Arquivo da tag: VIOLÊNCIAS

Europa dá passo importante no combate à violência contra mulheres

A cada dia, no continente europeu, 12 mulheres morrem, vítimas de violência e maus tratos.

A cada dia, no continente europeu, 12 mulheres morrem, vítimas de violência e maus tratos.

Facebook

Na Europa, a cada dia, mulheres são vítimas de inúmeras formas de violência. Elas são assediadas, estupradas, mutiladas, esterilizadas, forçadas pelas famílias a se casar com quem não querem, além de serem vítimas de abusos físicos e psicológicos. Para limitar essas violações hediondas, entra em vigor nesta sexta-feira (1°), a Convenção do Conselho da Europa para Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres.

Por Leticia Fonseca, correspondente da RFI Brasil em Bruxelas
 

Infelizmente, a violência contra as mulheres, incluindo as meninas, constitui uma das violações dos direitos humanos mais praticadas no mundo. Parece que não bastou a revolução feminina ter marcado o século passado. A violência contra as mulheres continua, e com índices alarmantes. Apesar da entrada da mulher no mercado de trabalho, da descoberta dos métodos contraceptivos, enfim, de todas as lutas emancipatórias, a falta de igualdade entre homens e mulheres, por incrível que pareça, ainda é bastante presente na Europa.

Segundo estatísticas do Conselho da Europa, no ano passado, 121 mulheres foram assassinadas por seus companheiros na França, 134 na Itália, 143 na Grã-Bretanha, e pelo menos 214 na Turquia. O que os países signatários dessa Convenção se comprometeram foi passar a considerar como delitos ou crimes esses atos de violência e processar os acusados criminalmente. Esses governos também deram garantias de criar estruturas que acolham e forneçam ajuda material e psicológica às mulheres maltratadas. Um grupo independente de especialistas será criado para acompanhar de que maneira os países estão cumprindo essas normas.

Países que assinaram a Convenção

É bom lembrar que o Conselho da Europa é uma organização internacional, sediada em Estrasburgo, na França, que defende os direitos humanos e a democracia no continente. Ele foi criado logo após a Segunda Guerra Mundial e hoje é constituído por 47 países, 28 dos quais fazem parte da União Europeia.

Essa nova Convenção de Combate à Violência contra as Mulheres já foi ratificada por 14 países, outros 22 assinaram e estão a caminho da ratificação. Esses governos terão que modificar as legislações nacionais com as alterações necessárias para que estes crimes sejam julgados. Onze países ainda não se posicionaram sobre a questão.

Silêncio fatal

Segundo as Nações Unidas, uma em cada três mulheres no mundo são ou serão vítimas de violência. E muitas dessas vítimas têm medo ou sentem vergonha de buscar ajuda. Os dados do Conselho da Europa demonstram que, a cada dia, doze mulheres morrem de maus tratos e violência no continente europeu.

A principal causa das mortes é a violência doméstica, que inclui agressão física, abuso sexual, violação, além das ameaças. O pior nessa guerra dos sexos é o pacto de silêncio entre agressor e agredida. Nos episódios mais trágicos, essas vítimas silenciosas pagam com suas próprias vidas.

A violência doméstica representa 28% dos homicídios voluntários na Europa. Segundo a Convenção que entra em vigor a partir desta sexta-feira, religião, tradições ou conceitos como a honra não podem servir como desculpa para nenhum tipo de violência.

Homens também são vítimas

Mas a violência contra as mulheres não é apenas a doméstica, cometida por seus parceiros. A entrada em vigor dessa Convenção deve ajudar a diminuir os casamentos forçados, as mutilações genitais femininas, o aborto e as esterilizações, também presentes nos países europeus. O assédio moral e/ou sexual e a violência psicológica no trabalho, por exemplo, poderão ser denunciados como crimes à polícia. E isso pode ajudar a deter esse tipo de comportamento.

É importante salientar que essa Convenção não se aplica apenas às mulheres. Ela é válida também para os homens, vítimas de assédios, uniões ou esterilizações forçadas, entre outros casos. Pela primeira vez na história da Europa, a questão da violência contra mulheres deixa de ser considerada como uma questão privada. A partir desta nova Convenção, os Estados terão obrigação de prevenir a violência, proteger as vítimas , assim como julgar os agressores.

