Kiev declarou não ter perdido nenhum soldado.

No centro de Donetsk, a situação é de calma relativa, com fluxo de veículos e parte do comércio aberto. Mas a tensão é palpável, já que na segunda-feira pelo menos um civil morreu atingido por um morteiro em frente à Estação Central de Trens de Donetsk.

Presidente eleito recusa negociar com separatistas

A operação deve continuar nas próximas horas, já que o presidente eleito no domingo, Petro Porochenko, prometeu ontem não dialogar com o que chamou de “terroristas”. “Os que se recusam a depor as armas são terroristas, e nós não negociamos com terroristas. Eu não deixarei que ninguém faça isso no território de nosso Estado. Espero que a Rússia apoie minha abordagem”, disse Porochenko.

Hoje pela manhã, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu aos observadores internacionais da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) que intercedam para acabar com o confronto. “Nós esperamos de Kiev o cessar-fogo das operações militares contra seu próprio povo”, afirmou em nota o ministério russo, em Moscou.

A OSCE perdeu contato com quatro membros de sua equipe enviados a Donetsk. Os quatro civis, que não tiveram suas nacionalidades reveladas, deram notícias pela última vez nesta segunda-feira, quando foram barrados em um check point separatista. Quarenta minutos depois, a OSCE perdeu contato com o grupo. 

Combates incendeiam aeroporto de Donetsk, diz imprensa local

O exército ucraniano anunciou nesta segunda-feira o início de uma “operação antiterrorista” com helicópteros de combate para retomar o controle do aeroporto internacional estratégico de Donetsk, tomado por rebeldes pró-Rússia durante a manhã.

“Iniciamos uma operação antiterrorista às 13h (7h de Brasília), quando terminou o ultimato dado aos pró-Rússia para abandonar o aeroporto”, disse uma fonte militar. Um correspondente da AFP ouviu uma explosão e tiros esporádicos no complexo aeroportuário, onde também era possível escutar o som de aeronaves de combate.

O aeroporto foi fechado na manhã por exigência dos rebeldes pró-Rússia e está sendo palco de tiroteios, explosões e de um incêndio, de acordo com veículos de imprensa locais.

“Os ocupantes ucranianos estão bombardeando o aeroporto internacional de Donetsk. Há caças-bombardeiros. Sobre o céu de Donetsk há aviões e helicópteros”, diz um comunicado da autoproclamada República Popular de Donetsk.

Segundo informações publicadas em veículos de imprensa ucranianos, um terminal do recinto aeroportuário está pegando fogo e veem-se grandes colunas de fumaça preta sobre o aeroporto.

“Ouviu-se uma série de explosões. A cidade está sendo sobrevoada por helicópteros e ouvem-se aviões de combate”, informa o site de notícias pró-Ucrânia “Ostrov”.

Em procedimento de emergência, os controladores de voos foram retirados da torre de controle.

Fonte: Terra