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Avião da Malaysia cai no leste da Ucrânia; Kiev e rebeldes trocam acusações

Destroços do Boeing 777 MH-17, da Malaisia Airlines, que caiu na região de Donetsk

Destroços do Boeing 777 MH-17, da Malaisia Airlines, que caiu na região de Donetsk

REUTERS/Maxim Zmeyev
RFI

Um avião comercial da Malaysia Airlines caiu na cidade de Chakhtarsk, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia nesta quinta-feira (17). A informação, divulgada inicialmente pelas agências de notícias Inter-Tass e InterFax foi confirmada pelo conselheiro do ministério ucraniano do Interior, Anton Geratchenko.

 

A companhia aérea disse ter perdido contato com o Boeing 777 MH-17, quando ele sobrevoava a Ucrânia a 10 mil metros de altitude, com 280 passageiros e 15 membros da tripulação a bordo. De acordo com o conselheiro ucraniano, não houve sobreviventes.

Troca de acusações

Anton Geratchenko acusou separatistas russos de terem abatido o avião, que fazia a rota entre as capitais da Holanda, Amsterdã, e da Malásia, Kuala Lumpur, com um míssil disparado a partir do solo. O governo malaio prometeu investigar o caso e o presidente ucraniano Petro Porochenko disse “não excluir” a possibilidade de o avião ter sido “abatido”.

“Este é o terceiro caso trágico dos últimos dias, depois dos aviões An-26 e Su-25 das forças armadas ucranianas, que foram derrubados (por mísseis lançados) a partir do território russo”, disse Porochenko em comunicado. De acordo com ele, que prestou condolências às famílias das vítimas, “as forças ucranianas não efetuaram tiros que pudessem atingir alvos aéreos”.

Mas o chefe separatista Alexandre Borodai acusa as forças ucranianas pelo ataque. “Ao que parece, foi mesmo um avião de linha, abatido pela força aérea ucraniana”, declarou à televisão o líder da autoproclamada “República Popular de Donetsk”.

Um grupo de socorristas do ministério ucraniano de Situações de Emergência teria se deslocado para o local do acidente, informaram agências de notícias. Da sede da ONU, em Nova York, o embaixador russo para as Nações Unidas, Vitaly Tchurkin negou que a Rússia esteja por trás dos disparos que derrubaram os dois aviões militares.

A queda do avião foi um dos assuntos abordados em uma conversa telefônica entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e americano, Barack Obama, na tarde desta quinta-feira.

Novas sanções podem ter graves consequências para economia russa

O presidente Vladimir Putin se prepara para enfrentar as consequências que as sanções ocidentais podem ter para a economia russa.

O presidente Vladimir Putin se prepara para enfrentar as consequências que as sanções ocidentais podem ter para a economia russa|REUTERS/Alexei Druzhinin/RIA Novosti/Kremlin|RFI

Novas sanções ocidentais contra Moscou podem agravar o crescimento econômico da Rússia, disse neste sábado (28) o ministro russo da Economia, Alexei Ulyukayev. O país se prepara para enfrentar as conseqüências das medidas prometidas pelos Estados Unidos e União Europeia devido à continuação dos combates da rebelião separatista russa no leste da Ucrânia.

Ulyukayev anunciou que o país preparou três cenários, caso as sanções ocidentais contra Moscou endureçam. O mais otimista deles prevê o bloqueio das exportações de produtos de luxo, como caviar e peles, e o pior cenário englobaria o setor da metalurgia, petroleiro, e o gás, disse o ministro russo da Economia à televisão do país.

Se o quadro mais pessimista se confirmar, avaliou Ulyukayev, o crescimento econômico da Rússia seria gravemente afetado. “Os investimentos chegariam ao negativo, os juros baixariam, a inflação aumentaria e as reservas do Estado diminuiriam”, analisou. Para o ministro, no entanto, a economia russa tem capacidade de “suportar” essa perspectiva.

