Aécio diz que nunca usou cocaína e editor sugere um exame toxicológico

Correio do Brasil

Aécio se irritou ao ser perguntado, durante o programa Roda Viva, se era usuário de cocaína

O presidenciável tucano Aécio Neves culpou o ‘submundo da web’ pela ‘infâmia’ de classificá-lo como usuário de cocaína e álcool. As afirmações ocorreram durante entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura, encerrado na madrugada desta terça-feira. Neves diz que nunca cheirou, apenas experimentou maconha quando ainda jovem. Para tirar qualquer dúvida, o jornalista Paulo Nogueira, editor do blog Diário do Centro do Mundo (DCM), sugere que ele se submeta a um exame toxicológico. As chances de que isso aconteça são mínimas, diante do fato que Aécio se recusou asoprar um bafômetro, ao ser flagrado em uma blitz da Lei Seca no Leblon, Zona Sul do Rio.

– A internet é a maior revolução do nosso tempo. Mas ela não impede a atuação de quadrilhas virtuais, de terrorismo. Há nesses casos o cometimento de crimes. Robôs eletrônicos são usados para propagar mentiras. São os absurdos de sempre – disse, sem paciência alguma com as dúvidas do editor da revista mensal Piauí, Fernando Barros e Silva, que lhe fez a pergunta. “O desconforto jorrou em golfadas de Aécio”, repercutiu o jornalista Paulo Nogueira, editor do DCM, a partir de Londres.

Aécio, aos telespectadores do programa apresentado por Augusto Nunes, um dos colunistas da revista semanal de ultradireita Veja, em linha com a ideia de que exista um submundo na web, disse que espera encontrar na disputa eleitoral “todo tipo de leviandade e acusações”.

– Essa guerrilha vai continuar: Jamais (fui usuário de cocaína). Tenho uma vida da qual me orgulho muito. Tenho uma família extraordinária. Os que me conhecem vêm me reelegendo há 30 anos. Não conseguem dizer que sou desonesto, que sou incompetente. Têm de dizer alguma coisa – respondeu.

O ex-governador mineiro, embora tenha-se declarado usuário de maconha, disse que agora é contra a descriminalização da droga:

– (O ex-presidente e líder tucano) Fernando Henrique está à vontade para fazer esse debate, mas não é a minha posição. Não é uma agenda que atenda à expectativa do cidadão brasileiro. Não sou à favor da descriminalização – disse.

Ainda na repercussão do fato no DCM, Nogueira afirma que “Aécio tem um problema”.

“Mesmo num ambiente superprotegido como foi o Roda Viva ontem, a questão da cocaína o assombrou. Me ocorreu a reação histórica de FHC quando, como candidato a prefeito de São Paulo, ouviu de Boris Casoy num debate pela tevê o seguinte: ‘O senhor acredita em Deus?’. Naquela época, FHC não acreditava.

– Mas, Boris: nós tínhamos combinado antes que você não faria essa pergunta – respondeu ele.

“Fernando Barros – o único dos entrevistadores que fez ontem algo parecido com jornalismo – perguntou. A resposta de Aécio – disse, perturbado e irritado, que nunca usou cocaína – não foi a mais convincente que ele deu na vida, com certeza. Aécio, numa demonstração de que Minas não o acostumou a lidar com perguntas embaraçosas de jornalistas, acusou Fernando Barros de já ter candidato. Depois, ele confiou na desinformação das pessoas. Afirmou que os elos que o unem à cocaína são fruto do ‘submundo’ da internet. Temos aí uma visão ampla do ‘submundo da internet‘, então. Incluí o Mineirão lotado. Em 2008, num amistoso da seleção contra a Argentina, a torcida gritou: ‘Ei Maradona, vai se fxxx, o Aécio cheira mais do que você”, lembrou o editor.

E continua: “Pausa para rir”.

“Bem, o editor da Piauí fez menção ao coro do Mineirão. Serra também teria que ser incluído no ‘submundo da internet’. Um jornalista ligado a Serra publicou no Estadão, quando este e Aécio disputavam a indicação do PSDB para a eleição presidencial de 2010, um artigo cujo título era: ‘Pó pará, governador‘. (Aécio era governador de Minas). Serra, pelas costas de Aécio, sempre trouxe a cocaína à cena para boicotá-lo em disputas internas tucanas. Barros lembrou um artigo de Serra que, do nada, quando mais uma vez se avizinhava uma competição entre ele e Aécio pela nomeação à eleição presidencial, anunciava logo na primeira frase que o “consumo de cocaína” seria debatido no Brasil. Aécio claramente não está preparado para discutir a cocaína. Ele parece não ter feito nenhum treinamento com especialistas para se safar deste tipo de pergunta. Ou, se fez, o treinamento foi inútil, pelo menos a julgar por ontem”, acrescentou.

“Aécio, desde o início, era uma candidatura de alto risco para o PSDB pela fama de festeiro inveterado. Ou o partido subestimou o risco, ou simplesmente não tinha alternativa. Podia terminar em Serra, mais uma vez. Para Aécio se livrar do assunto, a única solução é ele fazer um exame toxicológico. Mas, pelo menos até aqui, ele não mostrou nenhuma disposição para fazer isso”, concluiu Nogueira.

Assista à entrevista completa:

 

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