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Militantes pró-russos ocupam emissora de TV na cidade ucraniana de Donetsk

AFP – Agence France-Presse

27/04/2014 

Militantes separatistas pró-russos ocuparam neste domingo a emissora de televisão regional de Donetsk, no leste da Ucrânia, comprovou um jornalista da AFP no local.

Várias dezenas de militantes em uniformes, armados com tacos de beisebol, estavam dentro do edifício e protegiam sua porta, proibindo a entrada.

Helicóptero ucraniano atingido em terra explode no sudeste do país

Um helicóptero Mim-8 das Forças Armadas da Ucrânia explodiu nesta sexta-feira em terra ao ser atingido por um disparo de um franco-atirador no aeroporto de Kramatorsk, cidade situada no sudeste da Ucrânia, informou o chefe adjunto do Serviço de Segurança ucraniano, o general Vasyl Krutov. “Em Kramatorsk, um franco-atirador disparou contra um helicóptero em terra. O tiro acertou o tanque de combustível e provocou uma explosão”, disse Krutov em um breve discurso de esclarecimento à imprensa. O “número dois” do Serviço de Segurança da Ucrânia acrescentou que o comandante da aeronave ficou ferido, mas conseguiu deixar o aparelho e passa bem. Segundo a versão do Ministério da Defesa da Ucrânia, o helicóptero Mim-8 foi atingido por um projétil de um lança-granadas. Kramatorsk, situada ao norte da região de Donetsk, encontra-se a apenas 15 quilômetros de Slaviansk, o foco da sublevação pró-russa contra o governo de Kiev, iniciada há três semanas. O incidente no aeroporto de Kramatorsk coincidiu com o começo da segunda fase da “operação antiterrorista” lançada ontem contra a vizinha Slaviansk, atualmente controlada por milícias pró-russa. “O objetivo é bloquear totalmente Slaviansk para localizar o problema. A operação está sendo realizada neste momento”, explicou o chefe da Administração presidencial da Ucrânia, Sergei Pashinski. Já o geberal Krutov, que está à frente da “operação antiterrorista”, assegurou que as forças ucranianas não vão invadir Slaviansk, com 120 mil habitantes.

Fonte: Terra

Cinco mortos em confrontos em Slaviansk, na Ucrânia

Diário de Notícias| Patrícia Viegas

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Combates em Slaviansk, no leste da Ucrânia

Combates em Slaviansk, no leste da Ucrânia Fotografia © Reuters

Os confrontos entre militares ucranianos e militantes pró-russos fizeram hoje pelo menos “cinco mortos” em Slaviansk, no leste da Ucrânia, segundo indicou à AFP o Ministério do Interior da Ucrânia.

“Durante os confrontos foram eliminados até cinco terroristas. Um soldado ficou ferido” do lado das forças ucranianas, indicou o ministério em comunicado, acrescentando que foram “destruídas” três barricadas à entrada da cidade.

Também o canal russo RT, citado pelo ‘El Mundo’, referiu a morte de cinco pessoas num posto de controlo de Slaviansk.
AFP e a Reuters noticiaram esta manhã a entrada de blindados ucranianos no norte da cidade de Slaviansk, bastião dos pró-russos no leste da Ucrânia. Na cidade, o pessoal civil da câmara municipal “recebeu ordem para sair do edifício”, declarou, à AFP, Stella Khorocheva, porta-voz do líder separatista local, Viatcheslav Ponomarev. Mas sublinhou: “Os homens armados que defendem a câmara vão continuar nas suas posições”.

Rússia fará exercícios militares no sul e oeste do país

24/04/2014 

Slovyansk, Ucrânia, 24 – O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, anunciou novos exercícios militares no sul e oeste da Rússia, perto da fronteira com a Ucrânia, como reação à agitação na região leste ucraniana.

Segundo agências de notícias russas, Shoigu afirmou que o país lançou novas manobras militares envolvendo tropas terrestres no sul e no oeste e que a Força Aérea patrulhará a fronteira. Ele citou as tensões na Ucrânia e os exercícios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Polônia como os motivos para a iniciativa.