Cessar-fogo prolongado

Ontem (27), ao assinar um acordo histórico de associação com Kiev, os dirigentes da União Europeia estipularam que Moscou tem até segunda-feira (30) para tomar medidas contra a rebelião separatista russa no leste da Ucrânia. Esperando obter ações concretas por parte do vizinho, Kiev prolongou ontem o cessar-fogo com insurgentes durante mais 72 horas, na esperança da abertura de um diálogo de paz.

Tanto a União Europeia como os Estados Unidos aplicam uma série de sanções contra autoridades russas ou ucranianas pró-russas há quatro meses. O presidente Vladimir Putin, que no começo desdenhou as medidas, começa a ter os primeiros resultados concretos das mesmas. Na semana passada, o banco central russo admitiu que o crescimento da economia do país teria um recuo de 0,4% este ano.

Ontem a agência americana Moody’s rebaixou a avaliação de crédito da Rússia de “estável” para “negativa”, argumentando que a economia de Moscou está ameaçada pelo conflito na Ucrânia. A instituição também avaliou que a rebelião elevou o perigo de um “evento geopolítico arriscado” na Rússia.

Combates continuam

Apesar da extensão do cessar-fogo, os combates continuam no leste da Ucrânia. De acordo com o porta-voz das operações militares pró-russas na região industrial de Donbass, a madrugada foi “mais ou menos calma”. Ele anunciou a morte de três soldados ucranianos hoje nos arredores de Slaviansk, reduto dos insurgentes.

Guardas russos da fronteira com a Ucrânia afirmaram que a localidade de Rostov-na-Donu e outras cidades russas da região foram atingidas hoje por três mísseis do exército ucraniano. Ontem à noite, os rebeldes tomaram o controle de uma base do ministério do Interior na periferia de Donetsk.

Presidente da Ucrânia aumenta cessar-fogo, com apoio da Rússia

Presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, esteve na reunião de cúpula dos líderes europeus, em Bruxelas.

Presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, esteve na reunião de cúpula dos líderes europeus, em Bruxelas|REUTERS/Philippe Wojazer|RFI

O presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, ampliou nesta sexta-feira (27) o cessar-fogo no leste do país, durante mais 72 horas. O prazo original expiraria às 22h (15h em Brasília). Enquanto isso, em Bruxelas, os líderes da União Europeia deram um limite de três dias para a Rússia fazer “ações concretas” para diminuir a tensão no país vizinho, sob pena de receber novas sanções.

Em uma coletiva de imprensa na capital belga, onde estava para assinar o acordo de associação à União Europeia, Porochenko afirmou que a decisão de prolongar o cessar-fogo cabia a ele e precisava ser tomada hoje, devido à expiração do prazo inicial. A trégua foi proposta por Kiev na sexta-feira passada e aceita pelos insurgentes do leste, embora tenha sido desrespeitada de maneira esporádica ao longo da semana.

Mais cedo, o presidente russo, Vladimir Putin, havia pedido um cessar-fogo “de longa duração” na Ucrânia e o início de negociações diretas entre o governo de Kiev e as lideranças separatistas. “Sinceramente, nós estamos fazendo todo o possível para ajudar no processo de paz”, declarou o presidente. O chanceler russo, Serguei Lavrov, explicou, entretanto, que o cessar-fogo não deve ser um “ultimato” para os insurgentes baixarem as armas.

Pressão europeia

Os líderes europeus e os Estados Unidos pressionam Moscou a tomar “ações concretas” para desarmar os insurgentes pró-russos e trazer de volta os milicianos russos que combatem ao lado dos separatistas no leste ucraniano. Em um comunicado, a União Europeia determinou quatro condições para a Rússia evitar novas sanções, a serem cumpridas até segunda-feira à tarde: abertura de negociações sérias sobre a aplicação do plano de paz proposto pelo presidente ucraniano, a adoção de um mecanismo de verificação do cessar-fogo, supervisionado por inspetores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), o retorno do controle ucraniano em três pontos de fronteira entre os dois países e a libertação dos reféns detidos pelos separatistas pró-russos.