América Latina endurece posição contra operação de Israel em Gaza

Durante a 46ª cúpula do Mercosul, os presidentes dos países do bloco expressaram sua posição contra os ataques de Israel à população palestina e exigiram um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Durante a 46ª cúpula do Mercosul, os presidentes dos países do bloco expressaram sua posição contra os ataques de Israel à população palestina e exigiram um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Roberto Stuckert Filho/PR
RFI

Enquanto os Estados Unidos continuam vendendo munições ao exército israelense e autoridades europeias tentam relativizar a sangrenta operação Limite Protetor com inócuos pedidos de cessar-fogo em Gaza, países da América Latina figuram como os maiores críticos do governo de Israel até o momento. Hoje (31), a Bolívia foi além dos protestos e incluiu Israel na lista de “estados terroristas”.

 

A Bolívia, que rompeu suas relações diplomáticas com Israel em 2009, após a violenta operação “Chumbo Fundido”, já havia feito um pedido à ONU para que abrisse um processo contra Tel Aviv de crime contra humanidade, logo nos primeiros dias da atual ofensiva. Ontem, o presidente boliviano, Evo Morales, declarou que incluiu Israel na lista de “países terroristas”.

“Israel não é um Estado que garante os princípios de respeito à vida e os direitos básicos para a coexistência pacífica e harmoniosa na comunidade internacional”, afirmou Morales. “Nós declaramos Israel como um Estado terrorista”, ratificou.

Outros países reagiram à continuidade das violências contra os civis em Gaza nos últimos dias. O Chile classificou as operações militares israelenses como uma “agressão coletiva contra a população” da região. Já o Peru diz estar profundamente decepcionado com a violação dos vários cessar-fogos dos últimos dias e a continuidade da operação militar de Israel em Gaza.

Na terça-feira (29), durante uma reunião privada da 46ª cúpula do Mercosul, na Venezuela, os integrantes do bloco divulgaram um comunicado contra os ataques à população palestina e exigiram um cessar-fogo. Além do presidente venezuelano Nicolás Maduro, assinaram a declaração os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Brasil, Dilma Rousseff, do Uruguai, José Mujica, do Paraguai, Horacio Cartes, e da Bolívia, Evo Morales.

Brasil critica Israel

Na semana passada, o governo brasileiro condenou  “energicamente” o uso desproporcional da força de Israel na Faixa de Gaza, “do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças”. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil também reiterou seu chamado a um imediato a uma trégua. Além disso, Brasília convocou seu embaixador em Tel Aviv para consultas.

O porta-voz do governo de Israel, Yigal Palmor, ironizou a posição brasileira. “Desproporcional é perder uma partida de futebol por 7 a 1”, disse, em entrevista ao Jornal Nacional. Já em declaração ao The Jerusalem Post, Palmor, afirmou que a convocação do embaixador brasileiro em Israel “era uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”.

As declarações do governo israelense contra o Brasil não intimidaram outros países da América Latina, como Equador, Chile, Peru e El Salvador que convocaram igualmente seus embaixadores em Tel Aviv para consultas.

Desde o início da operação

A reação dos países latinos não é tardia. Desde o começo da ofensiva israelense contra o movimento islâmico Hamas em Gaza, vários países do continente americano já haviam se posicionado contra o governo de Israel. Uma semana após o início dos ataques, o ministério mexicano das Relações Exteriores pediu a proteção dos palestinos e condenou o uso da força e a operação militar.

Há três semanas, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, classificou a ofensiva de “guerra de exterminação” contra o povo palestino. Já em Cuba as autoridades pediram que “a comunidade internacional exija que Israel cesse a escalada de violência”. Ambos os países também romperam as relações com Tel Aviv em 2009.

Logo nos primeiros dias da operação Limite Protetor, o ministério das Relações Exteriores do Uruguai condenou a “resposta desproporcional” dos israelenses aos tiros lançados pelos palestinos. Em meados de julho, o Equador “condenou com energia todos os atos de violência” na região e pediu “o fim imediato das hostilidades”.

Imprensa francesa destaca confronto entre polícia e grevistas em SP

Policiais retiram grevistas dos trilhos do metrô nesta sexta-feira, 6 de junho de 2014.

Policiais retiram grevistas dos trilhos do metrô nesta sexta-feira, 6 de junho de 2014|Reuters/Chico Ferreira

Sites da imprensa francesa destacam os confrontos ocorridos no segundo dia da greve de funcionários do metrô de São Paulo. Na manhã desta sexta-feira (6), policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar grevistas.

Neste segundo dia de greve dos funcionários do metrô de São Paulo, os policiais atacaram grevistas, para impedir confrontos com os usuários do metrô. O choque ocorreu na Estação Ana Rosa, nesta sexta-feira (6).

Os sites dos jornais Le FígaroLl’Express, e Le Parisien, se concentraram na greve da capital econômica do país, onde acontecerá o jogo de abertura do Mundial dentro de seis dias.