Mais cedo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, havia ameaçado a Ucrânia, afirmando que haveria consequências pelas mortes de rebeldes pró-Rússia durante ação militar ucraniana em Slovyansk. “Se o governo de Kiev está usando o Exército contra o seu próprio povo, isso é claramente um crime grave”, assinalou.
 
Fonte: Associated Press.

Vice-presidente americano chega a Kiev para levar apoio às autoridades ucranianas

O vice-presidente americano Joe Biden

O vice-presidente americano Joe Biden

Reuters
RFI

O vice-presidente americano Joe Biden chegou nesta segunda-feira (21) a Kiev para levar seu apoio às autoridades ucranianas pró-ocidentais. O risco de uma intervenção russa aumentou depois que os separatistas pediram a ajuda do presidente Vladimir Putin para proteger a população local.

O vice-presidente americano aterrissou na capital ucraniana por volta do meio-dia no horário local. Ele está envolvido na crise do país desde o início das manifestações, em novembro, que resultaram na queda do presidente Victor Yanukovitch. Biden deve se encontrar com o presidente interino Olexandre Tourtchinov e o primeiro-ministro Arseni Iatseniouk.

Hoje o chanceler russo Serguei Lavrov acusou as autoridades ucranianas de tomar medidas em contradição com o acordo assinado na semana passada. Ele também afirmou que o tiroteio deste domingo mostrava que as autoridades ucranianas não tinham vontade de “controlar os extremistas.”

Neste domingo de Páscoa, o prefeito de Slaviansk ,no leste do país, Viatcheslav Ponomarev, pediu a Putin que enviasse tropas ou armas, depois de um tiroteio que deixou cinco mortos segundos os separatistas, três de acordo com Kiev.

O apelo feito a Moscou, que reconheceu manter tropas perto da fronteira com a Ucrânia, é similar à manobra política que resultou no referendo e na anexação da Crimeia. Uma reação que pode prejudicar as tentativas de aplicação do acordo de Genebra, assinado no dia 17 de abril, e que abriu a possibilidade de colocar um fim no conflito.

Desde a perda da Crimeia por Kiev, os Estados Unidos e a União Europeia aplicaram sanções contra altos responsáveis russos e Washington ameaçou adotar novas medidas financeiras, que podem prejudicar ainda mais a economia russa, já afetada pela fuga de capitais e à beira da recessão.

Paralemente, o presidente Vladimir Putin promulgou nesta segunda-feira uma lei para facilitar a aquisição da nacionalidade russa por habitantes de ex-repúblicas soviéticas que falam russo e se sentem “apátridas” e “estrangeiros” após a dissolução do bloco, na década de 90. Com a nova legislação, Putin dá mais uma cartada que embaraça os países ocidentais.

PRESIDENTE UCRANIANO DEPOSTO IANUKOVITCH PEDE QUE SE EVITE “UM BANHO DE SANGUE”

por LusaHoje
 
Homens armados pró-russos guardam o escritório da segurança estatal em Luhansk, no leste da Ucrânia, depois de este ter sido invadido
Homens armados pró-russos guardam o escritório da segurança estatal em Luhansk, no leste da Ucrânia, depois de este ter sido invadidoFotografia © Reuters

O presidente ucraniano deposto Viktor Ianukovich pediu às autoridades ucranianas para retirarem todas as forças armadas das regiões do leste da Ucrânia para evitar “um banho de sangue”, numa mensagem publicada hoje pelas agências russas.

“Dado o brusco agravamento da situação no leste da Ucrânia, exijo que todas as forças armadas ucranianas regressem às bases (…) e que seja imediatamente aberto um diálogo de paz com os dirigentes escolhidos pelas populações das regiões do leste”, disse Ianukovitch.

“Estão a um passo de um banho de sangue (…) Parem!”, acrescentou.

Dirigindo-se “aos militares e aos membros das forças especiais”, Ianukovich pediu-lhe que “não ultrapassem os limites” e “não executem ordens criminosas”.

Na mensagem, a quarta desde que foi destituído e se exilou na Rússia, Ianukovich defendeu a necessidade de cada região da Ucrânia organizar um referendo sobre a federalização do país e o reforço das competências regionais.

O ex-presidente voltou também a defender a realização de um referendo nacional sobre o sistema político — presidencialista ou parlamentar — e outra consulta sobre uma reforma constitucional.