O Conselho Europeu prometeu voltar “examinar a situação” na segunda-feira e “tomar as medidas necessárias”, conforme o andamento da crise. O texto garante que os europeus estão prontos “para se reunir a qualquer momento” para a adoção de novas sanções contra Moscou, acusada de não usar sua influência sobre os separatistas para baixar a tensão na Ucrânia. Os europeus adotaram há quatro meses uma série de sanções contra personalidades russas e ucranianas pró-russas, principalmente o congelamento dos seus bens no bloco e a proibição de entrar nos países-membros da UE.

No final de semana, o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, terão uma nova conversa por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, para tratar sobre o assunto.

Ucrânia e EUA reclamam da falta de apoio russo a plano de paz

O presidente ucraniano, Petro Porochenko.

O presidente ucraniano, Petro Porochenko.

Reurters/ Gleb Garanich|RFI

Na véspera do fim do cessar-fogo nos confrontos no leste ucraniano, o presidente do país, Petro Porochenko, lamentou nesta quinta-feira (26) o apoio insuficiente de Moscou ao plano de paz lançado por ele na semana passada. O secretário de Estado americano, John Kerry, pressionou a Rússia a dar, “nas próximas horas, sinais concretos de boa vontade na crise ucraniana”.

Conforme Porochenko, o plano de paz, composto por 14 pontos, “não poderá funcionar se a Rússia não participar”. O presidente deseja aplicar “um cessar-fogo duradouro”. “Até o momento, infelizmente, o apoio de Moscou não é suficiente”, afirmou, na Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu.

“A guerra não-declarada continua, neste momento. É preciso trazer de volta os mercenários que atravessam a fronteira russa”, disse Porochenko, referindo-se aos milicianos russos que vão à Ucrânia para combater ao lado dos separatistas.

Kerry em Paris

Em visita a Paris nesta quinta-feira, o secretário de Estado americano, John Kerry, aumentou a pressão sobre a Rússia na véspera do fim da trégua entre governo e separatistas na Ucrânia. Kerry pediu que Moscou dê, “nas próximas horas, sinais concretos de boa vontade na crise ucraniana”. “A Rússia precisa encorajar os separatistas a entregar as armas e convencê-los a participar do processo político”, declarou o secretário de Estado.

Ontem, o presidente Barack Obama voltou a ameaçar a Rússia com novas sanções, se Moscou não tomar medidas rápidas para diminuir a tensão na Ucrânia. O alerta americano acontece enquanto França e Alemanha tentam negociar uma saída pacífica para o conflito.

François Hollande e Angela Merkel tiveram, na quarta-feira, uma primeira teleconferência com os presidentes ucraniano, Petro Porochenko, e russo, Vladimir Putin. Hoje, os quatro líderes voltam a conversar pelo telefone. Segundo Paris, Putin ja teria pedido um prolongamento do cessar-fogo.

Desde abril, mais de 400 pessoas morreram nos enfrentamentos entre o exército e os separatistas pró-russos. 

Putin volta atrás e pede retirada de autorização para intervir na Ucrânia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu ao Parlamento russo, nesta terça-feira (24), que cancele a autorização de intervenção militar na Ucrânia.

REUTERS/Alexei Druzhinin/RIA Novosti/Kremlin|RFI

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu ao Parlamento russo, nesta terça-feira (24), que cancele a autorização de intervenção militar na Ucrânia.Em um sinal de apoio às negociações de paz na Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, pediu nesta terça-feira (24) que o Parlamento russo cancele a autorização para que Moscou intervenha militarmente no país vizinho. A resolução havia sido solicitada pelo próprio Putin, em 1º de março, no auge da crise ucraniana.

O objetivo da decisão é ajudar na normalização da situação na Ucrânia, informou o porta-voz do presidente. A resolução foi aprovada sob o argumento da defesa das populações russas que vivem na Ucrânia. O texto deve ser revogado na quarta-feira, conforme um parlamentar.

O pedido acontece no dia seguinte a uma conversa telefônica entre os presidentes russo e americano. Ontem, Barack Obama voltou a pedir a Putin para apoiar a paz e parar de fornecer armas aos separatistas. Já o russo reiterou esperar o fim dos ataques por parte do exército ucraniano contra os separatistas e defendeu o início de um diálogo direto entre os envolvidos no conflito.