A revista L’Express indica a existência de “filas intermináveis, fora da estação de metrô, para pegar um ônibus”, destacando também o congestionamento recorde provocado pela greve: “226 quilômetros, superior ao congestionamento da véspera (209 km), um dos maiores da história da cidade”.

O jornal Le Parisien, cita o porta-voz da Polícia Militar paulista, indicando que a estação Ana Rosa “estava fechada e muitos usuários tentaram entrar. Houve conflitos entre os grevistas e os usuários e a polícia teve de intervir.”

Em greve desde quinta-feira (5), os funcionários do metrô de São Paulo pedem ao menos 12,2% de aumento do salário. A direção propôs um aumento de 8,7%, sendo que os funcionários já haviam pedido 16,5% anteriormente.

O metrô é o principal transporte usado para o estádio Arena Corinthians (Itaquerão) onde ocorrerá o jogo de abertura da Copa do Mundo no dia 12 de junho. A linha transporta 4,5 milhões de usuários diariamente.
 

 
TAGS: 

Imprensa francesa destaca confronto entre polícia e grevistas em SP

Policiais retiram grevistas dos trilhos do metrô nesta sexta-feira, 6 de junho de 2014.

Policiais retiram grevistas dos trilhos do metrô nesta sexta-feira, 6 de junho de 2014.

Reuters/Chico Ferreira

Sites da imprensa francesa destacam os confrontos ocorridos no segundo dia da greve de funcionários do metrô de São Paulo. Na manhã desta sexta-feira (6), policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar grevistas.

 

Neste segundo dia de greve dos funcionários do metrô de São Paulo, os policiais atacaram grevistas, para impedir confrontos com os usuários do metrô. O choque ocorreu na Estação Ana Rosa, nesta sexta-feira (6).

Os sites dos jornais Le FígaroLl’Express, e Le Parisien, se concentraram na greve da capital econômica do país, onde acontecerá o jogo de abertura do Mundial dentro de seis dias.

A revista L’Express indica a existência de “filas intermináveis, fora da estação de metrô, para pegar um ônibus”, destacando também o congestionamento recorde provocado pela greve: “226 quilômetros, superior ao congestionamento da véspera (209 km), um dos maiores da história da cidade”.

O jornal Le Parisien, cita o porta-voz da Polícia Militar paulista, indicando que a estação Ana Rosa “estava fechada e muitos usuários tentaram entrar. Houve conflitos entre os grevistas e os usuários e a polícia teve de intervir.”

Em greve desde quinta-feira (5), os funcionários do metrô de São Paulo pedem ao menos 12,2% de aumento do salário. A direção propôs um aumento de 8,7%, sendo que os funcionários já haviam pedido 16,5% anteriormente.

O metrô é o principal transporte usado para o estádio Arena Corinthians (Itaquerão) onde ocorrerá o jogo de abertura da Copa do Mundo no dia 12 de junho. A linha transporta 4,5 milhões de usuários diariamente.

Atentado em região muçulmana da China deixa 31 mortos

Policiais chineses bloqueiam a região da feira da cidade de Urumqi, na província de Xinjiang, no noroeste da China, após o atentado desta quinta-feira (22).

Policiais chineses bloqueiam a região da feira da cidade de Urumqi, na província de Xinjiang, no noroeste da China, após o atentado desta quinta-feira (22).
 
REUTERS|Cao Zhiheng/Xinhua|RFI|Foto

Um atentado terrorista na cidade de Urumqi, na região muçulmana de Xinjiang, na China, deixou ao menos 31 mortos e 94 feridos nesta quinta-feira (22). Segundo relatos, dois carros invadiram uma feira livre e, em seguida, seus ocupantes lançaram bombas contra os frequentadores. Os veículos pegaram fogo.

 

As explosões foram registradas nas proximidades do Palácio da Cultura da cidade, em um grande mercado ao ar livre da localidade, no horário em que os chineses costumam comprar seus produtos alimentícios.

Fotos divulgadas na rede social chinesa Weibo mostram corpos estendidos no chão, no meio das chamas e da espessa fumaça. De acordo com outro portal local de informações na internet, as vítimas foram evacuadas para hospitais da região e muitos feridos se encontram em estado grave.

“Vi muito fogo e uma nuvem preta, os veículos e as tendas do mercado pegaram fogo, enquanto os vendedores corriam para todos os lados”, escreveu uma testemunha do atentado no Weibo.