Só então, sustentou, é possível realizar eleições legislativas e presidenciais.

“Esta é a única via para manter a integridade da Ucrânia. Se isto não for feito, o nosso país ver-se-á condenado à desintegração, dificilmente pacífica. Provavelmente através de uma guerra civil”, disse.

Ianukovich fugiu para a Rússia depois de ter sido deposto, em finais de fevereiro, ao fim de três meses de contestação nas ruas pela sua decisão de suspender a aproximação à União Europeia e de reforçar laços com a Rússia.

O seu afastamento e a subida ao poder em Kiev de partidos apoiados pelo Ocidente desencadearam forte contestação nas regiões do leste e sudeste da Ucrânia, a que se seguiu a anexação da península da Crimeia e, nas últimas semanas, pela ocupação de edifícios governamentais por forças pró-russas em várias cidades.

Páscoa Ortodoxa no leste da Ucrânia celebrada sob tensão

AFP – Agence France-Presse

19/04/2014

Um homem em uniforme camuflado deixa a Igreja do Espírito Santo, faz o sinal da cruz e esconde o rosto em Slaviansk, cidade do leste da Ucrânia controlada por insurgentes pró-russos, para o descontentamento dos habitantes, que celebram a Páscoa Ortodoxa sob forte tensão.

“A pior situação é viver em pecado”, se limita a recitar o padre Roman, recusando-se a comentar sobre o que acontece há quase uma semana em sua cidade.

O patriarca ortodoxo de Kiev, Filaret, em uma mensagem por ocasião da Páscoa, afirmou que o “inimigo” russo que cometeu uma “agressão” contra a Ucrânia está condenado ao fracasso.

“O país que nos havia garantido a integridade territorial cometeu uma agressão. Deus não pode estar do lado do mal, de modo que o inimigo do povo ucraniano está destinado ao fracasso”, declarou Filaret.

Por sua vez, o patriarca da Igreja ortodoxa russa, Cirilo, pediu neste sábado na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou, que os fiéis rezassem para que nada possa “destruir a Santa Rússia”, durante uma missa na véspera da Páscoa.

Em Slaviansk, com uma cruz de ouro em sua mão, o sacerdote abençoa abundantemente com água benta os fiéis reunidos.

Do outro lado da imensa praça onde a igreja está localizada, vários “voluntários” em uniformes sem distintivos, alguns com rifles Kalashnikov, conversam em frente à prefeitura.

Dois adolescentes tiram fotos, aproveitando esta espécie de trégua pascal, apesar da forte tensão.

“Nós entramos na fase mais radical (…) exigimos a criação de uma federação (na Ucrânia), ou então faremos como na Crimeia”, que se anexou em março à Rússia, advertiu Anatoli Khmelevoi, líder local dos Partido Comunista.

“No momento, tudo está calmo, mas eles (os soldados ucranianos) podem atacar. Não devemos baixar a guarda”, explica Volodymyr, de 43 anos, perto de uma barricada erguida para impedir o acesso a principal delegacia de polícia de Slaviansk.

Quatro veículos repletos de bandeiras russas desfila em uma rua vizinha, sob os gritos e aplausos dos milicianos.

Mas esses defensores de uma maior autonomia para a sua região, incluindo de uma integração à Rússia, estão longe de ser uma unanimidade entre a população.

“O exército ucraniano virá para nos libertar”, diz exaltado Dima, um engenheiro de 29 anos nascido na cidade, localizada 100 km ao norte de Donetsk.

Quando? “quanto mais cedo melhor”, responde sua amiga. “Estamos com medo”.

Para Volodia, que trabalha em uma fábrica, “que os bombardeiem, e já”, exclama apontando para os membros de um destacamento de auto-defesa.

“Somos apenas um jogo para os russos, mas a Ucrânia está unida e é indivisível”, acrescenta.

Tamara, que vende garrafas de azeite produzidas usando métodos tradicionais permanece, por outro lado, de fora da agitação política.

“Tudo isso me preocupa. Me dói ver pessoas morrer. Tudo que eu quero é que vivemos juntos”, diz.

“Tudo está mais caro agora, isso está ficando pior, mas a Páscoa é a Páscoa, é uma grande festa para todos”, acrescenta, sorrindo.