Separatistas aceitam trégua

Sinais de redução das hostilidades também vieram do leste da Ucrânia. Os chefes separatistas aceitaram ontem um cessar-fogo provisório, até a próxima sexta-feira (27), para dar uma “chance às negociações com o presidente ucraniano”, Petro Porochenko.

O presidente havia proclamado um cessar-fogo unilateral e apresentado um plano de paz para o leste separatista na última sexta-feira, composto de 14 itens. Hoje, Porochenko comemorou o pedido de Putin para cancelar a autorização de intervenção na Ucrânia. Para ele, a solicitação “é um primeiro passo concreto” dos russos depois do apoio, manifestado por Moscou, à proposta de paz feita por Kiev.

O plano ucraniano foi aprovado ontem pelos ministros das Relações Exteriores da União Europeia, que voltaram a pressionar a Rússia por mais cooperação e a ameaçar o país de novas sanções, por sua participação na crise com o país vizinho. 

Ativista do Femen destrói estátua de Putin em museu de Paris

Uma integrante francesa do movimento Femen arrancou em protesto a cabeça da réplica de cera de Vladimir Putin, no Museu Grévin, em Paris, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2014.

Uma integrante francesa do movimento Femen arrancou em protesto a cabeça da réplica de cera de Vladimir Putin, no Museu Grévin, em Paris, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2014|© ERIC FEFERBERG|AFP|RFI

Uma ativista do movimento feminista Femen destruiu nesta quinta-feira (5) uma estátua de cera do presidente russo, Vladimir Putin, exposta no museu Grévin, em Paris. A militante estragou a estátua com golpes de bastão, enquanto gritava “Putin ditador”, poucas horas antes de o líder desembarcar na capital francesa.

A figura do presidente russo estava na ala de líderes mundiais do museu de cera, ao lado do americano Barack Obama, o francês François Hollande, a alemã Angela Merkel e o rei espanhol Juan Carlos. A maioria dos golpes foi dada na cabeça da estátua. Depois de destruir a obra, a jovem – que estava parcialmente despida – foi levada pela polícia.

A direção do museu lamentou o incidente e anunciou que vai prestar queixa contra a militante. De acordo com o museu, essa foi a primeira vez que uma estátua foi danificada, embora outros precedentes “políticos” tenham antecedido o ataque a “Putin”.

Em 1979, a estátua de cera do dirigente comunista francês Georges Marchais foi roubada do museu por militantes da extrema-direita. A obra foi encontrada pichada em um jardim e com uma corda no pescoço.

Putin é aguardado para jantar com Hollande nesta quinta. Amanhã, os dois e vários outros chefes de Estado e de governo participam das comemorações dos 70 anos do desembarque das tropas aliadas na Normandia, durante a Segunda Guerra Mundial. 

Hollande recebe Obama, Putin e rainha Elizabeth 2ª em Paris

Rainha Elizabeth II da Inglaterra chega à estação Gare du Nord em Paris, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2014.

REUTERS/Benoit Tessier|ARFI

A Rainha Elizabeth II da Inglaterra chega à estação Gare du Nord em Paris, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2014.O presidente francês, François Hollande, começa a receber a partir desta quinta-feira (5), em Paris, cerca de 20 chefes de Estado e de governo que vão participar das comemorações dos 70 anos do desembarque aliado na Normandia, o Dia D, celebrado amanhã, 6 de junho. Vladimir Putin estará presente, assim como Barack Obama, a rainha da Inglaterra Elizabeth 2ª e o novo presidente ucraniano, Petro Porochenko.

Não há um encontro previsto entre Obama e Putin, mas Hollande espera unir os dois líderes pelo menos para a fotografia oficial do evento. Putin não descarta a hipótese de conversar com Porochenko.

Na delicada tarefa de ser o anfitrião das celebrações em um momento de alta tensão entre americanos e russos, devido à crise na Ucrânia, o presidente francês terá uma agenda intensa hoje em Paris. Hollande vai chegar a jantar duas vezes, primeiro com Obama, às 19h, e depois com Putin, às 21h. Antes, ele recebe a rainha Elizabeth, que desembarca de trem na Gare du Nord, vinda da Inglaterra de Eurostar.