O presidente chinês, Xi Jinping, disse estar comprometido a “caçar ‘os terroristas’”, como se referiu aos autores dos ataques. O chefe de Estado declarou pretender “reprimir duramente” os responsáveis pelas explosões.

O atentado demonstra o aumento da radicalização da etnia uigure, muçulmanos de origem turca majoritários nesta região da Ásia Central. O grupo reclama da perseguição das autoridades chinesas e se diz vítima de uma política repressiva contra sua religião e cultura.

O incidente é registrado um dia após o anúncio de que 39 pessoas foram detidas em Xinjiang sob a acusação de divulgar vídeos terroristas. Os detidos devem receber duras penas e podem permanecer até 15 anos na prisão.

Onda de violência

As violências promovidas pelos radicais uigures começaram no ano passado, quando três integrantes uigures entraram na Cidade Proibida e promoveram um imenso atentado suicida na praça Tiananmen, em Pequim, símbolo do poder do país.

A onda de violências teve sequência em março, quando um grupo promoveu uma matança na estação de Kunming, no sudoeste da China. Vinte e nove pessoas morreram esfaqueadas e outras 143 foram feridas.

No último dia 30 de abril, um novo ataque foi realizado durante a visita do presidente Xi Jinping na região de Xinjiang. Uma pessoa morreu e outras 79 ficaram feridas em explosões e esfaqueamentos.

Obama e Merkel ameaçam ampliar sanções à Rússia. Violência explode na Ucrânia.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente dos EUA, Barack Obama, em coletiva de imprensa na Casa Branca em 2 de maio de 2014.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente dos EUA, Barack Obama, em coletiva de imprensa na Casa Branca em 2 de maio de 2014.

Reuters

A crise ucraniana atravessou o oceano, tendo sido um dos principais temas do encontro nesta sexta-feira (2), em Washington, entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a chanceler alemã Angela Merkel. Em coletiva de imprensa na Casa Branca, as declarações dos dois dirigentes foram marcadas pelas ameaças. No leste da Ucrânia, confrontos continuam entre separatistas pró-russos e forças ucranianas, com dezenas de mortos e feridos.

 

O presidente norte-americano, Barack Obama, pediu para a Rússia fazer o possível para os separatistas pró-russos deixarem o leste da Ucrânia, além de ajudar nas negociações para a libertação dos 11 observadores internacionais, “um escândalo”, segundo ele. Obama ameaçou Moscou de “sanções mais severas” caso as eleições de 25 de maio na Ucrânia venham a ser prejudicadas pelos separatistas.

O tom da declaração da chanceler alemã, Angela Merkel, também foi de ameaça: “A Europa está pronta para a “fase 3″ das sanções contra Moscou. Estamos prontos, já preparamos esta etapa”, afirmou Merkel.

Diversas empresas europeias são contra o aumento de sanções, que poderiam até atingir pessoalmente o presidente russo Vladimir Putin.

Apesar do tom forte, Merkel e Obama reafirmaram seu desejo comum de uma solução diplomática para a crise.

Sexta-feira violenta

Durante o dia, confrontos entre pró-russos armados e pró-Kiev deixaram quatro mortos e 15 feridos em Odessa, cidade portuária no Mar Negro, no sul. Um prédio foi incendiado no começo da noite, matando 31 pessoas, que foram intoxicadas ou saltaram pela janela. A Rússia reagiu, dizendo ter ficado “indignada” com as mortes em Odessa, “que refletem a irresponsabilidade do regime de Kiev”.

A manhã começou com a ofensiva do exército da Ucrânia para atacar e recuperar das mãos dos separatistas a cidade de Slaviansk, no sudeste, causando a morte de dois pilotos e dois soldados ucranianos. Os combates continuam e os pró-russos não cederam até agora.

Observadores

O líder separatista pró-russo, Denis Pouchiline, afirmou que o ataque ucraniano a Slaviansk vai retardar a libertação dos 11 observadores internacionais da OSCE -Organização para a Segurança e Cooperação da Europa – detidos pelos separatistas desde 25 de abril passado.

As discussões para a libertação dos homens (sete estrangeiros e quatro ucranianos) “estão numa fase muito delicada”, reconheceu o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier. Pressionada pelos ocidentais, a Rússia enviou um mediador, Vladimir Loukine, para participar das negociações.

A Rússia ficou igualmente indignada com a iniciativa de Kiev lançar a ofensiva militar a fim de recuperar a cidade separatista e convocou uma reunião de urgência no Conselho de Segurança da ONU, nesta sexta-feira. A reunião terminou sem nenhum resultado ou avanço e os dois lados se acusaram mutuamente de “hiprocrisia”.