O que está em jogo no Brasil?

Duas manifestações estão sendo convocadas neste mês de agosto. No dia 16, grupos como o “Vem pra rua” e partidos como o PSDB chamam ato contra a corrupção e pelo impeachment. No dia 20, organizações de esquerda criticam ajuste fiscal e pedem mais democracia. Confira as principais bandeiras e quem está convocando os dois atos

17/08/2015

Brasil de Fato | Minas Gerais

Dia 20

O QUE QUEREM:

Defesa dos direitos dos trabalhadores: contra as medidas econômicas e ajuste fiscal que retirem direitos e a favor de melhores condições de vida para a população

– Mais democracia: a favor da reforma política do respeito às eleições de 2014 e regulamentação dos meios de comunicação

– Soberania nacional: contra a entrega do petróleo brasileiro a empresas transnacionais e a transferência de dinheiro público para o exterior por meio de contas secretas

– Reformas estruturais e populares: a favor da reforma política, urbana, agrária, tributária e educacional

– Integração latino-americana: a favor da integração dos países latino-americanos, através do Mercosul, CELAC, Unasul e integração popular

Fonte: MST, CUT, MTST

Frente Popular critica retirada de direitos e cobra mais democracia

A manifestação de 20 de agosto está sendo convocada pela Frente Popular pelo Brasil, composta por organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), União Nacional dos Estudantes (UNE), Levante Popular da Juventude, Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), além de partidos como o PT, PCdoB e Consulta Popular.

Iniciado em São Paulo, o Grupo Brasil existe há 10 anos e reúne os maiores movimentos sociais e sindicais do país para debater conjuntura e política. A partir do início deste ano, o grupo passa a se articular como “Frente Popular pelo Brasil”. No dia 20, atuam em dois temas centrais: respeito às eleições de 2014 e contra os ajustes do governo federal, como os cortes no seguro-desemprego e no FIES.

A articulação também lançou um documento nacional, onde lista seis temas amplos defendidos por todas as organizações. As bandeiras vão desde os últimos projetos aprovados na Câmara dos Deputados, até a integração entre países latino-americanos. Em Minas Gerais, o lançamento da Frente Mineira pelo Brasil aconteceu em 7 de agosto e contou com a presença de 300 pessoas e do teólogo Leonardo Boff.

16 DE AGOSTO

O QUE QUEREM:

– Invalidação das eleições 2014: recontagem e investigação das eleições presidenciais de 2014

– Votação do impeachment de Dilma Rousseff: foram protocolados na Câmara dos Deputados 13 pedidos de impeachment da presidenta. A oposição pede que Eduardo Cunha, presidente da casa, os coloque em votação

– Prisão do ex-presidente Lula: por suposto envolvimento em casos de corrupção investigados pela operação Lava-Jato

– Mais CPIs: aprofundamento das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) em instituições estatais e públicas, como a Petrobras e o BNDES

Partidos de oposição divulgam apoio aos protestos

Os eventos são convocados pelo Movimento Brasil Livre (MBL), pela página Vem Pra Rua e Revoltados ON LINE. Alguns dos partidos da oposição ao governo federal também convocam ou apoiam a manifestação: PSDB, DEM, Solidariedade e PPS. Nos dias 6 e 8 de agosto, o PSDB utilizou seus espaços na TV para divulgar apoio aos protestos.

A atitude que une os três grupos são as publicações contra o Partido dos Trabalhadores, ações que pressionam o poder judiciário a realizar prisões de integrantes do governo federal, tanto de partidos da base aliada quanto de empresários brasileiros.

Esta não é a primeira proposta de impeachment de Dilma Rousseff desde as eleições presidenciais de outubro de 2014. A recontagem de votos, as manifestações de 15 de março, a pressão para relacionar Dilma com ações de corrupção e as “pedaladas fiscais” foram algumas destas tentativas.

Entre as organizações há, ainda, a divisão entre os que querem a deposição da presidenta por vias democráticas e os que defendem uma intervenção militar. Outros apostam na estratégia de desgastar o governo até 2018, levando à sua derrota eleitoral.

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