Rainha vem de trem

A viagem de trem sob o Canal da Mancha carrega todo um simbolismo político, já que a construção do Eurotunel foi uma das maiores realizações em conjunto entre França e Inglaterra. Depois de desembarcar na estação de trem mais movimentada da Europa, a rainha e o príncipe Filipe vão se dirigir ao Arco do Triunfo e em seguida desfilar pela avenida Champs Elysées rumo ao Palácio do Eliseu, onde serão recebidos por François Hollande.

O casal real será transportado em um carro adaptado, mais alto do que o utilizado habitualmente por chefes de Estado na França, para que a rainha não precise se curvar demais. Aos 88 anos, Elizabeth 2ª tem viajado cada vez menos, mas a França é um dos seus destinos preferidos.

A primeira visita ocorreu em 1948 e, a partir daí, a rainha já se encontrou com nove chefes de Estado franceses diferentes, em cinco viagens oficiais, fazendo da França o país mais visitado por ela, à exceção dos países do Commonwealth. Assim como essa pode ser a última grande celebração do Desembarque da Normandia com veteranos do combate ainda vivos, especialistas na monarquia inglesa afirmam que, por causa da idade avançada, essa poderá também ser a derradeira visita de Elizabeth ao país.

O convite de Hollande à coroa inglesa também redime o país do constrangimento do aniversário dos 65 anos do desembarque, quando o então presidente Nicolas Sarkozy não convidou o casal real. O Desembarque da Normandia foi a gigantesca operação militar que marcou o início da libertação da França do jugo dos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Pró-russos promovem mega-ofensiva no leste da Ucrânia

Padre segura uma bandeira russa diante do prédio da administração local de Lugansk, ocupado por separatistas

Padre segura uma bandeira russa diante do prédio da administração local de Lugansk, ocupado por separatistas|REUTERS|Stringer|RFI

Nesta segunda-feira, centenas de atiradores pró-Rússia atacaram um campo da guarda fronteiriça em Lugansk, no leste da Ucrânia. A ação, que contou com atiradores de elite, lança granadas e morteiros, foi uma das maiores ofensivas da insurgência que Washington acusa Moscou de apoiar e patrocinar.

O ataque extremamente bem organizado começou logo nas primeiras luzes do dia e se estendeu pela tarde. Homens armados de fuzis de fabricação russa compuseram a linha de frente, cobertos por snipers experientes, posicionados sobre dois prédios de nove andares no entorno do campo. Um destes atiradores foi morto, além de quatro outros rebeldes, informou a guarda fronteiriça em comunicado. Ainda de acordo com o texto, oito pró-russos ficaram feridos. Do lado ucraniano, foram oito feridos, quatro sem gravidade.

No início da tarde, as duas partes negociaram um cessar-fogo para que os feridos pudessem ser retirados em ambulâncias. Um porta-voz do que a Ucrânia chama de “operação antiterrorista” afirmou que a guarda recebeu apoio aéreo, que conseguiu destruir duas equipes de lançadores de morteiros.

De fato, testemunhas viram crateras no chão ao redor de um prédio administrativo de Lugansk que está ocupado por separatistas desde o dia 6 de abril. De uma das janelas do edifício, era possível ver nuvens de fumaça, que poderiam ter sido causadas por uma explosão ou por bombardeio.

Teste para Porochenko

Para o presidente-eleito Petro Porochenko, a ofensiva de hoje serviu para lembrar o quanto vai ser difícil manter sua promessa de campanha de salvar o país da desintegração territorial e do colapso econômico. O empresário pró-ocidente de 48 anos conseguiu um trunfo político inesperado na manhã de segunda, com a decisão da gigante estatal russa Gazprom de prorrogar o prazo para Kiev pagar sua dívida de quase US$ 2,5 bilhões com Moscou.

Inicialmente, a Ucrânia poderia ter seu suprimento interrompido já na terça-feira, com consequências catastróficas não apenas para a ex-república soviética, mas para toda Europa, altamente dependente do gás russo, que transita majoritariamente por território ucraniano.

Mas, duas horas antes de os dois lados se encontrarem para discutir o preço do gás – que subiram drasticamente depois de a derrubada do presidente pró-Kremlin Viktor Yanukovich, em fevereiro -, a Gazprom confirmou ter recebido uma primeira parcela de US$ 786 milhões de Kiev e estendeu em uma semana o ultimato.

Às margens da Normandia

No plano político, as potências ocidentais procuram pressionar o presidente russo Vladimir Putin, para que ele pare de jogar lenha na fogueira ucraniana. Hoje, a diplomacia britânica informou que o primeiro ministro David Cameron se encontrará com mandatário russo às margens das comemorações dos 70 anos do Dia D, na Normandia.

Barack Obama também participa da celebração e já tem uma reunião marcada com Petro Porochenko, a quem expressará seu apoio. O presidente-eleito ucraniano prometeu uma conversa com Putin, mas o Kremlin negou que tal encontro esteja sendo negociado. Oficialmente, o presidente russo não conversou com nenhum membro do executivo da Ucrânia, desde que o regime de Yanukovich foi deposto.

Guerra Fria

De acordo com o secretário americano do Tesouro, Jacob Lew, Washington proporá novas sanções à Rússia durante a cúpula dos países do G7 que acontece nesta terça (3) em Bruxelas. “Há evidências de que a Rússia continua permitindo um fluxo livre de armas, fundos e soldados através de suas fronteiras e até agora não sabemos quais serão os próximos passos do presidente Putin”, disse Lew.

Diante deste cenário, ele acrescentou que o presidente Obama “deu seu aval para que tomemos ações ainda mais drásticas caso a Rússia continue a apoiar separatistas armados no leste da Ucrânia”. Poroshenko agora procura novas alianças militares no ocidente para se afastar do abraço de Putin, mas o presidente norte-americano já declarou que priorizará a diplomacia sobre as armas no caso da expansão russa.

Por outro lado, os oficiais americanos insistem que seu compromisso com a Ucrânia permanece forte. De acordo com o Pentágono, Washington discute um plano de ajuda militar de 13 milhões de euros para que a Ucrânia constitua “forças armadas de alta eficácia”.

Kiev acusa Rússia de propaganda “pró-agressão” no leste

Combatente passa diante de caixões de milicianos pró-russos após batalha no aeroporto de Kiev

Combatente passa diante de caixões de milicianos pró-russos após batalha no aeroporto de Kiev|REUTERS/Yannis Behrakis|RFI

Neste sábado (31), a Ucrânia acusou Moscou de lançar uma campanha de propaganda para justificar sua “agressão” ao leste do país, incentivar o separatismo pró-russo e abalar a legitimidade do novo presidente pró-ocidental, Petro Porochenko. Depois dos violentos combates do início da semana no aeroporto internacional de Donetsk, os conflitos entre forças pró-Kiev e separatistas se multiplicam pelo território. Desde o início da semana, oito observadores da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) estão desaparecidos.

Para os russos, a origem da violência é uma “operação punitiva” de Kiev, que se recusa a dialogar com os separatistas e opta pela via das armas. A acusação é rechaçada pelas autoridades ucranianas: “O Kremlin não para de fazer declarações baseadas na emoção e de inventar informações com o único objetivo de legitimar a agressão russa”, escreveu hoje no jornal de língua inglesa Kyiv Post o ministro das Relações Exteriores Andrii Dechtchitsa.

Em sua coluna, ele denunciou ainda uma “campanha massiva de informação lançada nos últimos dias pelo Kremlin contra a operação antiterrorista (ucraniana), com um discurso dúbio, repleto de falsas informações”. De acordo com ele, o discurso do vizinho mostra que a Rússia está desesperada para aproveitar sua “última chance de influenciar a opinião pública internacional”.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, pediu mais uma vez que o secretário de Estado norte-americano John Kerry convença Kiev a cessar sua ofensiva no leste. Mas, de acordo com o conselheiro adjunto de segurança nacional dos Estados Unidos, Ben Rhodes, o presidente Barack Obama “expressará diretamente ao presidente eleito Porochenko seu apoio” à Ucrânia. Os dois se encontram na Polônia na próxima quarta-feira (4), antes de seguirem para a França para participar das comemorações da tomada da Normandia, no dia 6. Vladimir Putin também estará presente.

Armas e remédios

Nos últimos dias, o presidente russo multiplicou as conversas telefônicas com dirigentes ocidentais, entre eles o francês François Hollande. Ele acusa Kiev de violar a Convenção de Genebra de 1949 no que tange a obrigação dos estados de proteger os civis. De acordo com Putin, a Ucrânia usa deliberadamente seus meios militares contra a população do leste e se opõe à ajuda humanitária na região.

Para a diplomacia ucraniana, o discurso não passa de retórica: “Fornecer armamento de um lado e remédios do outro é, no mínimo, contraditório”, ironizou Andrii Dechtchitsa, em referência à artilharia – inclusive pesada – utilizada por cidadãos russos que combatem ao lado dos insurgentes. Os próprios separatistas confirmaram que a maioria dos 40 mortos nos combates do aeroporto de Kiev era russa.

Diálogo e guerra

Eleito no último dia 25 no primeiro turno, Porochenko afirmou que pretende dialogar com Moscou, mas prometeu também agir com firmeza com relação aos rebeldes.

De fato, nesta semana, Kiev reforçou a ofensiva no leste, que já causou 200 mortes – entre soldados, separatistas e civis – desde seu início, em 13 de abril. De acordo com as autoridades ucranianas, Kiev ganhou terreno, mas os combates estão cada vez mais violentos e várias cidades da região – inclusive a capital Donetsk – sucumbiram à anarquia.

Crise de abastecimento

Além da violência, Kiev enfrenta o risco de uma interrupção no fornecimento do gás russo já na próxima terça-feira. Nas negociações desta sexta em Berlim, Kiev fez um gesto ao anunciar o pagamento de US$ 786 milhões de sua dívida de US$ 3,5 bilhões com a Rússia.

Uma nova rodada está prevista para segunda-feira em Bruxelas para discutir principalmente o preço, fixado a um nível sem precedentes depois da tomada do poder na Ucrânia pelos pró-ocidentais. A Europa também teme uma crise de abastecimento, já que boa parte de seu gás russo transita por território ucraniano.

Rússia celebra o Dia da Vitória

Triunfo soviético sobre o nazismo foi lembrado em todo o país

09/05/2014 

A Rússia está celebrando nesta sexta-feira, 9, os 69 anos do triunfo das tropas soviéticas sobre o nazismo, pondo fim à II Guerra Mundial. Em todo o país, há comemorações. A de maior destaque acontece na Praça Vermelha, em Moscou, no tradicional Desfile da Vitória, parada militar acompanhada por milhares de pessoas, incluindo as principais autoridades russas, e transmitida pela TV, com a presença de mais de 150 veículos militares e 69 aviões e helicópteros da Força Aérea.

O Presidente Russo, Vladimir Putin, em discurso durante o Desfile Militar, exaltou o orgulho da nação pela data e homenageou os heróis que combateram contra os nazistas. “O Dia da Vitória na II Guerra Mundial foi, é e será a nossa festa mais importante. É o dia do pesar e da memória eterna, quando se sente de uma forma especialmente aguda como é importante saber defender os interesses da pátria.”

O desfile militar em Moscou foi o ponto alto das comemorações do Dia da Vitória

Nas outras regiões da Rússia, também houve comemorações. A mais nova república da Federação Russa, a Crimeia, aproximadamente 300 mil pessoas celebraram nas ruas a vitória sobre o nazismo, segundo informou o Ministro da Informação e Comunicações local, Dmitri Polonsky. Ele afirmou que a festa deste ano foi a mais concorrida em 23 anos. Somente na parada militar realizada na capital, Sinferopol, o público estimado foi de 100 mil presentes.